O presente estudo procurou mostrar perspectivas para o setor de gás natural no Rio Grande do Norte a luz do desenvolvimento de sua cadeia produtiva.
A construção de sua infraestrutura perpassa pela importância desse produto na matriz energética do estado, fato que ganhou notoriedade após alguns fatores de ordem política e econômica, como a crise energética ocorrida no país em 2001 e o aumento do consumo dado a estabilização da economia que levou o governo a procurar por fontes alternativas de energia. A esperança da construção de um parque termelétrico movido a gás e a expansão da oferta de gás advindo da Bolívia capaz de solucionar o crescimento da demanda de energia constituiu em um dos principais pilares para a expansão da cadeia produtiva desse produto no país. Contudo, apesar da inserção do gás através do consumo das termelétricas não ter atendido as expectativas esperadas, este produto ganhou maior espaço no setor industrial e automotivo que viram através desse uso o diferencial para se tornarem mais competitivo.
No Rio Grande do Norte o consumo do gás natural esteve bem abaixo da sua produção, a isto é atribuído o fator de que o uso do gás natural em substituição de outro insumo energético além de requerer infraestrutura de logística onerosa, há também a dificuldade de mudança de cultura em trocar um produto já conhecido por outro considerado ainda estranho. Para tanto, a superação para esses entraves envolve esforço conjunto do governo das empresas distribuidoras, das empresas produtoras, além de investimentos em tecnologias inovadoras.
No quetange aos aspectos relacionados à inovação tecnológica, ela esteve presente em todas as etapas que compõe a indústria do gás natural, desde sua exploração com a criação de melhores técnicas e equipamentos, permitindo a sua extração em águas cada vez mais profundas; na etapa de processamento, com o uso adequado de tecnologias capaz de separar os compostos químicos presentes no gás; na etapa de transporte, com o desenvolvimento de utensílios capazes de permitir o transporte a longas distâncias de forma rápida e segura; e, na fase de distribuição, com materiais adequados para o desenvolvimento de linhas urbanas e adequação de materiais para utilização do produto nos diversos ambientes, salientando que para o alcance de tal êxitofoi preciso muito esforço em pesquisa e desenvolvimento, além de investimentos e planejamentos adequados.
Na análise geral, as perspectivas futuras para o crescimento do setor de gás natural são positivas, dada a expectativa de ampliação da oferta de gás natural advindo das reservas do pré-sal. Contudo, para sua concretização, se faz necessário a ação conjunta dos produtores, transportadores e distribuidores do gás natural no sentido de coordenar estratégias visando o escoamento desse produto até o mercado consumidor final, de forma eficiente economicamente, além da ação do governo no intuito de criar políticas que favoreçam o consumo interno e atraia parceiros e investidores que possam atuar em toda a sua cadeia produtiva. Para isso, a lei do gás, criada no final de 2009, já foi um marco para o futuro desenvolvimento dessa indústria, no qual permitirá o acesso a outros participantes, um mercado mais competitivo e maiores investidores.
Voltando-se para o estado potiguar, as perspectivas futuras vai depender dos cenários estratégicos que o Estado irá adotar para os próximos anos; todavia, apesar da tendência de consumo se voltar para a exploração da energia eólica, onde já estão sendo feitos vultosos investimentos na construção de parque eólicos, a tendência é que o gás natural continue atendendo parte da demanda energética através da termoaçu e, os demais consumidores por meio da distribuidora Potigás, pois as empresas responsáveis pela exploração no estado ainda continuam investindo em aberturas de poços, e projetos que possam melhorar o desempenho dos poços considerados maduros.
Além disso, o estado apresenta uma infraestrutura de apoio à expansão do consumo do gás natural, como o CTGAS-ER, responsável pela capacitação de mão-de-obra e o desenvolvimento de tecnologia apropriada para o consumo do gás, além de fornecer e assessoria técnica as empresas; o governo, em parceira com a Potigás, criou programa de incentivo ao uso do gás – PROGÁS, para beneficiar as empresas que fizerem uso do gás. Além da formação de um ambiente propício ao uso do gás, o estado conta como os benefícios criados pela geração de emprego e renda e arrecadação de impostos.
