Fonte: Adaptado de IBGE (2010).
Os núcleos urbanos presentes na bacia do rio Guaribas são: Pecém, Colônia, Parada, Taíba, Siupé e Catuana. Esses núcleos urbanos foram estudados e tiveram uma caracterização quanto aos aspectos de infraestrutura urbana, viária, acessibilidade e a própria situação urbana, considerando o traçado das ruas, o padrão urbanístico e os serviços básicos. Foram identiicadas as atividades econômicas, o comércio e serviços e as atividades de lazer, bem como o potencial de desenvolvimento baseado no diagnóstico e recomendações quanto às intervenções urbanas.
4.1.1.2 Pecém
O núcleo urbano do Distrito de Pecém possui uma população de 2.711 habitantes e a zona rural tem 6.445 habitantes, perfazendo um total de 9.156 habitantes (IBGE, 2010). Em relação ao censo de 2000 registrou um acréscimo populacional de 18,52%. O acesso principal ao Distrito de Pecém é feito pela rodovia federal BR-222 até o entroncamento desta com a ro- dovia estadual CE-422, que dá acesso ao porto do Pecém. O acesso pode também ser feito pela CE-421, que se destina à Sede distrital. Outra possibilidade de acesso é por meio da CE-085.
O Distrito do Pecém (Figura 14) tem sua economia ligada à agricultura de subsistência e à pesca artesanal, que se encontra em decadência, sendo agregado a estes o setor comercial decorrente do turismo. Também se destaca pelas atividades vinculadas ao setor terciário, repre- sentado pelo segmento comercial e de serviços. O comércio é diversiicado, as atividades que
predominam são lojas de roupas, depósitos de material de construção civil, estabelecimentos farmacêuticos, metalúrgicos e mercearias.
Figura 14: Via principal do Pecém, rua Marcionilia Sampaio.
4.1.1.3 Colônia
Colônia está localizada no litoral, próximo ao Pecém, com acesso pela CE-348. A loca- lidade desenvolve-se ao longo do litoral, com uma malha urbana em xadrez, com grandes lotes ocupados por ediicações. O sistema de esgotamento sanitário é a fossa séptica. Há fornecimen- to de energia elétrica e o abastecimento d’água é feito com poços artesianos.
Somente a via de acesso é asfaltada, as demais são carroçáveis e, em períodos de chuva, diicultam os acessos. A maioria das ediicações é de bom padrão construtivo, destinadas ao uso residencial familiar e de veraneio. As casas de baixo padrão pertencem à população nativa. Foram constatadas ocupações de terras em áreas de dunas na região de Colônia, com ocupações de construções precárias de moradia (Figura 15).
Figura 15: Ocupações do campo de dunas móveis na localidade de Colônia.
4.1.1.4 Parada
A localidade de Parada (Figura 16) situa-se à margem da rodovia estadual CE-348 e possui uma pequena infraestrutura, compreendendo escolas, posto de saúde, transporte coleti- vo, telefonia e energia elétrica. O acesso principal à localidade de Parada, saindo do Distrito de Pecém, é feito pelas rodovias estaduais CE-348 e CE-421. Saindo de São Gonçalo do Amaran- te, podem ser utilizadas a CE-085 e a CE-156. As vias de acesso são de revestimento asfáltico. Pode-se observar que o deslocamento da população é realizado em ônibus urbano e transporte alternativo de “vans”.
As suas habitações seguem um padrão regular, sólidas e bem construídas em alvenaria com traços arquitetônicos simples e com bastante espaçamento entre uma e outra, podendo ser caracterizadas como chácaras ou sítios. A economia da localidade está baseada na agricultura de subsistência com a plantação de milho e feijão. O comércio se caracteriza por pequenas atividades, como mercearias, lojas de roupa, serrarias e restaurantes, que servem comidas re- gionais.
A localidade de Parada recebeu as inluências do Complexo Industrial do Pecém, tendo, atualmente, parte da sua população empregada nas indústrias que estão se instalando ou em operação na área. Essa mão de obra é treinada pelo Centro Vocacional Técnico – CVTEC – de São Gonçalo do Amarante.
Figura 16: rua São Luiz (via principal da localidade de Parada).
4.1.1.5 Taíba
O núcleo urbano da Taíba está localizado na faixa litorânea a 7 km da CE-348 e esten- de-se ao longo do litoral, estando dividida em duas partes: uma mais antiga, com uma só via principal pavimentada e a outra com loteamentos mais recentes.
Taíba possui uma população de 5.104 habitantes (IBGE, 2010), exibindo um cresci- mento populacional de 23,37% em relação ao censo de 2000. Predomina o peril horizontal das pequenas localidades, com vários padrões construtivos, coexistindo casas de luxo e de taipa. Na faixa, de praia icam as residências de maior porte e melhor padrão construtivo.
