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Belgede Lastik yanak parlatici (sayfa 21-24)

Entre as diversas possibilidades metodológicas e os incontáveis desafios em dialogar com os métodos advindos das ciências sociais e humanas, no âmbito da saúde coletiva, optei pela autobiografia como um passo essencial na busca da ecologia de saberes. Esta escolha está relacionada com a minha visão de que a aprendizagem humana se dá no cotidiano da vida pessoal e profissional, permeada por uma necessidade de saber essencialmente humana.

O diálogo com Boaventura de Sousa Santos me auxilia na compreensão do que significa autobiografia. Esta abordagem tem sido questionada na visão do autor, “devido à relativa predominância de elementos não ficcionais (empíricos) nela.” (RENZA, 1977, p. 1 apud SANTOS, 2014). Com efeito a escolha metodológica que adoto relaciona-se à necessidade de apreender novos métodos, enquanto pesquisadora, como também se assenta num saber consolidado na prática, que reconhece os limites de diversas perspectivas metodológicas e tende a perscrutar novas possibilidades para fazer ciência com compromisso ético e humano.

Explicita Santos (2014) que o estatuto científico da ciência social tem sido discutido “[...] devido à relativa predominância nela de elementos ficcionais (pessoais, políticos, axiológicos).” (SANTOS, 2014, p.107). Conclui o autor, apontando que foi deixado de fora, o que denomina de entidades mistas, onde estariam fundidos os elementos literários e científicos. Neste sentido pondera:

É possível que uma dessas entidades mistas seja precisamente o ensaio autobiográfico sobre a história científica pessoal. Aí, na fronteira da fronteira, a amálgama de elementos pode atingir uma complexidade tal que acaba por constituir um tertium genus entre ciência e literatura. (SANTOS, 2014, p.107, grifo nosso).

Refere Santos (2014) do quão importante é o desenvolvimento de “[...] um método autobiográfico nas ciências sociais como um meio para testar novas respostas para questões comuns à ciência e à literatura.” (SANTOS, 2014, p.107). Acredita Santos (2014) que “[...] o desenvolvimento desta linha autobiográfica poderia

conduzir à emergência de novos estilos de escrita, formas sincréticas/sintéticas de expressão científica e literária”. (p.107, grifo nosso).

Defende que a auto invenção, nunca é arbitrária, quando realizada de forma autêntica, consistindo numa reconstrução de uma memória diluída, é em síntese, a memória da memória (SANTOS, 2014). Neste sentido Renza (1977) apud Santos (2014) fornece elementos interessantes sobre o texto autobiográfico e o autobiógrafo, conforme descrito a seguir em suas palavras:

[...] um determinado texto autobiográfico manifesta, normalmente, os esforços espontâneos, “irónicos’ ou experimentais, do escritor para situar o seu passado dentro do âmbito intencional deste projecto narrativo. O autobiógrafo não pode senão sentir a sua omissão de factos de uma vida cuja totalidade ou complexidade constantemente lhe escapa, e isto mais ainda quando o discurso pressiona no sentido de ordenar esses factos. Directa ou indirectamente contaminado pela presciência da incompletude, ele cede a sua vida a um “projecto” narrativo que está em tensão com os seus próprios postulados, sendo o resultado um texto autobiográfico cujas referências surgem aos leitores numa moldura estética, isto é, em termos da disposição ‘ensaística’ própria da narrativa, e não nos termos da sua verdade ou falsidade não-textuais” (RENZA,1977, p.3, apud SANTOS, 2014, p. 113).

Ressalta Santos (2014) que o texto autobiográfico, tal qual o texto científico constitui-se por um conjunto de referências que são apresentadas numa moldura específica, a qual denominamos de científica. Reforça o autor, neste sentido, que assim é denominado o texto científico, em termos da disposição “ensaística” própria da narrativa científica e não nos termos de uma verdade ou falsidade não –textuais.

Neste sentido, postula Santos (2014) que se pode admitir “[...] toda a ciência como “Science fiction”, ou melhor como “realit fiction”.” (p.113). Destaca ainda, que em um mesmo texto, pode conter variações quanto à distância entre o “ficcional” e o “factual”. Portanto é fundamental compreender que “[...] a relação entre o acto de significação (o próprio texto) e o objeto de significação (memória, realidade) varia no interior dessa moldura.” (SANTOS, 2014, p.114).

