4. AHMET GAZİ AYHAN’IN DERLEDİĞİ VE KENDİNDEN DERLENEN
4.13. Mendilim Allanıyor
1 - Diretoria
2 - Sedes nacionais no exterior - sedes estaduais no Brasil38
3 - Sedes regionais conforme divisões no país (estado ou departamento) 4 - Sedes de micro-regiões
5 - Congregações
6 - Pontos de pregação
38 Na década de 90 a sede nacional da IPDA em São Paulo (para diferenciar da Sede Mundial) funcionava na rua
Conde de Sarzedas 185, no centro da capital paulista, com um dirigente específico: nós dirigimos por 13 meses. Porém, o dirigente para o estado de São Paulo ficava na Sede Mundial e era escolhido na reunião da diretoria.
Títulos na hierarquia da IPDA 1 - Missionário39 2 – pastores 3 – presbíteros 4 – diáconos 5 – obreiros (as) 6 – Daniéis e Anas 7 – membros
Função (posição de mando)
1 – Diretoria
2 – dirigente nacional (no exterior) 3 – dirigente estadual40
4 – dirigente regional
5 – dirigente de congregação local
6 – responsável por ponto de pregação.
Observação:
A IPDA aceita evangelistas de ambos os sexos (exemplo: irmã Lorena que viaja por todo os países a serviço da Igreja). Evangelista não tem função na hierarquia ou na posição de mando da IPDA.
1.3.1 – Os Estatutos da IPDA
Uma análise do Estatuto da IPDA mesmo que rápida chama a atenção do analista para o rigor com que se exige do fiel certas coisas. Por exemplo, no Capítulo II – Artigo 4 a IPDA estabelece que os membros devem comunicar ao seu dirigente local, sempre que tiver que se ausentar por mais do que 24 horas, seja por motivo de viagem, ou de mudança de residência. Em resumo, o responsável pela Igreja está em constante contato com seu membro. Sua mudança de endereço também precisa ser comunicada à Igreja. No entanto, entre 1989 e 2000, não nos lembramos de qualquer punição baseada nesse item do regulamento. A pessoa que é membro da IPDA é muito assídua e sua ausência, numa pequena congregação é notada imediatamente. Nesse caso, alguém vai visitá-la. Dificilmente tal aconteceria na Sede
39 Apenas Davi Miranda adotou o título de “Missionário” para si desde a fundação da IPDA.
40 No Brasil: dirigente estadual; no exterior: dirigente do estado ou departamento, conforme a divisão
Mundial, com milhares de membros nos cultos porque sua ausência não seria notada no curto prazo. De qualquer forma, o controle da freqüência é feito pelos carimbos semanais nos cultos de doutrina, nos cultos de Confraternização. O próprio membro está interessado em manter sua documentação em ordem, especialmente no culto de doutrina, sem o que não será admitido no salão para o culto da Santa Ceia.
No capítulo III, Artigo 6, sobre Contribuições, chama-nos a atenção que “a Igreja não determina o valor que seus membros deverão contribuir, nem estabelece o sistema de contribuição, sugerindo, portanto, a qualquer um que contribua da forma que se propõe, conforme consta da Bíblia”. Ora, este Artigo 6 é frontalmente desobedecido, porque, na prática, o membro tem o controle do dízimo em sua credencial, além de outros controles como será demonstrado a seguir, sem o que lhe é vedado participar da Santa Ceia, a menos que obtenha de seu dirigente uma justificativa como desemprego, doença ou viagem para fora de sua região.
No capítulo VI – Artigo 16 que dispõe sobre os ministros lemos que, dependendo das necessidades da obra, a Igreja pode consagrar ministros, conforme os princípios bíblicos. Parágrafo único – A Igreja será responsável pela manutenção dos ministros consagrados ao serviço da Igreja. Porém, a IPDA mantém dois tipos de obreiros, incluindo diáconos ou presbíteros. Uns são remunerados e outros não o são, mas cumprem com as mesmas tarefas dos remunerados. Durante os 11 anos em que servimos como obreiro e como diácono, jamais recebemos sustento da IPDA, a não ser quando em viagens evangelísticas a Londres. O critério para remunerar um oficial para trabalhar na Igreja Pentecostal “Deus é Amor” é muito complexo: em primeiro, depende do dirigente da região que vai comprovar ao dirigente estadual a necessidade de manter aquele obreiro assalariado. Em segundo lugar, a Sede Mundial vai controlar essa necessidade pelo volume de valores arrecadados em cada Igreja, cada sede regional ou estadual para decidir o número de pessoas assalariadas.
