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Medikal Turizmde Aracı Kurumlar ve Önemli Kuruluşlar

     Nesta seção, investigo a eficácia dos estágios de Hopper para a organização dos verbos vir e  virar  tendo em vista sua constituição morfossintática e sua alteração funcional no  continuum verbo pleno > verbo auxiliar.   Para tanto, correlaciono os padrões funcionais identificados no  capítulo anterior aos estágios de gramaticalização propostos por Hopper.

     Segundo Hopper (1991), o surgimento de formas etimologicamente diferentes, com valores  semânticos  equivalentes   à forma  antiga,  coexistindo   com  formas   já  existentes,  caracteriza  o  estágio da estratificação. Nesse estágio, não há substituição da forma pré­existente pela nova  forma, mas a coexistência dessas em um mesmo domínio.

         Assim sendo, ao se levar em consideração que nesse estágio há formas alternantes que  concorrem entre si, torna­se relevante reconhecer as regras variáveis instauradas para cada verbo  e as relações que estabelecem com cada padrão funcional a que deu origem. Ressalta­se, no  entanto, que utilizaremos como material auxiliar o dicionário de sinônimos e antônimos Houaiss  (2003).  2.1 Estágio da Estratificação

a)   verbo  vir: em   seu   sentido   de   deslocamento   no   espaço   físico,   com   o   sujeito   [+animado]  instaura regra variável na concorrência com os verbos  chegar  (ela vem cedinho / ela chega  cedinho),    deslocar­se  e  caminhar  (acrescidos   de   preposição   direcional  para e  de ou   de  preposição delimitativa até).      O verbo chegar, no sentido de vir, tornará desnecessária a preposição diretiva se o locativo  puder ser inferido contextualmente. Não é o que ocorre no exemplo seguinte: (49) Ela queria ir com minha cunhada pra casa dela, se foi, ela chegou aqui fazendo um auê danado, ficou  quase uma hora chorando. (PEUL ­ RE 33) b) verbo virar: em sua acepção de mudança de direção efetivada por um sujeito [+animado], esse  verbo concorre com orientar-se, voltar, redirecionar e reorientar. No dialeto carioca informal,  entretanto, esses sinônimos não são empregados.  O verbo voltar, entretanto, pode ser empregado  em contextos similares, desde que o locativo indicativo de proximidade do falante possa ser  inferido: (50) ai ele voltou e estava marcando a mesma coisa aí o rapaz pegou pra virar a ( inint ) aí ele disse: Não  vira não, continua. (PEUL – R59) (51) ia pra escola assistia uma aula e voltava porque não tinha professores pra ele. (PEUL – R33) 

         A exigência de elementos que tornem a informação mais clara ao interlocutor é uma das  motivações para que os falantes utilizem com maior freqüência o verbo vir, que já traz em seu  sema   os   traços   de   movimento   e   direção.   Similarmente   ocorre   com   o   verbo  ir.   Talvez   seja  exatamente essa riqueza de traços semânticos uma das motivações para que esses verbos, em  sendo muito freqüentes, sejam aliciados pelo processo de gramaticalização nas línguas.

2.2. Estágio de Especialização

         Com base na estratificação dos verbos  vir  e  virar  e na idéia que alimentamos sobre os  motivos para sua gramaticalização nas línguas, pode­se afirmar que esses verbos demonstram  sua especialização em determinadas funções sintático­semânticas. 

      O verbo vir especializou­se em marcador locativo. Esse processo justifica­se em seu traço  básico de movimento em direção “a um local próximo ao ponto em que se encontra o falante”, o  local das atitudes,  da interação.  Esse movimento  permitiu  uma reanálise do lugar “aqui” se  gramaticalizasse em uma espécie de “marcador atitudinal” em contextos narrativos.        Também o verbo virar constrói sua base sêmica sobre traços de movimento oposto a uma  direção anterior. Assim, é mobilizado num processo de gramaticalização que culmina com o  surgimento de um marcador “tomada de atitude” fortemente conotando “reação” também em  contexto narrativo.       Notemos que ambos os verbos adquirem valor semântico­pragmático equivalente, em parte  derivada de um processo semântico­sintático e em parte de um processo cognitivo (reanálise),  cujo gatilho é o ambiente pragmático. O resultado é o surgimento de novas estruturas lingüísticas  que não mais seguem a rota de gramaticalização do verbo pleno respectivo.

