A sustentabilidade e a competitividade mercadológica da fruticultura nordestina, a exemplo das demais atividades econômicas, serão decididas nas áreas da tecnologia de produção, processo e gestão, assistência técnica com qualidade e capacitação de recursos humanos focada, portando, na visão sistêmica do agronegócio de cada fruta.
6.3.7.1 - Ocorrência de instituição de pesquisa
A existência de um centro de pesquisa instalado no município/ região não significa que os problemas inerentes à cadeia de produção das frutas sejam solucionados com tempestividade. Convém, ainda, levar em consideração a disponibilidade (por parte da instituição de pesquisa) de recursos financeiros suficientes, adequados e oportunos, além da quantidade e qualidade da equipe de pesquisadores.
TABELA 19 - Ocorrência de Instituições de pesquisa no município/região por grupo de produtores
Discriminação Grupo A Grupo C
Nordeste Pólo Nordeste Pólo
Sim 49,59% 95,65% 52,97% 77,27%
Não 50,41% 4,35% 46,61% 18,18%
Não informado 0,00% 0,00% 0,00% 4,55%
Total 100% 100,00% 100,00% 100,00%
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
Verifica-se que, no Grupo C, menos produtores conhecem as instituições de pesquisa da região. Entretanto, comparando-se com todo o Nordeste, os produtores do Pólo têm maior conhecimento sobre a presença destas instituições.
6.3.7.2 - Solução dos problemas pelos órgãos de pesquisa
Quando se considera a efetividade da solução dos problemas por parte das instituições de pesquisa, é forte a crítica dos produtores do Pólo. Entretanto, levando em conta todo o Nordeste, 41% dos componentes do Grupo A, e 62% do Grupo C, indicam que os órgãos de pesquisa não trazem soluções. No Pólo, a
crítica está direcionada, predominantemente, ao fator da lentidão do processo e seus resultados e indicadores, como pode ser verificado na Tabela 20.
TABELA 20 – Solução dos problemas do fruticultor por grupo de produtor pelos órgãos de pesquisas governamentais
Discriminação Grupo A Grupo C
Nordeste Pólo Nordeste Pólo
Tempestividade 15% 30,43% 4% 0,00%
Lentidão 44% 56,52% 32% 68,18%
Sem solução 41% 8,70% 62% 31,82%
Não informado 0,00% 4,35% 0,00% 0,00%
Total 100% 100,00% 100,00% 100,00%
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
Em que pese a tais questionamentos, espera-se que as possibilidades de êxito da fruticultura nordestina, cuja exploração se localiza no município ou região onde está instalada a área física da pesquisa de campo, sejam maiores do que nas regiões bem mais distantes dessas estações experimentais.
Ao longo dos anos, constatou-se que o desenvolvimento de tecnologias modernas, geradas e adaptadas nos órgãos de pesquisa, tem sido muito direcionado aos grupos de fruticultores com maior poder de pressão, ou seja, aqueles mais estruturados econômica e politicamente para terem acesso a conhecimentos, informações de capital (financeiro e terra).
Ademais, pelo fato de os pequenos produtores de frutas no Nordeste não estarem efetivamente organizados, as inovações tecnológicas por mais simples que seja a sua absorção e de baixo custo, não chegam a essa categoria de produtor. A mesma desorganização é responsável, em parte, por não chegarem aos órgãos de pesquisa as demandas tecnológicas dos pequenos produtores.
6.3.8 - Acesso às informações
O acesso às informações relativas à fruticultura através dos meios de comunicação (jornais, revistas, rádio, televisão etc.) foi considerado um indicador de avaliação do nível de conhecimento do fruticultor e suas organizações, que poderá resultar na mudança de paradigma no planejamento agrícola e gerenciamento de suas atividades.
Com a globalização da economia, um fluxo contínuo e consistente de informações tornou-se um dos instrumentos básicos para orientar as decisões do produtor e suas organizações e do poder público, bem como para induzir mudanças visando dar continuidade ao desenvolvimento da fruticultura no Nordeste, em base de elevada competitividade. E, ademais, existe consenso entre os gerentes de perímetro irrigado de que produtores desinformados e com baixos níveis de informações serão banidos do mercado das frutas, porque não têm competitividade tecnológica, de gestão comercial e ambiental.
Assim, a desinformação do fruticultor resulta na redução do poder de barganha do produtor de frutas e mantém elevado o do comprador, por força da assimetria de informações sobre preço, tecnologia, demanda por fruta, tendência de mercado, dentre outros aspectos. Em resumo, esse é um dos grandes diferenciais de “competitividade” entre quem dispõe e quem não dispõe de informações atualizadas de preço e mercado.
