• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 2: MEKAN-NESNE-KORKU İLİŞKİSİ

2.4. Mekânı Tekinsizleştiren Nesne

A análise do cenário atual, com a passagem da Modernidade, período marcado essencialmente pela racionalidade, para a chamada era “pós- moderna” aponta alguns caminhos que devem ser considerados na tomada de decisões para formatação do planejamento estratégico e adoção de políticas de gestão de Relações Públicas. Como visto anteriormente, o desenvolvimento acelerado das novas tecnologias da informação e da comunicação, a sociedade da informação em rede, a globalização e a nova economia da informação indicam que a capacitação e a qualificação para uso crítico das novas ferramentas disponíveis são consideradas fatores estratégicos na atualidade.

Paralelamente, as transformações ocorridas no mundo do trabalho foram decisivas, em especial nas últimas décadas, com destaque para a influência dos saltos tecnológicos ocorridos, primeiramente com a Revolução Industrial e, depois, com o advento da Internet. Assim, foi observado que a tecnologia vem sendo desenvolvida pelo homem com o intuito principal de reduzir o esforço físico despendido na realização do trabalho, abrindo espaço, na atualidade, para uma intelectualização das atividades e apontando, portanto, para a necessidade de profissionais em constante formação e atualização. É a era do conhecimento e da informação, democratizando as probabilidades de inserção social por meio do crescimento profissional baseado na informação, disponível para todos aqueles com acesso e domínio das ferramentas tecnológicas e da Internet. No entanto, dados ainda apontam um baixo índice de acesso ao mundo digital.

Outro aspecto fundamental da era “pós-moderna” e que tem influência direta sobre o tema estudado neste trabalho é a comunicação. A introdução dos meios de comunicação de massa e surgimento das organizações modernas desempenham papel de destaque nas últimas décadas. Como tratado anteriormente, as organizações, enquanto sistemas abertos, valem-se das Relações Públicas como um subsistema de apoio, atuando no relacionamento institucional entre a organização e seus públicos.

Entre as funções essenciais e específicas das Relações Públicas, observadas no capítulo anterior, ressaltam-se duas para fins deste estudo: a função estratégica e a política. Considerando-se que um bom plano estratégico toma por base a análise criteriosa do ambiente em que a organização está inserida, procurou-se até então descrever o cenário do século XXI, as mudanças nas relações de trabalho e tratar dos aspectos centrais da “pós- modernidade”: a tríade comunicação, informação e conhecimento e as novas tecnologias.

Tendo analisado no capítulo anterior a questão da comunicação e das Relações Públicas, os pontos principais a serem abordados neste capítulo serão a questão do desenvolvimento desigual das novas tecnologias da informação e comunicação e estratégias para combatê-lo. Como o foco deste trabalho é verificar estratégias e políticas de gestão de Relações Públicas de organizações privadas voltadas para a inclusão digital, este assunto será especificamente abordado neste capítulo.

Em primeiro lugar, alguns conceitos importantes devem ser delineados. Uma grande rede de teóricos e organizações não-governamentais vem tratando a comunicação na era “pós-moderna” sob seu aspecto democratizante, como instrumento voltado para o desenvolvimento social e para o estímulo do exercício da cidadania.

O conceito de cidadania é originário na polis grega e nas cidades-Estado romanas, que classificavam como cidadãos apenas os indivíduos do sexo masculino que participavam da vida pública e política nas cidades. Na atualidade, especialmente após a Revolução Francesa, a nova cidadania corresponde ao conjunto de direitos e deveres – individuais, sociais, econômicos, políticos e culturais – e constitui-se na participação na vida pública (Soares, 2004, p.44). Outra autora, Rios (2004, p. 125), complementa a idéia de participação embutida no conceito de cidadania ao afirmar que “o conceito de cidadania traz a idéia de relação social. Entende-se a cidadania como possibilidade concreta de participação eficiente e criativa na construção da cultura e da história”.

O termo cidadania vem sendo mais amplamente discutido e tem ganhado maior status após a constituição da Carta Magna dos Estados Unidos, de 1776, e com a Revolução Francesa, de 1789, sendo inscrito na Carta dos

Direitos da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948. Segundo Vieira (2003, p. 18),

“cidadania é um status jurídico e político que concede ao cidadão direitos e deveres. Direitos nas esferas civil, jurídica e social, e deveres, no âmbito, por exemplo, da prestação do serviço militar, do recolhimento de impostos, da denúncia da malversação da coisa pública etc.”

