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a. Qual perspectiva teológica?

A pergunta pela perspectiva a ser considerada pela teologia em seu diálogo com as Ciências da Religião deve considerar inicialmente que, qualquer que seja a perspectiva adotada, ela é sempre uma delimitação, pois ao mesmo tempo em que nos permite ver algo, ela nos impede de enxergar outras realidades. Ou ainda, o lugar desde onde olhamos a realidade é um misto de possibilidade e impedimentos. Neste sentido, a teologia, ao tomar consciência do seu lugar e do espaço das outras ciências no estudo da religião, deve conscientizar-se de que todas as ciências juntas não esgotam o real.

Esta reflexão supõe uma questão anterior: qual o lugar da teologia na universidade? E esta pergunta não diz respeito somente a uma acomodação espacial, a sua relevância primeira está na perspectiva epistemológica para a qual ela aponta, ou seja, a pergunta pela estrutura do saber teológico, e também no otimismo que ela possui: há lugar para a teologia na universidade. Contudo, este lugar é duplamente problemático. Primeiro, porque a teologia não pode esquivar-se dos questionamentos que enfrenta o atual modelo de universidade que temos no Brasil. Segundo, porque a pergunta pelo lugar físico supõe a pergunta por uma mudança de paradigma epistemológico: que teologia? Que maneira de fazer teologia na universidade no

estudo da religião? Esta indagação pelo lócus teológico na universidade supõe de antemão que saibamos o que significa hoje fazer teologia. Todavia, nem o lugar e nem a função da teologia na universidade nos parecem evidentes devido à mutação cultural que conhecemos nos últimos tempos, mutação que implica em certos deslocamentos sofridos pelo Cristianismo na cultura ocidental.

A resposta à indagação sobre o papel da teologia no estudo acadêmico da religião não é tão clara na medida em que alguns pesquisadores, no afã de melhor definir o estatuto epistemológico das Ciências da Religião, vêem a influência da teologia como uma sombra ameaçadora a pairar sobre a reestruturação dos programas de Ciências da Religião no Brasil.

Para alguns, este sombreamento teológico é de tal maneira problemático que desestimulou a convocação de posteriores encontros da ANPTER (Associação Nacional de Pós–graduação em Teologia e Ciências da Religião), que por ocasião de sua fundação iniciara uma discussão em torno do estatuto epistemológico das Ciências da Religião. Se, por um lado, a teologia, direta ou indiretamente, encontra- se na origem das Ciências da Religião no Brasil, por outro lado a sua presença entre tais ciências já não é mais tão óbvia e, às vezes, até mesmo indesejada.

Entretanto, a desqualificação e mesmo a qualificação da teologia como uma forma de saber que se dedica ao estudo da religião poderia ser vítima de um juízo apressado, diante de conceitos complexos como ciência, religião e teologia, cuja relação entre si é um campo minado por “pré–conceitos” e lugares comuns, tais como: considerar a base empírica como o fundamento último de toda e qualquer atividade científica, tomar a teologia somente por defensora da ortodoxia da fé eclesial e em última análise da fé cristã, bem como ver a religião unicamente sob a perspectiva cristã, fazendo do Cristianismo a única religião verdadeira. E muitos pesquisadores atribuem justamente à não precisão terminológica a origem de vários mal-entendidos que pairam sobre o exercício acadêmico da teologia.

Alguns estudiosos atribuem muito dos preconceitos em relação à teologia no âmbito acadêmico ao desconhecimento do que ela seja e frequentemente se lhe atribuem definições que não fazem jus a toda uma tradição teológica mais recente.

Como conseqüência, encontramos, por vezes, a metamorfose do exercício teológico em algo que não merece mais, a nosso ver, o nome de teologia, não havendo mais diferença entre o teólogo e outros profissionais das ciências humanas que se dedicam ao estudo da religião.

