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3. MATERYAL VE METOT

4.2. Verilere Uygulanan İstatistiksel Analizler

4.2.3. MEA ve PDA ya uygulanan bağımsız iki örneklem t testi

A influência da Reforma Gregoriana sobre a formação da idéia de Estado, em específico, será objeto de nosso próximo capítulo. Aqui, nos resta tratar de uma questão, incidental às investigações de Berman, e que é aprofundada por Rémi Brague: a contribuição dada pela Igreja ao processo de secularização.

Como Brague esclarece: “[...] as condições de possibilidade da secularização foram colocadas e reunidas durante o período medieval. Em uma palavra ou uma imagem: o tremor de terra moderno tem um epicentro que se situa na Idade Média”.282 Brague, que, como Gauchet, esmera-se em acentuar a singularidade da Doutrina dos Dois Reinos, recupera a acepção, católica, do termo “século”, e defende que, desde as primeiras eras da Cristandade, já se encontrava, em germe, a idéia de uma separação entre forças divinas e humanas:

O “século” é primeiramente um dos nomes do que se pode chamar também de “mundo”. A instauração do mundo como “século” é um evento que se situa nos quadros da cosmologia, onde ele constituem uma revolução. [...] O “século” é o que resta do “mundo” pagão depois da revolução cristã – de resto iniciada no judaísmo. O mundo greco-romano acreditava viver em um cosmos eterno em seus ciclos; o cristianismo, herdeiro do ambiente apocalíptico, se percebe como situado em um “século” essencialmente provisório, destinado a passar como passado, segundo São Paulo, a “figura deste mundo” (I Coríntios 7:30).283

É imprescindível que se elucide um ponto, para melhor entendimento da argumentação de Brague. A diferença entre politeísmo e monoteísmo não se constitui, meramente, no número de deuses cultuados. Como, ao menos desde o filósofo israelense Yehezkel Kaufmann, vem sendo enfatizado nos estudos sobre religião, os politeísmos pagãos partiam da crença de que coisas, plantas, animais, homens e deuses, ao fim e ao cabo, participavam todos de um mesmo “mundo” – ao qual se convencionou chamar de “domínio meta-

282Tradução nossa para: “[...] les conditions de possibilite de la sécularisation se sont mises en place et réunies pendant la période médiévale. En un mot ou une image: le tremblement de terre moderne a un épicentre qui se situe au Moyen Âge”. BRAGUE, Rémi. La secularization est-elle moderne? Em FOSSEL et al. (Org.) Modernité et secularization..., cit., p. 21.

283Tradução nossa para: “Le ‘siècle’ est d’abord un des noms de ce que l’on peut appeler aussi le monde. L’instauration du monde comme ‘siècle’ est un événement qui se situe dans le cadre de la cosmologie, ou il constitue une révolution. [...] Le ‘siècle’ est ce qui reste du ‘monde’ païen aprês la révolution chrétienne – d’ailleurs commencée dans le judaïsme. Le monde gréco-romain croyat vivre dans un kosmos éternel dans ses cycles; le christianisme, héritier de l’apocalyptique ambiante, se perçoit comme situé dans un ‘siècle’ essentiellement provisoire, destine à passer comme passé, selon saint Paul, la ‘figure de ce monde’ (1 Corinthiens, 7, 30)”. BRAGUE.La secularization est-elle moderne? Em FOSSEL et al. (Org.) Modernité et secularization..., cit., p. 25.

divino”.284 O domínio meta-divino é o campo, impessoal, da tessitura do destino, ao qual todas as criaturas, mortais e imortais, se encontram subjugadas. Não há, nesse sistema, espaço para as noções de onisciência e onipotência, visto que mesmo os mais sábios e poderosos dentre os deuses se encontram presos a seus fados, condenados a repetir, a cada éon, suas próprias naturezas.

