A sustentação desse modelo conservacionista ocorre, evidentemente, por meio de doações de parceiros que investem, de alguma maneira, na região, nem sempre com interesses que são “genuinamente ambientais”. Já a fiscalização ocorre por meio de funcionários do ICMBio e da Polícia Militar Ambiental.
A Ecotrópica, além de ter adquirido terras que foram destinadas à conservação ambiental, também atua nas discussões de políticas públicas concernentes ao meio ambiente, compondo o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Cuiabá, o Conselho Estadual de Meio Ambiente e o Fórum Mato-Grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nesse cenário, alguns dos assuntos abordados e que foram influenciados por essa ONG na tomada de decisão foram: Código
Ambiental de Mato Grosso, Hidrovia Paraguai-Paraná, Programa de
Desenvolvimento Agroambiental de Mato Grosso, Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai, legislação de pesca, Programa BID Pantanal, dentre outros. No caso da Fundação Ecotrópica, ressalta-se que, pela Lei nº 7.006, em 22 de maio de 1998, foi declarada como instituição de Utilidade Pública Estadual, funcionando praticamente, desde então, como um braço do Estado. Para Steinberger (2013: 63), “produzir políticas públicas não é uma prerrogativa exclusiva do Estado, mas de todos os agentes e atores sociais, cabendo-lhes coordenar a ação desses e oficializar as políticas públicas”.
Apesar dessas iniciativas de conservação da natureza, existe uma atividade agropecuária no entorno do CAPP, além de mineração, pesca comercial e esportiva e turismo. Destaca-se a pecuária extensiva como a principal atividade de uso e ocupação do solo. A agricultura e a pecuária são atividades complementares na planície pantaneira, relativamente de baixo impacto em comparação a outras regiões do Brasil, contudo, um método bastante utilizado para a renovação de pastos é a queimada, devido ao baixo custo. Esse tipo de ação, contínua no Pantanal, em diversas situações, acaba ocasionando grandes incêndios no entorno do Parque. Sobre os riscos de incêndio
Na Serra do Amolar, onde se localiza parte das RPPNs Penha e Acurizal, devido à altitude da mesma, ocorrem também incêndios devido a raios.
Gráfico 1 - Focos de calor detectados pelo satélite NOAA 12 (noite), anos de 2000 a 2005
Fonte: Prevfogo; Ibama (2006).
Assim, apesar das diversas ações em prol da conservação da natureza e dos rios Paraguai e Cuiabá representarem barreiras naturais à propagação do fogo, verifica-se uma grande vulnerabilidade da zona da Serra do Amolar no tocante a incêndios.
Segundo o Ibama (2006), as áreas de maior risco de incêndio, na zona de amortecimento do Parna, são as RPPNs Penha e Acurizal, a sudoeste do Parque, que possuem vegetação de cerrado e campos rupestres, e têm como vizinhas fazendas com atividades agropecuárias, que, por vezes, utilizam-se de queimadas para limpar os pastos, além de atividades extrativistas, como o mel, tanto do lado do Brasil como da Bolívia. Também atentam para a comunidade ribeirinha “Barra”, a sul do Parque, localizada na confluência entre os rios Paraguai e Cuiabá, como uma das responsáveis por incêndios. Já a leste-nordeste do Parque, nas fazendas Dona Belisca e Santa Izabel, nas quais há pecuária extensiva, há chances de propagação de incêndio em direção ao Parque, pois fazem fronteira “seca” com este, principalmente, durante o período de estiagem. A nordeste do Parna localiza-se a RPPN Dorochê, onde há frequentes incêndios de causas naturais, ameaçando, consequentemente, o Parque. A extração de mel e a coleta de isca viva, para a pesca comercial e esportiva, representam risco de incêndios com o acendimento de
fogueiras para o desenvolvimento dessas práticas.
Evidenciam-se, assim, algumas contradições presentes na produção do espaço. O ideal conservacionista entra em conflito com atividades econômicas, com a população local, entre ONGs, além das causas naturais, como incêndios. A pesca comercial e esportiva, esta última ligada ao turismo de pesca, também, constantemente, entra em conflito com os ideais presentes nas unidades de conservação.
Além disso, há de se considerar que o rio Paraguai é um rio internacional, que do ponto de vista geopolítico e de segurança nacional está sob o domínio da Capitania Fluvial dos Portos da Marinha do Brasil, visando à proteção do território nacional, ou seja, outro fator que influencia na produção e na organização do espaço ao longo desse rio.