Em termos históricos, a teologia, que antes fora a rainha das ciências, com o passar do tempo é banida do mundo acadêmico não confessional ou ao menos passa a ser vista com desprezo. Cativa da estrutura eclesiástica, não raramente a teologia é vista como teologia dogmática, a qual estaria preocupada acima de tudo com a ortodoxia da fé de uma determinada comunidade religiosa e, no contexto brasileiro, em defender a religião tida como única, verdadeira e autêntica: o Cristianismo.

Neste sentido, para a mentalidade moderna, a teologia cristã não teria competência acadêmica para estudar a religião, a não ser que ela se restringisse ao ambiente estritamente religioso, uma vez que a teologia possui uma linguagem acentuadamente “eclesiocêntrica”, num mundo para o qual a Igreja cristã há muito deixou de ser uma instituição hegemônica, legisladora do comportamento social.

Por isso, quando se critica a teologia, critica-se em última análise a Teologia cristã, devido à sua maior visibilidade no contexto brasileiro. Esta identificação entre teologia e Teologia cristã, como vimos acima, vem a ser um dos grandes obstáculos à inclusão do saber teológico entre as ciências que se dedicam ao estudo da religião. Em parte, porque a Religião cristã tende a olhar para as outras religiões desde a perspectiva do verdadeiro e falso, fato este que tiraria do discurso teológico a competência acadêmica para discorrer sobre a religião fora de um ambiente estritamente confessional, cristão.

Tão problemático quanto este sentimento de superioridade que marcou durantes séculos a história do Cristianismo e conseqüentemente a própria Teologia cristã, encontramos no extremo oposto o complexo de inferioridade que atinge alguns pesquisadores ao quererem tratar com outros saberes que negam a razoabilidade do saber teológico, ou no mínimo o colocam sob suspeita. Este seria o caso do discurso teológico que entra pela porta dos fundos do cenário do estudo da religião, a partir dos conceitos desenvolvidos pelas demais ciências: questões

econômicas, traumas psicológicos, manipulação política, misérias sociais, funções sociais, etc.

A distinção entre uma teologia dogmática e uma teologia que se dedica ao estudo da religião aparece, pois, a nosso ver, como um caminho a seguir na tarefa de melhor compreender o papel da teologia no diálogo com as Ciências da Religião. Em outras palavras, se o postulado hermenêutico for algo constitutivo da elaboração de discursos plausíveis e razoáveis, então a teologia pode reivindicar a cidadania acadêmica.

Assumir a sua tarefa como um empreendimento hermenêutico talvez possa ser aquilo que garanta à teologia a sua participação na intelecção da cultura religiosa no contexto brasileiro. Hermenêutica entendida aqui não apenas como técnica de interpretação de textos, mas também como a arte da interpretação de símbolos e como o contínuo esforço de traduzir verdades antigas em linguagem acessível aos crentes e cientistas de hoje. Entretanto, se a base empírica for o único critério para conferir plausibilidade e razoabilidade ao discurso acadêmico, então a teologia estará desqualificada na sua pretensão de possuir um discurso com pertinência pública.

Um outro problema que se apresenta à teologia é que, para alguns, ela tenta sair do seu confinamento eclesiástico pelo viés do estudo científico do fenômeno religioso. Por isso, certos programas de estudo da religião no Brasil são acusados de serem na verdade cursos de teologia travestidos de Ciências da Religião. Esta camuflagem seria supostamente corroborada pela formação teológica da maior parte do corpo docente e igualmente pelo conteúdo das disciplinas e áreas de concentração com acentuado destaque concedido à Teologia cristã.

Entretanto, uma questão mais séria se impõe à teologia, visto que o problema da teologia não é somente o de seu confinamento eclesiástico, mas diz respeito igualmente a uma herança que coloca as ciências sob o juízo da teologia dentro da Igreja. Hoje, a teologia é convidada a justificar a pertinência do saber teológico ao lado de outros saberes que igualmente exigem a sua cidadania acadêmica. A teologia é chamada a ser um saber ao lado de outros saberes e não mais “a” ciência diante da qual todas as outras têm que se justificar.

