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“MENŞELİ ÜRÜNLER” KAVRAMININ TANIMI Madde 2

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Os padrões de urbanização, o crescimento populacional e a própria organização físico-espacial da Região Metropolitana de Campinas, são conseqüências do próprio modelo de desenvolvimento econômico periférico e excludente adotado pelo Brasil, particularmente dos anos de 50 a 80. Assim, nesse período o crescimento elevado do PIB, resultado de um processo intenso de industrialização, tivemos o aparecimento e crescimento de um mercado interno. Isso gerou um deslocamento acelerado de populações dos mais diversos lugares do país em direção às novas áreas urbanas, fazendo com que as cidades que integraram esse processo tivessem um crescimento intenso e desordenado, mas que gerou entre as diversas cidades uma rede urbana significativa e integrada.

Esgotadas as possibilidades do “milagre” econômico brasileiro esse dinamismo entra em colapso, provocando desemprego, ampliação do setor informal e deteriorização das relações de trabalho.

A partir da década de 80 já tínhamos algumas grandes concentrações espaciais da população, originando “inchamentos urbanos”46 acentuados, o que

46 Consideramos “inchamento urbano” o fenômeno gerado pelo crescimento populacional da cidade sem o correspondente e proporcional aumento dos equipamentos urbanos colocados à disposição da população em geral.

Mapa 4 – Região Metropolitana de Campinas e municípios vizinhos

provocou uma deteriorização da qualidade de vida, mesmo nas cidades mais ricas (Campinas, por exemplo).

A própria legislação que regulamenta a expansão urbana e o uso do solo metropolitano, quase sempre exageradamente detalhista, não foi suficiente para coibir a expansão irresponsável das periferias urbanas. O próprio Poder Legislativo

concede anistia aos imóveis ilegais ___desde que não sejam em áreas valorizadas,

de entidades ou pessoas proeminentes da sociedade quando, então, o processo de desocupação é rápido e eficiente___, indiferentes à Lei Federal nº. 6766/79, que

apareceu para coibir e punir os autores de loteamentos irregulares. Notabilizou-se a atuação do próprio poder público, construindo conjuntos de habitações populares nas áreas periféricas desassistidas de infraestrutura básica.

As crises econômicas dos últimos 15 anos apenas agravaram a situação já precária dos mais pobres, obrigando-os a efetuarem uma “favelização” nos grandes centros urbanos. Na própria Região Metropolitana de Campinas vamos perceber esse problema, particularmente na própria cidade de Campinas, que é um dos centros de favelização mais importantes do Estado de São Paulo.

Evidentemente, e isso é confirmado pelos dados, apesar de toda a riqueza processada na Região Metropolitana de Campinas, encontramos um índice bastante elevado de pessoas que não tem onde morar ou moram em subhabitações. “Há 97

mil famílias na região metropolitana de Campinas (RMC) que não têm onde morar ou que vivem em residências inadequadas. O número representa 14,3% do total de 676 mil famílias que moram nas 19 cidades da região” (Farias, 2004b: C1).

O processo que engendrou o capitalismo da Região Metropolitana, além de uma população rica e educada, originou um grande contingente de pessoas vítimas de uma grande desigualdade social, contraste notado particularmente nos bairros formadores da periferia mais pobre, ou seja: Campo Belo, Outro Verde, Jardim Campineiro, Vila (Rua) Moscou e Parque Oziel, que representam a face feia e desconsiderada pelo grande desenvolvimento da Região, o que gera problemas na distribuição superficial da população, concentrada nas áreas de baixo valor econômico, em grandes bairros periféricos pobres, favelas em várzeas de rios e córregos constantemente alagados por ocasião das épocas de chuvas.

O município de Campinas tem apresentado uma tendência, nos últimos 25 anos, de um crescimento populacional menor que as outras áreas da Região Metropolitana. A partir da década de 80, com a migração de mão-de-obra não- qualificada para outros municípios vizinhos, a participação relativa da população do

município sede “cai de 47,22% no período anterior, para 41,28%, enquanto o

Município de Sumaré eleva a sua participação relativa de 7,24% para 11,14% do total da região” (Caiado, 1998: 467). Isto se prende ao fato de que, com a

especialização de Campinas em trabalhos de alta tecnologia, a mão de obra é altamente selecionada e restritiva, privilegiando os profissionais de nível superior e de sofisticada formação tecnológica.

Foi a partir da década de 70 que se iniciou o “esvaziamento” do centro da cidade de Campinas com uma crescente tendência de horizontalização e conseqüente periferização das áreas ocupadas pela população, além de um crescente número de pessoas que optava por morar nas cidades limítrofes, graças a uma melhoria crescente dos transportes urbanos, originando, em alguns casos, verdadeiras conurbações. Assim:

“Esse padrão de ocupação urbana consolidou-se principalmente no vetor sudoeste

de expansão da cidade, configurando as áreas situadas além da Rodovia Anhanguera, na direção dos Municípios de Sumaré, Hortolândia, Monte-Mor e Indaiatuba. No período 80/91 os Municípios de Sumaré (incluído Hortolândia) e Monte-Mor apresentaram uma das maiores taxas de crescimento da região. O então distrito de Hortolândia apresentou a densidade mais elevada da região, com 1646,37 hab/km2, seguido pelos Municípios de Americana, Campinas e Sumaré, com respectivamente, 990,15, 950,66 e 943,72 hab/km2” (Caiado, 1998: 467). A Região Metropolitana de Campinas sofreu intensamente todos esses processos, pelo fato de transformar-se rapidamente no terceiro parque industrial do país, logo depois da Grande São Paulo e da Grande Rio de Janeiro.