Ademais, com a configuração da RPCSA, há outra maneira, por meio de outros atores, de se demonstrar poder e controle em terras ao longo do rio Paraguai. A partir da cooperação pública (ICMBio e Polícia Florestal) com ONGs e proprietários de terra (IHP, Ecotrópica, Acaia e fazendeiros), estabeleceu-se um monitoramento ambiental, que objetiva fiscalizar e normatizar o uso do espaço na área da RPCSA. Assim, foi formada uma rede de territórios da conservação, ao longo de trechos do rio Paraguai e Cuiabá, cujos atores tentam controlar a produção e o uso do espaço. Essa questão, que também é geopolítica, de controle do uso do espaço, acabou chegando ao Ministério Público Federal, com o caso da Comunidade Ribeirinha da Barra do São Lourenço.
Em relação ao Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal, concorda-se com Canclini (1994), quando este afirma que um dos paradigmas contidos nas práticas patrimonialistas contemporâneas é o imaginário conservacionista e monumentalista, cujo objetivo está voltado à grandiosidade e à magnificência dos bens protegidos. No caso, trata-se de uma área que além de ter de se submeter à legislação ambiental brasileira, passou a utilizar-se de bandeiras de intocabilidade e conservacionismo sob a justificativa de ser um patrimônio mundial natural. Assim, presencia-se um contexto em que a presença das populações tradicionais em áreas protegidas acaba sendo considerada uma ameaça ao modelo de conservação.
A população do entorno não criou identidade com as políticas desenvolvidas pela Fundação Ecotrópica; tampouco possui identidade com o parque, que virou
uma espécie de ilha de conservação afastada da sociedade local, a qual, por sua vez, mal é mencionada enquanto uma população carente que vive no entorno do parque.
Os atores conservacionistas delimitaram territórios da conservação, gerindo- os, normatizando-os, já que a regulamentação desses territórios permite apenas determinados usos para os mesmos. Assim, influenciam a produção do espaço, evidenciando que o território exprime as relações de poder representadas no espaço.
Excetuando-se o Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai, no âmbito do Programa Pantanal, que gerou um grande relatório, que serviu como diagnóstico, apesar de sua execução parcial, das leis e decretos criados ao longo das últimas décadas, pouco se tem, de fato, implementado em relação a políticas públicas ambientais para o Pantanal tendo como agente e executor o governo. Ademais, apesar das normatizações, as execuções são falhas. Sendo o Pantanal uma planície alagável, cujos leitos e margens de rios são modificáveis, entende-se que deveria haver diretrizes mais específicas para a planície, com efetivas ações na prática, englobando os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Houve, inclusive, dois projetos para que se criasse o estado do Pantanal. Em 1991, o Deputado Federal corumbaense Elísio Curvo, na gestão do Presidente Fernando Collor de Mello, alegara que seria assinado a criação do estado do Pantanal, mas o impeachment de Collor foi um impedimento à concretização dessa ideia. Em 2003, o Deputado Federal Fernando Gabeira (PV- RJ) apresentou o Projeto de Decreto Legislativo nº 1027/2003 para a criação do Território Federal do Pantanal, o qual não obteve apoio político regional necessário (PORTO, 2007).
Nos trabalhos de campo realizados em 2013 e 2014, estava evidente o descontentamento dos funcionários das prefeituras no que concernia à atenção dada por ambos os estados ao Pantanal. Adalberto Eberhard (informação verbal71) afirma que cada vez mais o Pantanal está mais degradado, principalmente, em sua borda, onde está o planalto. Segundo Eberhard, houve diversas políticas públicas que incidiam sobre o Pantanal nas últimas décadas, porém, na prática, foram poucas as ações ocorridas. Há inúmeras ameaças presentes com a instalação de hidrelétricas, projetos de ampliação da navegabilidade do rio Paraguai, dentre
71Entrevista concedida por EBERHARD, Adalberto. [fev. 2015]. Entrevistador: Carolina Meirelles de Azevedo Bello. Brasília, 2015.
outras.
Salienta-se, ainda, que as políticas são estaduais e, assim, não compreendem o Pantanal como uma região, como uma unidade baseada em uma dinâmica da natureza específica e em uma identidade pantaneira. Há normatizações estaduais que não englobam a diversidade existente nos estados. Não se defende, aqui, que há uma homogeneização que torna o Pantanal um todo-harmônico, mas sim uma história que o concebe enquanto uma totalidade histórica (LENCIONI, 2005).