Considerando o exposto, faz-se necessário a clareza e o reconhecimento de algumas questões: primeiramente, “até que ponto o meu passado ou a realidade social me são acessíveis”, e que condicionamentos existem nas formas utilizadas, de produção do texto, enquanto meio ou moldura específica para responder a indagação primeira (SANTOS, 2014).

Ressalta o autor, que o meio simultaneamente une e separa, e que a moldura simultaneamente liga e desliga, portanto fica-se entregue “[...] à possível discrepância entre aquilo que o meu texto cientifico divulga do meu passado (ou da realidade social que estudo) e aquilo que esse passado (e essa realidade social)

significa para mim.” (SANTOS, 2014, p. 114). Mais um elemento é saber “até que ponto um determinado texto é verdadeiro ou factual” deve ser sempre complementado por outra interrogação: comparado com o quê? (SANTOS, 2014).

Um aspecto central refere-se à estrutura temporal de um relato como está intimamente relacionada com a questão do autor. A dialética temporal específica da autobiografia reside no fato de o autor, embora escrevendo sobre o passado, procurar elucidar o seu presente, e não o seu passado. Ao fazê-lo, porém, cria uma distância em relação ao presente e, no fundo, escreve em nome do futuro. Assim, o texto, ainda que muito consciente do tempo, torna-se relativamente atemporal (SANTOS, 2014; JOSSO, 2002).

Santos (2014) sugere que, tanto no interior do processo científico como do texto autobiográfico está presente a descontinuidade do autor, visto que o tempo pessoal do cientista não é uma sequência homogênea, é intrinsecamente irregular e incoerente, e isso reflete-se no seu desenvolvimento científico.

Josso (2002), por sua vez, destaca que o processo auto reflexivo obriga a um olhar retrospectivo e prospectivo, que necessariamente tem de ser compreendido como uma atividade de auto interpretação crítica e de tomada de consciência da

relatividade social, histórica e cultural dos referenciais interiorizados pelo sujeito,

constitutivos da dimensão cognitiva da sua subjetividade (JOSSO, 2002).

A autora afirma que as recordações-referências são simbólicas do que o autor compreende como elementos constitutivos da sua formação. Significa neste sentido, uma dimensão concreta ou visível, que apela para as percepções ou para as imagens sociais, e uma dimensão invisível que apela para as emoções, os sentimentos, o sentido ou os valores do autor (JOSSO, 2002).

Estas recordações-referências são consubstanciadas na experiência, que conforme dito em suas palavras:

São as experiências que posso utilizar como ilustrações para descrever uma transformação, um estado das coisas, um complexo afectivo, uma ideia, mas também uma situação, um acontecimento, uma atividade ou um encontro, que são contadas numa história, uma história que me apresenta ao outro em formas socioculturais, em representações, conhecimento, valorizações que são diferentes formas de falar de mim, das minhas identidades e daminha subjetividade. Assim a construção da narrativa de formação de cada indivíduo conduz a uma reflexão antropológica, ontológica e axiológica. (JOSSO, 2002, p.29, grifo nosso).

A autora coloca as experiências formadoras como processo de conhecimento, afirmando que o processo de formação se dá a conhecer por meio dos desafios e apostas nascidos na dialética entre a condição individual e a condição coletiva. Ocorre, portanto, que a inovação nasce de individualidades inquietas, contudo os procedimentos da sua legitimação social são testemunho da tensão frágil entre a tradição (perpetuação de experiências conhecidas) e modernidade (abertura para outra experiência) (JOSSO, 2002).

A autora identifica as seguintes tensões dialéticas, ditas como: uma

capacidade de reações programadas/uma capacidade de iniciativa; uma capacidade de identificação/uma capacidade de diferenciação; uma capacidade de submissão/uma capacidade de responsabilização; uma capacidade de orientação imitativa de modelos culturais/ uma capacidade de orientação aberta ao desconhecido.

Estas capacidades humanas, na minha visão permitem diálogos contraditórios, que nos mobilizam a um saber-ser e um saber-fazer, em espirais constituídos de tensões e reflexões entre o interior (individuo) e o exterior (ambiente), mediatizadas pelo ambiente, pela cultura e pela sociedade.

