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Belgede 2 fi SA LI I VE GÜVENL (sayfa 22-33)

enunciação-enunciada e enquanto enunciado-enunciado

6.4.1. Enunciação e enunciado

Enunciado é a palavra escrita ou falada. De acordo com a semiótica, teoria geral dos signos, o enunciado corresponde ao suporte físico, ou seja, são as marcas da tinta no papel (na palavra escrita) ou as ondas sonoras provocadas pela vibração das cordas vocais no aparelho fonético (se referir-se à palavra falada). De acordo com PAULO DE BARROS CARVALHO24, enunciado é

“o produto da atividade psicofísica de enunciação. Apresenta-

se como o conjunto de fonemas ou de grafemas que, obedecendo a regras gramaticais de determinado idioma, consubstancia a mensagem expedida pelo sujeito emissor para ser recebida pelo destinatário no contexto da comunicação” 25. (os grifos são do autor)

De outro lado, a enunciação constitui-se na atividade para a produção do enunciado. Segundo JOSÉ LUIZ FIORIN26, com a enunciação, temporalizando, espacializando e actorializando a linguagem, passa-se do sistema ao discurso. São suas as palavras:

“Estão nos mitos fundadores, pois, duas teses centrais para qualquer Teoria do Discurso: a) o discurso, embora obedeça às coerções da estrutura, é da ordem do acontecimento, isto é, da História; b) não há acontecimento fora dos quadros do tempo, do espaço e da pessoa. Isso conduz às seguintes consequências:

24

Direito tributário – fundamentos jurídicos da incidência, pp. 19-20.

25

Enunciado não se confunde com a proposição. Esta é a significação do enunciado, ou seja, aquilo que vem à nossa mente quando lemos ou ouvimos um enunciado, portanto, uma construção mental do sentido do enunciado. Vários enunciados podem corresponder a uma única proposição.

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a) o discurso é o lugar da instabilidade das estruturas, é onde se criam efeitos de sentido com a infrigência ordenada às leis do sistema; b) compreender os mecanismos de temporalização, de espacialização e de actorialização é fundamental para entender o processo de discursivização.”

Portanto, são três as categorias ou procedimentos básicos da enunciação: a temporalização; a espacialização e a actorialização.

A prova é um fato, portanto, é uma questão lingüística que pode ser estudada, enquanto análise do discurso, como enunciação e como enunciado. Assim, pode ser vista sob duas dimensões: como processo e produto desse processo. A prova processo produzirá a prova produto, do mesmo modo que o ato administrativo processo produz o ato administrativo produto, que o ato legislativo (processo) produz a lei (produto) e o ato judicial (processo) produz a sentença (produto).27

Porém, a enunciação se apaga no tempo e o que fica são suas marcas, ou seja, as marcas da atividade de produção no seu produto. Ao cientista caberá construir as marcas da enunciação no enunciado. Daí a expressão enunciação-enunciada e enunciado-enunciado. A primeira refere-se ao conjunto de marcas, identificáveis no texto, que remetem à instância de enunciação; e o segundo, à sequência enunciada desprovida de marcas de enunciação.28

27

Neste sentido, vide Eurico de Santi, Prescrição e decadência no direito tributário, pp. 102-103. O mencionado autor dá o seguinte exemplo: “Assim, quando um guarda de trânsio lavra um auto de infração, ele está realizando um ato administrativo. Ao mesmo tempo, a norma individual e concreta, introduzida pelo guarda mediante o suporte físico do auto de infração, é também um ato administrativo. Note-se, o primeiro ato administrativo é fato: consiste em ato de aplicação do direito.” E daí, tira a seguinte conclusão: “ O que entrevemos é a confusão entre (I) o ato de aplicação que cria a norma e a própria norma criada por esse ato; (ii) a fonte material e a norma produzida; (iii) o exercício da competência administrativa e seu resultado; (iv) a enunciação e o enunciado e (v) o processo de criação do direito e o produto”.

