• Sonuç bulunamadı

Mesleki Eğitimin Bağlamı

A. ÜLKE VE MESLEKİ EĞİTİM ÇERÇEVESİ

A.3. Mesleki Eğitimin Bağlamı

A Revolta do Quebra-Quilos é uma das revoltas pouco conhecidas na história do Brasil, mas mesmo sendo em grande parte indiferente ao público leigo, foi uma das mais importantes

revoltas sociais da região Nordeste na década de 1870 e nos fins do império, Iniciada na província da Paraíba, a revolta se espalhou rapidamente para outras três províncias, levando o imperador D. Pedro II a mobilizar tropas da Guarda Nacional para conter as ações impetuosas cometidas pelos quebra-quilos, assim como passaram a serem chamados tais revoltosos.

Tudo começou em 26 de junho de 1862, quando o então Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, o senhor José Lins Vieira de Cansanção de Sinimbu referendou a Lei 1.157 a qual oficializava a adoção do Sistema métrico decimal francês.

A Lei 1.157/1862, dizia o seguinte:

Art. 1 - O atual sistema de pesos e medidas será substituído em todo o

Império pelo sistema métrico francês na parte concernente ás medidas lineares, de superfície, capacidade e peso.

Art. 2 - É o Governo autorizado para mandar vir da França os necessários

padrões do referido sistema, sendo ali devidamente aferido pelos padrões legais e outrossim para dar as providências que julgar convenientes a bem da execução do artigo precedente, sendo observadas as disposições seguintes: § 1. O Sistema Métrico substituirá gradativamente o atual sistema de pesos e medidas em todo o Império, de modo que em dez anos cesse inteiramente o uso legal dos antigos pesos e medidas.

§ 2. Durante este prazo as escolas de instrução primária, tanto públicas como particulares, compreenderão no ensino da aritmética a explicação do sistema métrico comparado com o sistema de pesos e medidas atualmente em uso. § 3. O governo fará organizar tabelas comparativas que facilitem a conversão das medidas de um sistema nas do outro, devendo as repartições públicas servir-se delas enquanto vigorar o atual sistema de pesos e medidas.

Art. 3 - O Governo, nos regulamentos que expedir para execução desta Lei,

poderá impor aos infratores a pena de prisão até um mês e multa de 100$000.

Antes da decisão de se implantar o sistema métrico, no Brasil não existia uma padronização nacional das medidas, logo, havia variação da forma de como se media em cada província e até mesmo de vila e cidade. Nesse caso, para medições de comprimento, largura e altura usava-se em geral a vara, o côvado e a jarda; para medições de volume, utilizava-se onças, libras e arretéis; para medir os líquidos usava-se as canadas e os quartilhos e por fim, para pesar os grãos e a farinha, valia-se das medições dos selamins, quartas e alqueires. Além desses sistemas de medidas outros tipos de sistemas de medição como palmos, polegadas, arrobas, etc., foram utilizados no país.

A solução encontrada pelo governo para facilitar a administração econômica, foi adotar o sistema métrico francês, visto como solução para esse problema de uma falta de padronização nacional dos pesos e medidas. Passaram-se, contudo, dez anos sem que o

sistema fosse implantado no Brasil, até que em 1872 o então Ministro da Agricultura, Francisco do Rego Barros Barreto expediu um mandato que determinou que na data de 1 de julho de 1873 todo comércio do país deveria obrigatoriamente utilizar o sistema métrico decimal, determinando multas de s que iam dos 10$000 (dez contos de réis) por indivíduo, até 100$000 (cem contos de réis) para o estabelecimento que descumprissem a determinação, além da possibilidade de prisão.

Inconformados com a determinação, comerciantes da Feira de Fagundes deflagraram um conflito em 7 de novembro de 1874, destruindo pesos e medidas do novo sistema decimal e atirando-os ao açude, aos gritos de “Quebra os quilos!”, “Quebra os quilos!. Daí vem o nome dado ao levante, de “quebra-quilos”.

"No mesmo dia outras localidades foram assaltadas. Grupos menores invadiram Campina Grande, Cabaceiras, Pilar, Areia, Alagoa Grande, Alagoa Nova, Bananeiras, Guarabira, São João do Cariri e outros lugares onde a feira se realizava aos sábados". (ALMEIDA, 1978, 165).

Em 21 de novembro de 1874 a Vila de Ingá fora invadida por um grupo de homens armados (estima-se que fossem pelo menos duzentos), os quais atacaram a feira, destruindo os pesos, medidores, balanças. Eles também invadiram a Comarca, onde destruíram vários documentos que ali se encontravam e ameaçaram Comandante de Polícia, Aranha, com o objetivo de levá-lo a assinar um compromisso no qual garantiria suspender a cobrança de determinados impostos, a lei de recrutamento, e revogar a utilização dos pesos e medidas. No entanto, o comandante Aranha fugiu no dia seguinte sem ter acatado as exigências dos manifestantes.