A perspectiva geográfica influenciada pelo marxismo, semelhante a outras correntes do pensamento geográfico, concebeu a região como parte de uma totalidade. A diferença agora residia no fato que essa totalidade não era mais concebida nem como uma totalidade orgânica ou lógica, nem como uma totalidade harmônica. Foi concebida como uma totalidade histórica (LENCIONI, 2005: 196).
Lembramos, por fim, que: “no Pantanal aliam-se a identidade do ‘pantaneiro’, produto histórico da criação extensiva de gado, e a herança indígena, presente direta [...] ou indiretamente (através de hábitos culturais como o tereré)” (BRASIL, 2005a: 58).
3. A (RE)INVENÇÃO DO TURISMO NO PANTANAL: ENTRE A PRODUÇÃO DE REPRESENTAÇÕES E A PRODUÇÃO DO ESPAÇO
O desenvolvimento do turismo no Pantanal é resultado de uma convergência de fatores socioeconômicos, políticos e culturais. Não é possível compreender o desenvolvimento da atividade turística na sua relação com a patrimonialização da natureza dessa região sem esse resgate de fatores que contribuíram para a configuração e a promoção dessa atividade.
Assim, para a análise da relação entre patrimonialização da natureza e desenvolvimento da atividade do turismo na produção do espaço no Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal e seu entorno, há de se resgatar o histórico do turismo nos três municípios que compõem a área de estudo: Corumbá, Poconé e Cáceres, além de ser necessário contextualizar as políticas regionais e municipais de turismo que englobam o Pantanal, os planos de incentivo e as atividades referentes ao turismo que se desenvolveram nesses três municípios.
Não seria pertinente realizar uma análise do turismo centrada somente no Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal, visto que a atividade não se restringe a um só local, envolvendo, também, a dinâmica fluvial pantaneira. O turismo no Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal e seu entorno não é estático, já que há também o turismo de pesca nas águas dos rios pantaneiros que compõem o Complexo. Ademais, os turistas têm de se locomover a partir de um centro urbano, que, normalmente, é Corumbá ou Cáceres.
Rodolfo Bertoncello72 afirma que é necessário pensar no turismo a partir da
mobilidade turística como uma forma de mobilidade. O turismo pode ser pensado a partir dessa ótica, pois envolve um local de origem e um destino na diferenciação da prática, portanto, contempla uma mobilidade espacial, havendo fronteiras e barreiras que atuam como “classificadoras do espaço e da população quanto às formas consentidas de mobilidade, e quanto a uma hierarquização dos sujeitos com diferentes ‘direitos’ de acesso a esta mobilidade” (PÓVOA NETO, 2011: 129).
Nesse sentido, concorda-se com a seguinte afirmação que considera que para a atividade do turismo é necessária a integração entre os núcleos emissores e
72 Apresentação oral realizada no Seminário Internacional “Território e Circulação na Dinâmica Contraditória da Globalização”, ocorrido em Novembro de 2012 no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.
receptores de turistas, assim como de seu espaço de deslocamento: “a espacialidade do ciclo de reprodução do capital implica múltiplas localizações e suas necessárias articulações, em virtude dos processos produtivos e do consumo apresentarem ampla escala, envolvendo diferentes lugares” (CORRÊA, 1997).
3.1 Fatores socioeconômicos que contribuíram para o desenvolvimento do turismo contemporâneo
Segundo Xavier (2007), na história do turismo contemporâneo, destacam-se três fases: a primeira delas refere-se ao turismo elitista que acompanhou a Revolução Industrial, caracterizada por equipamentos luxuosos; já a segunda concerne ao surgimento do turismo de massa, em uma conjuntura de maior acesso aos meios de transporte, a crédito, a conquistas trabalhistas, como o direito a férias, em um contexto marcado pela industrialização de diversos países e pela difusão da atividade do turismo. Xavier (2007: 51) ainda afirma que nessa fase instituiu-se o “modelo do turismo fordista”, por conta da organização de pacotes de viagens. Por fim, a terceira faz correspondência ao momento atual, caracterizada pela modernidade, referindo-se a um período influenciado por recursos tecnológicos, pela criação e pela propagação de megarresorts e de parques temáticos, além da influência da natureza e da cultura.