A autora alerta que a descrição dos processos de formação e de

conhecimento, permitem

[...] reagrupar o que foi aprendido em termos de transações possíveis consigo próprio, com seu ambiente humano incluindo objetos simples e complexos, e com seu ambiente natural, oferecendo igualmente os marcos indispensáveis para um diálogo entre autores e narrativas. (JOSSO, 2002, p.31).

Na perspectiva apontada, diz a autora:

A narrativa de um percurso intelectual e de práticas de conhecimento põe em evidência os registros da expressão dos desafios de conhecimento ao longo de uma vida. Esses registros são precisamente os conhecimentos elaborados em função de sensibilidades particulares para um dado período. (JOSSO, 2002, p.31).

Josso (2002) identifica como a qualidade essencial de um sujeito em

formação: a sua capacidade de integrar todas as dimensões do seu ser: estas

dimensões que compõem o ser e precisam ser integradas estão ligadas ao

conhecimento: dos seus atributos de ser psicossomático e de saber-fazer consigo

e das suas competências de compreensão e de explicação e do saber-pensar (JOSSO, 2002).

Considera também, a autora, que o conhecimento de si procura envolver os diferentes modos de estar no mundo. Ou seja, como me projeto nele e como fazê- lo na proporção do desenvolvimento da capacidade humana para multiplicar, alargar e aprofundar as sensibilidades. Considerando tais aspectos para mim e para o mundo, com o intento de questionar as minhas categorias mentais na medida em que se inscrevem numa historicidade e numa cultura (JOSSO, 2002).

Afirma ainda a autora que um dos desafios da abordagem biográfica é “[...] uma prática epistemológica do sujeito cognoscitivo que sirva de referência prévia a toda e qualquer aprendizagem intelectual” (JOSSO, 2002, p.91). Com efeito, reconheço que a interpretação científica me permite apurar a faculdade de conhecer e de aprender.

Em sendo, portanto, neste momento, eu - sujeito aprendente, como denomina Josso (2002) - o sujeito em processo de formação e de conhecimento sou também, sujeito que invoca novos aprendizados na, com a e para a pesquisa em saúde coletiva com foco na estratégia saúde da família.

Considerando o exposto sobre autobiografia, e tomando como base os ensinamentos teóricos de Josso (2002) e Santos (2014) anuncio um itinerário metodológico que percorri na produção desta tese, que talvez resulte num sincretismo, como dito anteriormente por Santos.

A autobiografia nesta tese consistiu numa estratégia utilizada para sistematizar um conhecimento gestado na perspectiva da ecologia de saberes. Foi por meio da autobiografia que foi possível acessar as veredas ora da experiência na formação, ora na prática de profissional no SUS, ou na pesquisa, ou na docência, que possibilitaram uma reflexão que gerou descobertas e novos conhecimentos.

As descobertas por sua vez trouxeram perspectivas à minha atuação na saúde coletiva e também contribuíram como elementos de análise no SUS e na ESF. Reconheço, todavia, na autobiografia uma diversidade de desafios, que fizeram parte deste processo de produção de conhecimento, do processo de formação humana e de “pesquisadora” da minha trajetória profissional na saúde. Entre estes, destaco aqueles desafios que percebi mais claramente neste processo:

a) Ser capaz de expor à crítica do campo científico, o que fiz no cotidiano de ser e fazer o SUS acontecer por meio da ESF, numa relação com

território/comunidade e lidar com as lacunas e as possibilidades

existentes neste processo de trabalho realizado em outro tempo histórico;

b) Desnudar-se e relatar como fui profissional de saúde no SUS, que práticas adotei e refletir acerca disso impôs-me uma ação essencial que foi: a capacidade de analisar a realidade histórico política da ESF, a

partir de um conhecimento tecido na relação com o outro que constrói este modelo de atenção territorializada;

c) Reconhecer o papel que o serviço de saúde tem na formação de uma pesquisadora; valorizar este espaço como lugar vivo repleto de possibilidades, que não se traduz em realização de prescrições, mas também num mecanismo que gera uma compreensão do processo de trabalho em saúde, que confronta ideários, que transforma o profissional de saúde e que, também elucida as minhas impotências.

