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2.4. ÖRGÜTSEL SİNİZM BİÇİMLERİ

2.4.5. Mesleki Sinizm

“Relationships matter” Um slogan sobre o capital social

A seguir apresento e discuto o conceito de capital social (KS) e proponho estendê-lo à idéia de capital espiritual para compreender o fenômeno da formação ou criação desse capital em organizações religiosas e, assim, obter novos parâmetros para melhor interpretação da pesquisa de campo.

Capital social (KS) é simultaneamente um dos conceitos mais promissores e, ao mesmo tempo criticados, surgidos no último quartel de século usado por autores que desejam incorporar fatores sociais na análise de fenômenos econômicos (Chang, 2006) e explicar ampla variedade de comportamentos individuais e coletivos, tais como a obtenção de status e mobilidade social, vantagens competitivas em organizações econômicas, participação política, e bem-estar físico e psicológico (Lin, 2006).

Para o estudo do empreendedorismo, a importância do conceito de KS está na hipótese de que KS impacta positivamente nos empreendimentos e proporciona maior probabilidade de sobrevivência (Fukuyama, 2001). Elevados níveis de KS propiciam aos empreendedores maior facilidade de acesso e compartilhamento de informações privilegiadas e conhecimento acerca de oportunidades de negócios, possibilidade antecipada de aquisição de recursos e facilidade na reunião de esforços para o desenvolvimento de oportunidades comerciais (Martes e Rodriguez, 2005). Além disso, os indivíduos e as organizações se beneficiam do alto grau de confiança entre os membros de sua rede, obtendo vantagens como a redução de comportamentos oportunistas, dos custos de transação necessários à realização de negócios, e melhores chances de acesso a relações pessoais importantes para a abertura e manutenção do negócio (Nahapiet e Ghoshal, 1998; Baron e Markmam, 2003).

De acordo com Portes (1998), a novidade e o poder heurístico do conceito de KS provêm de duas fontes: primeira, KS enfoca as conseqüências positivas da sociabilidade e, segunda, essas conseqüências positivas ampliam a discussão sobre capital e chamam a atenção para como formas não monetárias de capital podem ser fontes de poder e influência. A conversibilidade de diversas fontes de capital – idéia originada de Bourdieu (1986) – reduz a distância entre as perspectivas econômicas e sociológicas, e abre espaço para que, na prática, os policy-makers se empenhem em buscar soluções não unicamente econômicas para os problemas sociais.

Historicamente, a idéia de KS possui suas raízes no séc. XIX e início do séc. XX em autores como Tocqueville, Marx, Durkheim e Weber (Jackman, 2004; Portes, 1998). Entretanto, uma formulação mais precisa e aplicável a pesquisas empíricas começou a ser desenvolvida apenas a partir da década de 1980, com os trabalhos pioneiros de Bourdieu (1986), Putnam (1993) e Coleman (1988). Esses autores têm posições diferentes em relação ao KS.

Pierre Bourdieu é considerado o primeiro sociólogo contemporâneo a tratar o tema de modo sistemático. O pensador francês define KS como,

[...] o conjunto de recursos efetivos ou potenciais que estão relacionados ao pertencimento de uma rede duradoura de relações mais ou menos institucionalizadas de conhecimento e reconhecimento mútuos – em outras palavras – ao pertencimento como membro de um grupo – que proporciona a cada um dos membros, com o apoio de capital da própria coletividade, uma “credencial” que os habilita ao crédito, nos vários sentidos da palavra (BOURDIEU, 1986, p. 248).

Bourdieu acrescenta que essas relações podem existir apenas na prática, em trocas simbólicas e/ou materiais que ajudam a mantê-las. O volume de KS que um determinado agente possui está relacionado ao tamanho da rede de conexões que ele pode mobilizar de modo efetivo, e ao volume de capital – econômico, cultural ou simbólico24 – adquirido por si mesmo através daqueles que estão conectados.