TABELA 21 - Formas de aquisição de conhecimento do fruticultor por grupo de produtores
Discriminação Grupo A Grupo C
NE POLO NE POLO
Jornal 20,66 47,83 4,66 9,09
Revista 38,02 69,57 19,49 27,27
Televisão 55,37 69,57 46,61 63,64
Rádio 16,53 52,17 15,68 27,27
Comparativamente à região Nordeste, os produtores do Pólo têm maior acesso às informações. Entre as classes, destaca-se o Grupo A como o de maior interesse na aquisição de conhecimento pelos meios de comunicação.
Em termos de absorção das informações, a sua intensidade vai depender, é claro, do grau de escolaridade de cada fruticultor. Durante a realização da pesquisa de campo apurou-se que todos os fruticultores do grupo A têm acesso às principais fontes de conhecimento (jornal, revista, rádio e televisão), alguns deles a mais de uma fonte. Já entre os fruticultores do grupo C, quase 15% do total não tinha acesso a nenhuma fonte de conhecimento.
A televisão e a revista ocupam as duas primeiras colocações no elenco das principais fontes de conhecimento dos fruticultores nordestinos em ambos os grupos. Mas há uma distinção marcante: a participação relativa dos meios de informação que exigem leitura (jornais e revistas) é maior no grupo A; a participação relativa dos meios de informação de massa, que não exigem leitura, é maior no grupo C, o que, com certeza, relaciona-se com as diferenças já reportadas de nível educacional dos dois grupos.
A televisão destaca-se como a fonte de conhecimento mais importante para os fruticultores dos dois grupos, já que praticamente todas as áreas de concentração de frutas no Nordeste contam com energia elétrica e as principais redes de telecomunicações estão presentes nos Estados nordestinos.
Mas cabe investigar se o conteúdo das notícias divulgadas é, de fato, o que mais interessa aos fruticultores.
Os números sobre a forma de difusão do conhecimento entre os fruticultores nos remetem à adoção da TV e revista como os principais meios de comunicação a serem adotados em uma política voltada à difusão de novas tecnologias ou conhecimentos mercadológicos entre os fruticultores.
6.3.9 - Participação do fruticultor na elaboração de seu projeto produtivo
A participação efetiva dos fruticultores na discussão de seus projetos produtivos com a assistência técnica é uma variável fundamental para legitimar o planejamento agrícola e de mercado, além de evitar a elaboração de projetos em
pacotes pelos prestadores de assistência técnica, sem nenhum envolvimento do produtor.
No caso dos pequenos produtores, a participação efetiva na discussão dos projetos torna-se menor que as demais categorias, conseqüência de sua baixa escolaridade, acesso limitado a informações tecnológicas e de mercado, ficando eles sob a orientação exclusiva da assistência técnica.
Um projeto bem concebido que leve em consideração os meios disponíveis e tidos como essenciais para a geração dos benefícios sociais, econômicos e ambientais esperados, parece-nos o instrumento a ser perseguido pelos prestadores de assistência técnica. É fundamental que o relacionamento com o produtor se dê antes, durante e após a elaboração dos projetos dos fruticultores.
O Pólo também se apresenta acima da média da região Nordeste com relação ao aspecto participação do produtor na elaboração do projeto. Comparando- se os grupos extremos de classificação, aqueles pertencentes ao Grupo A estiveram mais presentes à elaboração do projeto.
TABELA 22 – Participação do fruticultor na elaboração do projeto por grupo de produtores na região Nordeste e no Pólo
Discriminação Grupo A Grupo C
NE PÓLO NE PÓLO Elevada 41,32 69,57 16,1 40,91 Média 28,93 21,74 33,9 22,73 Pequena 9,92 8,7 21,61 27,27 Nenhuma 9,92 0 18,64 9,09 Não informado 9,92 0 9,75 0
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
Os níveis de participação relativa elevada e média do fruticultor nordestino na elaboração dos projetos de fruticultura somam, conjuntamente, 70,2% no grupo A contra 50% no grupo C (Tabela 22). Complementarmente, observa-se que a relação entre os grupos C e A, levando em consideração os níveis de participação na elaboração do projeto pequena e nenhuma foi duas vezes maior no primeiro grupo.
O Pólo também se apresenta acima da média da região Nordeste com relação ao aspecto participação do produtor na elaboração do projeto. Comparando- se os grupos extremos de classificação, aqueles pertencentes ao Grupo A estiveram mais presentes à elaboração do projeto.