Aproveitando incentivos governamentais das décadas de 70/80 as indústrias se concentraram particularmente no eixo formado pelas grandes rodovias, originando conurbações entre os municípios de Campinas, Valinhos, Vinhedo, Monte Mor, Sumaré, Hortolândia, Indaiatuba, Paulínia, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Americana, seguindo a Rodovia Anhangüera, que liga a Grande São Paulo ao interior do estado, gênese da própria Região Metropolitana de Campinas.

É nesse período que destacamos o crescimento de cidades como Sumaré, Nova Odessa e Santa Bárbara D’Oeste. “Na verdade o Município de

Sumaré, principalmente no que diz respeito ao então distrito de Hortolândia, emancipado em 1991, apresenta características de periferia, abrigando a população de mais baixa renda, que na sua grande maioria trabalha em Campinas. Nova Odessa e Santa Bárbara D’Oeste por sua vez, assumem também o papel de periferia de Americana, considerado o segundo centro da Região, apresentando, como Sumaré, altas taxas de crescimento do saldo migratório” (Caiado: 1998: 466).

A partir da década de 90, devido à própria crise econômica brasileira, o município de Campinas começa a sofrer uma descentralização industrial e populacional em direção à periferia, provocando uma articulação bastante intensa entre os setores produtivos de Campinas e os municípios conurbados vizinhos. Mesmo a implantação do Distrito Industrial de Campinas, a abertura do Aeroporto de Viracopos e o desenvolvimento de vários conjuntos habitacionais instalados pelas COHABs em Campinas, não conseguiu provocar uma reversão dessa tendência, determinando apenas uma estabilização do fluxo populacional.

A via Anhanguera constituiu-se no eixo principal de ocupação da região, modificando completamente a vida e o cotidiano das populações por onde ele se desloca, especialmente concentrando a população entre Vinhedo e Americana como uma faixa quase contínua. Ele configura a economia e o mercado de trabalho na região, especialmente concentrando a população mais pobre nas proximidades de Hortolândia, Sumaré e Monte-Mor. As populações de melhor poder aquisitivo acabam por se posicionar nas regiões mais valorizadas de Valinhos e Vinhedo, com grandes condomínios fechados. Já os municípios de Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Nova Odessa, ainda no eixo Anhangüera, destacam-se como uma área têxtil. Paulínia, Jaguariúna e Mogi-Mirim aparecem como áreas em franca conurbação. “Os Municípios de Artur Nogueira, Engenheiro Coelho (emancipado de

Artur Nogueira em dezembro 1991), Santo Antônio de Posse, Pedreira e Jaguariúna, apesar de manterem estreitas relações de interdependência com Campinas, não se encontram conurbados, apresentando um processo de desenvolvimento econômico diferenciado do eixo da Anhanguera” (Caiado: 1998: 469-470).

Como resultado desse processo de crescimento econômico e populacional a região começa a apresentar um dinamismo comercial intenso, especialmente a partir da abertura da Rodovia D. Pedro I, a implantação de vários estabelecimentos comerciais de abrangência regional, (Makro, Carrefour, Shoppings Iguatemi e Galeria, entre outros) a instalação da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, do Campus I da PUC-Campinas, a instalação do Pólo de Alta Tecnologia do CIATEC (Pólo I), da Refinaria do Planalto – REPLAN e do Pólo Petroquímico a ela associado, instalados no Município de Paulínia, provocando um extraordinário crescimento da arrecadação dessas cidades, particularmente desta última.

É nesse processo que vamos perceber uma acentuação do “inchamento

urbano” das cidades sedes municipais, agravando os problemas sociais,

desordenadas nas periferias urbanas, já que não havia uma legislação específica para organizar o parcelamento e ocupação do solo urbano. Isso acontecia mesmo em cidades que se anteciparam à legislação federal sobre o tema, que viria posteriormente, como é o caso de Campinas (a Lei de Parcelamento do Solo de Campinas foi aprovada em 1959).

Hoje, a cidade de Campinas tem sua urbanização bem diversificada, com grandes ocupações e favelas, mas destacam-se também áreas de urbanização consolidada e adensada, onde despontam as atividades comerciais, de serviços e institucionais, e o uso residencial de médio e alto padrão. Nas regiões dos distritos de Sousa e Joaquim Egídio vamos encontrar ainda amplas áreas desocupadas, produto de especulação imobiliária para instalação de condomínios de alto padrão.

3. A violência e a criminalidade na Região

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Benzer Belgeler