O nosso atual contexto universitário ainda é marcado por uma mentalidade de corte positivista que rejeita o estudo da religião ou o olha com desconfiança, sobretudo quando este pretende ser levado a termo pela teologia, que tem a cientificidade do seu método colocada sob suspeita. O iluminismo filosófico vê a teologia como inimiga na medida em que ela é apreendida como guardiã de velhos dogmas, cuja autoridade remonta única e exclusivamente a argumentos fundados sobre a tradição e a autoridade eclesiástica. A religião, e por consequência a teologia, são acusadas de serem uma representação ilusória, inscrita numa situação agônica e com a finalidade de dominar e disciplinar amplamente a consciência das pessoas, ou seja, o modo de ver a realidade.

Para esta mentalidade, o lugar da religião seria apenas o âmbito do privado, das igrejas e das instituições religiosas. Todavia, esta perspectiva positivista começa a ceder lugar a uma outra mais tolerante em relação ao estudo da religião. E isto de certa maneira graças à notoriedade que a religião tem tido em certos meios formadores de opinião, bem como graças à contribuição de estudos com reconhecido valor científico.

A teologia, como intérprete qualificada da religião, ainda tem um longo caminho a percorrer até conquistar uma sólida cidadania acadêmica. Afinal, a ligação congênita entre a teologia e o estudo da religião é cada vez mais questionada, uma vez que este estudo é igualmente reivindicado por outras formas de saber que não raramente lançam um olhar de suspeita sobre a reflexão teológica. Não porque o pensamento moderno rejeite Deus e a religião como objeto de estudo, como assunto da ciência, mas sim porque, para a chamada ciência moderna, Deus e a religião não são mais assuntos teológicos propriamente ditos e sim antropológicos, ou seja, Deus e tudo que a ele se relacione interessam à ciência na medida em que são expressões culturais do ser humano: alienação, doença, projeção, degeneração, fuga da realidade, fanatismo, busca de sentido, etc. Contudo, vale a pena lembrar que há todo um debate em torno deste tema e que existem opiniões divergentes sobre este assunto.

Uma das conseqüências deste antropocentrismo moderno é o papel de coadjuvante ao qual é relegada a teologia, uma vez que o método teológico supostamente estaria contaminado por dimensões religiosas que comprometem a objetividade e a neutralidade científicas, e também porque o exercício da teologia se afasta da base empírica, preconizada pela ciência moderna. O desafio que se impõe aqui ao exercício da teologia é justamente a superação da compreensão da teologia como intérprete de uma realidade já definida por outras formas de saber. O que no caso da teologia equivale a superar a inadequação ou desqualificação do seu método de pesquisa.

A busca por um lugar para a teologia na universidade é na verdade a busca por uma racionalidade distinta da técnico–científica, que caracteriza as ciências modernas. Trata-se de saber se a racionalidade inerente à fé constitui ou não um saber distinto dos outros saberes. A isto podemos acrescentar ainda outra questão: se a presença da teologia nos diversos programas de Ciências da Religião no Brasil significa um estratagema para que a teologia ganhe cidadania acadêmica ou se estamos diante de uma metamorfose na maneira de fazer teologia. Que influência a teologia exerce ainda hoje na estruturação de tais programas?

Neste sentido, a teologia deve recuperar a sua racionalidade própria em meio às racionalidades regionalizadas do pensamento moderno. Ela é chamada a mostrar que é um saber construído em diálogo com o sentido oferecido pela fé, mas a partir de diferentes perspectivas. Um saber, portanto, que não é redutível a outros saberes, ainda que não seja necessariamente oposto a eles. Além disso, a teologia não pode contentar-se com o que as outras formas de saber dizem dela, como também não deve transformar-se em pura retórica da ideologia eclesiástica vigente.

Uma outra face deste problema diz respeito ao conceito mesmo de revelação, tão importante para o exercício teológico, na medida em que se critica a noção de revelação definida como manifestação objetiva de Deus na história. Nesta perspectiva, tende-se a confundir a verdade da revelação com a objetividade da letra na Escritura, e a tradição acaba por confundir-se com suas expressões, esquecendo-se que tais expressões são relativas porque humanas e limitadas porque históricas, carecendo por isso de uma hermenêutica. O que está em jogo aqui é a não aceitação

da noção de revelação como uma realidade transcendental definida a priori e que se impõe a qualquer realidade, sem nenhum tipo de interpretação.