Cabe ressaltar que os projetos impostos de cima para baixo, elaborados em série, por mais simples que seja sua implantação, com vistas a atender o maior número de fruticultores com tempestividade e menor custo, é uma medida equivocada. Tais projetos não são legitimados pelo produtor e suas organizações. Ademais, os projetos elaborados em pacotes podem implicar o descumprimento dos princípios básicos do crédito rural, principalmente quanto à suficiência e adequação dos recursos financeiros, dentre outros fatores.
6.4 – Variáveis de Integração com os Meios Agroecológico e Socioeconômico
6.4.1 - Diversificação da produção
A despeito do potencial da fruticultura do Nordeste em diversificar as suas culturas, constata-se que a banana e a manga são as culturas que apresentam maiores áreas de produção. Esse é um fator que causa preocupação, tanto em face da dimensão atual da área cultivada, como também pela oferta de grandes volumes que, na maioria das vezes, são maiores que a demanda existente. Ademais, convém registrar que a concentração da produção de frutas em uma única espécie frutífera é um dos fatores responsável pela desorganização do mercado, no tocante à oferta e demanda dessas frutas, que poderia ser viabilizada pelo estabelecimento de uma política de cotas de produção por área produtora e entre os fruticultores de uma mesma área de produção.
Por outro lado, há de ser considerado, ainda, o fato de que na cultura irrigada, pode-se controlar além das quantidades desejadas, os períodos de colheita e comercialização. Relativamente ao período de colheita, é possível evitar a oferta de produtos de forma coincidente com outros centros produtivos, o que alteraria sensivelmente a expectativa de receita, pois como dito, a oferta excessiva implica na queda de preços.
Evidentemente, não há de ser considerada nessa hipótese as comodities de base econômica comprovada, de baixa perecibilidade, dentre outros aspectos, como no caso de açúcar e café, por exemplo.
A sazonalidade da produção de frutas com maior intensidade na fruticultura de sequeiro significa instabilidade nos preços, incrementos nos custos de estocagem de matérias-primas pelas agroindústrias e aumento da capacidade ociosa das unidades fabris no período de entressafra, por conseqüente, na elevação do desemprego no meio rural.
A abertura econômica e os avanços tecnológicos da produção de frutas no Nordeste, a exemplo da rede de frios, indução floral, criação de variedades precoces, de alguma forma têm contribuído para a redução da amplitude da curva de sazonalidade das frutas nordestinas. Criaram-se condições adequadas para as exportações das frutas frescas nordestinas centradas, sobretudo, nas janelas dos mercados dos Estados Unidos e da Europa.
A diversificação da fruticultura, principalmente usando fruteiras de famílias ou espécies diferentes, é uma prática bastante recomendada com vistas à redução da incidência de pragas e doenças e à minimização dos riscos de mercado e climático, dentre outros aspectos.
GRÁFICO 11 – Comparativo entre os grupos A e C quanto a diversificação da fruticultura no Pólo Petrolina-Juazeiro
Fonte: Pesquisa Autor
TABELA 23 – Comparativo entre a região Nordeste e o Pólo quanto a diversificação da fruticultura por grupo de produtores.
Discriminação Grupo A Grupo C
Nordeste Pólo Nordeste Pólo
0 fruta 0,00% 0,00% 9,75% 4,55%
1 fruta 51,24% 30,43% 51,27% 27,27%
2 frutas 25,62% 43,48% 25,85% 54,55%
3 frutas ou mais 23,14% 26,09% 13,14% 13,64%
Total 100,00% 100,00% 100,00%% 100,00%
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
Comparativamente ao Nordeste, o Pólo apresenta maior diversificação produtiva, com maior percentual de 2 ou mais frutas, relevando-se manga, uva, coco e goiaba. Para os componentes do Grupo A, a diversificação é maior com relação ao Grupo C.
Vê-se, também na Tabela 23, que quase 10% do total dos fruticultores do grupo C erradicaram suas fruteiras. Recorde-se que os produtores nessa situação foram incluídos nesse grupo por força da metodologia adotada.
Ademais, apurou-se, durante a pesquisa de campo, que uma parcela deles abandonou totalmente as atividades agropecuárias ou redirecionou seus negócios para outras explorações agrícolas, mediante a exclusão da fruticultura de suas linhas de produção.
A diversificação, pelo visto, ajuda a explicar a diferenciação dos grupos. Com relação aos fruticultores que lidam com apenas uma ou duas fruteiras, praticamente não há diferença entre as participações relativas nos grupos A e C. Contudo, na faixa de 3 frutas ou mais, o grupo A, superou o grupo C nas duas regiões.
