As instituições envolvidas proporcionarão a oportunidade singular de desenvolvimento de competências1. Segundo Colliére (1989, p.339), “os serviços são os lugares de expressão da prática profissional, é aí que se podem mobilizar e ajustar os conhecimentos provenientes das situações e os que iluminam o seu significado”. Este estágio encontra-se dividido por dois contextos2. A primeira visita ocorreu na UCIN do HSJ, posteriormente à UCC Mafra – pólo da Malveira, que passo a descrever de forma sucinta.
UCIN: A visita foi orientada por um guião de entrevista3 (apêndice 1), teve lugar no dia 6 de Junho com a enf.ª Laurinda Santos, enf.ª chefe do serviço. A UCIN é composta por dez camas de cuidados intensivos nível III4 (rácio 1:2), quatro de pós-operatório nível II (rácio 1:2) e oito de intermédios nível I (rácio de 1:4), sendo o
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A escola superior de enfermagem de Lisboa enquanto instituição de ensino e de investigação também será uma das instituições envolvidas de forma subentendida visto que o projeto se insere no 5º curso de mestrado em enfermagem do 2º ciclo de estudos. A finalidade principal é contribuir para o desenvolvimento da disciplina da enfermagem e da profissão.
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O alvo de intervenção do EEER é a “pessoa com necessidades especiais no contexto onde esta se encontra” (OE, 2011, p. 3). Assim sendo, a escolha de dois ambientes de cuidados tão diferentes, para além da formalidade académica, prende-se com o sentido de continuidade e interdependência. Pormenorizando, da continuidade no sentido de prestar cuidados à pessoa em situação de imobilidade desde o contexto onde se instala, os cuidados intensivos, até à fase de recuperação, o domicilio. No sentido de interdependência, pois, intervindo no contexto da comunidade, numa atitude de promoção do autocuidado, e visando o interesse pela “manutenção da vida, do funcionamento saudável e na continuação do desenvolvimento pessoal e do bem estar” (Petronilho, 2012 citando Orem, 2001), poder-se-á assegurar a melhoria do desempenho para o autocuidado e gestão da saúde, evitando a necessidade de internamento hospitalar. Compreende-se assim, a intervenção da reabilitação na pessoa em situação de imobilidade em UCI num processo longitudinal para o desenvolvimento do autocuidado. Por outro lado, fixar estes projeto unicamente no contexto de cuidados intensivos seria limitá-lo a uma certa “apatia de contexto”, que não beneficiaria o desenvolvimento das competências a que se propõe.
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O guião de entrevista foi elaborado em conjunto com o colega João Alves que também irá realizar o seu estágio nesta unidade. Constitui-se uma mais valia para a condução da entrevista, mantendo o foco de interesse nas questões relacionadas com cada um dos temas. Embora a sua realização tenha tomado lugar numa fase prematura do projeto, visto o tema não estar completamente definido, não trouxe desvantagem, pois para a caracterização inicial do contexto e para compreender a sua relevância para o tema foi suficiente. O facto de no dia não estarem presentes EEER impossibilitou a resposta a questões ligadas à operacionalização do processo de reabilitação, mas que durante o estágio serão com certeza abordadas.
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A classificação adoptada pela Sociedade Europeia de Medicina Intensiva refere três níveis, de acordo com as técnicas utilizadas e as valências disponíveis na respectiva unidade hospitalar. Este conceito admite que possam coexistir diferentes níveis na mesma unidade hospitalar. O nível I – visa a monitorização normalmente não invasiva e pressupõe a capacidade de assegurar as manobras de reanimação e a articulação com outros serviços/unidades de nível superior. O nível II – pressupõe a capacidade de monitorização invasiva e de suporte de funções vitais; pode não proporcionar, de modo ocasional ou permanente, acesso a meios de diagnóstico e especialidades médico-cirúrgicas diferenciadas. O nível III – pressupõe a possibilidade de acesso aos meios de monitorização, diagnóstico e terapêutica necessários; deve dispor ou implementar medidas de controlo contínuo de qualidade e ter programas de ensino e treino em cuidados intensivos. Devem apresentar, preferencialmente, quadros próprios ou equipas funcionalmente dedicadas (médica e de enfermagem) e assistência médica
tempo médio de internamento de seis dias. As patologias mais frequentes são acidente vascular cerebral, malformação vascular cerebral e politrauma. A equipa de enfermagem é composta por quarenta e oito enfermeiros. De entre estes, cinco são EEER, formando a equipa de reabilitação com cerca de quatro anos de existência. No dia-a-dia estão distribuídos um por sector, assegurando a reabilitação durante a manhã e a tarde, sete dias por semana, em articulação com a restante equipa multidisciplinar 5. O processo de reabilitação está informatizado, futuramente planeiam implementar a classificação internacional para a prática de enfermagem (CIPE). Quanto à equipa médica, é composta por quatro intensivistas, dois anestesistas, um neurologista, um neurocirurgião. Constituem ainda a equipa um fisiatra e dois fisioterapeutas.
UCC Mafra – pólo da Malveira: A visita ocorreu no dia 18 de julho em entrevista livre. O pólo da Malveira é composto por uma equipa de cuidados continuados integrados (ECCI), assegurando horário das 9-20h composta por enfermeiros, médico de família, psicólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e EEER. Dos três EEER, a enf.ª Fátima Baião é coordenadora da UCC, a enf.ª Maria Luz Pinto é coordenadora da ECCI, e o enf. Paulo Santos será o orientador neste contexto de estágio. Esta Unidade segue o Programa de Cuidados Continuados Integrados, conforme definido no DL nº 101/2006 de 6 de Junho. A área de abrangência contempla Malveira, Venda do Pinheiro e Milharado. As pessoas são habitualmente referenciadas pelo Hospital Beatriz Ângelo ou pelo Hospital de Santa Maria, habitualmente por: status pós acidentes vasculares cerebrais, doença respiratória, pós-operatório ortopédico, doenças degenerativas e alterações da mobilidade decorridas do internamento (esta com particular interesse para o projeto). Os critérios de admissão não ficaram totalmente definidos na entrevista. No que se refere à reabilitação, a pessoa referenciada é avaliada pelo EEER, e na fase inicial encaminhada para unidade de média duração e reabilitação para ingresso num programa de 3 meses de reabilitação. Na fase posterior, o regresso a casa é acompanhado pelo EEER desta UCC.
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Relativamente à distribuição dos recurso humanos, a Enf.ª Laurinda Santos referiu que os EEER estão na prestação de cuidados gerais quando necessário. Nesta expressão está pertinentemente contida a visão do gestor sobre os EEER, mas também o futuro da especialidade de reabilitação, aspetos que oportunamente serão desenvolvidos.