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2.7 Patent Duktus Arteriozus

2.7.10 Medikal Tedavi

Seguindo os preceitos estabelecidos pela Sociolinguística Interacional, buscamos, no momento da análise dos dados, “mostrar como a diversidade afeta a interpretação” (GUMPERZ, 1999, p. 459).

O primeiro passo na análise dos dados foi assistir aos vídeos gravados e selecionar excertos nos quais: a) havia acontecido algum mal-entendido (da ordem de background

message ou foreground message); b) havia suspeitas ou evidências de que os interlocutores

estariam operando com frames interpretativos diferentes; ou c) suspeitava-se que os frames interpretativos utilizados em comunicação intracultural poderiam entrar em conflito, se ocorridos em interações interculturais entre brasileiros e americanos.

Como apontamos anteriormente, optamos por manter a coleta e a análise de dados em aberto e por realizá-las de maneira contínua (ao contrário de várias pesquisas nas quais esses dois procedimentos são realizados de maneira totalmente independente). Esse movimento constante entre coleta e análise é chamado, como já mencionado anteriormente, de ‘iteração’.

Um exemplo desse fenônemo foi o procedimento de entrevista com professores americanos, que só foi possível porque houve um momento prévio, apresentado acima, de seleção e análise de trechos importantes das filmagens, antes da coleta de novos dados por meio das entrevistas. Nesse primeiro momento de análise das aulas gravadas, outra amostragem foi separada pela pesquisadora. Esse novo processo de seleção é chamado por Dörnyei (2007, p. 129) de ‘within-case sampling’. Nele, o pesquisador seleciona os dados mais relevantes para o seu foco de pesquisa dentre aqueles coletados. Selecionamos alguns

‘eventos de fala’ (HYMES, 1972) que, a nosso ver, trazem informações importantes a respeito

eventos de fala selecionados para análise foram transcritos e detalhes prosódicos e gestuais foram contemplados na transcrição.29

A análise das entrevistas foi integrada à análise das pistas de contextualização previamente feita. Duff (2002) aponta para a importância da combinação de registros éticos e êmicos30 como maneira de fortalecer a credibilidade (ou a validade) das análises e interpretações. A perspectiva deste trabalho pode ser considerada como, simultaneamente, ética e êmica. Ao mesmo tempo em que analiso31 cada um dos turnos partindo de um pano de fundo teórico prévio, a própria condição de brasileira falante de inglês como L2 permite que eu também reflita a partir do ponto de vista do ‘observado’, ou seja, êmico. Entretanto, para não incorrer no risco de basear toda a análise apenas sob no ponto de vista pessoal, contei também com a perspectiva de falantes nativos americanos de inglês, o que conferiu ao estudo um caráter essencialmente comparativo, uma vez que confronto os registros êmicos dos americanos com os meus próprios.

Além disso, mediante a combinação entre os dois tipos de dados coletados (fimagem de aulas e entrevistas), tentamos conectar duas perspectivas: a micro e a macro. Quando da análise de cada um dos turnos das interações em sala de aula, trabalhamos a partir de uma perspectiva micro. Também durante a entrevista, encorajamos, inicialmente, uma reflexão no nível micro a respeito dos turnos, que foi seguida por uma reflexão no nível macro, ao contemplar considerações sobre questões culturais mais amplas. A esse respeito, Gumperz (1999, p. 453) relata que:

(…) pesquisas a respeito da significação comunicativa da diversidade foram e continuam sendo infestadas por divisões teóricas profundas. De um lado, há aqueles que consideram que as práticas comunicativas sejam moldadas pelo ‘habitus’: disposições incorporadas para agir e perceber o mundo que

29

O processo de transcrição será descrito mais adiante.

30 Os termos ‘ético’ e ‘êmico’, derivados de uma analogia entre ‘fonêmico’ e ‘fonético’, foram

cunhados pelo antropólogo e linguista americano Kenneth Pike (1912-2000) e ecoados por Dell Hymes (1969). Pike (1954) sugere que, para o estudo de sistemas culturais das sociedades, assim como para o estudo do sistema linguístico das línguas, existem duas perspectivas possíveis: a êmica, que se refere a distinções culturais que são dotadas de sentido para membros de uma dada sociedade, da mesma maneira que a análise fonêmica enfatiza as distinções fonológicas dotadas de significado para falantes de uma determinada língua. A perspectiva ética, de acordo com Pike, depende de conceitos extrínsecos e de categorias que têm sentido para observadores científicos, da mesma maneira que a análise fonética tem sentido somente para a análise linguística. A perspectiva êmica mostra ao pesquisador as categorias relevantes para o próprio grupo pesquisado, enquanto a perspectiva ética se faz importante em comparações entre culturas distintas

31

A escolha pela utilização da primeira pessoa neste parágrafo se deve ao fato de que queremos enfatizar que apenas a minha perspectiva como autora da dissertação (e não, por exemplo, a da minha orientadora) pode ser considerada, ao mesmo tempo, ética e êmica, já que eu sou brasileira.

refletem as condições macrossociais, as forças políticas e econômicas e as relações de poder nas quais elas são adquiridas. Esses devem olhar para

insights na natureza da diversidade. Outros assumem uma perspectiva mais

construtivista, alegando que, uma vez que nossos mundos sociais são fundamentalmente modelados pela interação, é necessário começar pelo aprendizado a respeito do funcionamento de processos interativos localizados antes que possamos iniciar a pesquisa sobre a diversidade (...). A Sociolinguística Interacional procura preencher a lacuna entre as duas abordagens focando em práticas comunicativas (...) como sendo o local do mundo real onde forças sociais e interativas se fundem.32

Portanto, a nossa análise também faz uma tentativa de incorporar o individual ao social, como propuseram Berger & Luckmann ([1966], 2004), fundindo a análise linguística a uma análise sociológica que, embora sem grandes pretensões teóricas, pretende apresentar motivações de cunho sociocultural para escolhas linguísticas feitas pelos interlocutores no momento da interação.

Após a análise dos eventos de fala apresentados no capítulo de análise empírica, voltamos, mais uma vez, às gravações, na tentativa de tentar encontrar outras ocorrências e variações dos fenômenos em foco. Transcrevemos, em seguida, os eventos de fala que traziam essas novas ocorrências e variações e os anexamos a esta dissertação. No total, foram adicionados três novos eventos de fala que foram precedidos por um resumo da conversação e seguidos de algumas notas resultantes de reflexões nossas sobre alguns aspectos importantes das interações em questão. Em alguns momentos dos dois capítulos seguintes – de análise empírica e de discussão dos resultados –, os leitores serão remetidos a esses apêndices e a essas notas.

Benzer Belgeler