Em suma, as perspectivas para a expansão do uso do gás natural são promissoras dada a expectativa de um horizonte amplo de oferta; para tanto, se faz necessário investimentos em pesquisas e planejamento adequado ao longo de toda a sua cadeia produtiva, além de uma ação mais atuante do governo na promoção de uma política energética mais efetiva e resultante de planejamento estratégico amplo, integrado e de longo prazo, levando em conta a preocupação com o meio ambiente, a diversificação da matriz energética e a procura por energias alternativas.
REFERÊNCIAS
ABEGAS. Disponível em: <www.abegas.org.br >. Acesso em: 8 jan. 2011.
AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, Disponível em:
<http://www.anp.gov.br/doc/gas/2005/boletimgas200512.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2006. ALONSO, Paulo Sergio Rodrigues. Estratégias corporativas aplicadas ao desenvolvimento do mercado de bens e serviços: uma nova abordagem para o caso da indústria do gás natural no Brasil. 2004. Tese (Doutorado em Economia) – Universidade Rio de Janeiro, 2004.
ARAÚJO, Tânia Barcelar. Ensaios sobre o desenvolvimento brasileiro: heranças e urgências. Rio de Janeiro: Revan: Fase, 2000.
BALANÇO ENERGÉTICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE 2006a. Disponível em: <http://raceadmv3.nuca.ie.ufrj.br/buscarace/docs/rgn1.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2007.
BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL 2006b: Relatório final. Disponível em: <http://www.mme.gov.br/download.do;jsessionid=72DD4153F4FEE2DOB6B44E7FEDFB16 43?attachmentld=9122&download>. Acesso em: 31 mai. 2007.
BOLETIM MENSAL DO GÁS NATURAL, 2005. Disponível em: <www.anp.gov.br>. Acesso em: 8 nov. 2007.
BRUM, Agemiro J. Desenvolvimento econômico brasileiro. 20 ed. Ijuí: Ed.UNIJUÍ, 1999. CARDOSO, Luiz Cláudio. Petróleo do Poço ao Posto, Rio de Janeiro: Qualitymark, 2005. CARNEIRO, Ricardo. Desenvolvimento em crise. São Paulo: Editora UNESP, IE - Unicamp, 2002.
CO-GERAÇÃO DE ENERGIA. Disponível em:
<www.comgas.com.br/templates/gempresas_genergia2.aspx?page=721&idiom=1>. Acesso em: 18 abr. 2006.
CONPET. Disponível em: <www.conpet.gov.br>. Acesso em: 18 abr. 2006.
CORSEVIL, Carlos Henrique; KUME, Honório. A abertura comercial brasileira nos anos 1990: impactos sobre emprego e salário. Rio de Janeiro: IPEA, 2003.
CTGÁS. Disponível em: <www.ctgas.com.br>. Acesso em: 11 mai. 2006.
DOMENECH, Luis. Crescimento econômico impulsiona o gás natural. Disponível em: <www.ctgas.com.br>. Acesso em: 18 fev. 2010.
DUARTE, Renata Barbosa de Araújo. Histórias de Sucesso: indústria: Petróleo e Gás Natural. Brasília: Sebrae, 2006.
FREIRE, Nelson. Gás natural e meio ambiente. In: SEMINÁRIO DO MEIO AMBIENTE, 7., 2008. Natal. Natal: POTIGÁS, 2008. Material disponibilizado pela Potigás.
FOSSA, Alberto José; et.al. Normalização e regulamentação aplicada á distribuição do gás natural. Brasília: SENAI, 2010.
GÁS E ENERGIA: Principais usos. Disponível em:
<http://www.gasenergia.com.br/portalge/port/gn/principais_usos.jsp>. Acesso em: 20 abr. 2006.
