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Millî şiirler

Belgede Zekâ (inceleme-metin-dizin) (sayfa 167-172)

A.4. OSMANLI DEVLETİNDE DERGİCİLİK

I. BÖLÜM

3.2. NESİRLER

3.2.12. Millî şiirler

Para nos aproximarmos da prática de uma arquitetura referenciada aos princípios que norteiam o ―menor‖, nos propomos a investigar o caso da ―Casa da Banda Velha‖ em Itabirito, Minas Gerais: especialmente abordar o exemplo da realização deste caso a partir de uma aproximação que sobrepõe o processo de concepção/projeto desta aventura à capacidade das pessoas envolvidas e às condições materiais possíveis e disponíveis para efetivação da proposta de intervir na ―Casa da Banda Velha‖. As construções do conhecimento e das condições concretas para a realização desta obra se fizeram passo a passo e lado a lado. Ao que aqui nomeamos como um ―experimento‖ para a ―invenção‖: essencialmente próximo do conceito original do que define uma ―experiência‖ como uma experiri (terminologia referenciada no sentido originário do latim), – ―uma travessia perigosa por lugares desconhecidos‖. (dedicaremos mais adiante ao desdobramento do conceito e do sentido do uso do termo ―experiência‖)

À tese, que aqui nós produzimos, interessa imensamente investigar a potência da ―invenção‖ enquanto princípio para se construir a possibilidade de uma ―arquitetura menor‖, de uma prática capaz de edificar proposições compartilhas e produzidas por um movimento coletivo articulado por interesses comum. Se conseguirmos ser fiéis a estas proposições práticas, apontamos paras possibilidade de ―inventar‖ espacialidades originadas das relações produzidas no contexto abordado. E se assim for, produzir uma prática da ―invenção‖! E é justamente por ser algo nascido e construído a partir do encontro entre diferenças e conformada por diversidades imprevistas, que podemos apostar no que nomeamos como uma ―invenção‖.

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Quando o maestro da Banda Velha de Itabirito, Maestro Vieira, fez a abordagem dizendo que havia em Itabirito uma banda sinfônica com quase 200 anos de existência, com músicos bastante idosos e quase surdos devido às condições acústicas do salão de ensaios, – este já o era por si só um argumento fantástico para se pensar sobre as possibilidades da arquitetura. Fora todas as questões de inadequação do espaço para a prática de uma banda (a Sociedade Musical Santa Cecília de Itabirito possuía um edifício/sede próprio construído por eles mesmos na década de 1940), a ―Banda Velha‖, como era carinhosa e popularmente conhecida na cidade, se encontrava sem nenhum recurso financeiro para empreender qualquer obra de reforma. Seus uniformes puídos e desbotados com o tempo, seus instrumentos remendados por soluções caseiras, a carência de um mobiliário suficiente para todos, eram aspectos que revelavam as condições precárias da vida dos músicos na Banda.

Por outro lado, tinha músicos dedicados, que se apresentavam em todos os festejos importantes da cidade, e ainda mantinha voluntariamente uma escola musical para as crianças e jovens da redondeza. Todos estes senhores e senhoras tinham na sede da Associação uma referência fundamental para suas vidas. Reuniam-se sempre por lá para encontros e assuntos diversos, além de manter rigorosamente os ensaios semanais.

Vem daí a forma carinhosa, com que os músicos e membros da corporação musical, se referiam à sede da banda como ―casa‖. Como também é conhecida por toda a população da cidade de Itabirito o edifício que abriga a Banda Velha: como a ―Casa‖ da Banda. Usa-se o termo ―casa‖ no sentido do aspecto familiar e coletivo do espaço. Um lugar afetivo, cuidado e compartilhado por todos que se frequentam as dependências do edifício. Para muitos uma segunda casa e uma segunda família para a vida cotidiana daquelas pessoas.

FIGURA 2 – Sede da Sociedade Musical Santa Cecília. Casa da Banda Velha, de Itabirito/MG

a) b) c)

Legenda: a) Aspectos do edifício da sede e do salão de ensaios da Sociedade Musical Santa Cecília – Banda Velha, de Itabirito/MG. Fachada principal.

b) Salão de ensaios, lugar da memória. c) Salão de ensaios, lugar dos instrumentos.

Convocado pelo maestro, como arquiteto, para produzir um ―projeto‖ que resolvesse a questão, e atendesse a uma demanda coletiva, que tinha no problema um entrave para a continuidade da banda, eu percebia naquela ―história‖ o chamado para uma abordagem delicada e por demais responsável. Ao arquiteto, um estranho àquela comunidade tão antiga e tão singularmente conformada, caberia uma aproximação capaz de produzir confiança e abertura para uma escuta que considerasse cada uma daquelas pessoas e toda a afetividade para com o edifício-sede da Banda.