Embora seja uma praia com signiicante atração para veranistas, Taíba não dispõe de abastecimento d’água e todas as casas possuem poços artesianos com baixa profundidade. As fossas sépticas são o destino do esgotamento sanitário das residências.
No aspecto econômico, a população da Taíba trabalha em serviços domésticos nas casas dos veranistas, na construção civil, em pequenos estabelecimentos comerciais, na pesca e em atividades ligadas ao turismo. Pela sua condição de acesso, boas casas de veraneio e proximi- dade do Pecém, Taíba (Figura 17) está abrigando um grande contingente de trabalhadores do CIPP que ixaram residências temporárias na sua área urbana.
Figura 17: Vista panorâmica da Sede do Distrito de Taíba.
4.1.1.6 Siupé
O distrito de Siupé (Figura 18) pertence ao Município de São Gonçalo do Amarante e dispõe de uma população de 3.658 habitantes, sendo 2.744 na zona urbana e 914 na zona rural, de acordo com o censo do IBGE de 2010. Em relação ao censo de 2000, houve um acréscimo populacional de 19,57%. O núcleo urbano do Siupé desenvolveu-se nas margens do rio Siupé e nas proximidades da CE-348, que o interliga à Parada, Colônia e Pecém. Embora seja um ponto de convergência viária, a única via de acesso asfaltada é a CE-423, que liga o núcleo às Sedes de São Gonçalo do Amarante, Taíba e Pecém.
Figura 18: avenida Manoel Justino, via principal do Siupé.
4.1.1.7 Catuana
O distrito de Catuana pertence ao Município de Caucaia e possui uma população de 9.092 habitantes (IBGE, 2010), sendo 1.878 na zona urbana e 7.214 na zona rural, demonstran- do um crescimento populacional de 25,17% em relação ao ano 2000. Está situado a, aproxima- damente, 45 km de Fortaleza, com o acesso, saindo de Fortaleza, pela rodovia federal BR-222, chegando até a rodovia estadual CE-422.
A atividade econômica do Distrito de Catuana é caracterizada por agricultura familiar com destaques para o cultivo do milho, feijão, mandioca e verduras diversas (Figura 19). No setor secundário, não há registros de unidades industriais. No setor terciário existe uma rede de pequenos estabelecimentos varejistas de caráter familiar, destacando-se pequenas mercearias e bares, onde são comercializadas bebidas alcoólicas. Na área de serviços, encontram-se peque- nas oicinas mecânicas, borracharias e postos de gasolina.
Figura 19: Cultivo de verduras diversas no Distrito de Catuana.
O processo de expansão dos núcleos urbanos da bacia hidrográica do rio Guaribas está baseado em dois processos: (i) o primeiro iniciando com a ocupação que se deu com inicio da Sede distrital do Pecém, que corresponde ao baixo curso da bacia e o (ii) segundo relaciona-se ao uso e ocupação do entorno do Distrito do Pecém. Em 1958, a área da bacia apresentava-se com ocupação urbana em 98 hectares. Trinta anos depois, em 1988, esta ocupação saltou para 1.058 hectares, representando um crescimento da ocupação em 960 ha. Acredita-se que tal crescimento tenha-se decorrido conforme conjunto de fatores, a saber,
o veranismo atraído pelo patrimônio natural do Pecém; especulação imobiliária;
instalação de comércios para o atendimento a demanda crescente de novos con- sumidores;
na década de 1970, foi delimitada à zona urbana do Pecém, tendo início a cons- trução do mercado público local (AZEVEDO, 1998);
foram instalados o gerador de energia elétrica e o televisor na praça, e as lam- parinas e lampiões foram substituídos por lâmpadas. As duas principais ruas da cidade agora eram iluminadas durante a noite (AZEVEDO, 1998); e
na década de 1980, foi realizada a distribuição de energia elétrica pelo Poder Público, por intermédio da Coelce; as estradas de acesso a Pecém foram me- lhoradas. O acesso à capital, Fortaleza, passou a ser feito por ônibus, “topics”, mototaxi e carros pequenos (AZEVEDO, 1998).
Já no ano de 2007, as áreas urbanas ocupavam 1.258 hectares e, em 2012, com 1.268 hectares, com uma taxa de crescimento que corresponde a 10 ha, ocasionada pela chegada de trabalhadores especializados vindos do Exterior para realizar atividade laboral nos empreendi- mentos vinculados ao CIPP. O mapa 10 espacializa a evolução de ocupação nas áreas urbanas presentes na bacia hidrográica do rio Guaribas ao longo dos anos citados (1958 a 2012).