BÖLÜM 5: UYKUSUZ DERGİSİ KAPAK KARİKATÜRLERİNİN ANALİZİ
5.2. Bulgular
5.2.8. Medya ve İletişim İle İlgili Adaletsizliklere Dair Karikatürler
O recenseamento francês de 1906 revelou que apenas 25% das mulheres trabalhavam na indústria e que pertencia às mulheres 40% dos empregos no “terciário”. Perraut (2005: 195) cita isso como sendo a grande novidade; “em torno das ‘damas’ secretárias, das ‘senhoritas’ dos Correios, começa a verdadeira mutação do trabalho feminino, seu caminho de futuro. A imagem da operária continuará a ser repulsiva e, para muitos, era a antítese da feminilidade. Sob a aparência graciosa da datilógrafa, eis que avança o proletariado dos tempos modernos. Não será a fábrica, mas o Escritório que devorará a Dona-de-Casa”.
Os empregos de escritório tiveram um grande afluxo de mulheres no fim do século XIX e, nos anos 1920, as mulheres tornaram-se majoritárias nos escritórios como datilógrafas, telefonistas ou estenodatilógrafas, mas esse era o limite a que podiam aspirar. Cargos qualificados e técnicos eram destinados às carreiras masculinas, como contabilidade, comercial, desenhistas ou produção.
Como resultado, ao longo desse período, o que se presenciou foi a feminização dos empregos administrativos, processo que se deu, também, em bancos, seguradoras, escritórios e estabelecimentos comerciais. A revolução administrativa trouxe a feminização desses empregos.
Os ofícios têm um sexo, há uma relação sexuada com as técnicas: elas são masculinas. As sociedades industriais pressupõem o domínio da natureza. O masculino diz respeito à razão, ao trabalho, à liberdade e ao cidadão, enquanto o feminino é associado à antiga ordem social da família, à dependência e à naturalidade. Em última instância, o homem domina e a mulher se submete à natureza.
O homem, para dominar a natureza, utiliza-se das técnicas, torna os ofícios qualificados masculinos; a técnica é associada ao masculino. A sociologia vê a incompetência técnica das mulheres como uma construção social. “Nessa construção social, as técnicas instrumentais são associadas aos ofícios, portanto,
ao trabalho qualificado e ao masculino (...)”. A substituição das parteiras por cirurgiões-obstetras, entre os séculos XVI e XVIII, sob a alegação de que “as mulheres não devem fazer uso de nenhum instrumento”, é um exemplo disso (Daune-Richard, 2003:70).
Uma pesquisa precursora realizada por Guilbert (1966) revela que as mulheres predominam em empregos simplificados, recaindo nestas os malefícios da divisão sexual do trabalho com mais intensidade. Isto indica que a partir do momento que a atividade ou determinado trabalho perde importância ou expressão, é feminizado. Dessa conjuntura emerge a correlação entre “desqualificação do trabalho-desqualificação da força de trabalho-feminização” (Souza-Lobo, 1991:147).
Nessa medida, as inovações tecnológicas no trabalho, implementadas pelas empresas no Brasil nas décadas de 1980 e 1990 privilegiaram os homens, em detrimento das mulheres.
“As operárias continuam sendo freqüentemente controladas segundo modalidades tayloristas da organização do trabalho, com cadências e ritmos impostos por linhas de montagem, máquinas e/ou normas disciplinares, ou pela demanda do cliente (sistemas just in time). A manutenção do cronômetro – instrumento taylorista do controle do tempo – nas indústrias de confecção e calçados combina-se com proibições diversas” (Oliveira, Carneiro e Starti, 1996:22).
A inserção da tecnologia afetou homens e mulheres de forma desigual no Brasil. Às mulheres cabem as tarefas monótonas e rotineiras; por exemplo, de inspeção pura, que não agregam qualquer controle estatístico, de digitação e outros, como revelou pesquisa realizada no Chile (Abramo, 1997).
Quanto aos homens, a tendência do Brasil é de que eles sejam designados para atividades em que utilizam a criatividade, atuam de modo autônomo, exercem a autoridade e o domínio técnico (Leite, 1997).
