GEREÇ VE YÖNTEM
ITGB1 F TGTGAATGCAGCACAGATGA
2 µΜ Tubacin’in KHO ve osteojenik farklılaşmayı uyaran ortam-OFUO içinde kısa süreli (1 gün, gün ve 3 gün) ve uzun süreli (1 gün) kültürlerdeki İMKH’lerin
4.12 Mikrodizi Analiz Sonuçları
4.12.2 Mikroarray Doğrulaması
Em 30 de março de 1938, o 1o tenente Januário Dutra391, comandante do destacamento
do 3o Regimento de Cavalaria de Passo Fundo, no acantonamento em Soledade, elaborou um
390 RIO GRANDE DO SUL. Delegacia de Polícia de Sobradinho, 3a Delegacia Regional. Ofício n. 12. Do delegado de polícia de Sobradinho, Antônio Pedro Pontes, para o capitão chefe de polícia. Lista os dez presos após o tiroteio na igreja da Bela Vista, no 6o distrito de Soledade, em 14 de abril de 1938. Sobradinho, 22 de abril de 1938. (APERS)
391 Conforme GERTZ, René E. O Estado Novo no Rio Grande do Sul. Passo Fundo: Ed. Universidade de Passo Fundo, 2005, p. 27 e nota 37, Januário Dutra era florianista e foi nomeado prefeito em Farroupilha. Foi processado pelo Tribunal de Segurança Nacional em 1940.
relatório392 de quatro páginas, sobre uma “rigorosa” inspeção determinada, por telegrama,
pelo comandante geral da Brigada Militar, coronel Agenor Barcellos Feio. Esse é o primeiro relatório do conjunto de anexos do major José Rodrigues. O tenente Dutra também era o delegado de polícia de Soledade. Esse agente público local estava vinculado ao mesmo tempo à Brigada Militar e à Chefia de Polícia. O documento elaborado em Soledade foi enviado pelo comandante da Brigada Militar para o interventor federal no Rio Grande do Sul, coronel Oswaldo Cordeiro de Farias, em 18 de abril de 1938, após os confrontos e as mortes na Bela Vista e no Jacuizinho. O relatório refere-se a “existência de um grupo de fanáticos organizado naquele município e sobre o qual recaía suspeita de professar ideias extremistas.” As informações sistematizadas pelo tenente Dutra foram colhidas a partir dos depoimentos de oito agricultores detidos para averiguação e como resultado de dez dias de diligências efetuadas por um contingente de 20 praças, comandados pelo 2o tenente Arlindo Rosa, que
percorreram localidades distantes e pouco acessíveis do sexto distrito de Soledade.
Segundo o registro, na madrugada de 19 de março, partiu o contingente para o sexto distrito de Soledade, no Lagoão. O objetivo era: “reconhecer e dispersar uma reunião de fanáticos que constava existir e que estavam empregando ideias subversivas.” Embora com a alcunha de “fanáticos”, o termo que orientava as buscas era a possibilidade de ideias “subversivas”. A estratégia montada pelo tenente Dutra para percorrer essa extensa área rural em busca dos barbudos foi partir de Soledade393, de caminhão, até o Lagoão, e percorrer as localidades de Campina, Gramado, Palmital, Sítio, e outras não nominadas, onde já constava a existência de “fanáticos reunidos”.
Para chegar a esses locais, era preciso “arrumar cavalos” para os praças e “organizar uma patrulha de vaqueanos”. Sempre com cautela: “marchar com todas as precauções possíveis, a fim de evitar alguma cilada em que resultasse em sacrifício inútil ao nosso pessoal”. No entanto, precavido, o tenente Dutra registrou a orientação de “agir com toda a brandura”, mas cuidando com as hostilidades, devendo estacionar a “força” e realizar “um estudo prévio de terreno”. Se fosse necessário, que se “reorganizasse novas forças”, provavelmente contando com os civis locais, os “vaqueanos”, para “desfechar um ataque
392 RIO GRANDE DO SUL. Brigada Militar, destacamento do 3o Regimento de Cavalaria. Relatório. De Januário Dutra, comandante do destacamento, para o comandante geral da Brigada Militar sobre diligência para reconhecer e dispersar reunião de fanáticos (30 de março de 1938); RIO GRANDE DO SUL. Brigada Militar. Estado Maior 3a Secção. Ofício n. 281 (18 de abril de 1938). Esse Relatório está registrado no dia 18 de abril no Boletim da Brigada Militar. O comandante geral da Brigada Militar, coronel Agenor Barcellos Feio, enviava ao interventor federal uma cópia do relatório elaborado por Januário Dutra, “referindo-se a existência de um grupo de fanáticos organizado naquele município e sobre o qual recai suspeita de professar ideias extremistas”, conforme RIO GRANDE DO SUL. Brigada Militar. Estado Maior, III Secção. Minutas, ofícios, informações, cartas e portarias. Março e abril de 1938.
