Sob um ponto de vista funcional, Aguiar e Kobashi (2013) esclarecem que a sintetização e redução da informação por meio de representações, justifica-se pelo crescimento cada vez maior de objetos informacionais que circulam socialmente. Desse modo os autores reforçam que a representação é um mecanismo indispensável para operacionalizar e garantir a eficiência funcional da recuperação
através de sistemas e instrumentos de representação e recuperação da informação. Estes aspectos são reafirmados por Gonzáles de Gomez (1993).
Hoje, a busca de uma informação que seja uma resposta pertinente e relevante às nossas perguntas requer a reconstrução de um complexo cenário onde sejam agregadas as populações de fontes e canais de informação, de modo a permitir processos seletivos, organizados e econômicos de busca e recuperação. (Gonzáles de Gomes,1993, p.1).
A esse respeito, Leiva (2012, p.64), mostra que a técnica de representação da informação, processo técnico documentário, “um conjunto de operações realizadas para a seleção, a aquisição, o registro e o tratamento dos documentos a fim de possibilitar seu armazenamento e, posterior recuperação”.
Nunes e Tálamo (2009, p.33) esclarecem que um dos desafios para os estudos do campo da representação da informação e do conhecimento é a “busca de linguagens modernas e conceitos que abranjam os temas atuais” num contexto em que é gigantesco o volume de informações produzidas diariamente. Nesse sentido Dahlberg (1979) já havia alertado para necessidade de ampliação dos estudos de sistemas de representação da informação (classificação, segundo a autora) de modo que fossem mais flexíveis de modo que se adaptassem aos novos conhecimentos.
Considerando a multiplicidade dos sistemas informatizados em rede, a interoperabilidade reforça a necessidade pela representação das informações, especialmente as digitais. Nesse sentido, Galindo (2015, p.5) ressalta sobre a capacidade de se articular em modo interoperacional as representações com o auxílio das tecnologias da inteligência que permitem ao homem alcançar alguns de seus mais significativos avanços sociais no mundo contemporâneo.
A interconexão dos espíritos por via dos seus registros exógenos potencializou as redes de alcance mundial e a expressão mais evidente de uma sociedade de trocas de conhecimento e saberes entre seres humanos no início deste milênio. Eis onde estamos agora. (GALINDO, 2015, p.5)
Desse modo, Gonzáles de Gomes (1993, p.1) afirma que as mesmas energias que estimulam e potencializam a geração e comunicação de conhecimento/informação são também responsáveis por novas formas de dispersão da informação e pela retração das forças vinculantes dos espaços e ações de comunicação.
É inegável que, na contemporaneidade, diante das tecnologias digitais da informação e da comunicação, os tradicionais meios, teorias, instrumentos e ações voltadas à representação da informação apresentam-se ineficientes frente às ambiências e multiplicidade do atual contexto, cada vez mais virtualizados e complexos. Ou como alerta LARA (2012, p.241), “buscamos, ainda, por modelos claros e seguros, mas eles não mais existem”.
Fica, então uma questão iminente: Que formas e condições, são possíveis para se pensar e investigar a representação da informação na contemporaneidade?
Os estudos sobre representação da informação demandam uma análise crítica de seus fundamentos e pressupostos, especialmente frente à nova realidade sócio-tecnológica, onde vem num crescente o entendimento de que os meios positivistas de ciência não são suficientes para dar conta da multiplicidade do mundo atual.
Diante dos autores abordados, ficou patente que a representação no contexto da CI, possui um viés instrumental e técnico, fundado em princípios racionalistas, lineares e analíticos (dividir, segmentar para reagrupar).
Nessa seção, diante do que foi analisado, fundamentado na literatura, bem como na pesquisa feita com a produção do GT2 da ANCIB, foi possível constatar que, no Brasil, considerando os estudos sobre representação da informação e do conhecimento, a Ciência da informação atribui um enfoque bem mais significativo à representação temática que à representação descritiva. A disparidade, da produção, entre Representação Temática e Representação Descritiva é bastante significativa. Os dados, aqui apresentados, suscitam uma reflexão que podem fomentar futuras pesquisas: Que fatores levam a pouca produção de trabalhos sobre representação descritiva no GT2 da ANCIB e na Ciência da Informação como um todo?
Desde suas bases teóricas os sistemas de representação da informação são trabalhados seguindo, em sua grande maioria, as estruturas aristotélicas, positivistas e pragmatistas. Que não mais atendem ao descontínuo, efêmero e transitório mundo das tecnologias digitais da informação e comunicação.
Autores brasileiros como Lara (2012), Guimarães (2013), Alvarenga (2003), Gonzáles de Gomes (1993), Campos (2004) entre outros, possuem postura crítica sobre os modos tradicionais de representação da informação e do conhecimento,
frente à complexidade do mundo contemporâneo, seja em seus aspectos teóricos, metodológicos ou aplicados. Onde debatem e prospectam o crescimento de pesquisas e ferramentas com fôlego (teórico e metodológico) para contemplarem uma representação da informação e do conhecimento melhor adaptada às ambiências culturais do mundo atual, com base teórica e instrumental mais flexíveis, que atendam ao continuum informacional9 em sua simultaneidade e diversidade,
considerando contextos sociais em suas multiplicidades.
9 Continuum informacional é compreendido aqui, a partir dos elementos do Records continuum: Abordagem desenvolvida por pesquisadores australianos em que concebem a gestão integral dos documentos (informação). Compreendendo o entorno digital e apoiando-se numa perspectiva antropológica, a gestão documental é unificada, não linear e contínua. Considerando o espaço-tempo (opera através do tempo e não no tempo) se estabelece em contextos dinâmicos em quatro dimensões, criar, capturar, organizar e pluralizar (UPWARD, 2005, p.197-222).
Todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo.
(Schopenhauer)
Neste capítulo se propõem o desenvolvimento de um itinerário filosófico, em torno da noção de representação, a partir da antiguidade ocidental partindo do pensamento de Platão, passando pela modernidade até chegar ao pensamento de Wittgenstein a fim de alcançar as discussões sobre o representacionismo e o antirepresentacionismo no capítulo cinco.
Este percurso é fundado utilizando estes pensamentos filosóficos orientados em duas direções que se seguem de modo paralelo. A primeira rota segue o caminho filosófico que serve de fundamento para o molde tradicional da representação na Ciência da Informação. A rota do segundo trajeto foi traçada sob os mesmos elementos filosóficos, contudo orientados como subsídio, para se alcançar o pensamento de Arthur Schopenhauer.
Estes dois percursos terão como ponto de convergência a análise dos aspectos filosóficos da noção de representação na Ciência da Informação à luz do pensamento Schopenhaueriano.