De acordo com Chang (2006), o conceito de KS de Bourdieu é – como as outras formas de capital – um instrumento de poder e um meio para se reproduzir as classes sociais. Portes (1998) caracteriza a abordagem de Bourdieu como instrumental por ele enfocar o conceito em dois aspectos. O primeiro, nos benefícios que os indivíduos ganham por participarem de algum grupo, e, segundo, na construção intencional de sociabilidade com o propósito de se criar esse recurso. É nesse sentido que Bourdieu afirma que “os ganhos advindos por ser membro em um grupo são as bases da solidariedade que fazem com que esses benefícios sejam possíveis” (1986, p. 249), e que a existência de uma rede de conexões

24 O conceito de capital é central na obra de Bourdieu. Em seu ensaio The Forms of Capital, o autor o define

como “trabalho humano acumulado” e distingue mais dois tipos de capital, além do capital social. O primeiro é o capital econômico, relacionado ao controle de recursos econômicos (riqueza). O segundo é denominado de capital cultural: relação social dentro de um sistema de trocas que inclui o conhecimento cultural acumulado que concede poder e prestígio (Barker, 2004). Ou seja, capital cultural são formas de conhecimento, habilidades, educação que uma pessoa tem que lhe atribuam status em uma sociedade. Nesse ensaio o autor menciona, mas não desenvolve, o conceito de capital simbólico, que representa para o autor uma forma de discurso sobre a legitimação das relações de poder por meio de formas simbólicas. Bourdieu entende como uma “espécie de crédito” estendido pelo dominado ao dominante, contanto que os interesses do dominado estejam contemplados, para conceder reconhecimento e legitimação ao dominante. É uma “crença coletiva” ou um “capital de confiança” que se origina da estima social bem como da riqueza material (Swartz, 1997, p. 92).

não é um dado natural e nem social, mas o produto de estratégia de investimento – individual ou coletiva, consciente ou inconscientemente almejado – para transformar relações contingentes – como as relações de vizinhança e de trabalho – em relações necessárias e eletivas, implicando em compromissos duradouros subjetivamente sentidos (sentimento de gratidão, respeito, amizade) ou institucionalmente garantidos (direito). Segundo Portes, a definição de KS de Bourdieu pode ser decomposta em dois elementos. O primeiro são as próprias relações sociais, que permitem aos indivíduos terem acesso aos recursos que seus associados possuem e, segundo, a quantidade e a qualidade desses recursos.

Bourdieu (1986) enfatiza em sua análise a possibilidade de conversibilidade entre os tipos de capital e defende que em última instância todos são redutíveis ao capital econômico. Dessa forma, possuir KS pode dar acesso direto a recursos econômicos (por exemplo, preferência de investimento, juros abaixo do mercado, fidelidade de consumidores, proteção de mercado, informações privilegiadas) e podem aumentar seu capital cultural por meio de contatos com especialistas (capital cultural personificado), com obras de arte e pesquisas (capital cultural objetivado), ou por meio de afiliação a alguma instituição que fornece credenciamentos (capital cultural institucionalizado). E, por outro lado, a aquisição de KS se dá por meio de investimentos intencionais de recursos econômicos e culturais25 (Portes, 1998).

Robert D. Putnam, cientista político da Universidade de Harvard, é o responsável por popularizar o tema do KS e integrá-lo ao debate político. Ao fazer uma analogia com as noções de capital físico e humano, o autor afirma que KS se refere a características da organização social – tais como redes, normas e confiança – que facilitam coordenação e cooperação para benefícios mútuos (Putnam, 1993). Para ele, a idéia central do conceito é que redes sociais têm valor e exemplifica afirmando que a “virtude cívica” é mais eficaz quando imersa em uma densa rede de relações sociais recíprocas (Putnam, 2000). Influenciado por Alexis di Tocqueville, de quem tomou emprestada a noção de engajamento cívico, apresentou em seus estudos sobre a Itália e a política americana a tese de que quanto maior o engajamento cívico de uma comunidade, ou KS, – tomando como medidas o índice de leituras de jornais, comparecimento a votações e clubes de futebol, entre outros – melhor a

25 Uma questão interessante é o relacionamento entre capital simbólico e o capital social. Swartz (1997) chama a

atenção que Bourdieu admite em alguma parte de seu trabalho que o capital simbólico e o capital social se sobrepõem de tal maneira que é praticamente impossível distingui-los. No ensaio já mencionado de Bourdieu, Swartz indica que na discussão sobre o capital social no caso de grupos que delegam autoridade à liderança e representação de grupo, Bourdieu insere uma nota de rodapé (nota 17, p. 257), na qual afirma “Sem mencionar que capital social é tão influenciado pela lógica do conhecimento e reconhecimento que sempre funciona como capital simbólico”.

governança da sociedade e melhor o funcionamento da democracia. Em outras palavras, conexões sociais e engajamento cívico afetam toda a vida pública, bem como a vida privada (Putnam, 1995).