Acreditamos que essa dificuldade em se criar um clero assalariado se deve às origens carismáticas da Igreja. Aliás, a esse respeito, recordamos de Weber (1982: 284) ao afirmar que
Em contraste com qualquer tipo de organização burocrática, a estrutura carismática desconhece uma forma ou um processo ordenado de nomeação ou demissão. Ignora qualquer “carreira”, “progresso”, “salário” regulares, ou treinamento especializado e regulamentar do portador do carisma ou de seus auxiliares. Não conhece qualquer agência de controle ou recurso, bailios locais ou jurisdição funcionais exclusivas; nem abarca as instituições permanentes como nossos “departamentos” burocráticos independentes das pessoas e do carisma exclusivamente pessoal.
Como foi possível observar, há um conflito de interesses entre boas normas administrativas e as práticas de uma organização submetida a uma estrutura carismática. Uma é a exigência estatutária legal, sem a qual a organização não pode funcionar na sociedade. Outra, é a prática do líder que administra seu “negócio” segundo sua intuição e seu modo de agir; como diz o ditado popular: “há uma diferença entre a gramática e a prática”. É o que veremos no caso do “Regulamento Interno” da IPDA.
1.3.2 - Os regulamentos da IPDA
Sabemos que, quando um governo baixa uma lei, esta só entra em vigor quando da publicação e sua regulamentação. Isto nos faz lembrar dos tempos remotos do judaísmo quando conseguiram transformar o Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) em 613 preceitos. Rabbin A. Cohen (1983: 17) na Introdução de sua obra Le Talmud (O Talmude), explica que em 587 a.C. os textos bíblicos que tratavam daquela época não forneciam ensinamentos detalhados. Com isso, ele procura justificar as centenas de preceitos oriundos da tradição aplicados na leitura do Antigo Testamento. O Talmude tornou-se então uma espécie de “regulamentação da lei judaica”. De semelhante modo, o “Regulamento Interno”, conhecido como RI, é a regulamentação de parte das exigências estatutárias da Igreja “Deus é Amor” e da totalidade de suas exigências doutrinárias.
O “Regulamento Interno” da IPDA funciona como espécie de regulamentação das regras que vão da letra “A” até a letra “T”, envolvendo 100 páginas. Resumindo, chegamos à contagem de 20 capítulos, os quais englobam 285 diferentes recomendações, baseadas em incontáveis citações bíblicas, algumas bem adequadas, outras, porém, fora do contexto, além de mais sete instruções no verso da capa do “Regulamento Interno”.41 Porém, a “Credencial de Membro”, com validade até 2001 registrada no 3o. Ofício sob no. 9565, Livro A no. 5 (Diário Oficial 26/6/62), não inclui todas as recomendações ou regulamentos do RI. Quando se aproximava o 40o. aniversário da Igreja Pentecostal “Deus é Amor”, essa Igreja mandou imprimir na SBB 100 mil exemplares comemorativos da Bíblia42 A impressão é de 1999 e traz
um encarte com 31 páginas, reproduzindo o “Regulamento Interno” da IPDA, que é a reprodução fiel do regulamento que aparece na “Credencial de Membro”. Traz, ainda, um encarte do “Livreto de Corinhos”, com 64 páginas que estão conforme a última versão do
41 Por outro lado, a “Credencial de Membro”, com validade até 2001, registrada no 3o. Ofício sob o no. 5 (Diário
Oficial 26/6/62) não inclui todas as recomendações ou regulamentos do RI.
42 BIBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Trad. João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. (ARC).
“Livreto de Corinhos” em nosso poder. Essa credencial está redigida em suas 40 páginas e traz os seguintes sistemas de controle:
p.1-3: compromisso de jejuar e controle dos jejuns por mês;
p. 4-5: controle das horas em que permaneceu orando ou ouvindo o rádio no programa da “A Voz da Libertação”;
p. 6-7: freqüência nos cultos de doutrina na Sede Mundial ou administrativa ou nas cinco semanas da Sede Estadual;
p. 8-9: freqüência na Santa Ceia na sede e na Igreja43;
p. 10-11: freqüência nas confraternizações na Sede Mundial, na Sede Administrativa, na Sede Estadual e na Sede Regional;
p. 12-17: Credencial da Prosperidade – Cartão do Dízimo o qual contém 66 campos para lançamentos dos dízimos: cada campo indica a data, o valor e o visto de quem recebeu o valor. Atualmente, para concentrar os recebimentos na Sede Mundial, o dízimo dos obreiros é depositado no Banco e o comprovante enviado à Sede Mundial com o relatório mensal das entradas de cada Igreja.
p.18-38, apresentam 14 capítulos, que vão da letra B a P, englobando 107 recomendações diferentes sobre os seguintes temas: batismo, casamento, desviados, louvores, ministério oração/jejum, pecados e santificação.
