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3. Eski Anadolu Türkçesi Satır

3.2. Metnin Dili

Com a formação dos blocos regionais, houve a intensificação para que o status funcional das línguas fosse definido: línguas oficiais, de trabalho, língua estrangeira. As noções de língua oficial, língua nacional e língua estrangeira são noções que aparecem dividindo as línguas, imaginariamente entre a de uma nação e as outras. Segundo Guimarães (2000, 2005), os espaços de enunciação em que as línguas funcionam são historicamente, nas condições atuais, marcados pela organização política dos Estados nacionais.

Segundo Koch (1997, p. 9), ao longo da História, a linguagem tem sido concebida de diversas maneiras. Primeiramente, fora idealizada como representação (espelho) do mundo e do pensamento, isto é, o homem representava para si o mundo por meio da linguagem; a seguir, como instrumento (ferramenta) de comunicação, ou seja, a língua vista como um código, assim, a transmissão de informações entre um emissor e um receptor era sua principal função.

Ultimamente, a língua prefigura como forma (lugar) de ação ou interação, ou seja, se concebe a linguagem como atividade, ação interindividual, possibilitando a prática de diversos tipos de atos pelos membros de uma sociedade. É essa última concepção que se adota no presente trabalho, o que leva a considerar o uso da linguagem como essencialmente argumentativo e dialógico. (BAKHTIN,2003)

Segundo Guimarães (2002), considerar a linguagem pela análise do acontecimento da enunciação coloca, no centro da questão, a relação entre a língua e o falante, pois só há línguas porque existem falantes e vice-versa. Essa relação, por outra parte, não pode ser tomada como algo já determinado, ou seja, aqueles que moram no Brasil falam português, os que moram no Paraguai falam espanhol, etc. A relação que se estabelece entre os falantes e as línguas interessa como um espaço regulado e de disputas pela palavra e pelas línguas, co oà espaçoà políti o,à po ta to.à U à espaçoà ueà seà o stitui,à esteà se tido,à po à falantes não como pessoas na atividade físico-fisiológica, ou psíquica, de falar. São sujeitos

da língua enquanto constituídos por este espaço de línguas e falantes que chamo de espaço de enunciação. à ,àp.

Com relação ao status conferido às línguas e aos seus espaços de enunciação, existem dois direitos principais que se aplicariam às línguas, segundo documento da Comissão Europeia de Multilinguismo para as línguas que instauram oàstatusà deàofi iaisàeàdeà t a alho .àE te de-se como línguas oficiais e de trabalho como estratégia para operar com os documentos oficiais, que podem ser enviados às instituições da UE e recebem uma resposta em qualquer uma dessas línguas; além disso, todos os documentos legislativos são publicados nas línguas oficiais e de trabalho, como é o Jornal Oficial da Comunidade Europeia, os regulamentos e os documentos legislativos.

A União Europeia determina os espaços de enunciação em que algumas podem funcionar como línguas oficiais e lhes concede o título e os direitos de língua de trabalho41. Isso equivale a dizer que não mais as línguas estão circunscritas somente ao uso no contexto de estado-nação, mas, sim, à determinação da importância concedida a elas num contexto i te a io al,à eguladas,àpo àassi àdize ,àpo àu aà o de àdoàdis u so 42 (Foucault, 2001)

hegemônico. E qual seria, nesse contexto, a relevância de uma língua se tornar uma língua de trabalho? Seguramente, tais idiomas usufruem status, já que correspondem a uma margem de falantes significativa e, devido ao papel que cumpre esse grupo social falante no contexto internacional, são, por consequência, presenteados com status internacional, negócios cada vez mais lucrativos e força política em todas as relações com os demais países do mundo.

Ao funcionarem, as línguas dividem-se sempre justamente por uma determinada relação com os falantes, que versam suas línguas primeiro pela determinação Estado-nação, segundo por outras, diferentes desta. Isso porque o espaço de enunciação nunca é homogêneo (GUIMARÃES, 2005). Ou seja, a língua, entendida como objeto histórico e relacionada àqueles que a falam, torna-se um elemento forte no processo de identificação social dos grupos e o espaço de enunciação vem atribuir-lhe sentido no seu uso pelos seus

41 As especificações nos documentos disponíveis no site da Comunidade Europeia não definem o que seria uma língua oficial e uma língua de trabalho. Por-se-ia, no entanto, dizer que há países que têm duas ou três línguas oficiais (como é o caso da Bélgica e da Espanha), entretanto somente uma delas é considerada língua de trabalho, por isso seus textos oficiais são traduzidos nesse idioma, requerido ainda em avaliações periódicas de língua no contexto escolar ou nas propostas oficiais de trabalho na CE.

fala tes.à Cadaà espaçoà deà e u iaç oà te à u aà egulaç oà espe ífi a,à ouà seja,à dist i uià asà lí guasàe à elaç oàaàu à odoàpa ti ula à GUIMá‘ÃE“,à ,àp. ) 43

.