Assim, Putnam procura explicar as diferenças entre as qualidades dos governos regionais na Itália, criados na década de 1970. Regiões mais bem sucedidas, situadas ao norte da Itália – como as de Emilia-Romagna e Toscana – possuíam fortes tradições de “comunidade cívica”, com maior engajamento em assuntos públicos, um alto nível de confiança entre eles, obediência às leis, honestidade dos líderes comunitários e comprometimento com a igualdade e redes sociais e políticas, organizadas de forma mais horizontal. Para o autor, as origens históricas de “comunidade cívica” estão nas redes de reciprocidade e solidariedade, tais como associações, fraternidades religiosas, e sociedades de autodefesa, nas comunas medievais e cooperativas, sociedades de ajuda mútua, associações de vizinhos e sociedades de corais, no século XX.26 De suas pesquisas sobre a Itália, o autor conclui que o KS corporificado nas normas e redes de engajamento cívico parece ser uma pré- condição para o desenvolvimento econômico e eficácia do governo.

Para Chang (2006), a abordagem de Putnam se diferencia das de Bourdieu e de Coleman (veja a seguir) por esses dois últimos considerarem KS como propriedade privada ou de grupo, enquanto Putnam considera como uma propriedade coletiva da sociedade.27 Outra característica, mencionada por Baron, Field e Schüller (2000), é a sua ênfase à tensão entre as formas “bonding” e “bridging” de KS.28 KS bonding se refere a ligações entre pessoas que compartilham coisas em comum, em um reforço da homogeneidade. Dessa forma, são construídos laços fortes, que podem se constituir barreiras à entrada de pessoas consideradas não qualificadas como, por exemplo, em seitas religiosas. KS bridging se refere à construção de conexões entre grupos heterônomos por meio dos laços fracos, favorecendo a inclusão social.

Baron, Field e Schüller (2000) afirmam que Putnam é criticado pelo seu viés funcionalista e por abordar de modo insatisfatório questões ligadas ao poder e conflito. Swain (2000) acrescenta mais três características centrais do conceito de KS de Putnam que abrem para a possibilidade de críticas. A primeira é que ele assume o KS como um fato social que se

26 Por exemplo, em museus de Florença é possível ver os registros de sociedades de ajuda mútua do final do

século XIX nos quais se contabilizava as contribuições que pequenos comerciantes faziam para um fundo em comum de modo que fosse disponibilizado crédito àqueles comerciantes em dificuldades financeiras.

27 O que não é totalmente verdade. Coleman (1988), no final de seu artigo, faz uma análise da dimensão do KS

como um bem público. Inclusive considera o KS um conceito promissor para se compreender a transição micro- macro na análise sociológica.

equipara à qualidade de ser membro de associações, tendência a votar e grau de confiança. A segunda o autor apresenta de forma não convincente mecanismos de como o KS em um nível de subgrupo pode aumentar o KS nacional ou afetar beneficamente a sociedade. Terceira, além de afirmar que KS é correlacionado com um conjunto de indicadores positivos (medidas da vida comunitária, de engajamento de questões públicas, de voluntarismo comunitário, de sociabilidade informal, e de confiança social) e que essa correlação é causal, de fato Putnam assume que o KS causa todos esses benefícios.

James S. Coleman, sociólogo americano da Universidade de Chicago, foi quem introduziu e deu visibilidade ao conceito de KS no campo da sociologia americana, no trabalho em que destaca a importância desse capital na aquisição de capital humano (Coleman, 1988). O autor parte do pressuposto da teoria da ação racional de que se cada ator tem controle sobre certos tipos de recursos e interesses em certos recursos e eventos, então o KS constitui um tipo particular de recurso disponível para esse ator. Assim, KS é definido pela sua função e é “[...] uma variedade de entidades diferentes, com dois elementos em comum: consistem de algum aspecto das estruturas sociais e facilitam certas ações dos atores – sejam pessoas ou atores corporativos – no interior da estrutura” (Coleman, 1988, p. S98). Em outras palavras, a importância do conceito está, antes de tudo, na sua capacidade de identificar certos aspectos da estrutura social pelas suas funções.29 KS compreende uma dimensão da estrutura social cuja função é servir de recursos que facilitam a ação de atores que desejam alcançar determinados objetivos (ibidem, p. S101).

