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CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

O presente trabalho avaliou a influência dos modelos digitais de terreno na modelagem hidrodinâmica referente à região costeira frontal aos municípios de Macau, Guamaré e Galinhos. Esses MDTs foram construídos a partir de um conjunto de dados de campo e da digitalização de cartas náuticas, através de métodos interpoladores existentes no Surfer®, e aplicados no modelo 2DH de circulação hidrodinâmica do SisBaHiA®.

No que tange a influência dos MDTs, na modelagem de circulação hidrodinâmica 2DH da região estudada, verificou-se que a utilização de diferentes interpoladores resultou em variações pouco significativas nos campos de elevações, porém em variações com alguma significância no que se refere aos campos de velocidades.

Das análises desenvolvidas no capítulo 4, observou-se através da estatística descritiva dos dados que o BD-UFRN apresentou densidade dos pontos por km² igual a 12,1 pontos enquanto que o BD-CN igual a 1,5 pontos. Observou-se também, a semelhança entre amplitude e os valores máximos e mínimos dos dados, bem como pequena diferença entre as medianas (0,59 m).

Com relação aos MDTs gerados a partir do BD-UFRN, a validação cruzada entre os valores medidos e os valores estimados mostrou que os métodos Vizinho Natural, Krigagem, TIN, Inverso da Distância, Vizinho mais Próximo, Mínima Curvatura, Função de Base Radial e Polinômio Local apresentaram forte correlação (R²). Destes, quando comparados visualmente com a imagem apresentada em Gomes et al (2007a), os que melhor reproduziram as feições reais foram os interpoladores Vizinho Natural, Krigagem, TIN, Inverso da Distância, Vizinho mais Próximo e Mínima Curvatura. Esses também foram os interpoladores que apresentaram melhor índice de concordância (d), bem como pouca variabilidade nas

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medidas de erro MAPE e RMSE. O método interpolador que gerou melhor representatividade foi o Vizinho Natural, tendo sido adotado como Método de referência (MR).

Com relação aos MDTs gerados a partir do BD-CN, através dos 6 interpoladores com melhor representação do BD-UFRN, estes também apresentaram, na validação cruzada, fortes correlações (R²) e índices de concordância (d), como também pouca variabilidade nas medidas de erro MSAPE e RMSE.

Da análise das profundidades atribuídas aos quatro perfis representativos na malha de discretização do modelo 2DH, a partir dos MDTs, observou-se que ao longo do perfil longitudinal, ocorre uma tentativa de igualdade de representação quando os valores pertencem a um mesmo conjunto de dados (BD-UFRN ou BD-CN), existindo, no entanto diferenças na ordem de 3 a 7 m (para mais ou para menos) na região próxima ao paleocanal do rio Açu. Ao longo dos perfis transversais, as maiores diferenças nos valores de profundidade média, obtidos a partir de cada MDT, se concentraram nas maiores latitudes, onde essa profundidade aumenta com a proximidade da zona de quebra da plataforma continental, quando a profundidade ultrapassa os 200 metros.

Das aplicações feitas no capítulo 5, avaliando o MDT que apresentou melhor similaridade com o Método de Referência (Mínima Curvatura, BD-UFRN) e o MDT que demonstrou o pior relacionamento com o Método de Referência (krigagem, BD-CN), observou-se que as variações referentes aos campos de elevações são insignificantes, apresentando sempre MAPE inferior a 0,5%.

Com relação aos campos de velocidades, verificou-se MAPE entre 1,5% (Mínima Curvatura, BD-UFRN) e 17,8% (krigagem, BD-CN) para os módulos de velocidades. Em valores absolutos, a maior diferença foi de 0,137 m/s e a menor foi de -0,087 m/s, valores estes que já podem exercer certa influência nos padrões de circulação.

Quanto às variações de direção dos vetores de velocidade, constatou-se MAPE entre 0,7 (Mínima Curvatura, BD-UFRN) e 28,1 (krigagem, BD-CN). Porém, a maioria dos dados apresentou valores absolutos de variação classificados na faixa

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de -10 a +10 graus de variação em relação ao Método de Referência. Observou-se, ainda, que as maiores variações ocorreram nos momentos correspondentes as meias-marés vazantes de sizígia.

Logo, de maneira geral, pode-se afirmar que o campo de velocidades gerado pelo modelo 2DH é mais sensível a variações batimétricas oriundas de diferentes interpoladores; e que os procedimentos de coleta de dados batimétricos e de elaboração dos MDTs não devem ser dissociados do processo de modelagem.

Os principais softwares utilizados neste trabalho, o Surfer® e o SisBaHiA®, demonstraram total aplicabilidade nas tarefas de interpolação e modelagem de dados desenvolvidas, contudo, ao longo do presente estudo, foi necessário valer-se das facilidades do software Excel® para o desenvolvimento de aplicações que permitissem, de forma ágil e com apresentação visual, a comparação dos MDTs gerados, bem como comparações dos campos de velocidade e elevação, dos perfis longitudinais e das hodógrafas resultantes das modelagens. Esses aplicativos foram de grande valia e sugere-se sua incorporação ao SisBaHiA®.

A reaplicação das pesquisas aqui realizadas para o modelo 3D do SisBaHiA®, enfatizando-se a análise ao longo das camadas verticais, ou ainda, a aplicação do estudo de caso para o modelo de propagação de ondas, ficam como sugestão para o desenvolvimento de trabalhos futuros. Outros trabalhos, também, poderiam analisar o efeito de alterações arbitrárias e pontuais da batimetria, observando como ocorreria a extrapolação desses ‘erros’ nos campos de velocidades e elevação.

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