Na prática, a cidadania está inserida no campo das relações e interações, sendo intermediada pela comunicação. Portanto, oferecer subsídios para que os indivíduos se expressem enquanto cidadãos é viabilizar o exercício da cidadania. Tendo em vista que empresas e Governos estão migrando suas informações, meios de comunicação e serviços para o meio eletrônico e digital, cada vez mais o cidadão que não tem acesso ou desconhece as novas tecnologias têm seus direitos limitados.

Na área governamental, por exemplo, o desenvolvimento do e-

government é latente. Graças a ele, boa maior parte dos serviços oferecidos

pelo governo está à disposição dos cidadãos de forma eletrônica. A ideia é que o governo eletrônico disponibilize via Internet serviços públicos e também realize sua prestação de contas por este meio. Para Kerckhove (2008, p. 134- 135),

“A chave para o desenvolvimento dos povos é a internet. O uso racional das redes virtuais permitiria aos cidadãos do mundo não dependerem das burocracias estatais corruptas ou negligentes [...]. O e-government, juntamente com a transformação da atividade política em administração de serviços para os cidadãos, deveria conduzir a um Estado justo, honesto e eficiente.”

Voltando à questão da cidadania, Kunsch (2007, p. 66-69) argumenta sobre suas novas formas, desenvolvidas na “pós-modernidade”, ressaltando dois tipos que são interessantes para este estudo: a cidadania planetária e a cidadania corporativa. A cidadania planetária está relacionada à redução das desigualdades oriundas dos fenômenos da globalização e da revolução tecnológica da informação, ou seja, seriam esforços para derrubar a muralha digital e os efeitos da globalização hegemônica vistas no primeiro capítulo. Já a cidadania corporativa são os trabalhos desenvolvidos pela iniciativa privada em

benefício da sociedade. Sobre a cidadania corporativa, Kunsch (2007, p. 70) ressalta que:

“A importância que as organizações assumem na sociedade globalizada e as novas exigências sociais que lhes são postas obrigam-nas a se posicionar de forma diferente do passado, quando o foco estava só no negócio e no lucro.”

Assim, em um país como o Brasil, onde a grande maioria dos cidadãos não tem acesso à Internet e as organizações privadas são as responsáveis pela maior parte da movimentação da economia, justificam-se políticas e ações de inclusão digital, que, além de capacitar para o uso das tecnologias, contribuam para o desenvolvimento da cidadania, para o ensino no manuseio das ferramentas e capacitação para aplicação destas no seu dia a dia. Ou seja, a cidadania está intimamente relacionada à questão do acesso e uso da informação na atualidade. No século XXI, a inclusão digital faz-se uma necessidade inerente ao cidadão que vive na sociedade da informação, constituindo-se como um novo fator para a cidadania (Silva et all, 2005, p. 32).

Pode-se dizer, também, que a inclusão digital está diretamente relacionada ao conceito de direitos humanos, já que ele está relacionado aos direitos fundamentais dos cidadãos. A classificação desses direitos como fundamentais diz respeito aos direitos que devem ser reconhecidos, protegidos e promovidos quando se pretende preservar a dignidade humana e oferecer possibilidades de desenvolvimento aos cidadãos.

Há ainda muito preconceito sobre a discussão de conceitos como cidadania, educação e sua relação com direitos humanos. Durante toda a história da humanidade, as desigualdades sociais constituem a base dos privilégios da elite e que, por isso, mantém interesse particular em preservá-las ignorando a discussão sobre estes conceitos. Segundo Dallari (2004, p. 21),

“é precisamente da parte daqueles que gozam de privilégios decorrentes das desigualdades sociais que encontramos as maiores resistências à discussão dessa temática; e essas resistências se manifestam principalmente por meio de uma postura de desmoralização da própria expressão direitos humanos (grifo do autor)”.