Da mesma forma que outros tipos de capital, o KS é produtivo porque certos fins são alcançados de modo que não seria possível na sua ausência. E completa: “como o capital físico e capital humano, o capital social não é completamente equivalente [válido em todas as situações], mas pode ser específico para certas atividades. Uma dada forma de KS, valioso em facilitar certas ações, pode ser inútil ou mesmo prejudicial em outras” (ibidem). E isso leva ao entendimento que o KS é, em si, neutro. Isso significa que, por se tratar de um recurso disponível nas estruturas sociais, ele facilita o alcance de objetivos dos atores, sejam esses objetivos moralmente bons ou maus.

Assim, “diferentemente de outras formas de capital, o KS é inerente às estruturas de relações entre os atores. Ele não está armazenado nos próprios atores ou nas ferramentas físicas de produção” (ibidem). Para Coleman, KS é uma característica das organizações

29 O autor exemplifica da seguinte forma “[...] assim como o conceito de ‘cadeira’ identifica certos objetos

físicos pelas suas funções a despeito de suas diferenças na forma, aparência e construção” (Coleman, 1988, p. S101). Eu acrescentaria “e de quem sentará nela” para destacar os possuidores do KS.

sociais e está localizado no grupo ou em nível organizacional. Apesar do KS poder servir como um recurso para atores coletivos, o autor aborda o KS como um recurso para atores individuais.

Diferentemente de Bourdieu – que usou o conceito para descrever como os grupos de elite por meio de seus contatos reproduzem seus privilégios – Coleman aborda os relacionamentos sociais de grupos que não pertencem à elite (Baron, Field e Schüller, 2000). Adicionalmente, Coleman aborda o conceito no contexto da teoria da ação racional e da perspectiva do individualismo metodológico. Ele considera KS como um recurso para a ação, como um caminho para que a estrutura social seja inserida no paradigma da ação racional. Finalmente, o autor considera o KS uma ferramenta útil para o desenvolvimento de uma orientação sociológica de forma a integrar alguns componentes de duas linhas teóricas.30

A primeira linha, utilizada pela maioria dos sociólogos, considera o ator como socializado e a ação orientada por normas sociais, regras, e obrigação. Sua principal virtude está na habilidade de descrever a ação em um contexto social e explicar como essa ação é moldada, coagida e redirecionada pelo contexto social, e sua principal limitação está em desconsiderar qualquer fonte interna de ação que dá ao ator o propósito ou direção.31 A segunda linha, utilizada pela maioria dos economistas, considera o ator como aquele que age de forma independente e auto-interessado. Sua principal virtude é ter um princípio de ação, a maximização da utilidade, e sua principal fraqueza está em sua pouca ênfase em importantes considerações da realidade empírica, tais como: a ação dos indivíduos é influenciada pelo contexto social; normas, confiança interpessoal, redes sociais e organização social são importantes também no funcionamento da economia. Nesse sentido, Greeley (1997) afirma que o conceito de Coleman é útil por destacar a importância de abordar os recursos sócio- estruturais e sua influência sobre o comportamento humano, compreendendo o comportamento econômico.

O autor faz ainda as seguintes diferenciações: o capital físico é criado por mudanças no desenvolvimento de ferramentas que facilitam a produção; o capital humano é criado por mudanças em pessoas que obtêm habilidades e capacidades que os tornam aptas a agir de novas maneiras; e o KS acontece por meio de mudanças nas relações entre as pessoas de modo que facilitam a ação. Em termos de tangibilidade, ele afirma que o capital físico é totalmente tangível, sendo incorporado em forma materiais observáveis; capital humano é

30 Como relata Greeley (1997), a intenção de Coleman ao trabalhar esse conceito era acrescentá-lo como parte de

um projeto, que ele se ocupou até sua morte, de construir uma ponte entre a sociologia e a economia, particularmente a economia da Escola de Chicago.

menos tangível, sendo incorporado em habilidade e conhecimento adquirido por um indivíduo; e KS é o menos tangível de todos, por existir nas relações entre as pessoas.

