O processo de envelhecimento torna a pessoa idosa mais vulnerável às infeções, o que associado às suas grandes síndromes, à fragilidade do seu sistema imunitário, às doenças crónicas e à polimedicação, realça a importância da problemática em estudo.
O cuidado à pessoa idosa e família impõe um conhecimento sobre as mesmas que dá relevo ao papel do enfermeiro especialista na área. Apenas o enfermeiro que possui conhecimentos acerca do processo de envelhecimento e o encara como algo individual, poderá estar atento às necessidades da pessoa idosa, suas potencialidades e projetos de vida, sabendo avaliá-la em todas as suas dimensões e assim estabelecer intervenções junto da mesma.
Sendo que a ITU é a infeção mais frequente entre os idosos, urge repensar práticas e olhar para o idoso como agente do seu autocuidado, estimulando-o ao máximo, na procura do seu bem-estar.
É fundamental que o enfermeiro especialista na pessoa idosa seja um modelo de boas práticas e responsável pela educação dos restantes pares e elementos da equipa de saúde, nomeadamente, despertando-os para a particularidade dos sinais e sintomas de ITU na pessoa idosa e evitando a sua algaliação ou promovendo a desalgaliação precoce.
A implementação deste projeto para prevenção da CAUTI na pessoa idosa, indo ao encontro de problemáticas atuais e sensíveis aos cuidados de enfermagem, será certamente para manter no meu contexto de trabalho, onde desenvolvi o ensino clínico.
Considero que neste processo fui e serei o elemento impulsionador do projeto e da mudança de práticas na equipa de enfermagem, relativamente a esta temática. Contudo, e os resultados obtidos nas auditorias às práticas dos enfermeiros traduzem este facto, julgo que cerca de dois meses (o tempo em que foi implementado o projeto) são insuficientes para uma mudança radical e efetiva das práticas.
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Apesar dos resultados das auditorias efetuadas traduzirem uma mudança pouco significativa, relativamente às minhas expetativas, na prática dos enfermeiros, não faço a sua leitura como um fracasso na implementação do projeto, considerando que a grande mensagem que pretendia passar “refletir sobre a indicação da algaliação na pessoa idosa e promover a desalgaliação precoce” foi apreendida pela equipa. Assim, podem-se evitar/minimizar as ITU associadas à algaliação na pessoa idosa e portanto contribuir para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem prestados.
Se implementar o projeto no local de trabalho parecia inicialmente ser um aspeto positivo e favorável ao seu desenvolvimento, atualmente considero que este facto foi prejudicial à sua implementação. Por um lado, porque alguns colegas não compreenderam a mudança de estatuto que se me imponha nestas condições (ora estudante, ora enfermeira), sendo mais difícil aceitar as orientações para uma mudança de práticas, ainda que fundamentadas na evidência científica.
Por outro lado, o facto de ser enfermeira no serviço levou a que em dias de estágio sentisse “obrigação” de ajudar os colegas nas suas atividades diárias, sobretudo em turnos caóticos e sobrecarregados de trabalho, deixando para trás algumas atividades no âmbito do projeto, como por exemplo, desenvolver um pouco mais a avaliação multidimensional de pessoa idosa. Esta é um dos aspetos que considero ainda necessitar de desenvolver na minha prática diária, pois os turnos dedicados exclusivamente à prestação de cuidados foram insuficientes para me sentir à vontade na aplicação dos instrumentos.
A implementação do projeto permitiu-me concluir que a checklist criada para monitorizar diariamente a necessidade de algaliação na pessoa idosa e os cuidados de manutenção ao cateter vesical terá que ser abandonada no futuro. Perceciono-a como uma sobrecarga de trabalho para a equipa de enfermagem, também sentida por mim enquanto enfermeira do serviço, em que os enfermeiros podem assumir cuidados que não prestam (como foi visível nos resultados das auditorias, em que apenas 33% dos enfermeiros fixaram a algália, mas analisando as checklist´s essa percentagem duplicou),
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reconhecendo contudo, a sua utilidade em refletir práticas na prevenção e controlo da CAUTI.
Neste sentido, atendendo aos lembretes virtuais para a desalgaliação precoce, emergentes da revisão da literatura, solucionei que futuramente será parametrizado na SAPE da cirurgia geral a intervenção de enfermagem: “remover cateter urinário”, associada à atitude terapêutica algaliação, que deverá ser programada em turno fixo (manhã), obrigando o enfermeiro a conhecer a razão pela qual o doente se encontra algaliado. Esta nova estratégia foi apresentada à chefia e aos colegas, tendo sido aceite pelos mesmos, constando já da norma de serviço para prevenção da CAUTI.
Futuramente considero pertinente envolver a equipa médica do serviço na implementação do projeto, sendo que enquanto membro dinamizador do GCLPPCIRA no serviço, poderei articular com os elementos médicos dinamizadores e investir nesta problemática, evitando sempre que possível a algaliação e quem sabe elaborar um protocolo para remoção da algália, que Mori (2014) demonstrou ser eficaz na prevenção da CAUTI.
Ainda perspetivando o futuro e atendendo ao facto de que grande parte dos doentes da cirurgia geral são algaliados com calibres acima do indicado noutros serviços, nomeadamente no bloco operatório e urgência geral, será pertinente reunir com os enfermeiros membros dinamizadores do GCLPPCIRA dos respetivos serviço/chefias e intervir no sentido de algaliar os doentes com o calibre recomendado.
Analisando todo o percurso efetuado neste ensino clínico, considero que atingi os objetivos propostos, tendo cumprido atempadamente as atividades planeadas, que foram sem dúvida fundamentais para o desenvolvimento de competências de mestre e enfermeiro especialista na área médico-cirúrgica, nomeadamente na pessoa idosa e especificamente na prevenção da CAUTI. Para tal, dou ainda ênfase ao ensino clínico na ECCI, que permitiu contactar com uma realidade totalmente diferente da que vivencio diariamente e valorizar a intervenção do enfermeiro da comunidade junto da pessoa idosa e sua família.
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