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As exigências de tempo para transcrever, organizar, codificar e analisar os dados são imensas. É necessária ginástica mental para tornar os dados constantemente comparáveis. “É um processo fluido (…) não linear; o pesquisador desenvolve a análise movendo-se para a frente e para trás entre os dados originais e as interpretações emergentes” (Pope, Ziebland e Mays, 2009, p.81).

A análise de dados inicia-se com a colheita dos mesmos, pois são processos inseparáveis (Streubert e Carpenter, 2002), prossegue com a audição do discurso verbal dos participantes e progride para a sua transcrição, e depois para as sucessivas leituras das transcrições das respostas escritas. À medida que os dados vão surgindo, o investigador começa a identificar e extrair declarações significativas. Este procedimento “(…) exige um forte componente de interpretação por parte do investigador o que é, tanto o ponto forte deste tipo de

51 investigação como ponto fraco (…)” (Ribeiro, 2010, p.67). Em qualquer caso, procede-se sempre ao “(…) escrutínio dos vários textos com o objectivo de identificar as informações e significados pertinentes neles contidos, após o que se isolam os excertos que possuam um significado aproximado para os agregar de seguida, em torno de sentidos idênticos” (Máximo-Esteves, 2008, p.103).

A preparação dos dados para a análise e a transcrição integral das entrevistas foi realizada preferencialmente logo após a sua execução. Durante este processo foram inseridas algumas anotações, a respeito de uma larga variedade de aspetos do discurso. O tempo mínimo de transcrição das entrevistas foi de cerca de 8 horas e o máximo de cerca de 15 horas. Após a transcrição, as entrevistas foram revistas e pontuadas, tendo em conta a necessária adaptação da oralidade ao registo escrito.

Polit, Beck e Hungler (2004) mencionam que a fase da análise de dados é desafiadora para os investigadores por três razões: i) não existem regras sistemáticas para a análise e apresentação dos dados qualitativos; ii) a quantidade do trabalho exigida é considerável; iii) importa conseguir a simplificação dos dados para fins de relato.

Os dados fornecidos pelos discursos dos participantes foram analisados com recurso à análise de conteúdo e segundo os princípios descritos por Laurence Bardin (2011). A análise de conteúdo permite tratar de forma sistemática informações e depoimentos (Quivy e Campenhoudt, 2008) que “apresentam um certo grau de profundidade e de complexidade (…) permite, quando incide sobre um material rico e penetrante, satisfazer harmoniosamente as exigências do rigor metodológico e da profundidade inventiva, que nem sempre são facilmente conciliáveis” (Quivy e Campenhoudt, 2008, p. 227). O problema fundamental que qualquer análise de conteúdo deve resolver está relacionado com a redução de grande quantidade de palavras de um texto a algumas categorias analíticas (Landry, 2003).

Para Bardin (2011, p.33), “a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações (…). Um conjunto de instrumentos metodológicos (…), que se aplicam a «discursos» (…) extremamente diversificados” (Bardin, 2011, p.11). A autora refere, ainda, que a análise de conteúdo não é um instrumento mas sim um conjunto de ferramentas que dispõe de uma diversidade de formas e que é adaptável a um campo muito vasto que é o da comunicação, e “tudo o que é dito ou escrito é suscetível de ser submetido a uma análise de conteúdo” (Henry e Moscovici cit. por Bardin, 2011, p.34).

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Optou-se, como técnica de análise de conteúdo, pela modalidade temática ou categorial, definindo categorias e unidades de registo. Landry (2003) e Bardin (2011) referem que esta é a técnica mais utilizada pela análise de conteúdo. “A análise temática consiste em descobrir os «núcleos de sentido» que compõem a comunicação e cuja presença, ou frequência do aparecimento podem significar alguma coisa para o objectivo analítico escolhido” (Bardin, 2011, p.131). A totalidade do texto é tida em consideração “passando-o pelo crivo da classificação e do recenseamento, segundo a frequência de presença de itens de sentido (…) obedecendo ao princípio de objectividade” (Bardin, 2011, p.39).

“As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registo) sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão das características comuns destes elementos” (Bardin, 2011, p.145). A classificação de elementos em categorias pressupõe a investigação do que cada um deles tem em comum com outros. O primeiro objetivo da categorização é fornecer, de forma resumida, uma representação simplificada dos dados em bruto (Bardin, 2011). Para que a análise de conteúdo seja válida, as categorias devem ser: homogéneas; exaustivas; exclusivas; objetivas; adequadas (Bardin, 2011). A unidade de registo é a “unidade de significação a codificar e corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade de base, visando a categorização (…)” (Bardin, 2011, p.130).

A análise de conteúdo organiza-se em torno de três polos cronológicos: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação. A primeira fase tem como “objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise” (Bardin, 2011, p.121). A segunda, que é longa, consiste na aplicação sistemática das regras de codificação definidas previamente. Na terceira fase, os resultados em bruto são tratados de forma a serem significativos e válidos. O investigador pode deduzir inferências e propor interpretações (Bardin, 2011; Landry, 2003).

Seguindo estas etapas, na fase de pré-análise, foi realizada uma leitura flutuante de todas as entrevistas e, posteriormente, leituras minuciosas para que fosse possível excluir as partes sem interesse para o estudo ou as que eram suscetíveis de identificar o participante. Assim, foi constituído o corpus de análise. Este permitiu realçar no texto a informação pertinente para a investigação, definir os temas em estudo, identificar as categorias e também classificar e codificar as respostas dos participantes em unidades de registo

53 (Bardin, 2011). Depois de se ter feito a exclusão das partes que não teriam interesse para o estudo, procedeu-se a uma nova leitura meticulosa das entrevistas, para recolher os dados do discurso que permitiam identificar os fatores de motivação, os fatores facilitadores e dificultadores da motivação, as possibilidades de otimização da motivação e os contornos da autoeficácia para a prestação de cuidados à criança/família com doença oncológica no serviço de pediatria. Na segunda etapa da análise de conteúdo foi elaborado um sistema de codificação.

Todo este processo teve em consideração as regras da exaustividade, da representatividade, da homogeneidade e da pertinência (Bardin, 2011).

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Benzer Belgeler