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Mimarlık Eğitiminde Veri İşleme Yöntemlerinin Müzik ve Mimarlık Arakesitinde Kullanımı

2- Seslerin görsel parametrelerinin veya ses renginin müzikal üretmeyi kapsamasıdır (Dermietzel, 2005).

3.5.2 Mimarlık Eğitiminde Veri İşleme Yöntemlerinin Müzik ve Mimarlık Arakesitinde Kullanımı

Todo mundo tem um palpite em relação às políticas de cotas. Muitas pessoas não

possuem nem mesmo informações precisas sobre essas políticas, como por exemplo, a

porcentagem reservada para as cotas. Mas mesmo assim opinam contra ou a favor. O

nível de escolaridade, muitas vezes, não faz diferença. Mesmo quem está dentro de uma

universidade, muitas vezes, não sempre sabe muito bem sobre as finalidades das cotas

nem o porquê de sua existência. Observe as respostas dadas à pergunta sobre se conhecem

as políticas afirmativas e seu posicionamento (contra ou a favor):

Para Daniel Silva, o assunto sobre as políticas afirmativas não lhe é estranho,

embora deixe claro, em sua fala, não ter um amplo conhecimento do assunto. O depoente

é a favor das cotas, pois acredita ser uma iniciativa positiva para o negro.

Algum tempo atrás eu ouvi na televisão, não só nas universidades, mas

nas empresas. Eu ouvi, mas, não gravei. Na empresa se não me engano,

acho que um por cento, um virgula alguma coisa por cento

140

.

Erisenia Correia concorda que as políticas afirmativas precisam existir para o

negro, mas acredita que seria melhor se atendesse também aos pobres que não tem

condições de pagar uma Universidade. Ela se expressa com muita lucidez, deixa

transparecer que enfrenta uma luta diária e particular em relação aos estudos de suas

filhas. Sabe que, por ser uma mulher (mãe) pobre, e não tendo condições para sustentar

suas filhas em uma Universidade particular, se esforça muito para tal, e deixa claro sua

opinião de que a concorrência da universidade pública não é justa.

Eu sou a favor, não só para os negros, mas para todas as pessoas que

tem desejo de estudar. Deveria ter faculdade grátis para todos os que

têm desejo de estudar. Acho que as pessoas que tem um pai com

condição financeira boa, por que tem gente que nasceu em berço de

ouro, bem rico mesmo, não precisa realmente de uma faculdade grátis.

Eles estudam em colégio particular desde pequeno, o pai que não tem

condições não ia colocar. Tem pai que coloca o filho em escola

139 OLIVEIRA, Luís Cardoso de. Racismo, direitos e cidadania. Estudos Avançados. São Paulo, v. 18, n.

50, 2004, p.81-93. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php. Acesso em: 05 mar. 2007.

particular em determinado tempo, depois não dá mais. Eu coloquei a

Renata em uma escolinha particular, na pré-escola, porque não tinha

uma escola publica por aqui, mas mudou muita coisa depois que a

Renata nasceu. Coloquei a Elizangela também na pré-escola, mas eu não

tive condições de deixar minhas filhas até grande numa escola

particular. Por que eu coloquei na pré-escola? Não era por que eu tinha

condições, é por que eu não queria que minhas filhas ficassem em casa

sem aprender nada. Queria que em vez de ficar aprendendo besteira na

televisão elas colocassem a mente numa coisa melhor. Acho que o

governo deveria dar para aquele pai que nunca teve condições. (...) Tem

muita gente querendo estudar, mas não tem condições. Tem muita

gente. Se tivesse uma faculdade pública que não exigisse tanta coisa

para entrar, como a USP faz, minha filha já estava formada. Eu não

precisava estar fazendo hora extra como estou fazendo, trabalhando

direto com a deficiência que eu tenho, para pagar a faculdade da Renata

e da Elizangela.

Para Nice da Silva, que é professora e lida com a questão educacional em seu

dia-a-dia, as políticas afirmativas apresentam dois lados: por um, dá a chance ao negro de

ingressar em uma empresa ou Universidade, mas por outro, não deixa de ser uma forma

preconceituosa de ver o negro.

Eu tenho uma idéia mais ou menos assim: por um lado, acho que é

viável, mas por outro, é tentar mostrar que o negro é incompetente.