Os direitos humanos são direitos universais, ou seja, comuns a todo ser humano, decorrentes do reconhecimento de sua dignidade a partir do momento

de seu nascimento. O conjunto dos direitos humanos é classificado em três dimensões: direitos civis (as liberdades individuais, advindas do liberalismo, como a liberdade de ir e vir, propriedade, segurança, entre outras), direitos sociais (ligados ao mundo do trabalho, como o direito ao salário, férias etc. e também os direitos de caráter social mais geral, como direito à educação, saúde, habitação etc.; são os direitos advindos da luta dos trabalhadores e no Brasil são mais conhecidos como direitos do cidadão) e os direitos coletivos da humanidade (ligados à defesa do meio ambiente, à paz etc.). Logo, o direito ao acesso ao mundo digital pode ser relacionado ao direito à educação, ao emprego, acesso à informação (inclusive sobre legislação e serviços sociais do Governo e empresas) e o direito a liberdade de expressão de opiniões (participação em grupos de discussão, sites de relacionamento, entre outros canais da Internet).

O conceito de inclusão digital está intimamente relacionado ao contexto social, político, econômico e ético em que vivemos e, portanto, trata-se de tema estratégico para as organizações da era do conhecimento. Desta forma, um grupo de pesquisadores baianos do Gepindi publicou artigo sobre o assunto que chega à seguinte assertiva:

“ele [conceito de inclusão digital] está, irrecusavelmente, inserido no ‘espírito do nosso tempo’, isto é, constitui-se como fruto do que se denomina sociedade da informação, baseada nas redes digitais, ou sociedade do conhecimento, que privilegia o saber perante o fazer.” (Silva, 2005, p. 29)

Ainda segundo o grupo, isto quer dizer que, na atualidade, o sucesso pessoal e profissional é condicionado à aprendizagem contínua e à educação globalizante. Outro aspecto importante sobre políticas de inclusão digital é que não basta apenas oferecer o acesso às ferramentas para obter as informações via informática/Internet, é necessário que os agentes para a inclusão digital forneçam meios para que os beneficiados por esses programas transformem essa informação em conhecimento relevante para sua vida pessoal e profissional. O ponto de partida para a inclusão digital seria o acesso à informação dos meios digitais e o ponto de chegada é a assimilação da informação e sua reelaboração em forma de conhecimento relevante para o usuário, visando à melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Também foi consultada uma pesquisa de Sorj e Guedes (2005) sobre o acesso da população das favelas do Rio de Janeiro à informática e Internet. Um dado interessante apontado por eles é que o local de trabalho e a escola são bastante utilizados para acesso à informática e, portanto, as políticas públicas de acesso devem incentivar empresas e escolas a oferecerem cursos de informática aos seus empregados e alunos, aproveitando o acesso já existente para também capacitar os usuários a transformar a informação em conteúdo relevante, em conhecimento.

Ou seja, dentre as ações de responsabilidade social nas quais uma organização moderna pode engajar-se estão as ações de inclusão digital, como forma de a empresa exercer a cidadania corporativa. Diante do cenário mundial apresentado no primeiro capítulo, a sociedade da informação em rede, especialmente em países em desenvolvimento, demanda cidadãos conscientes, conectados, informados, que saibam lidar com as novas tecnologias da informação tanto no trabalho como enquanto cidadãos.

Segundo Castro (2006, p. 54),

“pensar em inclusão digital vai muito mais além de saber utilizar as novas tecnologias. A inclusão passa pela capacitação dos atores sociais para o uso e exercício ativo da cidadania, através do aprendizado tecnológico, do uso dos equipamentos, assim como pela produção de conteúdo e conhecimentos gerados dentro da realidade de cada grupo envolvido para serem disponibilizados na rede e demais tecnologias digitais.”

Ainda sobre o tema, outro renomado autor, Tapscott (1999, p. 247), atesta que:

“A questão não é apenas o acesso à nova mídia, mas se as diferenças de disponibilidade dos serviços, fluência na tecnologia, motivação e oportunidades de aprender não levarão a um mundo estratificado dos que sabem e dos que não sabem, dos que fazem e dos que não fazem.”

Portanto, o acesso às novas tecnologias da informação e da comunicação não pode limitar-se apenas à questão do acesso às ferramentas ou à capacitação para lidar com elas. Uma política mais abrangente deve ser adotada para que os usuários possam lidar com a tecnologia de forma crítica, com criatividade e empreendedorismo para aplicação vantajosa do mundo digital em seu dia a dia.