393 O município de Soledade estava dividido em sete distritos: Soledade – o da sede -, Barros Casal, Camargo, Espumoso, Fontoura Xavier, Jacuizinho e Maurício Cardoso. Anteriormente, Lagoão constava como sede do sexto distrito. FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA. De Província de São Pedro a Estado do Rio Grande do Sul. Censos do RS: 1803-1950. Porto Alegre: Fundação de Economia e Estatística/Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, 1986. 2. imp., p. 141.
combinado e seguro”. Era preciso ter atenção às pregações religiosas. Por isso, recomendou: “que investigasse a forma que os chefes usam para a catequese dos moradores daquela região”. Além disso, orientou para que os responsáveis fossem presos e forneceu “uma relação dos nomes em que constava haver muitos criminosos”. A ordem era “desarmar todo aquele que fosse encontrado armado”. O tenente Dutra não nomeou os procurados. Cabe lembrar que o desarmamento foi uma medida efetivada pelo Estado Novo, conforme apontado no capítulo anterior.
A metodologia de trabalho das forças policiais em atuação nessas áreas rurais era contar com o apoio local. Assim, iam sendo definidas as fronteiras entre o “nosso pessoal” e os investigados. Entre os “nossos” estariam os que podem dar informações, fornecer cavalos para o deslocamento e atuar como guias nos locais mais inóspitos, criando condições para um “ataque combinado”. Os outros eram “fanáticos”, estavam manipulando os moradores, eram criminosos, organizavam ciladas e estariam armados. Três dias depois da partida, já em 22 de março, o 2o tenente Rosa enviou um grupo de oito “fanáticos” que teriam se apresentado,
eram eles: 1) Adão Alves, 2) Alfredo Antônio dos Santos394, 3) Estácio Gonçalves da Costa,
4) Guilherme Francisco da Silva, 5) João Pereira Vaz, 6) Leôncio Pereira Vaz, 7) Sebastião Gonçalves [França] e 8) Thomas de [Oliveira] Fiúza.395 Januário Dutra interrogou
“demoradamente cada um deles”, verificando “minuciosamente todos os documentos e demais papéis que possuíam”. Contudo, foi taxativo: “não tendo encontrado, tanto nas declarações, como nos papéis nada de importância, que indicasse a pregação de ideias exóticas.” No entanto, não tomou a termo os depoimentos, se o fez, não anexou no relatório, já que o principal, as “ideias exóticas”, foram descartadas.
Ao regressar, depois de dez dias de intensas diligências percorrendo o “sertão íngreme do 6o distrito de Soledade”, o 2o tenente Arlindo Rosa prestou esclarecimentos, que foram
sistematizados por Dutra: não foi possível encontrar os “fanáticos, pois, que se achavam todos dispersos e escondidos nos matos, de medo de serem presos”. Percebe-se que o medo já estava presente entre os barbudos. O policial procurou por “todos os meios prender os apontados como cabeças, entretanto, não foi possível, em vista da vasta e alcantilada região”. Revelava, assim, o território dos monges: as matas escarpadas do interior do município de Soledade, na divisa com Sobradinho. Observa-se a identificação dos matos como um lugar acessível para o refúgio dos barbudos, demonstrando a familiaridade dessa população com esses locais, que eram inacessíveis para outros grupos.
394 Alfredo Antônio dos Santos prestou novo depoimento conforme RIO GRANDE DO SUL. Delegacia de Polícia de Soledade, Comarca de Soledade. Termo de Declaração de Alfredo Antônio dos Santos, 3 de junho de 1938, 16h, documento manuscrito. Documento anexo ao Relatório do major José Rodrigues da Silva para o comandante geral da Brigada Militar. (APERS)
395 Provavelmente, existam imprecisões no registro do nome dos presos. Possivelmente Sebastião seja Gonçalves da Costa, irmão de Estácio, e Thomás seja Desidério Fiúza, irmão de Anastácio Desidério Fiúza.
