• Sonuç bulunamadı

MİMARİ BETON

Belgede Tüm Dergi PDF (sayfa 77-81)

MAKALE ARTICLE

2. MİMARİ BETON

Nossa primeira ação no SArqPB foi a realização de um caminhamento a fim de identificar evidências na superfície que pudessem indicar a localização das antigas estruturas habitacionais. A partir daí fizemos as demarcações e relacionamos esse local com aquelas árvores e espaços significativos apontados pelos irmãos Frazão, a fim de delimitar o antigo quintal, tendo como parâmetro as observações feitas no contexto sistêmico.

Figura 3.3.3-1: croqui do SArqPB.

Nas expedições realizadas contamos com a colaboração dos irmãos Frazão, Ádio e Lino, que em momentos diferentes nos acompanharam até o local. Essa experiência foi positiva, pois obtivemos in loco, informações sobre o período em que eles lá viveram. Ambos se recordaram de locais, árvores, atividades e acontecimentos passados. Talvez Lino, por ser o irmão mais velho e ter deixado o sítio já em idade adulta, na maioria das vezes se lembrou de mais detalhes do que Ádio.

Os caminhamentos que realizamos foram dificultados pela espessa vegetação que denota o abandono do local.

Figura 3.3.3-2: Vegetação do entorno do sítio arqueológico e detalhe da palmeira ticum e seus espinhos.

A referência de Ádio para localizar aquela que seria a entrada do sítio foi um pé de tarumã localizado ao lado do antigo poço, que está coberto com troncos de madeira. O poço aparentemente foi aterrado, mas não o suficiente para evitar o acúmulo de água de chuva.

Figura 3.3.3-3: Antigo poço na propriedade dos Frazão de Almeida.

Depois do poço, na área identificada pelos irmãos Frazão como o quintal do antigo sítio, identificamos algumas garrafas e frascos de vidro.

Figura 3.3.3- 4: Garrafas espalhadas pelo sítio arqueológico.

Uma das garrafas chamou a atenção de Seu Lino, que reconheceu o antigo frasco que armazenava uma bebida apreciada por seu pai João Sacerdote, porém ele não lembrou o nome dessa bebida. Já Ádio identificou um frasco de vidro de remédio, que lembrou ser um fortificante que a mãe fazia ele e os irmãos tomarem quando crianças.

Figura 3.3.3- 5: garrafa que continha uma bebida apreciada por João Sacerdote e a garrafa de remédio (fortificante) que Ádio e seus irmãos tomavam na infância.

Ao pé de uma cajazeira encontramos uma sela de cavalo semienterrada. Na imagem é possível ver que o objeto de metal está quebrado, provável motivo pelo qual foi descartado.

Figura 3.3.3- 6: Sela de cavalo ao pé da cajazeira.

Outro objeto localizado foi uma chapa de metal que compunha o forno para torrar farinha de mandioca. De acordo com Ádio a chapa era colocada sobre o forno a lenha e sobre ela a farinha de mandioca para ser torrada.

Durante o caminhamento também observamos e registramos árvores significativas para os irmãos Frazão, existentes no local.

Uma das constatações de s. Lino, após nossa primeira expedição ao sítio foi que as árvores frutíferas que haviam sido plantadas por sua família já não mais existiam no local. Dentre todas as árvores frutíferas, apenas restou uma mangueira, das mais de cinco que existiam no local. Essa mangueira foi atacada pelas pragas e está definhando. É possível ver um formigueiro em seus galhos.

Figura 3.3.3- 8: Mangueira solitária do SArqPB e o detalhe do formigueiro no tronco da árvore.

De acordo com informação prestada por Renato Mentes, engenheiro agrônomo, membro do projeto GUYAGROFOR, as espécie frutíferas mais tradicionais como a mangueira ou a laranjeira,

são sp. [espécies] exóticas que passaram por um longo processo de domesticação pelo ser humano ao longo de muitos anos. Isso explica a dependência dessas sp. pelos tratos culturais (podas, controle na competição com outras plantas, adubação...) para se desenvolver bem. Quando não ocorre esses tratos culturais, essas sp. tendem a ficar em desvantagem em relação as outras sp. nativas mais adaptadas. Por isso eles entram num processo de senescência e acabam morrendo (MENDES, 2012).

No sítio SArqPB essa mangueira plantada pelos ancestrais de Lino e Ádio, que ainda resiste ao ataque das pragas, pode ser considerada um marcador territorial indicador da presença humana. Em seu tronco foi possível verificar a existência de alguns dos sinais

correspondentes aos cortes feitos no passado pelos moradores do antigo sítio. Marcas que também foram evidenciadas nos sítios de Ádio, Lino e também no SArqM.

Figura 3.3.3- 9: Escarificações na mangueira.

Quanto às relações que podem ser estabelecidas entre a mangueira e as estruturas habitacionais, confrontamos algumas informações fornecidas pelos irmãos, com aquelas observadas no contexto sistêmico. Essa mangueira está plantada na parte frontal do sítio, em direção ao antigo Porto Boqueirão.

