BÖLÜM 2: ÜSKÜDARLI HAKKI BEY DÎVÂNI’NIN İNCELENMESİ
3.1. Metnin Transkripsiyon ve İmlasında İzlenen Yol
A literatura que se tornou conhecida como teoria econômica da regulação teve seu início com Stigler, em 1971, e sua principal característica é assim definida por Peltzman (1976) 43:
O que veio a ser chamado como teoria econômica da regulação teve início com um artigo de George Joseph Stigler, em 1971. O elemento mais importante desta teoria é a sua integração da análise do comportamento político com o maior corpo amplo de análise econômica. Os políticos, tal como nós, se presume serem auto- maximizadores de interesses. Isso significa que grupos de interesses podem influenciar o resultado do processo de regulamentação, fornecendo apoio financeiro ou outros suportes para políticos ou reguladores44 (tradução livre).
Para Stigler (1971), a regulação é um bem econômico com oferta e demanda que gera custos para uns e benefícios para outros. Essa abordagem afirma que, na maior parte dos casos, a regulação econômica beneficia a indústria regulada.
Cabe observar também que, ainda de acordo com Stigler (1971), na medida em que se coloca a possibilidade de regulação da atividade econômica pelo Estado, o mercado como instrumento de decisão econômica é substituído pelo processo político de decisão, resultando em ineficiência do ponto de vista econômico. Considera-se que as decisões políticas envolvem um conjunto amplo de questões, uma vez que seria muito custoso promover eleições para cada questão individualmente, impedindo que os eleitores otimizem suas escolhas na margem. Além disso, o processo político envolve toda a comunidade e não apenas aqueles indivíduos interessados diretamente nas questões discutidas (STIGLER, 1971).
Uma contribuição ao utilizar a abordagem agente-principal mudou o enfoque sobre a regulação econômica na década de 1990, ao discutir esquemas de incentivos para corrigir problemas de assimetria de informação: A theory of incentives in procurement and regulation (Laffont e Tirole, 1993). A discussão apresentada a seguir utiliza essa literatura.
A teoria dos incentivos foca o problema da informação e utiliza uma abordagem agente-principal para entender o processo regulatório. O regulador é o “principal”, cuja função-objetivo deve ser o bem-estar social. O “agente” é a firma. O “principal” maximiza a utilidade esperada escolhendo a forma ótima de combinar as eficiências produtivas, alocativas
43 Para ver a evolução histórica da regulação econômica, ver Fiani (2001).
44 What has come to be called the economic theory of regulation, or ET, began with an article by George Stigler in 1971. The most important element of this theory is its integration of the analysis of political behavior with the larger body of economic analysis. Politicians, like the rest of us, are presumed to be self-interested maximizers. This means that interest groups can influence the outcome of the regulatory process by providing financial or other support to politicians or regulators (PELTZMAN, 1989, p. 1).
e distributivas (máxima produção ao menor preço) com adequada transferência de renda (rentabilidade) à firma.
Laffont e Tirole (1993) constroem alguns modelos de regulação sob diferentes hipóteses (informação assimétrica, firmas multiproduto, etc.), em que o principal (regulador) deve maximizar a função de utilidade social e o agente (firma) deve maximizar sua função de produção.
De acordo com Berg (1998, p. 3), é possível identificar as seguintes modalidades genéricas de regulação por incentivos: regulação por comparação, regulação price-cap, regulação pela receita e a licitação.
A regulação por comparação, também conhecida como regulação por desempenho (yardstick regulation), ocorre quando o concessionário é recompensado com base no seu desempenho com relação aos fornecedores comparáveis. As recompensas e penalidades incorridas baseiam-se em dimensões selecionadas (parâmetros) de desempenho do serviço. O agente regulador pode ajustar as medidas de desempenho para levar em conta as diferentes condições operacionais entre os fornecedores.
A regulação price-cap implica na definição de um preço-teto para um período determinado, corrigido de acordo com a evolução de um índice de preços ao consumidor. A empresa regulada tem a liberdade de ajustar seus preços de acordo com um índice inflacionário menos um redutor selecionado (fator X) que representaria ganhos de produtividade esperados. O chamado fator X é a variável regulada, definido por um período determinado. Esse tipo de regulação proporciona incentivos para as empresas reduzirem custos. Ela também reduz os efeitos da assimetria de informação entre regulados e reguladores.