GÁS NATURAL. Disponível em: <www.gasnatural.com.br >. Acesso em: 10 abr. 2006. GASNET. Disponível em: <http://www.gasnet.com.br>. Acesso em: 20 abr. 2006.
GERAÇÃO DE ENERGIA. Disponível em:
<www.comgas.com.br/templates/gnatural.aspx?page=697&idiom=1>. Acesso em: 18 abr. 2006.
GIAMBIAGI, Fábio; MOREIRA, Marício Mesquita (Org). A Economia Brasileira no anos 90. Rio de Janeiro: BNDES, 1999.
GIAMBIAGI, Fábio et. al. Economia brasileira e contemporânea. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
GONÇALVES, Reinaldo et. al. A nova economia internacional: uma perspectiva brasileira. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
HELLER, Claudia. Path-Dependence, lock-in e inércia. In: PELAEZ, Vitor; SZMRECSÁNYI, Tamás e organizadores. Economia da Inovação Tecnológica. São Paulo: Huncitec, 2006.
HISTÓRIA DO GÁS NATURAL NO BRASIL. Disponível em:
<www.gasenergia.com.br/portalge/port/gn/vantagens.jsp>. Acesso em: 18 abr. 2006.
INDÚSTRIA BRASILEIRA DE GÁS NATURAL: regulação atual e desafios futuros. Disponível em: <www.anp.gov.br>. Acesso em: 21 nov. 2006.
JUNIOR, Helder Queiroz Pintor, et. al. Economia da Energia: Fundamentos Econômicos, Evolução Histórica e Organização Industrial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
QUEIROZ, Sérgio. Aprendizado tecnológico. In: PELAEZ, Vitor; SZMRECSÁNYI, Tamás (Orgs.) Economia da Inovação Tecnológica. São Paulo: Huncitec, 2006.
LEITE, Luiz Fernando. Inovação: o combustível do futuro. Rio de Janeiro: Petrobras, 2005. MEDEIROS, Ramid Risério M. de. [Gás natural no RN], [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <[email protected]> em 16 jun. 2008.
BRASIL. MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. Balanço Energético Nacional 2006 (ano base 2005). Brasília, 2006. Disponível em: <www.mme.gov.br>. Acesso em: 21 nov. 2010.
MONTEIRO, Jorge Venâncio de Freitas. Gás natural aplicado à indústria e ao grande comércio. São Paulo: Comgas, 2010.
NELSON, Richard R. As Fontes do Crescimento Econômico. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2006.
ORTEGOSA, Cássima Zatorre; Metodologia para estudos da viabilidade econômico- financeira no uso do gás natural em instalações prediais, residenciais: uma abordagem via dinâmica de sistemas. 2006. Dissertação (Mestrado) - UFMS: Campo Grande, 2006.
PALMEIRA SOBRINHO, Zeú. Reestruturação produtiva e terceirização: o caso dos trabalhadores das empresas contratadas pela Petrobras no RN. 2006. Tese (Doutorado) - UFRN, Natal, 2006.
PELAEZ, Vitor; SZMRECSÁNYI, Tamás e organizadores. Economia da Inovação Tecnológica. São Paulo: Huncitec, 2006.
PENROSE, E. Teoria del crescimento de la empresa. Madrid, Aguillar, 1962.
PETROBRÁS. Pólo industrial de Guamaré: o coração do Petróleo potiguar. Natal, [2005?]. Folder.
PINHEIRO, Arnaudo C., GIAMBIAGI, Fábio, GOSTKORZEWICZ, Joana. O desempenho macroeconômico do Brasil nos anos 90. In: GIAMBIAGI, Fábio., MOREIRA, Maurício Mesquita (Org). A Economia Brasileira no anos 90. Rio de Janeiro: BNDES, 1999.
POSSAS, M.S. Concorrência e competitividade: notas sobre estratégia e dinâmica seletiva na economia capitalista. São Paulo: Hucitec, 1999.