Na concepção de Kaufmann, a ruptura do monoteísmo hebraico com o politeísmo adviria de uma rejeição da crença em um domínio meta-divino. O Deus que, no Gênesis, cria os céus e a terra, a luz e as trevas, o dia e a noite, pode fazê-lo, exatamente, porque não figura como um ente entre outros, dentro de um mecanismo que o transcende. Ao transformar entes comumente divinizados pelo paganismo em meros objetos do labor divino, o monoteísmo expulsa Deus do mundo, nele identificando uma força que preexiste ao tempo e à ordem.

Uma diferenciação metafísica impensável, no universo pagão, desponta desse processo: a que distingue entre os entes e o nada. Para os pagãos, postular a existência do nada implica em uma contradição lógica, haja vista que o ser é um dado necessário e inquestionável, dotado de uma tangibilidade da qual não é possível se furtar. O monoteísmo, no entanto, torna o ser resultado de uma decisão contingente e deliberada, que poderia não ter ocorrido. Deus cria, não de um caos primordial subsistente, mas ex nihilo. É só a partir desse horizonte gnosiológico que a questão levantada por Sigério de Brabante e reinterpretada por Heidegger – “Porque existe afinal ente e não antes nada?” – faz sentido. O monoteísmo faz do advento do ser um ato inscrito na história, permitindo que, para além da metafísica ocupada com a questão eidética, da qüididade – “o que é?” –, se desenvolva uma metafísica voltada à questão tética, da existência – “o que é?”.

Para Brague, o cristianismo irá aprofundar e expandir a diferença, desenvolvida pelo monoteísmo, entre o transcendente e o imanente, o eterno e o contingente/histórico. Daí surgiria, no entendimento de Brague, a metamorfose do “mundo” em “século”. Aqui se erigiria o obstáculo, intransponível, a vedar para sempre as tentativas de identificar César e Deus, o poder finito do século e o poder infinito do Absolutamente Outro. Nas palavras de Brague:

Quanto à história concreta, o cristianismo tem essa particularidade de se ter sobreposto a uma instância política preexistente, o Império Romano. É isso o que o distingue por exemplo do Islã, que constituiu seu próprio império no momento das

284V. SPERLING, David. Israel’s Religion in the Ancient Near East.Em GREEN, Arthur (Org.).Jewish spirituality: from the Bible through the Middle Ages. London: The Crossroad Publishing Company, p. 16 e 17.

conquistas árabes do século VII. O Império Romano não tinha nada de “secular”. Ele repousava, ao contrário, sobre o religioso, em ocorrência do culto do imperador. Mas ao menos se pode dizer que ele não era cristão, pois perseguia os adeptos da nova fé, e justamente porque estes recusavam-se a se submeter ao culto que devia concretizar a obediência dos súditos. O cristianismo acabou, como se sabe, por absorver o mundo romano. Mas, e sobretudo no domínio latino deste, ele teve essa particularidade, se se pode assim dizer, de cuspi-lo após tê-lo mastigado. O que nós chamamos de Idade Média é a história mesma dessa separação.285

285 Tradução nossa para: “Quant à l’histoire concrete, le christianisme a cette particularité de s’être surajouté à une instance politique préexistante, l’Empire romain. C’est ce qui le distingue par exemple de l’Islam, qui s’est constitué son propre empire au moment des conquêtes árabes du VIIe siècle. L’Empire romain n’avait rien de “séculier”. Il reposait au contraire sur du religieux, en l’occorrence, le culte de l’empereur. Mais le moins qu’on puisse dire est qu’il n’était pas chrétien, puisqu’il persécutait les adeptes de la nouvelle foi, et justement parce qu’ils refusaient de se soumettre au culte qui devait concrétiser l’obéissance des sujets. Le christianisme finit, comme on sait, par absorber le monde romain. Mais, et surtout dans le domaine latin de celui-ci, il eut cette paticularité, si l’on peut dire, de le recracher après l’avoir mâché. Ce que nous appelons le Moyen Âge est l’histoire meme de cette separation”. BRAGUE. La secularization est-elle moderne? Em FOSSEL et al. (Org.) Modernité et secularization..., cit., p. 26.

Benzer Belgeler