A regulação pela receita “allowed revenue” aplica os mesmos mecanismos da regulação por price-cap sem limitar as mudanças na estrutura tarifária, transfere o risco de demanda ao usuário, dilui os incentivos à expansão e permite que as receitas acompanhem mais de perto a variação de custos.
A licitação (franchise bidding) é um processo competitivo pelo direito de exploração comercial de um serviço. Nessa modalidade, o governo atua como um leiloeiro ao invés de regulador, cedendo o direito de explorar o serviço de duas maneiras: ganha a empresa que oferecer menor tarifa do serviço ou a empresa que oferecer o maior preço pelo direito de oferecer o serviço para uma dada tarifa.
Segundo Jamasb e Pollitt (2001), o recente interesse pela regulação por incentivos não se deve às contribuições da teoria econômica, mas à insatisfação com o desempenho da
regulação pela taxa de retorno ou custo do serviço, até então adotada pelos reguladores no mundo.
Esse argumento faz sentido no atual contexto de regulação do setor elétrico adotada no Brasil, onde o modelo utilizado antes das reformas da década de 90 foi a regulação pelo custo do serviço45, o qual tem a vantagem de se adequar com facilidade à noção de serviço público (razoabilidade, preços não-discriminatórios e geograficamente uniformes) e objetiva o controle de preços abusivos.
Devido às ineficiências apresentadas na estrutura de regulação pelo custo do serviço ou pela taxa de retorno, com a reestruturação ocorrida no setor a partir de 1995 houve mudanças no método utilizado pelo regulador, que passou a adotar o price-cap.
O desenho regulatório do setor elétrico brasileiro é de um regime de regulação por incentivos do tipo price cap, que tem o seguinte objetivo, de acordo com o regulador brasileiro (Nota Técnica no 350/2007-SRE/ANEEL):
O principal objetivo da regulação baseada em incentivos, do tipo price cap é replicar a ação que as forças de mercado teriam sobre firmas que atuam em monopólios naturais, de modo a emular o ambiente de um setor competitivo. Isso produz fortes incentivos para redução de custos e inovações tecnológicas, de forma a aumentar a produtividade das empresas.
O modelo adotado envolve a definição de parâmetros referenciais pelo regulador. Por exemplo: estabelece-se um montante de custos operacionais durante um período de tempo de modo que as empresas que obtiverem ganhos de produtividade superiores aos fixados poderão se apropriar desses ganhos. Ou seja, a essência e principal razão da existência de uma regulação por incentivos é estimular os ganhos de produtividade das empresas, o que é feito de duas formas: na revisão tarifária, que ocorre em períodos de 5 em 5 ou 4 em 4 anos dependendo do contrato de concessão, e anualmente através da aplicação do Fator X nos reajustes tarifários.
Assim também está descrito no marco regulatório do setor, a Lei das Concessões (Lei 8.987/1995) e nos contratos de concessão assinados nas privatizações, onde se determinam as diretrizes básicas para o exercício da regulação tarifária. Merece destaque a definição de que as tarifas estabelecidas na assinatura do contrato são máximas (preço-teto) e devem ser
45 Giambiagi (2001, p. 413) diz que na tarifação pelo custo do serviço, também conhecida como regulação da taxa interna de retorno, os preços devem remunerar os custos totais e conter uma margem que proporcione uma taxa interna de retorno atrativa ao investidor.
reajustadas anualmente por um índice de inflação, o IGPM (índice Geral de Preços – Mercado), deduzido de um Fator X46.
O marco regulatório prevê, ainda, que sejam feitas revisões tarifárias a fim de se manter o equilíbrio econômico-financeiro (EEF) do contrato e de se calcular o Fator X que deverá vigorar no período regulatório vigente.
Nesse contexto, coube a Aneel definir o detalhamento do desenho regulatório do setor, incluindo as metodologias para as revisões tarifárias periódicas das distribuidoras de distribuição. Na condução desse processo a Aneel valeu-se das audiências públicas para colocar em discussão as propostas metodológicas para aplicação do modelo de regulação do tipo price cap. Além disso, as metodologias deveriam sinalizar aos investidores a atratividade do negócio, permitir o equilíbrio econômico-financeiro e a modicidade tarifária.
A seguir são apresentadas as variáveis do processo regulatório com o objetivo de identificar as variáveis contábeis dentro desse processo.