Porque eu falo por um lado? Se você for no mercado de trabalho você

sabe que vai ter menos chance do que um outro branco, a gente sabe que

é assim. Se tiver um gordo e um magro, uma recepcionista magra e uma

gorda, é óbvio que a magra de boa aparência vai ter 70, 80% mais

chance que a outra, vai ser assim. Ajudaria (ter cotas) por que seria

obrigatório ter um preto lá dentro, o mesmo que acontece nas

universidades. Na minha época, quando fiz a faculdade, sabe quantos

negros tinha na sala? Três. Só três, o resto tudo era filhinho de papai, era

assim. Eu fui de teimosa, porque condições eu não tinha.

Ela deixa claro que sua formação educacional e estrutura familiar não lhe deram

base que permitisse sua entrada em uma Universidade pública.

Na universidade de Santo Amaro. Mas eu fui de teimosa. Eu não tinha

como entrar em uma universidade pública. Não tive estrutura para isso,

a minha base, que era o ensino fundamental, foi péssima, que eu falei

com você no começo, meus professores eram de péssima qualidade. Não

tinha como, só se fosse um milagre. Deus falasse assim: é para você

entrar na USP. Aí você vai. Se depender dos meus conhecimentos... eu

confesso, meu ensino fundamental foi de péssima qualidade, tive

péssima qualidade de vida, péssima qualidade de família, meu pai bebia

e quebrava tudo em casa, então tudo isso influenciou.

Quando analisamos toda a história de vida da depoente, percebemos que um

complexo de fatores, como morar em uma cidade pequena e quase sem estrutura; ter que

trabalhar em todo período de estudo; estudar em uma escola com profissionais com pouco

preparo e etc., se tornaram empecilhos para que ela tivesse uma condição educacional

diferente.

Já os colaboradores Ademilton, Maria Aparecida e Veraldina, em suas respostas,

deixam transparecer que não compreendem bem a proposta das ações afirmativas,

embora, nem por isso, deixam de expressar suas opiniões a respeito. Ademilton inicia

falando que as cotas não deveriam existir por causar desigualdades entre brancos e

negros. Desconsidera, portanto, que já vivemos em um país com profundas desigualdades

raciais. Ele consegue interpretar as cotas como se fosse uma proposta que colocasse o

branco em desvantagem, mas isso só seria possível se a concorrência entre brancos e

negros fosse igualitária. Por fim, demonstra que verdadeiramente não consegue entender

o propósito real das cotas.

Sim, eu já ouvi falar (sobre as cotas) e acho um absurdo, mas existe.

Por que trata as pessoas com desigualdade, por que se tem uma cota

para um e não tem para outro, já começa a tratar com desigualdade.

Deveria ser uma coisa justa, o que existe para o branco, existisse para o

negro também.

Se fosse só pelas escolas, universidade, os negros ainda estariam de fora

das escolas, porque os brancos estariam em primeiro lugar, mas as cotas

seriam boas nesse sentido para ajudar, mas deveria ser permanente. E

que acabe essa coisa de cota, se o negro tem condição de entrar na

universidade ele entra. Então a cota foi mais para pessoas que não tinha

condições de entrar na universidade, né? Então valeu a pena né? A

igualdade deve ser para todos.

Maria Aparecida, da mesma forma, não entende o propósito das cotas. Para ela,

essa é uma forma que prejudica o negro, ao invés de ajudá-lo, pois limita o número da

entrada de negros na universidade.

Eu já ouvi falar (das cotas). Sou contra e acho que a igreja é contra, né?

Por que deveria ser igual para todos. Porque só duas? Só duas pessoas

negras podem entrar na faculdade? Então, essas cotas que falam aí não

têm uma porcentagem, então (...) acho que deveria ser igual para todos.

Veraldina também se expressou contra as cotas. Para ela, criar cotas é criar

desigualdade. Se os negros são como os brancos, não poderiam ter privilégios. Mas ela

também desconsidera a desigualdade estrutural e racial que subjugaram os negros

brasileiros.

Eu já ouvi falar. Eu acho que não tem que existir uma cota para o negro.