No contexto brasileiro, configura-se uma experiência multilíngue, em que é possível encontrar a prática de 200 línguas diferentes (GUIMARÃES, 2000, p.48). Como língua oficial e nacional figura o português, existem (inclusive anteriores ao português) as línguas indígenas e as línguas de imigração; há, ainda, as línguas de fronteira, resultado bastante específico da relação político-geográfico-linguística de estados diferentes. Por outro lado, ao se observar a questão política da própria língua portuguesa, vê-se que ela dispõe de alguns instrumentos específicos de organização do espaço de enunciação: a escola, a gramática, o dicionário e a mídia. Com essas formas de regulá-lo, pode-se discursivamente definir sobre o certo e o errado no uso do idioma, além de trazer à tona as duas divisões sociais no seu funcionamento.

Uma divisão vertical, que possibilita distinguir entre duas variedades da língua entendida como registro: formal e coloquial. O formal designa a língua escrita de documentos oficiais, dos textos da mídia, da ciência, da literatura, os textos acadêmicos, etc. O coloquial designa, por sua parte, a língua praticada no cotidiano. Com relação a essa segunda, os linguistas vão afirmar a existência de uma língua coloquial de pessoas de alta escolaridade e outra, de pessoas de pouca escolaridade. A divisão horizontal, segundo Guimarães (2000, p.49),à produz uma distinção entre variedades que são chamadas em geral deàdialetosàouàfala es .

No Brasil, não há ainda uma descrição global dessas diferentes divisões, já que é possível encontrar muitas particularidades na dinâmica das línguas e seu funcionamento. São comunidades indígenas, quilombolas e de descendentes de imigrantes. Juntas, somam 1,5 milhão de pessoas falando cerca de 200 línguas brasileiras, sendo 180 indígenas.

No contexto internacional, o Tratado de Roma, que firma inicialmente a criação da União Europeia, determinava que as seis línguas oficiais dos países membros também seriam os idiomas oficiais da União. Esse tratado, oficializado em 1957, instituindo a Comunidade Econômica Europeia, foi assinado por seis membros fundadores: Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Depois disso, a UE levou a cabo vários alargamentos sucessivos, bem como a quantidade de idiomas, hoje 23, usados nos documetos

regularmente traduzidos a todas as línguas oficiais e regionais que a compõem (Mérega, 1999).

O uso dos vários idiomas na UE acabou por forçar uma política internacional que valorizasse o multiculturalismo44; assim, a funcionalidade conceitual operada pelos termos t i o- ie tífi os à e pli aà ta à oà oti oà peloà ualà oà u doà glo alizado,à ujaà olaà mestra é o intercâmbio comercial e a consequente ampliação das relações internacionais, tem conferido relevância às terminologias. Esse é o caso, por exemplo, da União Europeia, que, em seu projeto de unificação, criou um Banco de Dados Terminológicos: o Eraudicautom (KRIEGER, 2006, p.2):

Nele, estão registrados termos de várias áreas definidas como prioritárias para as trocas comerciais e os intercâmbios científicos e culturais nas línguas oficiais da União Européia. De fato, as terminologias sistematizadas e multilíngües constituem um instrumento de recuperação da informação de grande valia ao trabalho de tradutores, intérpretes e toda sorte de profissionais que lidam com a linguagem.

Dessa forma, adotaram uma política linguística multilíngue em relação às terminologias que reúne uma face integradora e outra de valor econômico. Em consequência desse vetor comercial, a busca de uma correlação ou aproximação entre as línguas funciona como uma importante estratégia de integração entre os povos que ampliaram suas fronteiras, já que o multiculturalismo dos tempos atuais valoriza as identidades linguísticas a tal ponto que não há proposição de língua oficial única.

Para compreender as relações entre a globalização e as políticas linguísticas, faz-se necessário retomar a tese de Crawford e Ianni, que relacionam o controle do conhecimento às organizações supranacionais. A visão de uma gestão planetária afeta principalmente os organismos reguladores do Estado e a regulamentação deixa de estar marcada pelas e essidadesà lo aisà daà Edu aç oà pa aà ate de à aà u aà age daà glo al .à Ó g osà deà financiamento, o Banco Mundial, a Unicef e outros, irão regulamentar ou nortear as diretrizes curriculares e linguísticas dos países em desenvolvimento. Isso fomenta, como nos explica Ianni (2001), uma reorganização produtiva, político-institucional e cultural do mundo global.

44 Segundo Cuche (1999, p.25) aà oç oà deà ultu aà à i e e teà à efle oà dasà i iasà so iais.à Elaà pa e eà fornecer a resposta mais satisfatória à questão da diferença entre os povos, uma vez ueàaà espostaà a ial à est à adaà ezà aisà desa editada,à à edidaà ueà h à a a çosà daà ge ti aà dasà populaç esà hu a as .à Oà multiculturalismo continua provocando deslocamentos e ocasionando hibridismos. (HALL, 2006)

Para que se opere essa interação entre os falantes das variadas línguas, faz-se necessário implementar uma política linguística que dote seus aprendizes das variadas capacidades necessárias ao uso das línguas estrangeiras. A escola passa a ser o espaço em que será possível formar esses alunos, e as políticas de línguas passam a estar abalizadas na determinação de leis que regulamentam a matriz curricular do ensino básico.

