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3. MATERYAL VE METOT

3.5. Mikroskobik ve Yüzey Karakterizasyon Yöntemleri

O Museu do Índio, na fazenda Panorama, no município do Carmo do Rio Claro – incluído no que está-se denominando de baixo Sapucaí – guarda peças remanescentes dos índios Cataguases e dos Tupi-Guaranis. Desde 1937, a família de seu atual proprietário, Sr. Antonio Adauto Leite81, vem colecionando este acervo mais tarde analisado pelo Instituto Brasileiro de Arqueologia.

Segundo Diego de Vasconcellos, na “História Antiga das Minas Geraes”, o Sul de Minas em seus primórdios era habitado pela nação dos Cataguá. Era também conhecida por Catauá, Katauá ou Catu-auá – “gente boa”. Duas de suas hordas teriam entrado em choque junto ao rio Grande, na barra do Sapucaí. A vencida teria se retirado para a zona de Taubaté, e a vencedora teria se assenhorado da região até que batida por Félix Jacques [1611?] e Lourenço Castanho. (REBELLO, 2006)

80 Como já dito na Introdução, está-se respeitando a ortografia da época das fontes

consultadas.

81 BERALDO, Carla. Historiador pesquisa índios e sonha criar um museu. Estado de

Oscar Prado, pesquisador já citado, da história de Paraguaçu, em artigo publicado em 1949, no jornal local, lamenta a escassez e imprecisão das fontes, mas traz os seguintes dados sobre a presença indígena nas bacias do rio Verde e Sapucaí, no artigo intitulado “Os Mandibóias”:

Tínhamos por aqui muitas tribos de índios, vivendo de caça, de frutas e pescas nos rios Verde e Sapucaí. O explorador inglês A. Knivet registrou a presença nesta região dos Morupaks (gente atilada), tribos escassas e decadentes. Havia também os Abatinguaras (comedores de gente branca), aborígenes de pequena estatura e antropófagos, que moravam em cavernas, nas margens do Sapucaí. Os mais numerosos e mais ferozes, porém, eram os Mandibóias, cujo nome significa “cobra enroscada”, que seriam, tudo faz crer, os moradores dos rios Sapucaí e Verde, nas proximidades de sua confluência. Nas matas da Cava [bairro rural de Paraguaçu] foram encontradas igaçabas e panelas de barro assinalando a presença de selvagens naquela região. (PRADO. O PARAGUASSU. Paraguaçu. 18 set. 1949) (grifos nossos)

Nelson de Senna confirma a presença dos Abatinguaras, nas margens do rio Sapucaí e Grande, Morupaks, entre o rio Sapucaí e Jaguari e Mandibóias, nas margens do rio Sapucaí e Verde. (SENNA apud REBELLO, 2006.)

Oilliam José também identifica os índios Cataguases no Sul de Minas e destaca a crueldade com foram tratados:

Da região do rio Sapucaí, foram, antes, expulsos ou trazidos pelos bandeirantes para o Oeste, e junto ao Rio Grande, sofreram terrível ataque desfechado em 1657 por Lourenço Castanho Taques (JOSÉ, 1961, p. 19)

A captura de índios dos sertões de Cataguases será um dos objetivos das bandeiras organizadas pelos exploradores, ainda no final do século XVI.

Segundo Renato Pinto Venâncio, no texto “Antes de Minas: fronteiras colônias e populações indígenas”, as bandeiras rumo ao sertão, entre 1640-1650, levaram à fundação de diversas vilas, como “Taubaté, Guaratinguetá, e Jacareí [...] de onde irradiavam novas investidas no assalto às tribos mineiras.

[...] nessas áreas predominavam populações tupis, ou seja, futuros escravos, cujo contato, via língua geral, era mais fácil de ser realizado [...]. Cabe lembrar, porém, que tais atividades de apresamento não eram colonizadoras: as expedições que saiam do território paulista para lá retornavam. (VENÂNCIO, 2008, p. 98)

A designação “Sapucaí” é dada pelos arqueólogos a um tipo de cerâmica identificada nos vales do rio Verde e Sapucaí – sem que se defina em qual porção de seu curso82. A tradição Sapucaí foi inicialmente classificada na década de 60 por Ondemar Dias Junior, nos vales desses rios. A similitude desta arqueologia com a tradição Aratu agrupou ambas na classe “Aratu- Sapucaí”. Os estudiosos supõem que nas tribos de tradição Sapucaí se cultivava o milho, o tabaco e o algodão, mas inexistia a mandioca. Seriam evidências dessas práticas as mãos de pilão para triturar o milho; rodelas de fuso para fiação do algodão; cachimbos tubulares para uso do tabaco. A inexistência de vestígios de pratos rasos sugere o não uso da mandioca.