2.3. Estágio da Persistência

      Os verbos vir e virar em seus padrões funcionais diferenciados mantém elos signitivos, que  denunciam sua ligação histórica. A persistência de alguns resquícios de traços semânticos da  forma­fonte se revela na forma gramaticalizada.

         Em todas  as funções identificadas  no  corpus  tanto para o verbo  vir quanto para  virar encontram­se   veios   de   sua   trajetória   de   mudança,   que   podemos   aqui   rotular   de   rotas   de  gramaticalização. 

      Em  vir1,   temos  vir (forma­fonte) delineando   traço   de   [+movimento],   configurado  semanticamente pelo deslocamento no espaço físico em direção próxima ao falante. Em  vir2,  mesmo ocorrendo a elisão do argumento locativo, há a pressuposição de deslocamento no espaço  na   direção   esperada.   Na   configuração   sintática   de  vir3,   embora   acompanhado   de   advérbio  temporal,  vir  ainda mantém traços de movimento no espaço. Em  vir4, seguido de advérbio de  modo, ainda que não ocorra deslocamento físico, há um deslocamento mais abstratizado. Em  vir5, como verbo quase­auxiliar, apresenta o traço de   [+movimento] e de deslocamento no  espaço físico. Em vir6, novamente notamos a presença do traço semântico de [+movimento] num  processo mental. Em vir7, há a manutenção do significado lexical de localização espacial e de  ponto de partida, no entanto a referência locativa se dá através do contexto discursivo, num  processo   anafórico.   Em  vir8,   configura­se   um   verbo   quase­serial,   mantendo   resquícios   de  [+movimento] e deslocamento no espaço, resgatado através do contexto discursivo. Em  vir 9, como verbo serial,  vir  apresenta valor semântico de deslocamento espacial não mais no plano  físico, mas, sim, no plano do discurso, denotando uma tomada de atitude.      Com o verbo virar, o estágio da persistência se revela em todos os padrões identificados. Em  virar 1 e 2 têm­se a mudança de direção, de posição e o traço de [+movimento]. Em virar3, virar assume caráter qualitativo, no entanto continua mantendo traço de movimento no plano mental.  Em virar 4, é nítido também seu traço de movimento no plano mental, uma vez que é possível  afirmar para o falante se coloca em direção ou posição adversa à anterior. Em virar5, tem­se a  passagem do movimento para o plano do discurso, quando entendemos a manifestação de uma  reação.

2.4. Estágio da Divergência          O estágio da divergência, que prevê a existência de formas iguais com funções distintas,  parece­nos ser uma decorrência natural da estratificação e da persistência, não se configurando  como um estágio independente. Assim, a divergência ocorrida tanto com vir quanto com virar explica­se na medida em que seus padrões funcionais vão se desenvolvendo. 2.5. Estágio da Decategorização      A mudança de categoria funcional remete ao estágio da decategorização. Assim, se um verbo  pleno   desliza   funcionalmente   para   verbo   quase­auxiliar   ou   verbo   auxiliar,   tem­se   clara   sua  decategorização. 

      Os verbos vir e virar passam por decategorização. Nem sempre temos a convicção de que  integrem um único e mesmo continuum, mas seguramente são unidirecionais todas as mudanças  empreendidas pelos itens, pois seguem para uma abstratização cada vez mais intensa. 

         Com base nas considerações tecidas nesta seção, chamamos a atenção para o fato de que  quando Hopper trata de estágios  seria mais  adequado falar em princípios, uma vez que um  imbrica­se com o outro numa compulsão necessária. Não se pode falar de um sem se falar no  outro. 

      Fica aqui nossa contribuição para os estudos sobre gramaticalização de verbos que seguem  rumo à serialização. Todos os “estágios” propostos por Hopper se manifestam na trajetória de  mudança   empreendida   pelos   itens   sob   análise   nesta   dissertação,   mas   julgamos   que   esses  mereceriam ser avaliados à luz da análise de outros fenômenos para que se reconhecesse seu real  estatuto após variadas aplicações.