Entretanto, não se deve olhar o ensino de línguas a partir desse foco instrumental, mas sim com o desígnio de formar cidadãos, conferindo às línguas estrangeiras um status de disciplina curricular tão importante quanto qualquer outra. Por meio da língua materna e da estrangeira, é possível dialogar com todas as demais disciplinas, propor projetos que se tornem interessantes para toda a comunidade escolar e constituir-se em um elemento de promoção da relação dos sujeitos (alunos) com os sentidos, uma relação que constitui a sua história. Deslocar, assim, o ensino de seu caráter, há muito tempo veicular, de ensino da língua, para pensar numa proposta em que a aprendizagem seja sempre processo, expondo os estudantes à alteridade, à diversidade, à heterogeneidade, caminho fértil para a construção da sua identidade (OCEM, 2006, p.129).

Com relação à globalização e as relações estabelecidas no caso brasileiro, de sua interação com os países do MERCOSUL, Celada e Rodrigues (2005, p.32) afirmam:

O reordenamento geográfico e político que implica a formação de mercados comuns- em nosso caso o tratado do MERCOSUL, que continua lentamente em curso- teve um forte impacto sobre a identidade e funcionamento dos Estados Nacionais. E, como é de amplo conhecimento entre os cidadãos da União Européia (testemunho do desenho das políticas linguísticas sem precedentes nos novos marcos de integração), tal processo de globalização também tem um impacto sobre as questões relacionadas com as línguas.

O tema dos direitos linguísticos equitativos é abordado com relação à prática do multilinguismo em organizações supraestatais, nas Nações Unidas e na maior união de estados: a União Europeia. Com relação às políticas de línguas no Brasil, vê-se um gesto de interpretação que sugere uma nova forma de se relacionar com a língua espanhola, que passa a ocupar novos e mais amplos espaços; no âmbito educativo, por meio da lei Lei nº 11.161 (5/08/2005), como inclusão da língua espanhola na matriz curricular; mas também no acadêmico, no político e, principalmente, no âmbito dos negócios.

Por outro lado, na contramão de um discurso multilíngue, o governo exclui a língua francesa do processo de avaliação (ENEM) do Ensino Médio, além de excluí-la também do planejamento de escolha de livros didáticos para o Ensino Médio (PNLD-2012). Ou seja, a

mesma política que, por um lado, positivamente, atribui importância a uma disciplina (espanhol) que não prefigurava, de maneira quase genérica, na matriz curricular das escolas de EM, destitui outra disciplina, o francês, de seu espaço de enunciação, o de ocupar um lugar no rol das línguas estrangeiras a serem escolhidas pelos alunos nessa fase de ensino45.

No caso da inclusão da língua espanhola, tornar uma língua participante do currículo se constitui numa possibilidade interessante para a escolha de LE do aluno, entretanto indexá-la como obrigatória entre as disciplinas do Ensino Médio pode incorrer numa política de hegemonia, impondo a determinados grupos, contextos, escolas, uma situação pouco interessante.

No desdobramento das reflexões para o campo da política de línguas estrangeiras, pode-se perceber que a oferta da LE em diferentes âmbitos educacionais, podendo ser no contexto nacional, estadual ou municipal, não acontece sem conflitos, sem disputas de poder entre as comunidades acadêmico-disciplinares envolvidas no processo de imposição/proposição da LE. Quando o Estado delibera pelo ensino de uma ou de outra LE, depreende-se um processo intenso de imposição política, ideológica e cultural de determinados grupos sobre outros. Nesse contexto, entram em jogo os interesses e os negócios realizados em âmbito nacional, a relevância do oferecimento de um idioma em determinado contexto histórico e social e todas as consequências desse gesto.

Elaborar uma pesquisa que se circunscreve à reflexão das políticas e discursos políticos que prescrevem o ensino de línguas estrangeiras é optar por uma leitura indistinta, que, segundo Foucault (2001, p. 29) se orienta e à to oà dosà desejosà deà do í ioà eà oà e e í ioàdeàpode à ueà aç es,àouàsuasàlí guas,àe e e àso eàaàlí guaàpo tuguesa.

Para compreender de que maneira as políticas linguísticas se configuram e de que forma elas constituem sentidos no contexto social, em que legitimam um determinado discurso de aceitação, deve-se observar como historicamente elas se fizeram representar e seus efeitos sobre a produção do imaginário que permitem entrever uma língua estrangeira. No próximo tópico, busca-se encontrar na história a forma como essas línguas percorreram um caminho de consolidação de sua importância internacional e como elas passaram a constituir-se no contexto brasileiro.

45Esse assunto será novamente abordado no capítulo de análise de alguns documentos legais ou prescritivos para a Educação nacional. De antemão, pode-se falar em uma política linguística de exclusão de um idioma que, sem dúvida, participa e se faz representar em escolas estaduais e federais de Ensino Médio e no Colégio Pedro II.

Benzer Belgeler