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METAFOR VE METAFOR TÜRLERİ

A técnica pertence à ciência ou a ciência pertence à técnica? Esta questão é um dos focos não só da própria ciência, mas também da filosofia. A técnica é onipresente, uma atividade fundamental do homem moderno, mas de que se trata ela? E se pensarmos em termos de sua essência? O que se deu quando houve a passagem de technē à técnica? Qual a relevância destas questões para este trabalho, que, dirigido a um médico, trata de anorexia e bulimia?

Heidegger (2007, p.11-38) irá se pronunciar sobre o assunto em 1953, quando coloca em causa a essência da técnica em um belíssimo texto intitulado “A questão da técnica” e sobre o qual será importante fazermos uma nova digressão para situar o lugar do médico e do doente contemporâneos.

Heidegger chama a atenção sobre o perigo do que ele analisa nesse texto: a essência da técnica. E enfatiza que não é simplesmente um perigo, mas o perigo. A técnica não seria perigosa, a ameaça que pesaria sobre o homem não viria das máquinas ou dos equipamentos. Esta ameaça (que ele considera como já tendo atingido a essência do homem), consiste em vetá-lo em sua essência de homem livre, e viria da essência da técnica. Heidegger defende que a técnica não seja vista como algo demoníaco, mas que avancemos com ela, questionando sua essência, sua causa.

“A essência da técnica não tem nada de técnico e a técnica não é igual à sua essência”. Ele propõe que, para examinarmos a essência da técnica, devemos pensar de maneira não-técnica. Caso nos oponhamos a ela ou a afirmemos, ainda estaremos a ela presos, e se a considerarmos neutra, será ainda pior, nos tornaremos inteiramente cegos. Então, o que ela é? O difícil caminho tomado no estudo da technē deve ser aqui retomado.

Foi dito sobre a técnica que ela seja um meio para um fim, assim como é dito ser uma atividade do homem. A explanação de Heidegger leva-nos a perceber que a técnica não é simplesmente um meio, e que se ela é uma atividade humana, não se dá apenas no homem e, decisivamente, não pelo homem.

4.1. A TÉCNICA NÃO É SIMPLESMENTE UM MEIO

Heidegger coloca a pergunta: a que pertencem meio e fim?

“Um meio é aquilo pelo que se faz e obtém alguma coisa. Chama-se causa o que tem como conseqüência um efeito. Todavia, causa não é apenas o que provoca um outro. Vale também como causa o fim com que se determina o tipo do meio utilizado. Onde se perseguem fins, aplicam-se meios, onde reina a instrumentalidade, aí também impera a causalidade.” (ibid., 2007,p.13)

Costumamos associar a causa ao que é eficiente no sentido de alcançar resultados e efeitos. Mas Heidegger sustenta a causalidade baseado na definição aristotélica de causa. A filosofia ensina há séculos que existem quatro causas: materialis, formalis, finalis, eficiens e que elas são os quatro modos, coerentes entre si, de responder pela existência de alguma coisa - aquilo ou aquele que responde por alguma coisa ou se responsabiliza por ela. Desta forma, os quatro modos de responder e dever levam alguma coisa a aparecer, deixam que algo venha a viger. Responder e dever são um deixar-viger. Nas palavras dele:

“Onde, porém, se joga o jogo de articulação dos quatro modos de deixar-viger? Eles deixam chegar à vigência o que ainda não vige. Com isso, são regidos e atravessados, de maneira uniforme, por uma condução que conduz o vigente a aparecer.” (ibid., 2007, p.16)

Com isso ele nos leva a Platão, em “Banquete”, quando este escreve: “Todo deixar- viger o que passa e procede do não-vigente para a vigência é πο σ ς (poiésis), é produção”. As coisas não teriam o eclodir da produção em si mesmas, mas o eclodir estaria no vigente, como relacionava Aristóteles ao agente produtor ao referir-se à

technē. Temos a personificação de um vigente, por exemplo, no artesão do cálice de

prata citado anteriormente. Então, o deixar-viger concerne à vigência daquilo que, na produção e no produzir, chega a aparecer e a apresentar-se. E, finalmente, a produção conduz do encobrimento para o desencobrimento, ela se dá na medida em que alguma coisa encoberta chega a se desencobrir. Este desencobrir, resgatado por Heidegger, era denominado pelos gregos de άλ ε α, de veritas pelos romanos e contemporaneamente é denominado verdade. Heidegger entende verdade como o correto de uma representação.

Ele nos leva, da técnica, ao desencobrimento de algo que estaria encoberto, à produção e à verdade.

Porque toda esta divagação?

Porque, ao longo do tempo, ocorreram corrupções nas interpretações dadas às causas aristotélicas, o que dificultou a reflexão sobre a essência da técnica. Não existe na doutrina aristotélica algo como causa “eficiente”, ou algo como “finalidade” no sentido de meta ou eficácia. Este não foi o sentido que emprestou Aristóteles ao termo causa eficiens. Os sentidos que hoje atribuímos ao termo são deturpações, que geraram na técnica moderna o sentido de eficiência e eficácia, características buscadas e enfatizadas pelo homem moderno que a utiliza como um fim, uma meta.

Ou seja, ambas, technē e técnica, são formas de desencobrimento, mas diferem entre si na forma em que este desencobrimento se dá. Numa, a tychē está incluída junto à episteme; na outra, está excluída.

Ao resgatar na técnica moderna a produção e a verdade, Heidegger nos aproxima novamente da antiga technē, já que, nesta, além de estar incluída a habilidade artesanal, também se incluem as belas artes. Mas, na technē, a produção é πο σ ς (poiésis). Produção, no sentido de πο σ ς, inclui o poético.

A técnica moderna não se desenvolve como uma produção no sentido de πο σ ς (poiésis), mas como exploração. Ela dispõe da natureza no sentido de uma exploração que tem como característica o pôr. Extrair, transformar, estocar, distribuir, reprocessar são, todos, modos de desencobrimento. Entretanto, é um desencobrimento que se entrelaça numa trama múltipla e diversa onde se faz necessário o controle. “Pois controle e segurança constituem até as marcas fundamentais do desencobrimento explorador” (ibid., 2007, p.20).

Aqui, neste ponto, há um elemento importante que se desdobra em outros na vigência da técnica moderna: o controle, a avaliação e a eficácia. No afã de manipular a técnica, considerada como meio e instrumento, o homem pretende dominá-la e isto se faz mais e mais urgente quanto mais ela ameaça escapar ao controle do homem.

4.2. “A TÉCNICA É UMA ATIVIDADE DO HOMEM, MAS NÃO SEU

Benzer Belgeler