Becker (2001) explana que com as inovações tecnológicas concernentes aos transportes no século XIX, como o desenvolvimento da ferrovia e da navegação a vapor, uma pequena parte da sociedade pôde começar a gastar dinheiro com a atividade do turismo. Assim, surgiram os primeiros agentes e companhias que começaram a organizar a atividade do turismo, tornando-se, ao longo do tempo, uma possibilidade de acumulação capitalista, centralizada em um novo produto, que se somou aos espaços produtivos que já existiam. No entanto, foi no Pós Segunda Guerra Mundial, que se assistiu a mudanças significativas no turismo, com a “massificação de padrões de consumo que o ‘welfare state’ veio a abrir nos países capitalistas centrais” (BECKER, 2001: 2). Essa metamorfose se sustentou com a regulação e a legislação trabalhista, caracterizadas pela limitação do tempo de trabalho, pela aposentadoria, pelas férias remuneradas, em uma conjuntura de
maior facilidade de locomoção, com a possibilidade de viajar de avião (BECKER, 2001).
O turismo foi apresentado como um fator de desenvolvimento no contexto do Pós Segunda Guerra Mundial, sendo incentivado por organismos internacionais, como a ONU, o Banco Mundial, mediante empréstimos para projetos turísticos. Assim, muitos países foram estimulados a incluir o turismo nos seus planos de desenvolvimento (PEARCE, 1987; DIAMOND, 1977; MARANHÃO, 1996).
Segundo Diamond (1977: 539), com a imagem de que o turismo é uma “atividade econômica de tecnologia muito simples usando recursos existentes com abundância nesses países (sol, paisagem e mão de obra), a proposta do turismo como estratégia de desenvolvimento era irresistível”.
Desde então, o turismo vem crescendo como atividade:
No mundo, estudos recentes mostram que o turismo tem sido a atividade que apresenta os maiores índices de crescimento. Todas as previsões assinalam para elevadas taxas de crescimento da movimentação turística durante as próximas décadas. Esse movimento irá contribuir para a criação de novos postos de trabalho e de riqueza. Previsões da Organização Mundial de Turismo – OMT – apresentam indicadores de movimento de turistas no mundo que passará dos 528 milhões de pessoas que se deslocaram, em 1995, para cifras da ordem de 1.018 milhões de pessoas, em 2010. Em 2005, os estudos indicaram que o turismo gerou cerca de 300 milhões de empregos através de 52 setores da economia. No Brasil, as cifras ainda são modestas, mas também assinalam perspectivas significativas (XAVIER, 2007: 16).
De acordo com a OMT (2014), o turismo no mundo tem uma participação direta e indireta de 9% no PIB, sendo responsável pela geração de um em cada onze empregos. Além disso, representa 6% das exportações mundiais, equivalendo a mais de 1,4 bilhão de dólares. No Brasil, atualmente, o turismo responde por aproximadamente 3,6% do PIB, empregando mais de 10 milhões de indivíduos direta e indiretamente (EMBRATUR, 2015).
Sendo assim, é evidente que houve uma série de fatores, como o direito a férias, as melhorias nas condições de transporte e nas comunicações, os investimentos em políticas de turismo e em infraestruturas, além de melhores condições socioeconômicas e a consolidação de uma classe média, detentora de certa renda, que possibilitaram o crescimento da atividade.
Em 1950, havia cerca de 25 milhões de turistas internacionais no mundo, já em 2013, o número de turistas internacionais foi de 1.087 milhões, mostrando a força que essa atividade vem desempenhando e a importância adquirida (OMT, 2014).
O final do século XX traz mudanças nesse quadro, relacionadas aos principais vetores de transformação do mundo contemporâneo: a revolução científico-tecnológica e a crise ambiental. Como esses elementos se combinam e repercutem sobre o turismo? Assistimos à passagem para um novo modo de produzir, baseado em novas tecnologias, numa inovação contínua de produtos e processos. A velocidade é um elemento decisivo nessa passagem, impactando sobre os territórios em todas as escalas geográficas, com redes técnico-informacionais, permitindo articulações diretas entre o local e o espaço transnacional. A presença das redes é extremamente importante na viabilização da mercantilização da imagem dos lugares. A mídia tem papel fundamental para o desenvolvimento das estratégias de marketing, elemento central na questão do turismo. O marketing, as redes de informação e de circulação atraem crescente número de consumidores, inserindo-os num circuito de mercado através de "pacotes" diversos (BECKER, 2001: 3).