Assim, a entrada da tecnologia nas empresas acabou por aprofundar a divisão sexual do trabalho e as diferenças já existentes.
As empresas, em geral, são masculinas, porque o poder e a razão estão associados ao masculino. Mesmo quando ocupam postos idênticos aos das mulheres, os homens procuram estabelecer diferenças no seu trabalho e buscam autonomia e mobilidade; procuram se diferenciar, transmitindo uma imagem que se opõe à dos empregos femininos, mais rotineiros e sedentários. As políticas dos empregadores parecem, também, favorecer a maior autonomia e a responsabilidade no trabalho masculino, o que não aconteceu com o trabalho feminino.
Além disso, “as mulheres negociam vantagens a partir de uma situação de inferioridade, os homens desempenham um papel de superiores. (...) A superioridade dos homens é considerada inevitável. A superioridade das mulheres não é regra, logo pode ser recusada” (Souza-Lobo, 1991:80). Os diferentes patamares de negociação tornam-se cristalinos no depoimento de M.T., uma das participantes da pesquisa realizada neste estudo:
Um homem fala de igual para igual e exige o que quer e, eu, peço, depois que provar que sou muito boa e depois de já ter realizado sem as condições adequadas, sem gente, sem equipe, sem recurso. Aí, ele fala: não, ela é boa mesmo, então eu vou dar a pessoa, agora eu vou contratar um. Sempre foi assim, todo dia é desigual.
(Risadas) É a lei do cão, é estratégia de guerra. Todo dia você acorda e tem que criar uma estratégia de guerra para terminar o dia viva.
“A entrada da mulher no mercado de trabalho e a feminização são resultado da interconexão de três fatores indissociáveis:
2. Mudanças no processo ou organização do trabalho
3. A subjetividade das trabalhadoras, ao seu desejo de entrar e se manter no mercado de trabalho”(Hirata, 1997:12)
A autora ilustra a proposta dos três fatores com dois exemplos pinçados de uma pesquisa realizada em indústrias brasileiras. Nos anos subseqüentes ao “milagre econômico” (1969-1973). No primeiro caso, as mulheres assumiram funções de operários qualificados, os contramestres, mas somente quando esse trabalho passou a ser repetitivo e sem responsabilidade, com o conseqüente rebaixamento salarial.
No segundo caso, em meados dos anos 1990, com o ingresso das mulheres nos postos de manutenção elétrica, instrumentação, sendo solicitadas a usarem roupas folgadas e se comportarem como se fossem homens trabalhando.
Embora o nível educacional feminino tenha crescido, as mulheres continuam a ocupar posições de menor destaque, quando comparadas aos homens. Precisam possuir um nível de escolaridade superior ao de seus colegas homens para ocupar os mesmos cargos de funcionários do sexo masculino, com a agravante de perceberem menores salários (DIEESE, 1997).
Dados recentes do Seade-DIEESE (2006) confirmam que nem mesmo um nível educacional mais elevado contribui para a equivalência salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho, conforme Tabela 7:
TABELA 7 - Rendimento médio real por hora dos ocupados no trabalho principal, por sexo, segundo nível de instrução
Região Metropolitana de São Paulo - 2004-2005
Em reais de novembro de 2005 MULHERES HOMENS NÍVEL DE INSTRUÇÃO 2004 2005 2004 2005 Ocupados 4,98 4,87 6,39 6,44 Analfabeto + Fundamental Incompleto 2,33 2,34 3,40 3,50
Fundamental Completo + Médio
Incompleto 2,83 2,85 4,14 4,31
Médio Completo + Superior
Incompleto 4,50 4,44 6,57 6,40
Superior Completo 14,65 13,68 20,81 20,35
Fonte: SEADE (2006).
A hierarquia social permeia as relações sociais e se converte em opressão e dominação, sendo a divisão sexual do trabalho o centro do poder exercido pelos homens sobre as mulheres. Uma contribuição visível dos estudos de campo para a compreensão da divisão sexual do trabalho foi reconhecer a interconexão entre “relações de trabalho e relações sociais, práticas de trabalho e práticas sociais” (Souza-Lobo, 1991).