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Merkezi Yönetim ile Yerel Yönetimler Arasındaki İlişkiler

BÖLÜM 1: KAMU YÖNETİMDE REFORM VE DESANTALİZASYONUN

2.3. Bağımsızlık Sonrası Mali Cumhuriyeti’nde Yönetim

2.3.4. Merkezi Yönetim ile Yerel Yönetimler Arasındaki İlişkiler

Como estabelecemos como um de nossos objetivos a verificação da existência de assistência técnica nos projetos de produção de biodiesel já implantados no Estado de Goiás, é

familiares, bem como outros serviços que possam contribuir para melhorar a eficiência, a produtividade e um maior nível de renda para os agricultores familiares. No gráfico 20 seguinte, podem-se visualizar os dados referentes ao fornecimento de serviços aos produtores familiares, inclusive a assistência técnica.

Fonte: pesquisa de campo (2007).

Gráfico 20 – Fornecimento de serviços pelas empresas

O gráfico 20 mostra que 73,12% dos produtores familiares receberam assistência técnica das empresas produtoras de biodiesel. Percebe-se, assim, que uma parte dos produtores não recebeu a assistência técnica, que é uma das obrigações do produtor de biodiesel dentro do PNPB. É claro que esperaríamos que todos os produtores contratados dentro dos projetos estivessem recebendo esse serviço, tendo-se em vista sua obrigatoriedade. No entanto, esse percentual é bem superior ao percentual de produtores que têm acesso a esse serviço.

Vimos pelos dados do IBGE (1996) e discutidos por Guanziroli et al. (2001) que, no Centro-Oeste, apenas 24,9% utilizavam assistência técnica até aquele ano. Agora com o PNPB, esse serviço tende a atingir um número maior de produtores e a contribuir com a

73,12% 52,69% 50,54% 15,05% 11,83% 7,53% 3,23% 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% Ater transp orte colhe ita insum os e semen tes armaz enag em fina nciam ento outro s serv iços

profissionalização das atividades da agricultura familiar, elevando seus níveis de produtividade e eficiência. Pela análise dos números da pesquisa, observamos que grande parte das empresas está cumprindo com esse requisito do PNPB.

Um resultado importante dessa obrigatoriedade da assistência técnica e dos números relativos ao seu fornecimento pelas empresas produtoras de biodiesel, e que podemos extrair dos dados levantados nesta pesquisa é que tanto as empresas quanto os produtores familiares ganham com essa obrigação, tendo-se em vista que os seus custos são bancados pelo Programa.

Pela análise da legislação que criou o PNPB, constatamos que, quando o governo estruturou o Programa, tornou a Ater um serviço que os projetos de biodiesel devem oferecer aos produtores familiares para que garantissem os benefícios fiscais do Programa. Agora vemos que este ponto constitui-se num acerto da política, pois devem aumentar os níveis de produtividade e lucratividade da agricultura familiar.

Abramovay e Veiga (1999) haviam destacado que onde havia os serviços de assistência técnica era onde também havia maior liberação do Pronaf, uma outra política pública para a agricultura familiar, mas que também depende, em parte, dos serviços de Ater. Os serviços oficiais de Ater estavam sendo desativados ao longo dos últimos anos (ABRAMOVAY, 2003). Observamos, entretanto, que entre 2002 e 2005, aumentou em 429% esse serviço para os assentados da Reforma Agrária (DIEESE, 2006).

Ainda sobre a assistência, verificamos que os produtores receberam o serviço, em média, 2,33 vezes ao mês. Foi uma freqüência que, segundo os produtores, foi o suficiente para os técnicos orientá-los. Constatamos também que 71% dos produtores sabiam onde encontrar os técnicos, quando da necessidade de orientação. Ao solicitarmos uma avaliação desse serviço, 77,5% disseram que ficaram satisfeitos com a assistência técnica recebida.

Assim, pode-se concluir em relação à assistência técnica que, embora nem todos os produtores pesquisados tenham recebido o serviço, que de acordo com o PNPB, é um direito seu, os que receberam ficaram satisfeitos, o que mostra que os produtores aceitaram bem o serviço que é uma das maiores deficiências da agricultura familiar e uma medida necessária para modernizar a agricultura (BELIK; PAULILLO, 2001; DELGADO, 2001).

Outro fator interessante a ser discutido com relação à assistência técnica é que esta pode de fato contribuir para evitar que os produtores continuem produzindo sem orientação desse serviço que é fundamental para a boa condução de seus negócios.

