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Mikrobölgeleme Parametreleri ve Haritalama

7. M KROBÖLGELEME UYGULAMASI

7.2 Mikrobölgeleme Parametreleri ve Haritalama

Título: Ciranda 79

Compositor: Moacir Santos e Gilberto Gil Extraído do CD: Sol de Oslo - Faixa 7

Ano: Gravado e mixado em Oslo, Noruega e no Brasil, entre 1994 e 1998 - Relançado pela Gravadora Biscoito Fino em 2005.

Fig. 29. Capa do CD sol de Oslo

Fig. 30. Partitura transcrita por Maru Ohtani

Moacir Santos80, conceituado no meio jazzístico, foi saxofonista, compositor, arranjador e maestro brasileiro. Nascido no estado de Pernambuco, é conhecido no exterior por disseminar a bossa nova e música popular brasileira (MPB). Estudou teoria musical, harmonia, contraponto, fuga e composição com Paulo Silva, Cláudio Santoro, Guerra Peixe, Hans- Joachim Koellreutter, entre outros.

Gilberto Gil81, baiano, nasceu em Salvador. Sofreu influência dos ritmos do nordeste brasileiro em sua formação musical como o baião, samba e bossa-nova. Sua obra apresenta uma grande variedade de ritmos incorporados de outras culturas e países como os do rock, funk, reggae, sem deixar de lado os ritmos da Bahia. Em suas canções utiliza desde temas da desigualdade social até as questões raciais, entre outros.

Essa Ciranda da música popular brasileira, datada da década de noventa, é constituída por duas partes musicais com um total de 29 compassos. Uma delas apresenta 16 compassos, sendo 8 de pergunta e 8 de resposta, formando, assim, duas frases musicais idênticas na melodia e com variação na letra.

Fig. 31. Fragmento da partitura transcrita por Maru Ohtani82.

A outra parte contém 12 compassos ininterruptos, sendo que os 08 iniciais são melodicamente iguais e os 04 compassos restantes apresentam uma passagem da tonalidade de Dó Maior para a tonalidade de Sol Maior, gerando uma tensão para o retorno ao início da canção. A finalização em Sol Maior e o retorno para o início da canção é repetido sempre da

80 http://www.musicosdobrasil.com.br/moacir-santos 81 http://www.gilbertogil.com.br/sec_bio.php 82 Transcrição integral no anexo 4.

mesma maneira melodicamente, com variação apenas na letra. Essa repetição sugere o movimento circular.

A música, em compasso binário, inicia-se com a tríade Maior na 2ª inversão, isto é, no quinto grau. A harmonia está estruturada nos I e IV e V graus da escala maior. Exprime simplicidade harmônica ao mesmo tempo em que produz uma atração musical com a inserção das sétimas no quinto grau.

O ritmo da Ciranda de Pernambuco é apresentado pela percussão e está velado com arranjos de modernidade da música popular brasileira. Os instrumentos utilizados foram a guitarra, o violão, o baixo acústico e elétrico, a percussão, o piano, os teclados, acordeom e voz.

A letra desta Ciranda da música popular brasileira apresenta duas estrofes e um estribilho cantados por dois intérpretes83. Apesar de eles interpretarem toda a música, o canto do estribilho sugere a figura dos cirandeiros (brincantes), marcada na letra da canção.

Ô Cirandeiro, cirandeiro, Que faz ciranda o tempo inteiro

Só por folia, só por amor. As estrofes referem-se ao papel do mestre.

Vem de um lugar chamado flores Esta ciranda de tantas cores

Nos aliviar as dores Aos maus olhados, os dissabores. Vem de um lugar chamado flores

Esta ciranda de tantas cores Vem nos falar dos trovadores Dos bem amados, dos benfeitores.

A letra da Ciranda de Moacir Santos e Gilberto Gil sugere o poder extraordinário que tem a Ciranda de aliviar os maus olhados, as dores, os dissabores e de trazer amores, bem amados e benfeitores, assim como, repercute a ideia de que o cirandeiro faz Ciranda por folia e por amor. Esta letra mostra singeleza e como a Ciranda traz congraçamentos, reconciliação, afetos.

83 A gravação desta Ciranda tem participação de Marlui Miranda, cantora e estudiosa da música indígena brasileira.

Ciranda

(Moacir Santos/Gilberto Gil) Vem de um lugar chamado flores

Esta ciranda de tantas cores Nos aliviar as dores Aos maus olhados, os dissabores.

Ô Cirandeiro, cirandeiro Que faz ciranda o tempo inteiro

Só por folia, só por amor. Vem de um lugar chamado flores

Esta ciranda de tantas cores Vem nos falar dos trovadores Dos bem amados, dos benfeitores.

Ô Cirandeiro, cirandeiro. Que faz ciranda o tempo inteiro,

Só por folia, só por amor.

Na tentativa de desenhar esta Ciranda, tem-se o movimento de vai e vem entre dois pontos de referência constantes. As partes do mestre e dos cirandeiros estão fundidas e representadas pelo(s) mesmo(s) intérprete(s). Isso nos traz a ideia de círculo.

O fato de dar as mãos e dançar em roda produz união e sintonia coletiva. Valoriza a inocência manifestada na música que, inconscientemente, quer vivenciar os costumes e sua cultura, sem desvirtuamentos.

A improvisação vocal e instrumental traz a ludicidade. Mostra a Ciranda com capacidade de expressar nesta criação o afeto, o entusiasmo, a emoção, a espontaneidade e a capacidade de o grupo interagir com o outro. A ludicidade presente na Ciranda demonstra as relações interpessoais que ocorrem nesta manifestação.

Muitas vezes a música popular está relacionada aos ambientes sociais e/ou espirituais que a melodia e letra trazem. Neste ponto parece-nos acertada a afirmativa de J. Jota de Moraes (2001) ao se referir às sensações que a música causa no ouvinte defende a ideia que ouvir

emotivamente, no fundo, não deixa de ser ouvir mais a si mesmo do que propriamente a música (p.65).

Na música popular encontramos o círculo dado pela própria canção/música que, ao ser interpretada, faz o cantor comunicar-se com a plateia (público) que responde e participa, geralmente, com o canto do refrão, que está em constante repetição. O eixo é representado pelo intérprete que é o animador e responsável pela execução da música. Observamos em casas de espetáculo que o espaço físico não é adequado para fazer uma grande roda e, comumente, o

público dança a Ciranda em fila, de mãos dadas, formando um movimento linear (cobrinha) que se desenvolve para a forma de uma espiral. Percebe-se, claramente o ritmo da Ciranda tradicional unido a dados musicais característicos da música popular brasileira como: improvisação vocal e instrumental, contracanto, rítmica sincopada, uso de instrumentos musicais próprios da música popular brasileira e letra poética que reporta afeição aos cirandeiros.

Benzer Belgeler