O desafio era desenvolver uma proposta de arquitetura capaz de se confrontar e de articular todas estas questões, além de driblar as dificuldades e ―inventar‖ recursos para se intervir no salão de ensaios. Além do desconhecimento especializado das questões técnicas mais específicas de acústica faziam desta aventura um desafio ainda maior. Um anúncio da situação e da proposta para o salão de ensaios da Banda foi encaminhada em uma campanha que ganhou algum espaço na cidade: e através de pequenos cartazes a população de Itabirito era convidada a colaborar para que o Maestro Vieira não acabasse surdo de vez.

FIGURA 3 – Cartaz projeto Casa da Banda, produzido na época, para ―salvar‖ da surdez o Maestro Vieira

Fonte: Acervo pessoal de Adriano Corrêa.

O cartaz acabou por se desdobrar em um artigo no jornal local, e posteriormente em um artigo no diário Estado de Minas, a mais importante edição jornalística do estado. Este arremesso ao azar da história da Banda Velha foi fundamental para os desdobramentos que vieram a financiar a concepção e a realização do trabalho.

Mas quanto à solução arquitetônica para intervir no ambiente de ensaios da Banda, a única alternativa foi se entregar a um processo compartilhado de ―experiência‖ investigativa, contando com todos os conhecimentos intuitivos dos músicos, do maestro e do arquiteto. Apesar do alcance do pedido de ajuda para a Banda Velha, as soluções arquitetônicas foram pensadas a partir da capacidade de produzir e das habilidades pessoais dos músicos, como também a partir dos recursos de materiais e serviços disponíveis com aquela gente e ali no entorno da sede da Sociedade. Havia no grupo de músicos formações diversa: serralheiros, funileiros, pedreiros, costureiros, carpinteiros, fabricantes de esteiras de taquara (sistema tradicional usado para cercas de quintal e forros para os cômodos de residências usados abaixo do telhado), dentre outras habilidades, – além de muita vontade em colaborar e compartilhar com os outros e entre todos os conhecimentos de cada um.

Lançamo-nos todos juntos por reunir todas estas habilidades, todo o material disponível e todo o conhecimento intuitivo que pudéssemos articular em prol do nosso ―experimento‖. E assim se fez o projeto: vergalhões de aço para estruturar o conjunto, moldados de acordo com a organização dos músicos e de cada instrumento na formação da banda, esteiras de taquara trançadas com o espaçamento que se utilizava na cozinha para permitir a saída da fumaça do fogão de lenha, acabamentos nas bordas das esteiras feitos de lona costuradas e perfuradas com ilhoses para permitir alinhavar e amarrar as esteiras nos vergalhões, chapas de inox moldadas e rebitadas pelo funileiro fabricante de panelas e outros utensílios domésticos, e outras tantas soluções a partir das habilidades dos músicos e do material que ali se tinha disponível.

Com a colaboração de muitos e o pouco dinheiro arrecadado, a Banda Velha pôde reformar a sua sede, comprar novos instrumentos, costurar seus uniformes e até gravar um CD com composições próprias dos músicos da Sociedade. Um conjunto feliz de acontecimentos que trouxeram para a Banda uma energia e um frescor renovado, – justo para uma Banda que tinha no seu nome o adjetivo ―velha‖ como particularidade. O caso da sede da Corporação Musical Santa Cecília se espalhou e outras bandas do interior de Minas Gerais vieram visitar, gravar seus próprios CDs no espaço da Banda de Itabirito, como também levar a solução acústica ali ―experimentada‖ para as suas próprias sedes e salões de ensaio.

Tal investimento para a conquista de um espaço adequado aos ensaios, como todos os outros desdobramentos deste processo, se fez realidade pelas condições ―inventadas‖ para que se pudesse efetivamente ―experimentar‖ coletivamente alternativas arquitetônicas para tentar

solucionar as questões que o maestro Vieira, e os músicos da Banda Velha, apresentaram como fundamentais para a continuidade da existência da Corporação Musical.

O sentido da ―experiência‖ e, portanto, da ―invenção‖ trazem consigo a ―sorte‖, ou o ―azar‖ da descoberta e da possibilidade de ações compartilhadas entre alternativas apropriadas a um contexto singular de relações. Acreditamos que o valor arquitetônico deste processo acontecido em Itabirito com a Banda Velha, nos anuncia princípios fundamentais para a ―invenção‖ própria e ―necessária‖ a uma prática ―menor‖ de arquitetura, pautada pela potência dos fazeres característicos de uma ―má carpintaria‖.

Mais tarde, semanas depois de concluída nossa empreitada, o maestro Vieira me confessou que, pela primeira vez, se pode ouvir, nos ensaios, certos instrumentos e certos timbres mais delicados e nunca antes percebidos.

FIGURA 4 – Aspectos da intervenção feita no salão de ensaios da Sociedade Musical Santa Cecília – Banda Velha, de Itabirito/MG

b) c)

d) e)

f) g)

Legenda: a), b), c), d), e), f) e g) Aspectos do interior com a intervenção feita do salão de ensaios do edifício da sede da Sociedade Musical Santa Cecília – Banda Velha, de Itabirito/MG.

Belgede Zekâ (inceleme-metin-dizin) (sayfa 167-172)

Benzer Belgeler