Uma Igreja que surge a partir do esforço pessoal de um líder carismático tem a tendência de permanecer sob seu forte domínio, especialmente quando esse líder sente dificuldades para delegar funções, seja por uma questão de desconhecimento de técnicas de delegação de poder ou simplesmente por uma opção pessoal de sistema de governo. Por essa razão, a IPDA continua sendo, por mais de 46 anos, uma organização pessoal, vertical e familiar, centrada nas decisões pessoais de seu fundador o Missionário David Miranda. Mas teria a IPDA, fundada por DM, deixado de ser “seita” para se tornar “igreja”? Abordaremos essa questão no capítulo seguinte, sob o referencial teórico de Ernst Troeltsch, Max Weber, Lalive D’Epinay, Henri Desroche e Antonio Gouvêa Mendonça.
43 Segue a reprodução dos dizeres de uma Autorização para a Santa Ceia num papel simples, de 11 por 8 cm. em
nosso poder “Igreja Pentecostal ‘Deus é Amor’ – Sede Mundial. Autorização para Ceia. Autorizado a participar da Santa Ceia dia: (carimbo: 15 ago 1993), assinatura: Sérgio Sóra. Motivo de não ter a Carteirinha: 19 set 1993,” Neste caso, a pessoa havia esquecido a carteirinha em casa ou a havia perdido. O dirigente da Congregação ou da Igreja que conhece o membro é quem providencia ante a autoridade maior, a competente autorização. Durante a entrega dos elementos da Ceia, o membro exibe esses documentos ao diácono ou o presbítero. Aliás, esses comprovantes são exibidos já na entrada do culto de Ceia que é restrito aos membros.
1.3.3 – Estrutura de igreja ou de seita?
É difícil classificar uma denominação religiosa como sendo uma seita. Especialmente a IPDA, que provavelmente se encontra num gradiente entre os dois termos: Igreja e seita. Quando DM afirma que a sua igreja retoma a tradição da Igreja primitiva e Júlio de Santa Ana (1992: 15) fala,porém, de tradição em sua definição de igreja, ficando essa questão numa posição mais confusa ainda.
A igreja, portanto, manifesta-se por meio do respeito à tradição. A ‘seita’ (pelo menos segundo a opinião dos responsáveis pelas ‘igrejas’) rompe com a tradição.” “Por sua vez, os novos movimentos religiosos criticam as ‘instituições eclesiásticas tradicionais’ apelando igualmente para desqualificá-las.” “Apela-se, em outras palavras, à doutrina. Tanto num como no outro caso, os dogmas são decisivos para o exercício da desqualificação mútua [...] A diferença é que as novas expressões da fé consideram que as mais antigas perderam o conteúdo das crenças.
Lalive D’Epinay (1970: 14, 60, 162- 163) sustenta que
[...] o que garante este êxito do pentecostalismo é o fato de ter sabido reinterpretar e restaurar os esquemas culturais e sociais da tradição latino-americana, num período de desestruturação radical [...] se tivermos que qualificar a sociedade pentecostal, deveríamos falar de associação voluntária fortemente hierarquizada mas sem classes, na qual o poder se exerce de cima para baixo. [...] a tese que pretendemos sustentar, cujo tema já é clássico na sociologia das seitas, será a seguinte: O pentecostalismo apresenta-se como resposta religiosa comunitária ao abandono de grandes camadas da população, abandono provocado pelo caráter anômico de uma sociedade em transição. Pelas muitas exigências e punições as mais diversas para cada tipo de transgressão, fica uma dúvida sobre a classificação da IPDA como uma religião (igreja) pentecostal ou uma seita pentecostal. Antonio Gouvêa Mendonça (1984: 288-289) trabalha essa questão com grande propriedade ao escrever que a
a atitude do movimento pentecostal no que se refere à Bíblia é tão difícil de analisar quanto o é o próprio pentecostalismo. O dinamismo do movimento pentecostal é tão grande que a extensão do gradiente seita/igreja se torna de difícil compreensão. Na base inferior do gradiente encontram-se seitas tão diferenciadas quanto às suas origens institucionais eclesiais que só residualmente poderemos considerá-las cristãs. Tais são as seitas de cura divina, grandes e pequenas, em que o sincretismo com formas diversificadas de religião é muito sensível. Mas como a Bíblia está presente, não só fisicamente mas também na linguagem ritual, temos de introduzir esses grupos em nossa análise.
