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V. SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER

5.3 Mesleki Genel Kültür Bilgisine İlişkin Öz-Yeterlikleri

Nos primórdios do século VIII o Império Islâmico estendia-se da costa Atlântica a oeste até o Oceano Índico e a China a leste e o idioma árabe havia suplantado o uso do grego, latim, siríaco e aramaico praticados anteriormente. Uma nova era se iniciava em toda a região mediterrânea e prontamente se estabeleceu uma onda de imigração judaica para a província da Andaluzia.

Se as minorias religiosas não-monoteístas não eram toleradas no império, judeus e cristãos ocupavam a posição de dhimmis, ou povos protegidos, condição que variava de acordo com a região e a leniência das autoridades locais, sendo a Espanha o lugar onde usufruíam de maior liberdade especialmente durante os primeiros séculos do Império Islâmico. Esta condição, todavia, não os isentava do pagamento de taxas e de certas restrições que regulavam o vestir, o porte de animais ou sua circulação pelo império. Ainda assim, podiam praticar sua fé livremente e administrar suas próprias instituições, exercer uma série de profissões e se deslocar com relativa liberdade. Entretanto, nenhum judeu habitante da Espanha no século VIII poderia prever a dimensão do que estaria para acontecer. Após uma era de perseguições e discriminação, muçulmanos e judeus estavam prestes a embarcar juntos em um dos mais vibrantes capítulos de sua história.

Córdoba foi eleita a capital da Andaluzia por sua localização central e pelas terras férteis ao seu redor. As cidades da Andaluzia emergiam como polos industriais e os mercados transbordavam artigos de luxo vindos da Itália, Egito e Norte da África; ouro e prata circulavam pela região e a agricultura florescia.

[Córdoba] vangloriava-se de suas 700 mesquitas e mais de 3.000 casas de banho público dentro dos limites da cidade, ruas pavimentadas e iluminadas, água encanada nas luxuosas casas e inúmeras villas pontilhando as margens do Gualdaquivir. O ar era preenchido pelo cantar dos teares que produziam sedas e brocados, e cascatas jorravam sobre bacias de azulejo de cores vibrantes em suas incontáveis fontes e piscinas. [...] Sua brilhante vida cultural era enriquecida por setenta bibliotecas, dentre as quais somente a do califa contava com 400.000 volumes. Reconhecida como um centro de medicina e tecnologia, a cidade também sediava inúmeros observatórios.[...] As árvores, plantas e culturas agrícolas do

Levante13 foram levadas para a Espanha, em cujas mesas eram servidas as mesmas comidas

tradicionais. (GERBER, 1992, p. 28-31).

Os judeus participavam deste ambiente próspero como parte do amplo universo econômico do mundo mediterrâneo e assim como os intelectuais árabes, estudiosos sefaraditas frequentavam as academias do Cairo e de Kairouan na costa tunisiana e Yeshivot14 de Sura e Pumbedita em Bagdá. O hebraico era praticado nos círculos eruditos, desempenhando o papel de língua franca entre as comunidades dispersas, não somente nos negócios mas também nos discursos religiosos e intelectuais.” (GERBER, 1992, p. 36).

Outros centros também emergiram em Sevilha, Granada, Málaga, Lucena, Mérida, cidade citada orgulhosamente por sefaraditas como sua origem, que de acordo com a tradição teria sido a primeira cidade fundada na Espanha pela aristocracia exilada de Jerusalém, e finalmente Toledo, que abrigou uma comunidade judaica até a expulsão dos judeus da Espanha. Outras comunidades também podiam ser encontradas em Barcelona, Saragoça, Tarragona, Valência e em algumas localidades menores. Influenciados pelos muçulmanos, judeus e cristãos desenvolveram o gosto pelos bens de luxo e artes decorativas. Sefaraditas desempenharam importante papel cultural estabelecendo pontes de comunicação entre cristãos e muçulmanos, e compartilhavam com estes últimos um mesmo ethos humanístico que incluía considerável quantidade de assuntos que iam “da astronomia à astrologia, da geometria à ótica, da caligrafia à retórica, da filologia à métrica. [...] A poesia figurou como forma elegante de expressão nos dois séculos da Era de Ouro cultural, somada a uma respeitável aquisição de conhecimento em filosofia árabe, medicina, ciência, música, dança e artes visuais.” (GERBER, 1992, p. 44-62).

13 Região que hoje corresponde à Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre. 14 Termo hebraico para escolas dedicadas ao estudo religioso judaico. Plural de yeshivá.

O hábito de colecionar livros, tradição que ganhou impulso no mundo islâmico pela introdução do papel por mercadores chineses no século IX durou até a expulsão dos judeus em 1492, quando estudiosos viriam a descrever a perda de suas bibliotecas como a mais amarga consequência do novo exílio. Os trabalhos científicos e filosóficos desenvolvidos pelos sefaraditas eram usualmente escritos em árabe, porém em caracteres hebraicos. Em contraste, a poesia era produzida em hebraico, pois “pretendiam mostrar a beleza de sua língua bíblica. [...] O hebraico e o romance eram também considerados instrumentos de expressão sutis, e poetas como Yehuda Halevi chegavam a utilizar as três línguas em um mesmo poema.” (GERBER, 1992, p. 65). Tanto quanto a poesia, a filosofia judaica foi extremamente influenciada pela presença muçulmana cuja tradução para o árabe das obras gregas permitiu que os judeus fossem expostos ao mundo conceitual da antiguidade clássica e a uma nova linguagem teológica capaz de expressar novos conceitos.

Este foi o exílio de Jerusalém que estava na Espanha, onde o povo habitou na terra de sua peregrinação com honra, descansando neste lugar [...] Do nascer ao pôr do sol, de norte a sul, nunca houve um povo escolhido [como os judeus da Espanha] em beleza e simpatia, e, nunca mais haverá. Deus estava com eles, as crianças da Judeia e de Jerusalém, eram muitas e fortes. [Eram] um povo tranquilo e confiante, um povo preenchido com a bênção de Deus não havia fim para os seus tesouros; um povo puro e reto que reverenciava o Senhor. Eu sou o homem que viu este povo em sua glória, em sua beleza, em sua amabilidade. (ABRAVANEL apud ANGEL, 2006, p. 22).

Em 1147 a dinastia fundamentalista muçulmana dos Almoadas chegou à Espanha vinda do Marrocos e determinou a conversão de todos os judeus e cristãos. Muitos judeus buscaram os territórios cristãos a nordeste e por algum tempo conseguiram se manter relativamente bem, porém distantes da atmosfera favorável andaluza, tiveram seus laços com os muçulmanos enfraquecidos.