Com este entendimento, este percurso autobiográfico significou permitir a autocrítica e dar-se à crítica do leitor das práticas de saúde do ponto de vista constituído nesta fase da vida entrelaçada à realidade atual. A aceitação e superação destes desafios e ou convivência com os mesmos ao longo da tessitura do texto, um aprendizado central foi a compreensão de que na consolidação da ESF/SUS é essencial a realização de ações integradas espiraladas de pesquisa-comunidade-

serviço-ensino.

Com base nos ensinamentos de Josso (2002) descrevi sucintamente o processo que instaurei na escrita do ensaio autobiográfico, ou ensaio narrativo, que consistiu num primeiro momento da escrita desta tese.

Considerei as questões referentes à saúde humana, que dialogavam com a minha trajetória de vida, e a partir do vivido busquei um rumo a ser identificado, a partir de dimensões práticas e teóricas na produção de um conhecimento útil. Pretendi, a propósito, elucidar os elementos, os mecanismos e os dispositivos que contribuiriam na elaboração de

um autoconhecimento acerca da saúde e das práticas de saúde em contexto de atuação profissional no sertão e na ESF;

Dei a conhecer as situações, os contextos, os acontecimentos que marcaram a construção do sentido que as palavras saúde e necessidades de saúde tiveram e tem para mim, demonstrando a evolução deste sentido ao longo da minha trajetória em diálogo com a: minha formação profissional e acadêmica, a experiência no SUS e a atuação como educadora e pesquisadora;

Apontei a constituição dos referenciais teóricos coerentes e conscientes adotados no meu processo de conhecimento, que estruturam a minha visão de mundo e organizam uma forma de atuação na saúde coletiva numa perspectiva crítica;

Estabeleci um feixe de experiências que me conduziram aos referenciais metodológicos e teóricos atuais, em particular a ecologia de saberes e a complexidade, como uma busca humana por uma ciência produtora de respostas úteis à vida da sociedade dita sub-humana, desvalida e pobre.

(Re)elaborei o significado dos conceitos, por meio da instauração de uma análise reflexiva, em diálogo com o estado da arte na saúde coletiva referente ao tema. Articulei esta análise reflexiva num texto, que expressava a necessidade de uma abordagem que acessasse a complexidade das situações nos territórios, como também das pessoas – agentes cuidadoras e de cuidado nos serviços de saúde -, numa prática teórica emancipatória.

Sistematizei com base no ensaio narrativo, no estado da arte e na

ecologia de saberes uma produção textual na perspectiva de um conhecimento emancipatório.

Esta tese teve, portanto, como primeiro passo a escrita de um ensaio narrativo, que não foi linear, foi constituindo-se espontaneamente na medida em que a necessidade de aprender e de conhecer se apresentavam para mim acerca da experiência. Eu não escolhi categorias temáticas para serem analisadas e debatidas. Fui elaborando o ensaio narrativo buscando compreender como fui aprendendo a ser

profissional de saúde e pesquisadora em saúde pública. Procurei encontrar o que há no processo de formação e de conhecimento que vivenciei que integram o meu saber e as minhas práticas de pesquisadora na saúde coletiva atualmente. Este passo visava a clarear o meu entendimento acerca das ações de saúde, da visão de saúde

e de necessidades de saúde na ESF e, que, práticas de pesquisas seriam necessárias

no contexto da saúde coletiva. Para tal, elaborei um texto trazendo os elementos que estavam presentes neste meu processo de atuar na saúde, para além do conhecimento formal e técnico. Estes elementos eram a música, a poesia, a

literatura, a fotografia e a pintura, que expressavam também uma identidade de

lugar.

O segundo passo foi a leitura deste ensaio e a identificação de questões que eu precisava aprofundar; o terceiro passo consistiu em uma leitura e a sistematização do estado da arte sobre os temas identificados: práticas de saúde,

saúde, promoção da saúde, determinação social da saúde necessidades de saúde, SUS, ESF, ABS, política de saúde, saúde e desenvolvimento, semiárido, entre outros.