POTIGÁS. [Clientes consumidores da Potigás]. Natal, 2004. Material disponibilizado pela POTIGÁS.
POTIGÁS. Disponível em: <www.potigas.com.br>. Acesso em: 11 mai. 2006.
POTIGÁS. Rede de dutos da POTIGÁS, área de Goianinha. Natal, 2003. Disponível em: <http://www.potigas.com.br/pdf/malhagoianinha.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2008.
POTIGÁS. Rede de dutos da POTIGÁS, área de Mossoró – Rede esquemática. Natal, 2004a. Material disponibilizado pela POTIGÁS.
POTIGÁS. Malha de distribuição de gás, área da grande Natal – Rede esquemática. Natal, 2004b. Material disponibilizado pela POTIGÁS.
PROJETO PIB: PERSPECTIVA DO INVESTIMENTO NO BRASIL, 2008. Disponível em: <http://www.projetopib.org/arquivos/01_ds_energia_gas_natural.pdf>. Acesso em: 21 jan. 2011.
PROJETO ESTUDOS ENERGÉTICOS DO RIO GRANDE DO NORTE. Natal, 2007.
Disponível em:
<http://www.forumdeenergia.com.br/nukleo/pub/cenarios_energeticos_rio_grande_do_norte. pdf>. Acesso em: 10 jan. 2011.
REIS, Letícia Mattos Tavares Valente. Cenários logísticos para a indústria de óleo e gás
natural no Brasil. 2006. Dissertação (Mestrado) – Universidade de Niterói, 2006.
RELATÓRIO DA PROJEÇÃO DA MATRIZ ENERGÉTICA DO RIO GRANDE DO NOR-
<www.forumdeenergia.com.br/nukleo/pub/projeto_matriz_energetica_rn.pdf>. Acesso em: 28 dez. 2010.
RODRIGUES NETO, João. O Estado produtor de petróleo e as transformações na economia do Rio Grande do Norte, nos anos 80. Dissertação (Mestrado) EDUFRN/UFRN: Natal, 2000.
RODRIGUES NETO, João. O sonho do petróleo: aspectos históricos do Rio Grande do Norte. Tese (Doutorado), UNICAMP: Campinas, SP, 2007.
RUAS, José Augusto Gaspar. Indústria do gás natural no Brasl: desenvolvimento histórico e impasses contemporâneos. Boletim NEIT, Campinas, SP, n. 8, p. 11-15, abr. 2007. Disponível em: <www.eco.unicamp.br/neit>. Acesso em: 28 out. 2008.
SANTANA, Carlos Alexandre Alves. O gás natural: perspectivas de desenvolvimento econômico para o Rio Grande do Norte. Monografia (Graduação), Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2003.
SERPA FILHO, Pedro Paulo. Estudo sobre as barreiras à entrada para o consumo de gás natural na cidade de Natal: Segmento residencial. Monografia (Graduação), Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2005.
SILVA, Edna Lúcia da; MENEZES, Estera Muszkat. Metodologia da Pesquisa e Elaboração de Dissertação, 3. ed. Florianópolis: Laboratório de ensino a distância da UFSC, 2001.
SILVA, Francisca Tavares da. Reestruturação produtiva na Petrobrás e ação sindical dos petroleiros no RN. Dissertação (Mestrado), Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2005.
TIGRE, Paulo B. Gestão da Inovação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
TRIBUNA DO NORTE. Disponível em: <www.tribunadonorte.com.br>. Acesso em: 5 jan. 2011.
VEIGA, Pedro da Motta (Org.). O Brasil e os desafios da globalização. Rio de Janeiro: Relume-Dumará; São Paulo: SOBEET, 2000.
ANEXO - A: Malha de Distribuição de Gás Natural de Natal
ANEXO - B: Malha de Distribuição de Gás Natural de Mossoró
Fonte: Potigás
LEGENDA
ANEXO - C: Malha de distribuição de gás de Goianinha