6.4.2 - Adoção de práticas ambientais
O aproveitamento racional dos recursos naturais de solo, água e vegetação se apresentam como condicionantes para a instauração de um processo de desenvolvimento econômico sustentável da atividade frutícola.
6.4.2.1 - Preservação da faixa com vegetação nativa
Essa prática agrícola tem a finalidade básica de servir de proteção contra a ação nociva de ventos fortes evitando, portanto, o tombamento das plantas e elevando a eficiência da irrigação. Sua finalidade é de servir também de barreira ao ataque de pragas e doenças, pois constitui o habitat dos inimigos naturais desses insetos e microorganismos das fruteiras.
TABELA 24 – Adoção de faixa verde com vegetação arbórea/arbustiva nativa por grupo de produtores
Discriminação Grupo A Grupo C
Nordeste Pólo Nordeste Pólo
Sim 4,70% 13,04% 8,10% 18,18%
Não 95,30% 34,78% 88,30% 27,27%
Não informado 0,00% 52,17% 3,6% 54,55%
Total 100,00% 100,00% 100,00% 100,00%
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
Observa-se, na Tabela 24, que em todos os grupos, há pouca adoção de preservação da faixa com vegetação nativa, resultado semelhante ao encontrado para toda a região Nordeste. Surpreendentemente, o percentual dos fruticultores que não a empregam é maior entre os do grupo A. Por outro lado, nenhum fruticultor desse grupo manifestou desconhecimento dela e soube definir a sua situação. Já entre os fruticultores do grupo C, 3,6% não informou se a utilizam ou não.
6.4.2.2 - Recolhimento de embalagem de defensivos
O objetivo do recolhimento de embalagens de defensivos é evitar o seu reaproveitamento bem como que elas sejam jogadas no meio ambiente. A partir de
centros de recebimentos regionais elas são recolhidas através de um instituto criado pelos fabricantes de defensivos de todo o Brasil. Atualmente as embalagens plásticas estão sendo transformadas em conduítes e as latas reaproveitadas na produção de aço.
Os produtos e embalagens poluidores do meio ambiente usados na fruticultura enfrentam grandes resistências de aceitação nos países desenvolvidos, já que o cenário é favorável às embalagens recicláveis e aos alimentos com menores possibilidades de desperdícios (ASSIS, 2004).
TABELA 25 - Percentual de fruticultores que recolhem ou não as embalagens de defensivos
Pólo Nordeste
Discriminação Grupo A Grupo C Grupo A Grupo C
Sim 91,30 59,09 64,46 44,92
Não 8,70 40,91 34,71 51,69 Não informado - - 0,83 3,39
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
Verifica-se maior recolhimento entre os componentes do Grupo A. Em geral, o Pólo adota mais esse procedimento frente a todo o Nordeste.
6.4.2.3 – Uso de agrotóxico com receituário
Cada vez mais, o consumidor de alimentos processados dos países desenvolvidos toma consciência de que esses produtos devem-se aproximar das características das frutas frescas, com menos poluentes e com menor possibilidade de desperdícios, obteníveis através da adoção de tecnologias adequadas (CHOUDHURY, 2004).
Os resultados preliminares nos pomares de manga no Vale do São Francisco indicam que, com a adoção do sistema integrado dessa fruta, manteve-se o nível da produtividade acompanhado da redução nos custos de produção (aquisição e aplicação de defensivos químicos), bem como não houve incremento da incidência de pragas e doenças (BELING, 2003).
O uso de agrotóxico na produção de frutas no Nordeste apresenta ainda uma tendência de declínio, por força das exigências do mercado, notadamente o externo, cujo consumidor está disposto a remunerar melhor os produtos orgânicos.
Com efeito, ficou demonstrado nas áreas de concentração de fruteiras pesquisadas que já existem produtores nos grupos A e C que não estão usando agrotóxicos nas suas fruteiras, seja porque estão produzindo frutas orgânicas, seja porque uma parcela expressiva de mini e pequenos produtores não têm recursos financeiros para adotar essa prática agrícola.
Contudo, excluído esse tipo de fruticultor, o uso de agrotóxico obedecendo ao receituário agronômico é bastante elevado no grupo A comparado ao grupo C (Tabela 26).
Tais indicadores afiguram-se elevados. Porém, o cenário no médio prazo será de declínio, na medida em que for implementada a produção integrada das frutas (PIF), instrumento eficaz para minimizar o impacto ambiental e de maior controle sobre o processo produtivo, condições básicas para a certificação das frutas (SANTANA, 2004).
