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J. Araştırmanın Kaynakları

1. MÜELLİF’İN HAYATI

1.6. Metnin Yazılmış Olduğu Mının Özellikleri, İlk El Yazmasının

A identidade de um campo científico tem como pressupostos básicos a constituição da memória, a qual é realizada através da publicação e, logo em seguida, pelos mecanismos institucionalizados de reconhecimento, os quais são divididos em categorias: grupo de pesquisa, instituições ou laboratórios, linhas teóricas, escolas de pensamento, networks, subespecialidades, especialidades, campos do conhecimento, entre outros. Esses grupos internos ao sistema científico, e também da própria comunidade científica, necessitam de marcos simbólicos para que haja uma construção da epistemologia, a qual geralmente é traçada através da prática (ZARUR, 1994).

Cada um desses espaços tem uma especificidade na sua constituição e funcionamento. Um grupo de pesquisa geralmente se identifica com seu líder, o qual é geralmente seu fundador e está, também, ligado à instituição que o abriga. O líder desse grupo, em grande parte dos casos, já possui uma produção científica, representativa e conhecida pela comunidade científica a qual pertence.

Atualmente, existem 45 grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, na área de ciência da informação, dos quais 5 grupos não são atualizados há mais de 12 meses. Nesse universo, a data de criação dos grupos corresponde ao final da década de 90, e os mais recentes no ano de 2009.

A presença dos grupos de pesquisa da área no CNPq é um dos elementos que apontam a cientificidade de um campo de conhecimento, possui outras finalidades, como o intercâmbio de informações entre a comunidade científica; como ferramenta para planejamento e gestão das atividades de ciência e tecnologia nas instituições de organização político-administrativa do país e das instituições, além de possibilitar a preservação da memória científico-tecnológica do país (CNPq, 2009).

Outra categoria importante são as instituições ou laboratórios que são constituídos a partir da reunião de vários grupos de pesquisa em uma mesma instituição. A identificação, nesses casos, muitas vezes está relacionada ao nome de seu

fundador ou pesquisador mais importante, como exemplo, no Brasil, o Instituto Oswaldo Cruz. Já no campo da ciência da informação, não há nenhuma instituição que tenha o nome de algum pesquisador importante do campo ou de seu fundador.

Podemos verificar, também, que é nesse espaço, os das categorizações de reconhecimento científico, que a eponímia aparece como uma forma de segmentação interna da ciência e dos cientistas, e posteriormente, a identidade é fundamental para diferenciação entre os campos científicos.

Através dessas categorizações internas de divisão da ciência e dos cientistas, podemos concluir que a ciência da informação tem a identidade de campo científico, pois possui grupos de pesquisa, institutos (IBICT), linhas teóricas e networks, além do elemento principal: a publicação como meio de divulgação das pesquisas realizadas no campo e, também, como forma de memória científica.

Uma conclusão que pode ser apontada após a visualização do campo através das redes sociais é como se dão a divisão do campo e a formação de grupos de pesquisa na área. A divisão de um campo científico baseia-se no princípio da sacralização, componente herdado da religião, presente na fixação da memória, algo que não é percebido no campo científico. Isso se deve ao fato da ciência vir alcançando maior espaço a cada dia no mundo contemporâneo, mas ainda resguardando a figura do cientista como um ser superior, algo presente na religião, a sacralização tanto do saber como do sujeito que o utiliza, o pesquisa, e disponibiliza os novos conhecimentos. A interseção que existe entre ciência e religião está relacionada à sua origem histórica, pois ambas surgem da igreja e dos conventos – locus do surgimento da Universidade. Diante disso, podemos perceber que a organização científica é bastante similar à religião, pois tem uma linguagem considerada esotérica (linguagem técnica), e também existem ritos de passagem (as defesas de mestrado e doutorado são exemplos no campo científico).

Dito isso, na exposição dos argumentos de Zarur (1994) quanto à divisão e organização da ciência, vemos que a divisão da ciência da informação no Brasil encontra-se bastante próxima do que foi exposto pelo autor. Através das

lideranças do campo. Sua constituição encontra-se relacionada a aspectos políticos quando analisada pelas instituições que, notadamente, fazem o papel de reconhecimento do campo junto às agências de fomento e ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Quando verificamos as lideranças junto aos programas de pós- graduação da área - outro espaço institucionalizador da ciência – percebemos uma ruptura entre um determinado programa e o restante do país.

Essa ruptura é demonstrada em Zarur (1994) como a formação de grupos tendo como base a própria organização da sociedade e, no exemplo dado pelo autor, relaciona-se à constituição desses grupos como clãs ou famílias científicas, nas quais se percebe o enclausuramento e não diálogo com o ambiente externo, enfraquecendo as relações dialógicas possíveis. Após essa reflexão acerca do ambiente científico como local de formação de grupos e estabelecimento de poderes e disputas por prestígio e reconhecimento, verificamos as tendências no campo da ciência da informação após as análises das redes sociais.

Tendo por base as análises realizadas na rede social delineada da ciência da informação brasileira, é possível identificarmos tendências na formação dessa rede e o papel da informação nesse cenário.

Uma leitura possível é a tendência da polarização da rede, sendo uma com o ator P01 formando uma rede paralela ao campo como um todo, o que reflete a ligação desse ator entre a ciência da informação e outros campos de conhecimento. Essa posição pode ser uma ligação interessante ao verificarmos que esse ator traz novidade para o campo devido a sua posição dentro da rede, configurando o papel de disseminador de informações.

A liderança central do campo tem seus interesses de pesquisa voltados para a epistemologia e teoria da informação, o que pode ampliar a possibilidade de fortalecimento do campo se houver uma construção de agenda de pesquisa e perenidade das mesmas. E os outros atores configuram como elementos primordiais na mediação e circulação da informação no interior da rede, promovendo integração entre atores periféricos, os centrais e a rede paralela instituída pelo ator P01.

Apesar da dispersão do campo e a não colaboração entre esferas de pesquisa como no caso dos programas de pós-graduação, não há indícios de obstrução no que tange ao papel da informação, mas podemos afirmar que nesse ponto há uma lacuna informacional. Essa lacuna é representada pelo não diálogo entre os programas de pós-graduação e entre os pesquisadores do campo, o que reflete nas pesquisas do campo. O fluxo informacional é prejudicado na medida em que as pesquisas são dispersas, descontínuas, o que denota pouco aprofundamento nas temáticas que compõem o campo científico refletindo, assim, o baixo impacto da área tanto em cenário nacional quanto internacional.

Enfim, o campo apresenta-se com para dispersão temática, poucas evidências trabalho colaborativo e algumas querelas internas seja de ordem política, institucional ou acadêmica conforme afirma Bourdieu (2003). Tais querelas têm provocado dispersões e superficialidade nas pesquisas prejudicando a evolução e posicionamento da área frente aos outros campos científicos.

Benzer Belgeler