O negro tem que competir com todo mundo, por que tem que ter cota

para o negro? Por quê? Eles não podem disputar por igual? Eles não têm

a mesma inteligência? Têm. Então não há necessidade. Ele tem que

entrar pelo valor que tem, pelo que ele aprendeu, enfim, e não por que o

governo decide X tantos para negros. E o resto dos negros? Quer dizer

entra uma cota e a outra? Então entra o melhor, cada um tem que se

esforçar para ser melhor, para chegar lá. Eu acho isso um absurdo. Não

tinha que ter cotas não.

Suely é educadora e trabalha com crianças carentes da periferia. Ela entende bem

a realidade do negro pobre, mas se posiciona contra as cotas, uma vez que entende que as

políticas afirmativas negam a capacidade intelectual do negro, contribuindo para crença

de que o negro é incompetente. Ela entende a concorrência nas Universidades públicas

como oferecendo dificuldades iguais tanto para o negro quanto para o branco. Porém

reconhece que uma das grandes barreiras para um aluno pobre entrar em uma

universidade pública é a má qualidade das escolas municipais e estaduais. E uma saída

para resolver esse problema seria um melhor investimento no ensino fundamental e

médio, colocando-os em pé de igualdade com os colégios particulares.

Não sou a favor não, até por que, acredito na capacidade do negro. Ele

não precisa de uma cota reservada. Ele tem que acreditar mesmo nele,

investir nele e concorrer a estas vagas. Porque da mesma forma,

principalmente nas faculdades federais, públicas, que você não paga, a

concorrência é brava. Mas ela é brava tanto para negro quanto para

branco de classe inferior. Porque a gente está favorecendo uma classe?

De novo a gente está dizendo que ela é inferior, parece que ela tem

dificuldade de concorrer a alguma coisa. Mas também a classe menos

favorecida que são os pobres, que não tem condições de colocar seus

filhos em escolas graduadas e concorrer de igual para igual com aqueles

que têm. Eu acho que precisa melhorar nossas escolas públicas, que elas

possam dar para nossos alunos as mesmas capacidades às mesmas

condições de desenvolvimento que uma escola particular dá, para que

eles possam concorrer de igual para igual. Isso eu acho que vai dar

certo, a partir do momento que tivermos uma escola pública de ponta,

nossos alunos não vão precisar se socorrer a cotas.

De modo geral, todos os entrevistados disseram que o assunto sobre políticas

afirmativas nunca foi debatido dentro da igreja. Portanto, não há uma posição dela a

respeito das cotas. Quando conversamos com o líder da comunidade, que é branco,

percebemos que para ele este assunto ultrapassa o limite da função da igreja. Essa

problemática é entendida como um problema do governo, uma questão política, não

cabendo a igreja discuti-la, uma vez que ela é independente do Estado.

D.W – Não sou a favor nem contra. Acho que todas as coisas têm dois

lados. Se as políticas das cotas produzirem avanço, melhoramento,

proporcionar igualdade, então ok! Se não, também sem problema. Eu

não posso dizer se sou a favor ou contra isso ou aquilo, todas as coisas

tem dois lados. Agora se vai melhorar, vamos lá, mantém as cotas.

C.K – Claramente o senhor não se posiciona?

D.W – Não tenho uma convicção firmada sobre isso.

C.K – A igreja batista tem uma posição sobre essas políticas

afirmativas?

D.W – Como denominação local não. Por quê? Porque nós pregamos a

igualdade, o ser humano como um todo. São positivas, são negativas, eu

não posso te falar isso. Não sei por que depende de cada contexto, de

cada região, inclusive depende muito dos negros, o interesse por essas

cotas ou não, depende muito deles. Não tem uma posição, porque a

posição da igreja é a igualdade, essa é a posição da igreja.

C.K – A igreja então não devia ter mesmo uma posição em relação às

cotas?

D.W – Não, por que isso está no campo político. A igreja é

independente do Estado. É uma questão política social de nosso país que

precisa ser resolvida. Se nas cotas os nossos governantes encontraram a

melhor alternativa, ok! Continuem com ela. A igreja não tem essa

obrigação de se posicionar. A igreja precisa continuar dizendo o tempo

todo o que diz a Bíblia: para Deus todos somos iguais. E não defender

cota para um, mais ou menos, não. Todos têm o direito de escola, todos

têm o direito de estudar, todos têm direito de trabalhar, todos tem direito

de ir e vir, todos tem direito de se alimentar, todos tem direito de

respeito. É isso que nós pregamos. Então defender uma política, A, B ou

C não cabe a igreja, cabe a igreja ensinar apenas o que cabe a palavra de

Deus.

