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Definir a natureza de uma pesquisa social e uma correta direção epistemológica a ser tomada ainda é um desafio. Até o final do século XIX, para pensar a ciência, era determinante que o pesquisador adotasse uma concepção empirista exigida pelo método científico, positivista por natureza. Neste momento, produzir conhecimento científico significa mergulhar nas chamadas ciências naturais a partir de um enfoque que adote o modelo hipotético-dedutivo, experimental, que busca leis causais e universais.

No entanto, com o surgimento das chamadas ciências humanas, um novo desafio epistemológico surgiu. As ciências sociais têm no homem a sua unidade básica e considera que ele pode compreender-se, assim como compreender o comportamento de outros indivíduos, em um contexto, onde não necessariamente existe uma só lei. No contexto das abordagens humanísticas, pessoas diferentes podem ter estilos cognitivos diferentes e pensamentos próprios que são naturais a eles. Nas abordagens humanistas, em geral, a realidade social é construída por meio de ação social (BATES, 2005; COLTRO, 2000; WILSON, 2002).

Da mesma forma, conduzir uma pesquisa no campo da Ciência da Informação nunca foi uma tarefa simples com um caminho perfeitamente delineado. Inicialmente, é preciso enfrentar a polêmica estabelecida entre a condução de uma pesquisa quantitativa ou qualitativa. A força estabelecida pelo positivismo no estudo das ciências da natureza exige, com frequência, um esforço a mais quando se adota o caminho do enfoque fenomenológico. Pois, a fenomenologia é um estudo das essências, no qual se descreve diretamente a experiência tal como ela é. Para Husserl, citado por Triviños (1987, p.43), “trata-se de descrever, e não de explicar nem de analisar”.

Para Bruce (1999, p.35), a “fenomenografia é uma pesquisa de abordagem qualitativa que procura interpretar o mundo como ele é entendido pelos outros”. É uma abordagem geralmente utilizada para permitir que se compreenda como os fenômenos acontecem. Para Sayão (2001), na busca por novos fenômenos e

conhecimentos, o ser humano recorre à reflexão e ao conhecimento acumulado, através da formulação de hipóteses e da estruturação de modelos.

Sayão (2001, p. 82) ainda afirma que a abstração é uma ferramenta poderosa no exercício de aquisição do conhecimento, pois ela nos leva à compreensão dos fenômenos e à construção de “esquemas abstratos da realidade, nos quais as coisas são reduzidas a seus perfis mais convenientes”.

É a partir das criações da mente humana e do mapa conceitual que elaboram da realidade, que os cientistas desenvolvem o conhecimento que reflete uma aproximação da realidade e não necessariamente a própria realidade. Um conhecimento fruto da reflexão e da aproximação dos fenômenos da natureza, a partir o qual se propõem modelos que podem ajudar no desenvolvimento do pensamento sobre assuntos de interesses específicos.

Os modelos são úteis principalmente nas fases de descrição e previsão para se compreender um fenômeno, pois, como visto anteriormente, somente com o desenvolvimento desta explicação para um dado fenômeno é que se elabora uma teoria. Assim, um modelo serve fundamentalmente para promover um entendimento mais completo da realidade (BATES, 2005; SAYÃO, 2001).

Uma pesquisa no campo da Ciência da Informação tem que considerar, ainda, a própria falta de consenso sobre o conceito de informação. Isso leva a Ciência da Informação a percorrer variados caminhos, de acordo com a origem da pesquisa, que pode vir da computação, de especialistas em recuperação da informação, da biblioteconomia ou de especialistas em gestão. Assim, a informação possui diferentes níveis de organização, em torno dos quais, diferentes teorias e práticas são construídas. Há uma compreensão intuitiva, mas não uma explicação profunda e formal do seu significado (WILSON, 2002; SARACEVIC, 1999).

Para Saracevic (1999), é ainda importante considerar que a Ciência da Informação é, por natureza, interdisciplinar, que ela é uma ciência inexoravelmente ligada à tecnologia da informação e que ela possui uma forte dimensão social e humana, que vai além da tecnologia.

Todas essas considerações deixam claro que desenvolver uma pesquisa sobre Competência Informacional em Ambientes de Trabalho, que seja integradora e promova resultados efetivos para as organizações, exige um grande esforço no sentido de tecer uma rede que passe pelo campo da Ciência da Informação para se compreender comportamentos informacionais e gestão da informação; que contemple o campo da Tecnologia da Informação em função de todas as suas implicações para o desenvolvimento organizacional e que considere as teorias da Administração, em função das características subjacentes aos profissionais envolvidos no processo e a construção de estratégias vencedoras, como o grande objetivo organizacional.

Para Julien, Pecoskie e Reed (2011), o comportamento informacional, enquanto área preocupada com a análise da busca informacional tanto ativa quanto passivamente e o seu uso, é uma importante área de interesse e pesquisa na Biblioteconomia e Ciência da Informação. Estes autores afirmam ainda que as variáveis identificadas no comportamento informacional como relevantes pela academia constituem evidência da erudição da área pesquisada.

A motivação para esta pesquisa surgiu a partir do trabalho do pesquisador que, atuando como docente no ensino superior há mais de vinte anos e como gestor em uma Instituição de Ensino Superior (IES) privada, filantrópica, há mais de dez anos, tem observado as diversas mudanças impostas ao seu ambiente. O que lhe tem provocado uma inquietação e uma vontade de buscar caminhos para se compreender qual é o comportamento informacional adequado para gestores dessas Instituições que atuam hoje em ambientes cada vez mais competitivos. Se outrora a condução de instituições de ensino não exigia de seus gestores a compreensão e o desenvolvimento de habilidades comuns a executivos de organizações industriais e comerciais, hoje esta realidade está modificada. Assim, esta pesquisa pressupõe que a compreensão do que seja Competência Informacional nos Ambientes de Trabalho, no contexto das IES privadas sem fins lucrativos, tornou-se um fator primordial para a sobrevivência dessas instituições.