Mendonça (1992: 52) volta a analisar a questão em seu artigo “Sindicato de Mágicos”, onde apresenta as seguintes características dos movimentos de cura divina:
1. Características empresariais de prestação de serviços ou de oferta de bens, de religião mediante recompensa pecuniária, com modernos sistemas de administração e “marketing”. Algumas já são multinacionais;
2. Distanciamento da Bíblia, usada esporadicamente sem nenhum rigor hermenêutico ou exegético, não estando afastado o uso mágico;
3. Inexistência de comunidade. Seus freqüentadores são clientes e a relação entre a “empresa” e o “cliente” é na base do do ut des;
4. Como não há comunidade de adoração e louvor, o “culto” tem características de ajuntamento de interessados na obtenção imediata dos favores do sagrado.
Intenso ambiente de magia. Os mágicos de plantão estão a serviço da “empresa mágica” que traça normas gerais de prática, mas outorga certa margem de liberdade às características de cada uma. A respeito dessa questão podemos registrar ainda as palavras de Leonildo Campos (1997: 114) que ao resenhar o livro de Lewis Coser escreveu que:
A “seita”, do ponto de vista sociológico, é uma instituição composta de pessoas que procuram se separar do corpo social, formando um grupo limitado, exclusivo, que recusa as normas da sociedade e exige a adesão a um conjunto especial de valores e regras de condutas. Diferente de outras organizações, como igrejas e partidos políticos, as seitas exigem lealdade absoluta e recrutam uma minoria de agentes qualificados. Essas características podem ser encontradas tanto em grupos religiosos como em políticos e intelectuais. A seita sustenta uma moral de extremos e recusa a tolerância, a vacilação e até mesmo a dúvida para os seus membros. Campos (1996: 21) aborda o conceito de “seita” e “igreja”, afirmando que esses conceitos, “a despeito de terem sido inicialmente empregados conforme procedimentos acadêmicos, logo se tornaram conceitos-armas, ou melhor, instrumentos de luta, usados para desmascarar os fenômenos religiosos não assimiláveis dentro das fronteiras estabelecidas pela ortodoxia das instituições religiosas.” Para esse autor é bom “reconhecer que a linguagem atual se encontra eivada de usos ideológicos e políticos do gradiente ‘seita-igreja’, quase sempre empregados para expressar preconceitos e posicionamentos políticos incompatíveis com a análise científica” (Ibidem). Estamos diante de um conceito descartável? Há outros que o mantém muito mais por falta de opções conceituais do seu uso.
O emprego desses termos vem desde as obras de Ernst Troeltsch (1960:723) e Max Weber (2006: 36, 138; 1982: 347ss). Para Troeltsch, além dos tipos de “seita” e “igreja” há também o tipo “misticismo” e, eles têm as seguintes características:
As duas formas sociológicas dos tipos de seitas, a ordem religiosa e a associação voluntária, estão aqui combinadas; ao mesmo tempo são elásticas para recepção e aumento de membros, sem, contudo, permitir que desapareça a oposição ao pietismo popular característico de igreja. Batismo infantil é, na realidade, substituído pela experiência do Novo Nascimento, que está ligado à conversão e seu reconhecimento para admissão na Sociedade. Nada foi alterado no dogma da Igreja, seu caráter sobrenatural foi somente intensificado, e seu significado geral foi acrescentado na conversão e na sua pressuposição, e em santificação com seus resultados celestiais. A continuidade da Igreja foi levada em conta, apesar de que seu espírito foi deixado de lado. Isso necessariamente levou a uma separação externa, e na própria Inglaterra em geral.