Em 23 de novembro os quebra-quilos também atacaram Bananeiras, Arara, Cuité (hoje Guarabira) e Areia. Cogitou-se incendiar o Teatro Minerva, em Areia, o mais antigo teatro da Paraíba, mas, os quebra-quilos desistiram do intento. Em Mamanguape, os revoltosos não tiveram tanto espaço para agir, e a polícia conseguiu dissipar a revolta.

Em 24 de novembro foi a vez de Salgado, e novamente de Alagoa Nova, Pilar e Cabaceiras. No caso de Alagoa Nova, os pesos foram jogados em uma lagoa. O cartório e a Câmara foram depredados e saqueados. Também em Cabaceiras o cartório foi incendiado. Em Pilar, sabe-se que alguns trabalhadores de engenhos e fazendas deixaram seus empregos e se juntaram aos quebra-quilos.

continuaram a agir no ano seguinte e espalharam a revolta para Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas. À medida que a revolta ia se desenvolvendo, outras pautas foram agregadas ao movimento. A revolta logo ganhou um caráter social e até mesmo liberal, chegando a se insinuar que a revolta estava sendo coordenada por adeptos de ideias liberais e republicanas, por isso estarem contra o Estado.

Registra-se, nesse sentido, um depoimento para um jornal, de um cidadão paraibano anônimo o qual se intitulava "Um Parahybano", o qual disse o seguinte:

"Essa província tocou o desespero. O peso dos impostos e o modo bárbaro de cobra-los e as extorsões de todo gênero feitas ao povo para saciar esse sorvedouro insaciável que deste e lançou-o no caminho da revolta. Não somos amigos das revoluções armadas, mas um povo que se deixa matar à fome é um povo suicida; e o suicídio é uma infâmia num povo, como é o no indivíduo. O governo do Imperador quer matar o povo à fome, o povo não achou recurso nos seus representantes e governador que são meros instrumentos daquele governo, não teve coragem para deixar-se matar, lançar mão do triste, mas único recurso que lhe restava - a força, está no seu direito porque defende sua vida". (MAIOR, 1978, p. 25).

Nota-se, assim, que o desagrado do povo se devia mais ao aumento do custo dos produtos e dos impostos, e não propriamente ao sistema métrico decimal instituído. No entanto, outros fatores foram assimilados pelos revoltosos, como questões de cunho liberal- republicano, de influência religiosa, e até mesmo de um sentimento antimaçônico.

Figura 1 - Nenhuma entrada de índice de ilustrações foi encontrada.Rótulo de cigarros "Aos Quebra Quilos" fabricados por Lourenço J. de Freitas. Pertencente a coleção de

O Quebra-quilos paraibano é, portanto, um movimento de massa contra leis que, aos seus olhos, são responsáveis por sua desgraça. Tal se revela pelo hino composto para o movimento:

"Sou quebra-quilo, encoletado em couro Por vil desdouro, se me trouxe aqui A bofetada minha face mancha, A corda, a prancha se me afligir senti Nas cãs modestas, a tesoura cega Da minha enxerga só me resta o pó Esposa e filhas violentam rudes, As sãs virtudes - seu tesouro - só. Não há direitos; isenções fugiram Nas leis cuspiram desleais vilões; Crianças, velhos aleijados, aguardam, A triste farda de cruéis baldões

Em vão, descalços, minha esposa e filhos, Do sol aos brilhos, pranteando vêm: Socorro implorara: piedade a tantos... Mas de seus prantos se receia alguém! E ao quebra-quilo, desonrado e louco É tudo pouco, quanto a infâmia faz Se ali contempla da família o roubo Aqui no dobro, se o flagela mais Vê sua esposa, da desgraça ao cimo Por seu arrimo, tudo expô-la em vão: Recorda as filhas, que sem mãe ficaram E lhes as roubaram... que perdidas são. Tiranos vede que misérias tantas!... Nem a quebranta nem pungir nem ais Martírios, ultrajes de negror, fazei-me Porém dizei-me se também sois pais! A bofetada minha face mancha A corda a prancha me doer senti A vil desonra da família querida Tira-me a vida... de pudor morri".

Música de Pedro Joaquim d'Alcantara César (MAIOR, 1978, p. 34-35).

Figura 2 -Foto de quebra-quilos em Fagundes, Paraíba em 1875.

O movimento contou com a participação dos escravos da Fazenda Timbaúba, em Campina Grande, mas não se tem certeza se eles o fizeram por incentivo do padre Calixto.

Figura 3 - Alguns dos pesos usados na época, os quais foram destruídos pelos quebra-quilos.

A revolta foi duramente reprimida pelas autoridades do Império. Há relatos de que os membros identificados da revolta foram presos, torturados e alguns até mesmo assassinados, pois a polícia e o exército agiram duramente ao longo de 1875 para pôr fim a revolta.

Benzer Belgeler