Esta mangueira está posicionada entre o porto antigo e a cozinha, na parte da frente do quintal, por onde aqueles que desembarcavam no rio Alegre chegavam até o sítio.

De acordo com o observado nos sítios do presente (SLM e SAK) e nos depoimentos dos moradores de Vila Bela, a mangueira plantada na parte da frente da casa, tem também a função de proteção, pois ela teria a capacidade de reter as energias negativas e proteger os moradores da casa.

A mangueira foi a única espécie exótica plantada pelos Frazão de Almeida que ainda resiste na mata que se formou no sítio arqueológico. Todas as outras árvores significativas para Lino e Ádio são espécies nativas.

Lino mostrou três pés de cumbaru que têm os galhos retorcidos e lembrou-se de sua infância e de como ele e os irmãos costumam brincar em cima dessas árvores, bem como em cima de um cupinzeiro próximo aos pés de cumbaru.

Figura 3.3.3- 10: Pés de cumbaru retorcido e o cupinzeiro.

Outra árvore nativa que também já existia no local quando a família se mudou para o Porto Boqueirão é um pé de babaçu que tem mais de 15 metros, altura bem superior das palmeiras que até então tínhamos observado na região. Lino e Ádio também ficaram impressionados com o tamanho babaçu.

Um pé de tarumã e um ingazeiro são duas árvores nativas que também já existiam quando a família se mudou para o local.

Figura 3.3.3- 11: Babaçu e tarumã.

Outra árvore nativa, bastante significativa da qual Lino se lembrou foi o jatobá que servia como parte da engrenagem da prensa de mandioca. Essa árvore e o processo a qual pertencia é descrito no item seguinte, no qual estão relacionadas árvores que foram consideradas significativas por sua relação com a produção e reprodução da cultura material.

Figura 3.3.3- 12: Jatobá, antiga prensa de mandioca.

Depois do caminhamento realizado seguimos para a área onde se localizava a cozinha do sítio, de acordo com os irmãos Frazão.

Nessa área quase não havia vegetação, pois permaneceu coberta por muitos anos e sem grande acumulo de matéria orgânica, além do abandono relativamente recente (década de 1980), fato que teria coibido o crescimento da vegetação, facilitando a identificação do local.

Para melhor visualização do solo e delimitação das estruturas fizemos a limpeza da área, com a retirada das folhas. Assim, além dos três pontes de sustentação que ainda permanecem de pé em seus lugares originais, foi possível localizar as manchas no solo dos outros cinco postes que formavam a estrutura da antiga cozinha.

De acordo com Lino, essa área da cozinha, de aproximadamente 16m² era a parte da cozinha onde ficava o fogão a lenha e possuía paredes de pau a pique. Em área contigua, desprovida de paredes e coberta com folhas de babaçu, funcionava como um prolongamento da cozinha. Nesse onde eram realizadas varias atividades, não apenas ligadas a preparação de alimentos, tal como vimos nos sítios SAK e SLM, nesse espaço podiam ser armazenados utensílios para a lida cotidiana com os animais e ferramentas agrícolas, entre outros. O local também era utilizado como sala de visitas.

No contexto sistêmico, essa área da casa relatada por Lino foi denominada sala de estar, pois além de oferecer apoio as atividades cotidianas, também é uma área de sociabilidade, onde as visitas são recebidas.

Figura 3.3.3- 13: Croqui da área da antiga cozinha do SArqPB.

Lino conta que quando a família teve que se mudar do Porto Boqueirão por causa das enchentes, alguns dos postes que ajudavam na sustentação dos cômodos foram levados para serem reutilizados na nova construção, na atual casa onde Ádio vive com a família (SAK). Ele afirma que provavelmente alguns desses postes seriam de aroeira, árvore que possui uma das madeiras mais resistentes e por esse motivo tem uso preferencial na construção de habitações. Lino supôs ser de aroeira um dos postes que estão no sítio, porém disse que é mais difícil a identificação da madeira depois de tantos anos, já que outras espécies que também são utilizadas com finalidades construtivas possuem as mesmas características nessas condições. Feita a delimitação da cozinha, Lino nos mostrou onde ficavam os quartos, que como relatou eram espacialmente separados da cozinha, como nos sítios do contexto sistêmico.

Figura 3.3.3- 14: Postes e negativos de postes de sustentação da antiga cozinha.

No local que estava tomado pela vegetação e praticamente não tinha marcas da antiga estrutura, apenas uma mancha no solo pode ser identificada. O croqui foi construído a partir do relato de Lino que se recordava do posicionamento e das dimensões dos quartos, e conta que depois de construída a casa, passado alguns anos, ajudou a renovar o telhado com novas palmas de babaçu.

Essa descrição de Lino foi suficiente, já que já tínhamos a cozinha como dado para fazer a correlação com disposição das árvores significativas existentes, conforme apresentamos.

Belgede Tüm Dergi PDF (sayfa 77-81)

Benzer Belgeler