O quarto passo consistiu em descobertas, advindas deste processo de leitura e releituras do ensaio narrativo, e, depois de leitura e releituras do estado da arte referente a estes temas. Ou seja, surgiram novas inquietações sobre: como realizar práticas emancipatórias no SUS? Existiria esta possibilidade no contexto de vulnerabilização vivido na sociedade capitalista? Neste momento nasceu a necessidade de expressar uma pergunta orientadora de uma ciência emancipadora e de um objetivo pretendido.

Reconheci, portanto o lugar onde estava e onde almejava chegar do ponto de vista do conhecimento. Este foi o meu maior desafio como sujeito aprendente, em processo de formação. Em meio às reflexões diversas que atropelavam o meu pensamento complexo foi desafiante, estabelecer uma pergunta-guia. Qual a pergunta primeira, condutora, que apresenta o ponto onde me situo enquanto alguém que precisa apreender, aprender, praticar, exercitar o ato de pesquisar, enfim, o labor científico? Entre tantas perguntas, como estabelecer a pergunta que deu partida a toda esta tessitura de conceitos, reflexões, imersões na saúde coletiva?

Acredito que múltiplas perguntas me conduziram ao momento atual, ao lugar que ora ocupo neste tempo de escrever uma tese. Estes questionamentos surgiram a partir de escutas das pessoas nas pesquisas que participei, como também

na atuação na ESF, e das minhas indignações e inquietações sejam no Brasil ou em Angola. Registro na figura 3 alguns momentos que foram significativos na construção do meu pensamento em saúde, na perspectiva do direito à vida e de condições dignas de viver à humanidade.

Figura 3: Fotografias agrupadas de atividades de pesquisa de campo em

Luanda/Angola e Quixeré/Ceará/Brasil.

Fonte: Acervo da pesquisadora.

Mas o conhecimento responde a uma pergunta por vez, e, talvez nem a responda, ou então, a reposta pode não satisfazer... reconheci, primeiramente, que a busca de conhecimento sempre foi significativa para mim, por razões, que ainda não sei explicar. Contudo o movimento de compreender mais o humano, a natureza, o porquê das coisas sempre foram aspectos relevantes da minha trajetória de vida.

Então, fiz a opção de uma pergunta orientadora da busca de saber, que talvez explicite melhor os meus anseios atuais de pesquisadora, assim escrita: Que

compreensão de saúde humana e de necessidades de saúde contribui ou (é necessária) para constituir práticas de pesquisa emancipatórias em territórios de vulnerabilidade socioambiental, como é o caso do sertão, em diálogo com a ESF?

Destaco que a pesquisa se apresenta como um desafio paradoxal e potencialmente contrastante com alguém que vem da prática no SUS, que tem atuado na pesquisa-ação. Com efeito, afastar-me do pragmatismo da ação para a reflexão

teórica e imergir na teoria sociológica e complexa da ciência é uma busca de ser doutora no contexto que a saúde coletiva reivindica ao campo científico.

Por fim, analisar as políticas de saúde à luz de um referencial crítico e expor as contradições do que mais defendo no âmbito da prática, que é a ESF coaduna-se com a necessidade de recriar os processos de compreensão da saúde humana e das necessidades que estas reivindicam.

Foi fundamental, entretanto, a instauração desta hermenêutica, pois esta me levou ao estudo do paradigma emergente, da ecologia de saberes, da complexidade proposta por Edgar Morin e da autobiografia da Marie Catherine Josso.

O quinto passo consistiu na tessitura deste conhecimento emancipação, desta ecologia de saberes, no âmbito acadêmico, a partir destes aprendizados advindos destas diversas formas de constituir a realidade, numa perspectiva de contribuir com uma prática científica emancipatória na saúde coletiva.

Neste sentido, objetivo nesta tese, sistematizar a construção de uma

compreensão de saúde humana e de necessidades de saúde, ancorada nas experiências nos serviços de saúde, no ensino e na pesquisa, em diálogo com a complexidade e a ecologia de saberes considerando o contexto do semiárido com vistas às práticas emancipatórias na ESF. Este passo consistiu na articulação empiria- teoria, com uso de múltiplas linguagens, sem que haja mais um ensaio narrativo, mas uma sistematização de um conhecimento que se consubstancia como um exercício

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Benzer Belgeler