A AMDpT surge em 1996 e até essa altura, o desporto para todos na região era regido pelo IDRAM. Com o crescente aumento da actividade física no âmbito do desporto de recreação e lazer, assim como de uma maior procura da população em geral desse tipo de actividades, o IDRAM sentiu a necessidade de criar alternativas que respondessem mais rápida e eficazmente às novas solicitações emergentes. Com o aparecimento desta organização, começou-se a praticar o desporto desta vertente de uma forma mais organizada, podendo dar a estes clubes e instituições apoios para poderem realizar actividades de um nível superior.
A AMDpT é uma associação dotada de personalidade jurídica, sem fins lucrativos, tendo como objectivo a promoção e organização de actividades físicas e desportivas, com finalidade lúdica, formativa e social, regendo-se por estatutos e regulamentos próprios e demais legislação em vigor. Os grandes objectivos da AMDpT passam também fundamentalmente por incrementar quantitativamente o investimento público no apoio aos eventos de lazer e recreação, bem como dar benefícios especiais aos agentes promotores do desporto na sua vertente não federada. Esta associação fundamenta-se numa concepção moderna e progressista do desporto e tem como principais princípios gerais orientar-se e defender os princípios da carta europeia do desporto para todos (Conselho da
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(UNESCO, 1992). Tem também como principio conceber o desporto como um direito dos cidadãos e reclamar às diferentes instituições públicas o seu fomento, para alem de promover a prática do desporto para a população em geral.
As entidades que pretendem apoio financeiro para a realização de actividades ao nível do desporto para todos, estão sujeitas a regulamento próprio da AMDpT (Regulamento de apoio aos Eventos Desportivos no âmbito do desporto para todos). As candidaturas a apoio à realização de eventos desportivos, no âmbito do regulamento, apenas poderão ser veiculadas por entidades associadas da AMDpT, de carácter não lucrativo. Desta incluem-se as associações promotoras de desporto, os clubes de praticantes, os clubes desportivos e os institutos particulares de solidariedade social – IPSS.
Após a avaliação por parte da AMDpT dos relatórios das actividades desenvolvidas pelos seus associados, é calculado com base no modelo de avaliação das actividades, o montante a atribuir a cada entidade. Estes valores são posteriormente enviados ao IDRAM. Após parecer positivo por parte do IDRAM, é celebrado entre este e a AMDpT um contrato programa onde fica vinculado o apoio a atribuir ás diferentes instituições no ano transacto. Entre a AMDpT e as instituições apoiadas são celebrados os protocolos de desenvolvimento desportivo e atribuído o respectivo apoio financeiro.
Resumindo, vemos que hoje, o desporto se converteu numa das actividades humanas mais praticadas pelas populações, quer seja a nível profissional ou amador, regular, sistemático ou ocasional.
O termo desporto para todos é um lema internacional que data do ano 1968 e em 1975, na primeira conferência de ministros europeus responsáveis pelo desporto, aprovou-se a Carta Europeia do Desporto para Todos, que define os princípios base aos quais os desportistas estão profundamente ligados. O desporto é considerado como um factor importante de desenvolvimento humano,
como um dos aspectos de desenvolvimento sociocultural e cada governo deve favorecer uma cooperação permanente e efectiva entre os poderes públicos e os organizadores benévolos e estimular a criação de estruturas nacionais, permitindo desenvolver e coordenar o desporto para todos. Os princípios invocados na Carta Europeia de Desporto para Todos são posteriormente renovados em Rhodes, em Maio de 1992, adoptando-se a Carta Europeia do Desporto.
Costa (1986), define desporto para todos como o conjunto de todas as actividades desportivas que visam, em diferentes graus, a forma física e a socialização dos praticantes; actividades que decorrem em locais com equipamentos adaptados sob direcção simplificada; actividades para as quais os grupos espontâneos da sociedade têm acesso sem limitações excessivas de condições económicas, sexo e idade. O desporto para todos pode ser entendido como a prática de actividades físicas e desportivas orientadas à população, sem discriminação de idade, sexo, condição física, social, cultural ou étnica, diversificada nas suas manifestações, geradora de situações de inclusão, entendendo o desporto como um âmbito de desenvolvimento social.
No caso concreto de Portugal, apenas após a instauração da democracia em 1974, começaram a ganhar expressão os valores da cultura física generalizada a toda a população e desde 1976 que o desporto ficou consagrado como direito dos cidadãos no art. nº 79 da Constituição da República Portuguesa. A lei de bases do sistema desportivo de 1990 consagra finalmente o princípio do desporto para todos, e a alteração de 1996 prevê a obtenção do estatuto de mera utilidade pública às organizações que promovem o desporto sem ser desporto de competição.
Na Região Autónoma da Madeira, com a criação da Associação da Madeira de Desporto para Todos, foram regulamentados apoios a conceder às Instituições que pretendessem organizar actividades desportivas no âmbito do Desporto para Todos, apoios esses que iriam permitir que as actividades tivessem um nível
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As organizações que realizam actividades no âmbito do desporto para todos na Região Autónoma da Madeira são, por norma, organizações de pequena dimensão, com poucos associados e que, como todas as outras organizações desportivas, para sobreviverem necessitam de apoios ao nível financeiro. Dadas as dificuldades financeiras destas organizações, devido a uma série de factores, como sejam a sua localização, que é maioritariamente em locais pequenos, com populações reduzidas e pouca vivência desportiva, ou mesmo devido à pouca motivação que principalmente as pessoas fora dos grandes círculos urbanos sentem para praticarem actividade física e por conseguinte terem de pagar por essa actividade. Para organizarem actividades, que naturalmente têm mais ou menos custos, as organizações necessitam de receitas. Estas receitas poderão ser obtidas através de apoios privados, públicos ou mesmo através dos próprios participantes.
A origem do financiamento destas organizações, permite compreender qual a orientação estratégica que seguem, de forma a cumprirem os seus objectivos e assim justificarem a sua sobrevivência e própria existência.
SEGUNDA PARTE – COMPARAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS
DAS ORGANIZAÇÕES DESPORTIVAS
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