As normas técnicas das fruteiras brasileiras adotadas na PIF contemplam os manejos do solo e do plantio, além da adoção do manejo integrado de pragas e doenças e da adequação de procedimentos de colheita, pós-colheita e monitoramento ambiental. Se praticadas, haverá uma redução no uso dos agrotóxicos.
A partir da adoção da Produção Integrada de Frutas, o produtor é beneficiado com melhoria da administração da propriedade; organização da base produtiva; utilização de tecnologias com assistência técnica adequada; diminuição dos custos de produção e aumento da produtividade e da receita pela agregação de valor ao produto final; aumento na competitividade do setor, sua permanência e ampliação de mercados de consumo conquistados; acesso a mercados mais exigentes; sustentabilidade do processo de produção, com menor impacto ambiental; maior limite de crédito rural (na fruticultura, é concedido um adicional de 15% no limite de crédito de custeio aos beneficiários certificados em PIF); e pela utilização mínima de agrotóxicos necessários (ANUÁRIO 2008).
Para aderir ao sistema de Produção Integrada de Frutas (PIF), o produtor deve se comprometer a cumprir normas específicas, testadas a campo antes de se
tornarem oficiais. Elas são elaboradas por um comitê técnico, composto por entidades públicas e privadas, atuantes na cadeia produtiva. Essas normas dizem respeito a temas como capacitação de trabalhadores e produtores, manejo, responsabilidade ambiental, segurança alimentar, segurança do trabalho, rastreabilidade da produção e certificação. O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) dá aval às certificadoras – empresas que realizam auditorias nas propriedades inseridas no sistema. Atendendo às normas, o produto é certificado por elas com um selo que tem a chancela oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Inmetro, para comprovar as exigências da Produção Integrada. A adesão à PIF é voluntária. Os produtores rurais interessados em aderir devem contatar a Coordenação Geral de Sistemas de Produção Integrada, no Mapa, ou a Superintendência Federal de Agricultura nos estados. Podem, ainda, procurar o coordenador do projeto que esteja atuando com o produto específico de seu interesse.
TABELA 26 – Comparativo do uso de agrotóxico com base em receituário por grupo de produtores
Discriminação Grupo A Grupo C
Nordeste Pólo Nordeste Pólo
Sim 82,30% 95,65% 50,00% 72,73%
Não 15,90% 4,35% 47,40% 27,27%
Não Informado 6,80% 0,00% 2,60% 0,00%
Total 100,00% 100,00% 100,00% 100,00%
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
6.4.2.4 - Utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI)
A adoção dessa técnica é importante para a preservação da saúde das pessoas que manipulam e aplicam agrotóxicos nos pomares.
TABELA 27 - Comparativo do uso de EPI por grupo de produtores
Nordeste Pólo
Discriminação Grupo A Grupo C Grupo A Grupo C
Sim 72,00 40,00 91,30 63,64
Não 28,00 60,00 8,70 36,36
Total 100,00 100,00 100,00 100,00
Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)
O uso do equipamento de proteção individual (EPI) ocorre com maior freqüência entre os fruticultores do grupo A. Os casos em que o fruticultor declarou que essa recomendação técnica não se aplica, restringe-se à parcela de produtores que está produzindo frutas orgânicas ou que não dispõem de recursos financeiros para aplicar defensivos químicos.
Contudo, apurou-se que a quantidade de fruticultores cujos trabalhadores rurais estão usando efetivamente o EPI é pequena, em que pese à maioria das unidades produtivas dispor desse equipamento de proteção do homem, já que as condições de temperatura elevada, principalmente no Semi-Árido, exercem forte influência na inobservância dessa medida preventiva.
6.4.2.5 - Controle do uso de agrotóxico
O Brasil encontra-se entre um dos maiores consumidores de produtos agrotóxicos do mundo, tanto aqueles de uso agrícola e em florestas nativas ou implantadas, como os domésticos (domissanitários) e os utilizados em campanhas de saúde pública.
A contaminação ambiental por agentes químicos potencialmente tóxicos, constitui na atualidade uma preocupação ao nível mundial pelos riscos que ocasionam a saúde humana e para os vários ecossistemas.
A Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura registra, anualmente, cerca de 300 mil intoxicações agudas e cinco mil óbitos de
trabalhadores rurais por uso de defensivos agrícolas, dada a falta de controle no uso dessas substâncias químicas tóxicas e o desconhecimento da população em geral sobre os riscos e perigos à saúde dai decorrentes.
Deve-se levar em conta que, segundo a Organização Mundial da Saúde, para cada caso notificado de intoxicação ter-se-ia 50 outros não notificados.