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1. BÖLÜM

2.9. Mevcut Sosyal Bilgiler Ders Kitaplarında Çocuk Hakları

A indicação do bem ofendido pela lavagem de dinheiro é um ponto extremamente sensível na doutrina. Na verdade, a história desta criminalização (vista parcialmente no tópico anterior) é uma história de expansão: inicialmente, a criminalização da lavagem de dinheiro foi uma resposta do Estado italiano a um surto de roubos e de extorsões, mediante seqüestros. Posteriormente, passou a ser um dos instrumentos utilizados pela política criminal norte- americana na luta contra as drogas, principalmente, em razão da emergência do crime organizado. A partir daí (como será mais detalhadamente desenvolvido no próximo capítulo), passou a constar em instrumentos e tratados internacionais e foi, progressivamente, sendo acolhida, sem diferenças significativas de estrutura, em vários países. Ao mesmo tempo, o leque de infrações antecedentes foi-se ampliando, desde uma legislação de primeira geração (cujo antecedente é apenas o tráfico de drogas), para uma legislação de segunda geração (onde há um catálogo de crimes antecedentes) até as legislações de terceira geração (quando não mais se faz referência a crimes ou a infrações penais em espécie como antecedentes). Obviamente, essa última concepção é muito mais ampla, pois torna todo dinheiro ou bem obtido com alguma atividade criminosa objeto possível do delito de lavagem de dinheiro. O último movimento, fortemente atrelado à política criminal antilavagem de dinheiro, é o da repressão ao financiamento do terrorismo.

A volubilidade do discurso, utilizado pelas instâncias internacionais na justificação da punição à lavagem de dinheiro expressa, para CAEIRO181, a evolução das prioridades político-criminais que caracterizam as últimas décadas. As leis de lavagem de dinheiro têm sido utilizadas como recurso para coibir a parcela da criminalidade que mais preocupa ao Estado em sucessivos momentos políticos.

É interessante observar como o bem jurídico lesado ou ameaçado pela lavagem de dinheiro é definido em diferentes sistemas jurídicos, tendo em conta que a essência do tipo não difere, substancialmente, nas respectivas legislações.

181 CAEIRO, Pedro. Branqueamento de Capitais, Material de apoio ao curso de formação especializada para

Na Suíça, o bem jurídico tutelado pela norma incriminadora da lavagem é a administração da justiça182.

Na Alemanha183, não há consenso a respeito da justificação da incriminação da lavagem de dinheiro: parte considerável da doutrina considera que é a administração da justiça o interesse tutelado; enquanto outros autores destacam a estreita relação da lavagem de dinheiro com a criminalidade organizada, a ponto de admitir que o bem jurídico é a luta contra o crime organizado. Minoritariamente, sustenta-se que o bem jurídico protegido é a ordem econômica; ou, até, os mesmos bens jurídicos dos delitos antecedentes.

Na Itália184, os autores consideram, majoritariamente, que a lavagem de dinheiro é um delito praticado contra a administração da justiça.

No direito espanhol185, discute-se sobre a necessidade da intervenção penal para fazer frente ao fenômeno da lavagem de dinheiro. A posição da maioria considera que a lavagem de dinheiro deve ser objeto de criminalização; todavia, somente nesse ponto existe acordo. A discrepância é aberta sobre qual é, efetivamente, o bem jurídico tutelado pela norma. Alguns dos bens considerados são o bem jurídico ofendido pelo delito prévio ou a administração da justiça. Dentro da linha que sustenta a pluriofensividade do delito, encontram-se diversas posições: a que vê ofensa à ordem econômica e à administração da justiça; a que considera atingidos a ordem econômica e o bem lesado pelo delito antecedente. Há também quem sustente que lesado é o princípio da livre concorrência186 ou a circulação dos bens no mercado.

Em Portugal187, o legislador incluiu o branqueamento no capítulo dos crimes praticados contra a 'boa administração da justiça'. Entretanto, a doutrina reconhece a pluriofensividade da conduta, arrolando, além da administração da justiça, a tutela do

182 BLANCO CORDERO, Isidoro. El Delito de Blanqueo de Capitales, p. 183-185 e ARÁNGUEZ SÁNCHEZ,

Carlos. El Delito de Blanqueo de Capitales, p. 78.

183 BLANCO CORDERO, Isidoro. El Delito de Blanqueo de Capitales, p. 185-192. 184 BLANCO CORDERO, Isidoro. El Delito de Blanqueo de Capitales, p. 192-193. 185 BLANCO CORDERO, Isidoro. El Delito de Blanqueo de Capitales, p. 193-230.

186 Mais ou menos nesta linha, mas agregando, subsidiariamente, a lesão à estabilidade e à solidez do sistema

financeiro, está Isidoro Blanco Cordero (BLANCO CORDERO, Isidoro. El Delito de Blanqueo de Capitales, p. 215-230. Da mesma forma, ARÁNGUEZ SÁNCHEZ (ARÁNGUEZ SÁNCHEZ, Carlos. El Delito de Blanqueo de Capitales, p. 101).

adequado funcionamento das estruturas políticas e a estabilidade, a transparência e a credibilidade da economia e do sistema financeiro.

Dentro desse quadro, não causa surpresa o fato de inexistir consenso na doutrina nacional. TIGRE MAIA188 posiciona-se na linha de que a criminalização da lavagem de dinheiro se justifica como proteção primordial à administração da justiça. Por sua vez, consideram que o bem jurídico ofendido é a ordem socioeconômica OLIVEIRA189, CALLEGARI190 e PITOMBO191. BARROS192 sustenta que a legislação foi editada para garantir a saúde econômico-financeira do país. Assim também pensa SILVA193. Consideram- na um crime pluriofensivo que tutela, a um só tempo, os sistemas econômico e financeiro do país e a administração da justiça, Marcia e Edilson BONFIM194. Finalmente, CASTELLAR195 conclui não haver propriamente um bem jurídico merecedor da tutela do Direito Penal, bastando, para reprimir a lavagem de dinheiro, as várias normas fiscalizatórias e reguladoras que já incidem sobre a atividade econômica e financeira.

A pluriofensividade do delito é admitida por vários desses autores.

Em razão de concordarmos com a linha de pensamento que sustenta ser a nocividade social (Sozialschädlichkeit), pressuposto para a intervenção do Direito Penal, examinaremos, a seguir, em que medida a criminalização da lavagem de dinheiro pode ser justificada.

Benzer Belgeler