O tenente Dutra arriscou uma observação quanto à origem étnica dos procurados e as condições de vida desse povo dos sertões. Para ele, os monges barbudos “são descendentes de nosso caboclo indolente, poucos gostam de trabalhar, de maneiras que a miséria começou a bater-lhes a porta da casa”. Não eram então os de origem estrangeira, que eram reconhecidos socialmente como aqueles que gostavam de trabalhar. Os “descendentes do nosso caboclo indolente” seriam os filhos dos escravos, aqueles que eram tidos como os que não gostavam de trabalhar e que tinham a prática de se aglutinar em comunidades de fugitivos? Seguia o tenente Dutra: “então por meio de uma seita religiosa, tendo como padroeira a Santa Catarina, procuraram a se reunir e se auxiliarem mutuamente”.
Segundo a interpretação do tenente Dutra, alguns “mais espertos” iniciaram “a fazer a propaganda da religião” e aquele que não aderisse: “muito em breve morreria e seus bens seriam repartidos com o pessoal da seita”. No entanto, grafava o pacifismo: aconselhavam para “andarem desarmados, respeitar as autoridades, apanharem e não brigarem”. A religião também buscava o afastamento das bebidas alcoólicas, aconselhavam a “não beberem”. Com relação ao trabalho, buscavam limites e teriam falado em “trabalharem pouco, não trabalharem sábados e domingos”. Possuíam a preocupação de purificar o sangue com chás de caroba, erva-mate e outros fitoterápicos da região. Registrou o fato de eles terem o cabelo e a barba compridos. O tenente pontuou a “robustez” dos detidos, em contradição com a suposta “miséria” que lhes batia a porta. Pelo perfil traçado, verifica-se que se tratava de trabalhadores rurais em afirmação de valores coletivistas e em oposição a determinadas práticas sociais, com as apontadas no capítulo anterior, tais como, o desrespeito às autoridades constituídas, a existência de bandos armados, as brigas em festas e os conflitos violentos, alguns dos quais motivados pela embriaguez ou intolerância política ou religiosa.
Com bastante sensibilidade aos acontecimentos, o tenente Dutra apontava o receio e o temor dos “colonos de origem estrangeira” e dos demais habitantes que não aderiram ao movimento religioso e que viam “a união dos monges” crescendo a cada dia. Disso resultaram “os mais desencontrados comentários”. Conforme as informações do tenente, restou o fato de que “os fanáticos se reúnem sábados e domingos nas igrejas a rezarem”, mas sempre “completamente desarmados e depois dispersam-se e cada um vai para as suas casas”. Por fim, o tenente ainda registrou o pedido dos “fanáticos” para que ele atuasse no caso “pessoalmente”, assim poderiam fazer com que todos os outros se apresentassem, o que não fariam ao tenente Arlindo, “porque o temiam”. A menção de que eles se reuniam nas igrejas “completamente desarmados” é importante para que se entenda os cercos das autoridades policiais, acompanhadas de civis, e os tiroteios ocorridos em abril de 1938.
Por último, Januário Dutra registrou outra estratégia de ação que poderia ter resultados mais eficientes. Observou no grupo de presos um jovem de pouco mais de 20 anos, Adão
Alves, com conhecimento “de quase toda a região serrana, muito esperto e inteligente” que dizia não ser “fanático”, mas observou “que ele exerce grande ascensão aos demais e até acho ser o único capaz de dirigir os tais fanáticos”. O tenente viu aí uma possibilidade de recrutar Adão “para prestar seus serviços ao Governo”, acreditando que “a polícia muito lucraria se desse a Adão uma missão secreta naquela zona”.
Findou o relatório de forma pouco conclusiva: “apesar de não ter encontrado, não posso negar ou afirmar a existência de algum núcleo disfarçado para inocular, aos poucos, ideias exóticas aos moradores da referida região” e registrou os cuidados a serem tomados: não participou da diligência porque recebeu um telegrama do chefe de polícia para que não saísse da sede do município sem permissão expressa, como não obteve resposta ao telegrama em que teria pedido autorização para afastar-se, resolveu permanecer na sede. Estava, assim, envolvido em duas estruturas de Estado com comandos diferenciados: a Polícia Civil, dirigida pelo chefe de polícia, e a Brigada Militar. O comandante geral da Brigada Militar, coronel Agenor Barcellos Feio, ao remeter o relatório do tenente Dutra para o interventor federal no estado, coronel Cordeiro de Farias, manteve a perspectiva política, dando ênfase à organização dos camponeses e à suspeita de subversão: afirmou referir-se “a existência de um grupo de fanáticos organizado naquele município e sobre o qual recaía suspeita de professar ideias extremistas.”