Segundo Dias Jr. (1980) as aldeias Sapucaí eram em geral grandes, ocupando áreas de até 500m² de extensão e situavam-se a meia encosta das colinas suaves e nas proximidades dos rios. As aldeias tinham formato circular com grandes casas ovaladas. Eram aldeias estáveis que permaneciam durante longos períodos num mesmo local. (UHE-FUNIL, 2007)

Consulta ao Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do IPHAN apresentou a relação dos nove bens pré-coloniais registrados por Ondemar Dias Júnior do município de Paraguaçu, expostos na Tabela 2:

82 As informações sobre a cerâmica Sapucaí foram colhidas do Relatório do Projeto de

Salvamento do Patrimônio Natural, Arqueológico e Cultural, do Plano Ambiental da UHE Funil, realizado pela empresa SETE – Soluções e Tecnologia Ambiental, em junho de 2010, trabalho não publicado.

Tabela 2 - Sítios Arqueológicos do Município de Paraguaçu

Nome Localização Tipo de Sítio Categoria Estrutura Filiação

Sítio da Paz I ND Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Sapucaí Sítio da Paz II ND Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Sapucaí Paredão ND Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Sapucaí Baguari ND Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Sapucaí Cava de Baixo ND Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Tupiguarani Cava de Cima ND Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Tupiguarani Guaripava * Margem esquerda do rio Sapucaí Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Tupiguarani Sítio do Neneca Sítio a beira d‟água quase submerso pela represa Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Tupiguarani Pinhalzinho Acampamento Pré- colonial Cerâmico Tradição Tupiguarani Nota: * provavelmente trata-se de Guaipava e não como grafado no CNSA.

ND: dado não disponível na página eletrônica do CNSA/IPHAN.

Fonte: INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL. Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), 2010.

As datas dos registros arqueológicos são de 1977, portanto, posteriores à inundação do lago de Furnas. Os registros foram realizados por Ondemar Dias Jr.83

A pesquisa sobre os sítios arqueológicos dos municípios do que está-se denominando baixo Sapucaí está na tabela 3.

83 As fichas cadastrais do IPHAN atualizadas em 1998 citam como fontes os textos de

Ondemar Ferreira Dias Júnior: “A pesquisa arqueológica no Sudeste do Brasil”. Revista do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Rio de Janeiro, v. 1, n.1. p. 61-2, 1981. E ainda: “Evolução da Cultura em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Anuário de Divulgação Científica. Goiânia, Universidade Federal de Goiás. v. 3 / 4. PP 110-130, 1976. Infelizmente, a pesquisadora não encontrou nenhuma dessas publicações nas bibliotecas consultadas.

Tabela 3- Sítios Arqueológicos do Baixo Sapucaí

Município Número de Sítios Arqueológicos

Alfenas 15

Alpinópolis 0

Boa Esperança 0

Campos Gerais 0

Carmo do Rio Claro 17

Carvalhópolis 0 Cordislândia 0 Elói Mendes 1 Fama 3 Machado 0 Monsenhor Paulo 0 Paraguaçu 9 Poço Fundo 0

São Gonçalo do Sapucaí 0

Três Pontas 0

Turvolândia 0

TOTAL 45

Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Cadastro Nacional dos Sítios Arqueológicos. 2010.

Pelos dados de ambas tabelas, evidencia-se a relevância do patrimônio arqueológico do município de Paraguaçu no contexto do baixo Sapucaí, onde é superado apenas por Carmo do Rio Claro e Alfenas. O Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Paraguaçu desconhece, entretanto, tais sítios, segundo consulta feita pela pesquisadora.

A ausência de dados sobre as coordenadas geográficas desses sítios no Cadastro Nacional impede ainda a localização desses sítios in loco84.

Benzer Belgeler