Quando essa separação e independência foi conseguida, o Metodismo passou pela mesma experiência que atingiu batistas, moravianos e quakers.44
Para Troeltsch, o Metodismo em suas diferentes divisões abrangia cerca de 30 milhões de fiéis. No entanto, o Metodismo estava cada vez mais abandonando o caráter de oposição ao mundo e à cultura, deixando de ser seita para se tornar igreja. H. Richard Niebuhr (1992: 19) propõe outra forma de classificação ao escrever sobre as origens sociais das denominações cristãs:
Nas origens da diferenciação teológica observamos a presença de importante elemento. Max Weber e Ernst Troeltsch demonstraram quão importantes são as diferenças na estrutura sociológica dos grupos religiosos para a determinação de suas doutrinas. A distinção entre Igreja e seita é a principal. A primeira constitui um grupo social natural semelhante à família ou nação; a outra é uma associação voluntária. A diferença é clara. Os membros da Igreja nascem nela; os membros da seita devem aderir a ela. As igrejas são instituições inclusivas, freqüentemente de âmbito nacional e acentuam o universalismo do Evangelho; as seitas são de caráter exclusivo, apelam para elementos individualistas do cristianismo e ressaltam as exigências éticas. Numa Igreja, a condição de membro é socialmente obrigatória em conseqüência natural do nascimento numa família ou nação, e não privilegia condições e exigências especiais; a seita, por outro lado, provavelmente exija algum tipo de experiência religiosa como pré-requisito para filiação.
Segundo Troeltsch, (1960: 714) a raiz do pensamento de uma seita está no pietismo porque “falando de forma geral, pietismo simplesmente representa o ideal sectário dentro das igrejas, restrito e controlado pelo pensamento fundamental da igreja. Isso aparece continuamente através da História da Igreja”. Nesse contexto, precisamos rever o que Troeltsch entende e quer afirmar com a expressão “pensamento fundamental da igreja”. Como sabemos, as igrejas têm suas doutrinas e seus dogmas como seus fundamentos; mas ser fundamentalista parece termo pejorativo por remeter a um extremado rigor na observância dos preceitos doutrinários. Não se trata aqui, da expressão fundamentals cunhada pelos norte- americanos quando da eclosão dos fundamentalistas que originaram, a partir dos batistas.
Procurando aplicar esses conceitos de Troeltsch à forma de ser da IPDA, notamos que há muitas semelhanças entre o denominacionalismo da IPDA com a Igreja Católica Romana, bem como com o pietismo, que em suas variadas formas permeia toda a religião cristã. Apesar disso, Niebuhr (1992: 21) sustenta que
os males do denominacionalismo não estão, no entanto, nas diferenças entre igrejas e seitas. Ao contrário, o surgimento de novas seitas empenhadas em advogar a ética sem concessões de Jesus e em ‘pregar o Evangelho aos pobres’ tem servido para levar o cristianismo a se lembrar de sua missão. Esta fase da história denominacional deve ser considerada salutar a despeito da quebra de unidade que representa.
Uma das características da IPDA que parece identificá-la como seita é a que impede seus fiéis de pegarem em armas, em quaisquer que sejam suas atividades: segurança particular, polícia militar ou soldado do exército. Para tanto, só batizam o homem quando está quite com o serviço militar para que não haja conflito de autoridade; ou seja, a IPDA não aceita o membro armado, e o Exército Brasileiro não aceita o cidadão insubmisso. Esse comportamento parece confirmar o que Troeltsch (1960:331) escreve sobre seitas: “O ascetismo das seitas é uma forma de se separar do mundo, recusando leis, juramento na justiça, participar de guerra”.
Henri Desroche (1985:13) comenta sobre a teologia dos protestantes dissidentes que originaram várias seitas quando escreve que “a esperança de Lutero e a teologia que a acompanha não é a de Thomas Münzer...” Conforme Troeltsch, as idéias de Münzer estavam ligadas ao fanatismo de Zwickau. Mais adiante escreve Troeltsch (1960: 754): “Münzer representa um reavivamento das idéias místicas combinadas com as idéias revolucionárias fanáticas Hussita e Taborita [...] Os assim chamados “Fanáticos de Zwickau estão também ligados com Münzer através de sua residência em Zwickau”. Não é sem razão que Weber vai escrever: “...a prova de milagres era exigida de todos os profetas como os habitantes de Zwickau ainda a exigiram de Lutero (Weber, 1978: 25).
Troeltsch (1960: 694; 719; 725; 691-805), classifica uma infinidade de movimentos sectários dentro do protestantismo em seu capítulo 4 intitulado “O tipo de seita e misticismo dentro do protestantismo”. Como exemplo, o autor relaciona: batistas e reformadores; morávios; Exército da Salvação e Adventistas; seguindo-se muitas outras referências a seitas. Em sua crítica ao sectarismo e, na mesma linha de pensamento e de abordagem dos demais estudiosos do assunto, (Troeltsch: 1012) expõe as características do tipo seita.
Por outro lado, pela sua fria austeridade, sua visão restrita e concreta, seu zelo proselitista e suas características puritanas sem arte (sem sentido nosso grifo) ela é oposta a todos os