Identificamos facilmente que, para os entrevistados, assim como para o brasileiro

em geral, se auto classificar em relação à cor ou raça não é fácil para quem é pardo. Quem

é preto se sente negro, mas a maioria dos pardos tende a se sentirem mais brancos do que

negros. Essa dificuldade em se identificar com a negritude é uma “tática”, uma forma

encontrada para não se comprometer com a negritude, mas também é uma forma de não

sofrer com as dificuldades da raça. Veja as falas abaixo:

Veraldina se declara amarela, mas se considerarmos que na pergunta só demos a

ela cinco opções (preto, pardo, amarelo, indígena e branca), a escolha do amarelo se faz

por ter consciência que não é branca, mas não se aceita negra.

(Sou) Amarela. Descendente de ciganos, por isso amarela. Não sou

branca, sou amarela. É engraçado que eu fiz um exame de sangue e

descobri que a minha genética é negra. Meu sangue é de negro. Eu

tenho pele amarela, mas sangue de negro. A minha mãe é negra, é quase

uma negra, ela era uma negra de cabelo liso, não sei como chama isso,

acho que cabocla. Tenho esse sangue assim, mas eu fiz um exame que

diz que eu tenho sangue de negro. Então eu tenho pele amarela, mas

sangue de negro.

Explicamos a ela que por causa da mistura entre as ‘raças’ no Brasil, as pessoas

podem ter somente alguns traços de negro e se considerarem negros. Já que ela disse ter

sangue de negro, perguntamos se ela se sentia negra.

Eu não sei (risos). Agora você me pegou, eu nunca pensei nisso, mas eu

nunca pensei que eu sou uma negra, não. É até bom para eu pensar

daqui para frente, mas eu nunca pensei assim. Eu sempre me considerei

com uma pele amarela mais para branca.

As declarações que vamos ver abaixo deixam clara a falta de identificação com a

afrobrasilidade. Quando perguntamos sobre a autodefinição do colaborador, dando a ele

as opções oficiais

141

.

Eu não sei, eu vou pelo que eu ouço e vejo. Se eu não tiver enganado,

no meu documento consta como branco. Sou de cor morena, me sinto

moreno

142

.

No meu registro, na época colocavam cor, mas agora não colocam mais.

Mas lá no registro fala que eu sou parda. Eu me sinto parda. Meio

amarelada, (...) eu me sentiria meio branca (...) me sinto branca (risos).

Mas, aquela ali é pretinha!!! (aponta para filha em tom de brincadeira).

Nós aqui no Brasil não podemos nos sentir branco, preto, pardo porque

a gente é mestiço, tudo junto. Na minha família tem uma parte toda

morena como a Sara (filha), as pessoas falam que branco com cabelo

ruim é preto, tem essa confusão, mas eu me sinto branca. Às vezes estou

em um grupo e a pessoa grita “vem cá branquinha” outra ora diz

“moreninha”. Eu tenho uma colega que me chama de negra, ela fala

“vem cá negrinha” eu respondo que negrinha que nada, não sou

negrinha, mas é o jeito dela falar. Mas você está em um grupo, e as

pessoas te vêem um pouco branca, um pouco morena

143

.

Pelo que você vê é mais pardo né? Não sei. Uma vez fui fazer um

exame e a doutora me colocou como branco, eu não sou branco. Meu

pai veio de uma raça negra misturada com índio, e minha mãe veio de

uma raça árabe, mais moreno. Posso ser pardo né? O que você acha?

Branco, branco não. Sou mais misturado, mais para pardo. Preto não,

141 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas considera cinco categorias de classificação quanto à

característica cor ou raça: branca, preta, amarela (compreendendo-se nesta categoria a pessoa que se declarou de raça amarela), parda (incluindo-se nesta categoria a pessoa que se declarou mulata, cabocla, cafuza, mameluca ou mestiça de preto com pessoa de outra cor ou raça) e indígena (considerando-se nesta categoria a pessoa que se declarou indígena ou índia).

142 Ademar, 58 anos. 143 Eliane Moura, 33 anos.

mais pardo mesmo. Se fosse não teria problema, mas eu não sou

completamente preto, sou uma mistura

144

.

Benzer Belgeler