28

Assim, em um documento normativo, por exemplo, uma lei ordinária qualquer, o mestre TÁREK MOYSES MOUSSALEM29 distingue os enunciados-enunciados, composto por dispositivos legais, tais como artigos, parágrafos, incisos e alíneas; e, a enunciação-enunciada, composta pelos fatos enunciativos que nos remetem à instância da enunciação normativa (produção normativa). E, prossegue MOUSSALEM dizendo que:

“As categorias da enunciação, do enunciado, da enunciação- enunciada e do enunciado-enunciado, como teremos a oportunidade de observar serão de ingente valia para o estudo das fontes do direito. Isto porque: o cientista do direito,

impossibilitado de estudar o ato de enunciação normativa (produção), buscará identificar seus traços (processo legislativo, judicial, executivo ou até mesmo particular) no ato produzido (lei em sentido amplo, sentença, lançamento tributário, contratos, etc.)”

6.4.2. A prova enquanto enunciação-enunciada

Bem, já vimos que a enunciação se dilui no tempo e o que fica e podemos apreender são as marcas da enunciação, a enunciação-enunciada. A enunciação-enunciada da prova está relacionada à atividade de produção da prova, ou seja, refere-se ao procedimento a fim de ser demonstrada a verdade dos fatos. Por exemplo, temos os atos praticados no decorrer da elaboração de uma prova pericial, diferente de seu ato final, a perícia em si, denominada laudo pericial, este será o ato resultante do procedimento. A partir dessa distinção, pode-se perguntar: o procedimento foi realizado de acordo com as normas estatuídas pelo sistema vigentes para tal? Os meios de prova são legítimos e lícitos? Ou seja, a prova produzida é válida?

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No caso do procedimento de verificação da ocorrência do motivo do fato jurídico tributário, ato-fato do ato administrativo do lançamento tributário, a Administração Pública deve buscar, por todos os meios lícitos, a prova da ocorrência do evento que dará ensejo ao fato jurídico tributário. Aqui vislumbramos a produção da prova durante o procedimento fiscalizatório para a realização do ato-norma de lançamento tributário, bem como a atividade de produção de prova no processo administrativo fiscal. É a atividade de produção ou apreciação e o procedimento de realização da prova a que se referiu ECHANDÍA30 ao enunciar que a doutrina trata por prova aquilo que na realidade é a atividade de produção da prova.

6.4.3. A prova enquanto produto, o enunciado-enunciado, resultado do processo

Aqui neste momento vislumbramos a prova já produzida, ato de resultado, o enunciado-enunciado.

No campo tributário, temos a prova produzida a fim de fundamentar um ato de aplicação do agente fiscal, e temos a prova produzida no processo judicial ou administrativo para fundamentar as decisões dos órgãos julgadores.

O § 1º do art. 27 da lei que dispõe sobre o processo administrativo tributário paulista, nº 10.941/01, estabeleceu que o auto de infração deve ser instruído com documentos, demonstrativos e demais elementos materiais comprobatórios da infração e o § 2º do mesmo art. 27 determina que o agente administrativo autuante deverá entregar ao autuado uma via do auto de infração, mediante recibo, valendo como notificação, juntamente com cópia dos demonstrativos e demais documentos que o instruem, salvo daqueles cujos originais estejam em sua posse.

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Ora, a prova como produto, resultado da atividade de enunciação, deve, necessariamente, acompanhar o auto de infração e lançamento quando expedidos pelo agente fiscal. Isso porque deve demonstrar a constituição do fato jurídico e constituir a obrigação tributária.

Assim, a motivação do ato-norma de lançamento, que descreve o motivo, este, um elemento do ato-fato, deve ser comprovada. Respectivamente, o motivo correlato deve ser instruído com provas, obtidas licitamente.

Encontramos, aqui, a prova-produto que demonstrará a ocorrência do evento, motivo do ato de lançamento. Sem ela ou sem a sua não correspondência à motivação, poderá ser dado ensejo à invalidação do ato- norma de lançamento.

Daí a sua importância para a expedição do lançamento tributário.

Belgede 2 fi SA LI I VE GÜVENL (sayfa 22-33)

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