Na perspectiva das ciências modernas, a esta face da inadequação científica da teologia podemos acrescentar ainda a inadequação oriunda do modo narrativo de discurso que lhe caracteriza, uma vez que tal narratividade encontra-se contaminada pela imaginação, pelo recurso a símbolos e metáforas, e pela experiência religiosa. Esta suposta contaminação, como condição prévia e sustento da narratividade, fazem do discurso teológico algo que não se esgota na visualização e sistematização, tão caras à ciência moderna.

Na Teologia cristã, por exemplo, dizer Deus é anunciar uma ausência, ou seja, no dizer não está totalmente compreendido o dito e isto faz com que o discurso teológico não se enquadre nos moldes epistemológicos das ciências modernas. Entretanto, aceitar esta inadequação epistemológica e querer adequar a teologia aos moldes das ciências modernas, a fim de obter status acadêmico, tem por pressuposto a idéia de que o conhecimento científico baseado no empirismo é uma forma de conhecimento superior às outras formas de saber. No caso da Tradição cristã, não podemos nos esquecer que a forma narrativa é uma das maneiras de a teologia articular seu discurso.

É notório que o pensamento moderno força a entrada do empirismo, da objetividade e da neutralidade tomados por critérios fundamentais do processo de construção do conhecimento. Um dos postulados das ciências modernas é, pois, a restrição aos órgãos dos sentidos como exigência a qualquer afirmação que queira ter valor de verdade no espaço público.

Diante deste postulado, podemos colocar as seguintes questões: o pesquisador em Ciências da Religião tem necessariamente que supor a experiência religiosa como algo arcaico, pré–moderno, a fim de afirmar a cientificidade da sua pesquisa, tendo que, para isso, manter-se no limite do empir icamente verificável? Como ter em conta a experiência religiosa na investigação científica e ao mesmo tempo garantir a cientificidade da pesquisa no estudo da religião? Haveria, pois, uma incompatibilidade congênita entre a experiência religiosa ou a crença do pesquisador

e a busca metodológica profana da modernidade? Seria a condição de não–crente uma postura neutra no tocante ao estudo da religião?

A partir do desdobramento de uma resposta afirmativa a esta última indagação, podemos nos perguntar, ainda, a título de exemplo, se um membro do povo guarani para vir a ser um antropólogo dedicado ao estudo da sua própria cultura deve necessariamente eliminar de si mesmo a sua “substância guarani”. Na perspectiva das ciências modernas, ele seria no mínimo orie ntado a não incorrer em erros metodológicos devido às suas paixões étnicas. Entretanto, não teriam incorrido em tal desvio ou erro alguns cientistas, que mesmo tomando por base o empirismo, deixaram-se levar por paixões que se encontram presentes em muitas análises sociais? O cientista “a–religioso” não estaria também ele movido por convicções pessoais, por crenças, e mesmo por uma fé, em sua pesquisa científica?84 Numa tentativa de resposta, ainda parcial, digamos concisamente que a crença ou descrença de um pesquisador em si mesma não nos parece ser aquilo que outorga maior ou menor grau de cientificidade à sua pesquisa. Ser crente ou não mostra apenas o lugar desde onde olha e interpreta a realidade. Nosso caso específico, a religião.

Outro aspecto releva nte para a nossa pesquisa é a revisão conceitual pela qual passa a própria ciência, na medida em que cresce justamente a suspeita sobre a centralidade da mediação empírica, do dogma da objetividade e da pressuposta neutralidade na pesquisa científica. A partir desta suspeita, acentua-se cada vez mais o aspecto hermenêutico como tarefa da pesquisa científica, ou seja, a necessidade de refletir sobre o ato mesmo de pesquisar. Os interesses pessoais, os objetivos formais e existenciais são aspectos a serem considerados na pesquisa científica desde o ponto de vista hermenêutico. Tudo indica que a noção de ciência não pode ficar restrita ao âmbito das ciências empíricas, mas deve também incluir outras formas de saber, dentre as quais a teologia.