Um dos méritos do trabalho de Coleman é que, ao utilizar o conceito de KS num trabalho empírico, desenvolveu meio de operacionalizá-lo para a pesquisa; explorar como os recursos do KS podem contrabalançar baixos níveis de capital humano e cultural, demonstrou os meios tangíveis pelos quais o KS surgiu para interagir com outros aspectos da estratificação; e desenvolveu ainda a idéia de KS como um bem público (Baron, Field e Schüller, 2000).32 Essas características foram provavelmente uma das razões de sua influência em muitos outros trabalhos e pesquisas, entre eles, os de Putnam (1993).33

Após Bourdieu, Putnam e Coleman, o conceito de KS continuou a receber as mais diversas definições34 e a ser usado em muitos campos diferentes do conhecimento, como sociologia, economia, educação e saúde pública. Uma contribuição digna de nota é a de Burt (2004). Em seu texto que trata da vantagem competitiva proporcionada pela estrutura das redes do indivíduo e a localização de seus contatos nessa rede na estrutura social, o autor define KS como “relacionamentos com outros jogadores35”, isto é, “amigos, colegas e contatos de uma maneira geral por meio dos quais você recebe oportunidades para usar seu capital financeiro e humano36” (Burt, 2004, p. 326).

Para o autor, KS é ao mesmo tempo os meios de contatos mantidos (ou “quem se alcança”) e a estrutura desses contatos na rede (ou “como se alcança”). Em seu trabalho Burt se concentra no “como” e desenvolve a idéia de “buraco estrutural”, definido como uma “separação entre contatos não-redundantes” (p. 334), que proporciona uma conexão entre esses contatos. Enquanto que para Coleman e Putnam as redes densas são condições

32 Portes (1998) critica o trabalho de Coleman ao afirmar que seu conceito é vago, o que permitiria considerar

como KS vários processos diferentes e até mesmo contraditórios. Para esse autor, Coleman considera na mesma categoria alguns dos mecanismos que geram KS (tais como a expectativa de reciprocidade e a sanção do grupo para o cumprimento de normas), as conseqüências de possui-lo (acesso a informações), e o contexto que os materializa (organização social “apropriável”). Com isso, segundo Portes, Coleman deixou derealizar a seguinte distinção para um tratamento sistemático do conceito: (a) os possuidores de KS; (b) as fontes de KS; (c) os recursos em si. A meu ver, Portes faz uma análise apressada do trabalho de Coleman. Apesar de mencionar a característica básica de seu conceito de KS como função, parece que isso foge a Portes. Por exemplo, os “canais de informação” para Coleman são uma forma e não uma conseqüência (como Portes acredita que deveria ser) de KS por entender que nesse aspecto as relações sociais mantidas são importantes pelas informações que são capazes de fornecer, ou seja, possuem uma função, que tem como conseqüência a facilitação da ação do indivíduo.32 Além disso, o modelo de Coleman deixa claro em sua análise do capital social dentro e fora da

família quem são os possuidores de KS, bem como suas fontes e recursos.

33 Em seus primeiros trabalhos, Putnam recorre freqüentemente a Coleman.

34 Para um quadro-resumo das principais definições na literatura, veja Adler e Kwon (2002, p. 20). 35 Burt utiliza a palavra “player” por estar abordando-o na “arena competitiva”.

36 Burt define capital financeiro como “dinheiro em mãos, reservas no banco, investimentos e linhas de crédito”

e capital humano como “qualidade natural – charme, saúde, inteligência e expressão – combinado com capacidades adquiridas em educação formal e experiência no trabalho, dando competência para se sobressair em certas tarefas” (2204, p. 325)

necessárias para o surgimento do KS, na visão de Burt é a relativa ausência de laços (buraco estrutural) que proporciona a mobilidade individual (Portes, 1998). Essa abordagem, oposta ao dos outros autores, é justificada pelo fato de que as redes densas tendem a produzir

Benzer Belgeler