Salienta-se que a atividade ainda está em expansão, sendo que a OMT prevê aproximadamente 1.800 milhões de turistas internacionais em 2030. No que concerne aos países emergentes, a OMT afirma que entre 2010 e 2030 está previsto um padrão de aumento de entradas em destinos emergentes de 4,4% ao ano, ao passo que o ritmo de crescimento de chegadas em destinos desenvolvidos previsto é de 2,2% ao ano. “A cota de mercado das economias emergentes aumentou de 30% em 1980 a 47% em 2013 e se prevê que alcance 57% em 2030, o que equivale a mais de um bilhão de chegadas de turistas internacionais” (OMT, 2014: 2 – tradução nossa73).
No Brasil, o turismo já é um elemento importante na economia, embora seu crescimento tenha se dado de forma muito desordenada. Em termos relativos à performance do Brasil no que diz respeito a turismo ainda é modesta. Em 1990, o Brasil representava apenas 0,24% do fluxo total de turismo no mundo, participando com 0,57 da receita mundial do turismo. Esse foi o "fundo do poço", atingido em razão da crise brasileira, da perda de competitividade e do forte impacto negativo causado pela deterioração da imagem do Brasil no âmbito turístico, particularmente de seu "portal de 73“La cuota de mercado de las economías emergentes ha aumentado del 30% en 1980 al 47% en 2013 y se prevé que alcance el 57% en 2030, lo que equivale a más de mil millones de llegadas de turistas internacionales” (OMT, 2014: 2).
entrada", a cidade do Rio de Janeiro, devido à questão de segurança. Ainda assim, mesmo com essa performance internacionalmente tão modesta, o turismo figurou entre os dez produtos mais importantes da pauta de exportação brasileira de bens de serviços, correspondendo a 4,7% de seu total entre 87 e 90. E, em 1991, o turismo superou a receita obtida com exportação do café, do farelo de soja, do suco de laranja, ocupando o quinto lugar na pauta de exportação (BECKER, 2001: 4).
Pela tabela 1, referente à entrada de turistas no Brasil entre 1970 e 2014, apresentada no primeiro capítulo desta dissertação, é perceptível como a atividade do turismo vem crescendo no país, influenciada também por demandas externas. Nessa conjuntura, observa-se um aumento do turismo em escala mundial, acompanhando o desempenho da economia global, sendo o Brasil um país que visa acompanhar esse crescimento. Nesse sentido, tem-se observado uma série de políticas em prol do desenvolvimento do turismo em diversos países e no Brasil.
Ademais, nas décadas de 1990 e 2000, assistiu-se, de modo geral, no Brasil, a uma estabilidade monetária pós Plano Real em comparação à década de 1980. Grasel (2005: 74) afirma que “o objetivo prioritário do Plano Real [...] foi restabelecer a estabilidade monetária”. Grasel (2005) sustenta a ideia de que no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso se assumiu que não havia política de crescimento sustentável com instabilidade monetária.
Gráfico 2 - Desigualdade de Renda no Brasil de acordo com o Índice de Gini (2001 – 2009)74
Fonte: PNAD, IBGE (2010). Elaborado por: ALVES (2012).
Conforme o gráfico sobre a evolução da desigualdade de renda no Brasil, percebe-se que, de acordo com o índice de Gini75, cuja variação é de 0, plena igualdade, a 1, completa desigualdade, a desigualdade vem caindo no Brasil desde o estabelecimento do Plano Real. Em 2009, o Brasil obteve seu menor índice histórico, chegando a 0,54.
A estabilização foi um dos primeiros elementos a promover uma melhoria na distribuição de renda, sendo em seguida combinada com a retomada do crescimento, a partir principalmente de 2004, com o crescimento real do poder de compra do salário mínimo ao longo de todo o período e com a
74ALVES, C. M. C. A Ascensão da Nova Classe Média Brasileira sob a Ótica da Renda e do Crédito. 2012. 44 f. Monografia (Bacharelado em Economia) – Departamento de Economia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Junho de 2012. Disponível em: <http://www.econ.puc-rio.br/uploads/adm/trabalhos/files/Monografia_Clarissa.pdf>. Acesso em: 10 de