Além do mais, na era da sociedade da informação em rede, onde o conhecimento é fonte de poder e riqueza, a inclusão digital está intimamente relacionada ao desenvolvimento socioeconômico e político de um país. Isto porque, sem uma economia e administração baseadas na Internet, não há como gerar os recursos necessários para áreas básicas como saúde, educação, água e saneamento básico, entre outras.

A ONG Bridges.org definiu 12 critérios para avaliar se existe acesso real à tecnologia (Cruz, 2004, p. 16-17):

1. Acesso físico: disponibilidade de acesso a computadores e telefones; 2. Adequação: soluções tecnológicas adequadas às condições de vida; 3. Preço acessível: custo adequado ao público que vai adquirir a tecnologia; 4. Capacidade: conhecimento real sobre as possibilidades da Internet de forma a poder aplicá-la na realidade dos indivíduos;

5. Conteúdo relevante: conteúdo adequado e linguagem acessível à comunidade;

6. Integração: verdadeira inserção da tecnologia nas atividades do dia a dia; 7. Fatores socioculturais: observar questões como gênero e raça no acesso; 8. Confiança: usuários devem confiar nos meios, em especial no que diz respeito à segurança e privacidade;

9. Estrutura legal e regulatória: desenvolvimento de leis que incentivem o uso da tecnologia.

10. Ambiente econômico local: uso da tecnologia para estímulo à economia local;

11. Ambiente macroeconômico: política econômica do país voltada para a sustentação do uso da tecnologia;

12. Vontade política: tanto por parte do Governo como apoio da população. Resumindo, a inclusão digital, no âmbito material, depende da disponibilidade de computadores, telefonia, provedores e software. Outros fatores importantes para uma real inclusão digital são educação e conhecimento básico de inglês e programação (Internet e editor de textos).

Muito tem sido discutido também sobre a relevância das informações veiculadas na Internet. Alega-se que, por não possuir filtro ou censura, a rede torna-se uma avalanche de informações desconexas, nem todas verídicas, fazendo com que a navegação e seleção do que realmente importa para o

usuário seja dificultada. Barreto (1994) apud Silva et all (2005) utiliza uma classificação bastante interessante para essas informações, oferecendo parâmetros cientificamente reconhecidos. Ele baseia-se na pirâmide de Maslow, apontando que informações utilitárias são aquelas utilizadas para suprir as necessidades básicas dos indivíduos (alimentação, habitação, vestuário, saúde etc.). Já as informações contextuais são aquelas necessárias para indivíduos ou grupos permanecerem em seus contextos (trabalho, escola, comunidade etc.). Esta classificação torna-se importante na medida em que faz com que os caminhos da inclusão digital cruzem com os da inclusão social, já que o acesso à Internet passa a fazer parte do cotidiano do indivíduo na medida em que ele seja orientado a encontrar, nesse novo meio de comunicação, informações relacionadas à sua realidade (utilitárias e contextuais). Logo, a democratização da informação está intrinsecamente relacionada à capacidade do usuário da Internet de interpretação do conteúdo, que ocorre mais facilmente quando existe a aproximação da informação com o contexto onde o usuário está inserido. Pode-se dizer que esta aproximação é a responsável pela transformação da informação em conhecimento.

Sorj e Guedes (2005, p. 116) corroboram estas afirmativas ao citar que as políticas de universalização do acesso digital nos países em desenvolvimento não serão instrumentos efetivos de inclusão social se não estiverem associadas a outras políticas sociais, em particular às da formação escolar, à educação de uma forma geral.

Nos Estados Unidos, na década de 1970 (Silva et all, 2005, p. 32), surgiu uma preocupação por parte dos profissionais da área de Biblioteconomia com o novo papel desempenhado pela biblioteca escolar na educação na era da globalização. A educação global na era digital foi designada por estes profissionais como information literacy education (educação para os tempos digitais na era da informação).

