3. BÖLÜM
5.10. Mega Zeka (Megamind)
Destacamos agora os principais órgãos e instituições que conferem algum
significado e que, de alguma forma, contribuem diretamente com o tema apresentado neste trabalho de dissertação. Assim sendo, não citaremos, tampouco analisaremos, as estruturas de bancos e instituições financeiras da UE, uma vez que não é o tópico principal de investigação. Ressalte-se que isso não lhes confere grau de importância inferior ante as instituições apresentadas a seguir.
Comitê Econômico e Social
Desempenha um papel consultivo dos órgãos superiores e é formado por membros da vida econômica e social. Sua criação reflete o forte comprometimento dos Estados-membros de levar os interesses regionais e locais a participar no desenvolvimento e execução das políticas da UE. É com esse órgão consultivo que existe a obrigação legal de consultar os representantes das autoridades locais e regionais numa série de assuntos que lhe dizem diretamente respeito. Possui 317 conselheiros representantes de organizações de empresários, trabalhadores, agricultores, PME, comércio e artesanato, cooperativas, profissões liberais, consumidores, entre outras. Tem como uma de suas funções a reflexão sobre um determinado tema, assim como tem a faculdade de se pronunciar quando achar conveniente e pertinente à opinião popular. Dessa forma, aproxima a UE de seus cidadãos, os quais têm, nele, um porto fixo para fluir suas idéias e anseios.
A sociedade civil organizada é fator de sucesso nesse caso.
Assegura o respeito pela identidade e direitos locais e regionais. Trata-se de um órgão consultivo criado na intenção de continuar, tal como estabelecido no preâmbulo do Tratado da União Européia, "o processo de criação de uma união cada vez mais estreita entre os povos da Europa, em que as decisões se tomem da forma mais próxima possível dos cidadãos de acordo com o princípio da subsidiariedade" (TUE, 1992). A subsidiariedade significa que as autoridades públicas que se encontram mais perto dos cidadãos é que deve tomar as decisões.
O Comitê é formado por 317 membros, repartidos entre os Estados-membros da seguinte maneira:
24 da Alemanha, França, Itália e Reino Unido; 21 da Espanha e Polônia;
12 da Bélgica, Grécia, Países Baixos, Áustria, Portugal, República Tcheca, Hungria e Suécia;
nove da Dinamarca, Irlanda, Finlândia, Eslováquia e Lituânia; sete da Letônia, Eslovênia e Estônia;
seis de Luxemburgo e Chipre e cinco de Malta.
Os membros são, em sua maioria, presidentes das regiões, de câmaras, governadores civis, ou seja, pessoas que exercem funções efetivas do governo próximas do cidadão, e em face disso têm experiência direta de como as políticas e a legislação da UE influem na vida diária dos cidadãos. Representa mais um degrau de aproximação entre a população e os processos relativos da UE.
Defensor do Povo Europeu
Essa figura foi criada pelo Tratado da União Européia de 1992. Todo cidadão de um Estado-membro é automaticamente cidadão nacional e europeu e tem direitos entre os quais o de poder recorrer ao um Defensor do Povo Europeu em caso de ter sido vítima de uma má administração por parte das instituições ou órgãos comunitários.
Entende-se má administração como o conjunto de medidas deficientes ou infrutíferas que derivam da aplicação inadequada de uma norma, como, por exemplo:
irregularidades administrativas;
omissões administrativas e abusos de autoridade, negligências;
procedimentos ilícitos; abuso de poder;
discriminações; atrasos indevidos; e
falta de informação ou negação de prestá-la.
O processo ao qual o cidadão recorre ao defensor é extremamente simples e não-burocrático. Quaisquer pessoas físicas ou jurídicas que tenham o seu domicílio social na União poderá apresentar uma reclamação perante o Defensor do Povo Europeu diretamente ou através de um deputado do Parlamento, mediante uma simples carta em que conste o direito que dá lugar à reclamação e em que figure toda a documentação necessária. As reclamações podem ser feitas em qualquer um dos 21 idiomas oficiais da União e devem expressar claramente contra que órgão ou instituição se dirigem. O defensor dará um tratamento público, porém há casos em que certas questões poderão ser tratadas de forma confidencial, se assim for solicitado.
Descreveremos abaixo como o Defensor do Povo atua nos casos de reclamações, a fim de evidenciar a forma e o conteúdo descentralizado que caracteriza as decisões dentro de um sistema político moderno.
Em primeiro lugar, o Defensor determina se a reclamação é admissível, se a entidade administrativa é a indicada e os demais requisitos exigidos; uma vez comprovados estes pontos, informa ao reclamante se pode ou não examinar o assunto. Se admitida a reclamação, o Defensor tenta, na medida do possível, uma solução com a instituição ou órgão implicado, de forma que seja possível uma retificação da medida de má administração que satisfaça o participante. Se essa
intenção de acordo acaba por ser infrutífera, o Defensor elabora um projeto de recomendações que remete à instituição ou ao órgão implicado; essa resposta deverá ocorrer num prazo de três meses e fornecer um parecer detalhado. Concluído esse processo, o Defensor informa ao participante o resultado da investigação, do parecer emitido pela instituição ou órgão em questão e por suas próprias recomendações. Se durante o decurso de suas investigações ele tiver conhecimento de fatos que estariam sujeitos ao Direito Penal, tem que notificá-los às autoridades nacionais competentes. O Defensor apresenta todos os anos ao Parlamento um relatório sobre os resultados de todas e de cada uma das suas investigações.