Veremos, também, mais adiante que a maioria dos produtores familiares tem conhecimento da cultura que cultivam, mas tomaram conhecimento ao longo da experiência prática. Isso mostra que, se não aprenderam as melhores práticas agrícolas tecnicamente, continuam a praticá-las da mesma forma atualmente, algo que realmente pode mudar com a intensificação da assistência técnica incentivada e fornecida através do PNPB. Parte do aumento de renda que percebemos no grupo de produtores pesquisados pode ser em função desse serviço, algo que pode ser conferido em pesquisas posteriores.

Merecem destaque, ainda, os serviços de colheita e transporte recebidos pelos produtores. Mais da metade dos pesquisados indicou que recebeu esses serviços, o que demonstra a preocupação das empresas com o cumprimento dos contratos pelos produtores (DIAS, 2004). Constatamos, também, nas conversas com os produtores, que esses serviços não foram descontados do pagamento de seus produtos, o que certamente contribuiu positivamente, pelo menos no período analisado, para aumentar suas rendas.

Pode-se afirmar, com base nos dados apresentados, que existe um pacote de serviços sendo oferecido aos produtores familiares nesse início de operacionalização do PNPB. Isso se explica, em parte, pelos incentivos do Programa. Os descontos nos impostos federais para as empresas que promovem a inclusão da agricultura familiar em seus projetos geram o interesse

pelas mesmas de oferecerem benefícios, para que os produtores optem por esse tipo de atividade. Nesse ponto o PNPB difere dos processos convencionais de integração (BELIK, PAULILLO, 2001; LIMA et al. 2000; DIAS, 2004), nos quais as empresas também oferecem um conjunto de serviços aos produtores como forma de garantirem a constância no fornecimento de matérias-primas para seus negócios. No PNPB, a diferença é que os recursos que as empresas investem em serviços para os produtores familiares são, indiretamente, recursos públicos, porque seriam pagos ao governo federal, caso não existissem os incentivos do Programa.

Esses dados apontam que estão ocorrendo fatos bastante significativos, pois além dos pontos básicos indicados pelo Programa, as empresas também estão oferecendo outros serviços, numa estratégia de convencimento dos produtores para entrarem em seus projetos. Observamos, quando conversamos com alguns produtores, que além dos serviços apresentados no gráfico 20, as empresas estão oferecendo um bônus sobre o preço negociado no mercado.

Por último, solicitamos aos produtores que, em caso de renovação dos contratos, enumerassem de 1 a 9 os serviços, dentre eles a assistência técnica, que consideravam mais importantes. Os dados levantados estão demonstrados na tabela 50 abaixo.

Tabela 50 – Nível de importância dada pelos agricultores à Ater.

Nota de importância N° de Produtores %

1,0 28 32,94 2,0 7 8,24 3,0 14 16,47 4,0 12 14,12 5,0 8 9,41 6,0 2 2,35 8,0 3 3,53 9,0 11 12,94 Total 85 100,00 Média 3,61

Podemos visualizar pela tabela 50 anterior que grande parte dos produtores não considera a assistência técnica um serviço de grande importância. A nota média ficou em 3,61 numa escala de 1 a 9 como podemos observar. Esta nota média ficou abaixo da nota de importância dada para a colheita com 4,89; daquela dada à garantia de compra com 3,86; da nota dada ao fornecimento de insumos com 5,35; da importância do financiamento com 5,11; da nota de armazenagem com 7; e da garantia de transporte para a produção colhida com 6,73. Os produtores ainda deram nota de 3,43 para outros serviços ligados ao processo produtivo.

Os números observados acima mostram que os produtores não consideram dois dos principais pontos do PNPB, que é a garantia de assistência técnica e compra pelos produtores de biodiesel aos produtores familiares. Preferem os serviços opcionais fornecidos pelas empresas, ou seja, aquilo que conseguem mensurar mais facilmente. Isso pode contribuir com os baixos índices de assistência técnica observados em pesquisas anteriores (GUANZIROLI et al., 2001).

Diante disso, pode-se afirmar que o fortalecimento da agricultura familiar fica comprometido dentro do Programa, pois sabemos que a assistência técnica é um serviço

essencial para a sustentabilidade da agricultura familiar (ABRAMOVAY, 1999; GUANZIROLI et al., 2001; BUAINAIN; ROMEIRO; GUANZIROLI, 2003). Se os produtores dão pouca importância ao serviço, pode ser que as empresas não tenham o empenho necessário no fornecimento da assistência técnica que, como já discutimos, é uma de suas obrigações.

Benzer Belgeler