Na sociedade da informação em rede, a informação e o conhecimento foram amplamente disponibilizados nas redes digitais, com a possibilidade de estar ao alcance de qualquer um. Por isso, a educação não está mais restrita aos espaços formais, nem é apenas um dever do Estado proporcionar acesso à educação aos cidadãos. A necessidade pela information literacy education urge nesta nova sociedade tanto para a formação de cidadãos como para a

qualificação de profissionais engajados, informados e com conhecimento crítico acerca do mundo do século XXI.

A alfabetização digital também diz respeito ao saber relacionado à capacidade de seleção de informação relevante para a construção de conhecimento, já que no universo digital o volume de informação disponível é gigantesco. Este termo foi devidamente escolhido porque existe uma diferenciação entre ser letrado e letramento. De acordo com Buzato (2003)

apud Silva et all (2005, p. 33), a aprendizagem do código (ser letrado) não

pressupõe o saber construir uma argumentação, competência que é construída na prática social.

Dudziak (2003) apud Silva et all (2005, p. 34) destaca que para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de localizá-la, avaliá-la e usá-la efetivamente. Resumindo, as pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender. Elas sabem como aprender, pois sabem como o conhecimento é organizado, como encontrar a informação e como usá-la de modo que outras pessoas aprendam a partir dela. Assim, cidadãos capacitados em information literacy estariam aptos a tomar decisões mais inteligentes, sustentáveis e socialmente responsáveis do que os cidadãos que apenas têm acesso às TICs e à informação, mas não sabem aproveitá-la no seu dia a dia e na comunidade em que estão inseridos.

Sobre a educação em si, Martín-Barbero (2003, p. 62) constata que

“o mais grave dos desafios que a comunicação propõe hoje à educação é que, enquanto os filhos das classes mais altas conseguem interagir com o novo ecossistema informacional e comunicativo (grifo do autor) a partir da própria casa, os filhos das classes populares [...] acabam excluídos do novo espaço laboral e profissional que a cultura tecnológica configura.”

Portanto, como foi dito anteriormente, não se trata apenas de disponibilizar acesso às novas tecnologias. Além de disponibilizar computadores nas escolas para a nova geração, são necessários software, motivar os estudantes a aprenderem, reformular o sistema educacional e retreinar professores. Para Tapscott (1999, p. 253), “tecnologias inovadoras não podem substituir profissionais do ensino aos quais faltam métodos inovadores e que apenas repetem modelos de ensino que não funcionam.”

Sobre a educação à distância, é certo que existem prós e contras. O chamado e-learning oferece um grau elevado de liberdade ao estudante, que pode definir horário e local de estudo, bem como a forma como vai fazê-lo. Além disso, os meios eletrônicos podem dar acesso a cursos que não estão disponíveis em localidades em que seja possível acesso do estudante. Por outro lado, o estudante a distância não se beneficia do convívio e da troca de experiências face a face com outros alunos e com os professores.

Outro fator importante para discussão com relação à inclusão digital é o conceito de desigualdade social, que não deve ser confundido com diferenças sociais. As diferenças sociais têm uma base natural ou são produtos de uma construção cultural (por exemplo, a diferença entre os sexos). Já as desigualdades sociais constituem-se em “[...] um juízo de superioridade e inferioridade entre grupos, camadas ou classes sociais” (Comparato, 2004, p. 67). Desta forma, as desigualdades sociais são criadas pelo homem e não determinações da natureza, são frutos de uma relação de dominação.

A relação social fundamental é uma relação entre sujeitos: o eu com o

outro. Esta relação tem como ponto de partida a simetria, perdida quando se

deixa de reconhecer no outro alguém como si mesmo, humano e com direitos da mesma forma. Assim, desenvolve-se o conceito de desigualdade social, como elucidado por Rios (2004, p. 125) “a desigualdade se instala à medida que deixo de reconhecer o outro como alguém que entra na constituição de minha identidade – alter – e passo a tratá-lo como alienus, o alheio; como aquele com quem não tenho a ver”.

Tendo em vista que a inclusão digital está intimamente relacionada aos direitos à informação e liberdade de opinião e expressão, a exclusão digital também é uma forma de exclusão social. Como os lançamentos tecnológicos sempre vêm acompanhados de preços elevados, o acesso às novas tecnologias ocorre, em primeiro lugar, nas camadas mais ricas da sociedade. Por isso, pode-se afirmar que a exclusão digital é fruto deste gap tecnológico

Benzer Belgeler