Todavia, a crítica feita à modernidade, aos limites do saber científico moderno, mais do que um alívio para o teólogo na sua tarefa de intérprete qualificado

84 O termo fé é utilizado aqui no sentido antropológico, isto é, como confiança em pessoas que

testemunham uma escala de valores que aceitamos como verdadeiras, sem passar necessariamente pela comprovação empírica, porque atendem às nossas expectativas prévias.

da religião, na verdade constitui-se num grande desafio, pois o obriga a construir uma linguagem transgressora que não necessite mais viver às margens de um saber hegemônico como foi (ou é?!) a ciência moderna arquitetada sobre os alicerces do empirismo, da neutralidade e da objetividade.

Isto porque o problema da teologia não nos parece estar, a rigor, na sua “confessionalidade”, mas na maneira como o exercício teológico ao longo da história articulou a tradição cristã, ou seja, em torno de uma visão muitas vezes autoritária da revelação normativa que trouxe como consequência, por exemplo, a transformação do seu sistema de valores em uma moral que possui uma excessiva preocupação em normatizar a conduta humana em sincronia com a forma de pensar da autoridade eclesiástica, chegando mesmo a atitudes desumanizadoras.

b. Que religião?

A pergunta pelo lugar da teologia no estudo acadêmico da religião está intimamente ligada ao conceito de religião. Elaborado pelo Ocidente, algo demonstrado por vários estudiosos, religião é um termo que deve ser compreendido dentro do longo processo de elaboração da Cultura ocidental, marcado por sistematizações teóricas e conflitos ideológicos. Por isso, uma boa compreensão da evolução do uso do termo religião, e consequentemente dos estudos em Ciências da Religião, deve atravessar o debate em torno do “eurocentrismo” metodológico e do “cristianocentrismo” etimológico, uma vez que a definição do termo religião esteve condicionada às fronteiras da sociedade européia e do Cristianismo. Assim, é no desenvolvimento da Teologia cristã que cada vez mais a religião se torna um termo tão especial na compreensão ou incompreensão das alteridades, e isto com profundos embates e conflitos.

A identificação do termo religião com a religião cristã e o combate que se instaurou entre o Cristianismo, ou melhor, entre as autoridades eclesiásticas e as ciências modernas, contribui para o desprezo que tais ciências muitas vezes têm por

todas as religiões. Os discursos de intelectuais fundamentados num preconceito anti– religioso advindo da visão negativa que o Iluminismo tinha em relação à religião atravessou séculos, gerações, identificando geralmente religião a um sistema de imposição de normas, comportamentos morais, etc.

Hoje, esta forma de ver a religião ainda permanece entre aqueles que se opõem ao seu estudo de forma científica. O mesmo que se fez com o termo teologia ao associá-la à teologia dogmática fez-se com o termo religião ao identificá-lo com uma determinada maneira cristã de dizer a experiência religiosa, causando uma série de preconceitos no estudo acadêmico da religião.

A religião é um campo investigativo de diversos olhares interpretativos. Neste sentido, ela torna-se uma provocação à interpretação e as Ciências da Religião transformam-se em ciências hermenêuticas, cujos diversos pontos de vista são chamados ao diálogo, a fim de colaborarem com uma melhor compreensão do fenômeno religioso. E nesta mútua colaboração há de se buscar uma epistemologia que contemple o aspecto subjetivo dentro da dimensão científica da pesquisa. É preciso lembrar que a prática religiosa implica na doação de um novo significado às grandes questões da vida, pois, por trás dos fatos religiosos, estão pessoas concretas, com sua fé, sua humanidade, enfim sua história.

O fato de a teologia organizar-se em instituições que promovem a disseminação e o controle do saber e do poder constitui-se também num grave problema aos olhos de alguns pesquisadores. Freqüentemente a Teologia católica, por exemplo, interpreta o fenômeno religioso desqualificando as outras religiões tomando-as por uma degradação da verdadeira religião. Por isso, a teologia não teria

Benzer Belgeler