• Sonuç bulunamadı

Mayaların yer aldığı fermentasyolar

A doutrina econômica islâmica nasce através do desenvolvimento da lei islâmica, ou šari‘ah. Para o autor, um pesquisador da economia islâmica não deve visualizá-la como uma coletânea de regras islâmicas62, deve buscar a doutrina e suas teorias e regras

fundamentais, a forma e a fundação da estrutura superior da lei civil islâmica. Assim conseguirá compreender o modelo econômico islâmico. De fato, como metodologia de desenvolvimento de pesquisa no Islã, será a lei islâmica a base. Kahf (1978, p.6) argumenta que “um sistema para a economia islâmica deve ser formulado da base da doutrina islâmica que rege a vida diária dos muçulmanos” e assim estes princípios purificarão o sistema.

Para o autor, o trabalho de pesquisa de um economista islâmico difere do trabalho de pesquisa dos expoentes das outras doutrinas econômicas, pois o pensador islâmico se vê diante de um sistema de economia inteiramente formado e acabado63 e seu trabalho

será a determinação de seu quadro estrutural, buscando “a revelação de suas regras de raciocínio (que a governam), a superação, até onde sejam possíveis, da densidade dos acúmulos do tempo e das longas distâncias entre os intervalos históricos” (ASSADR, 2012, p.336).

O papel do pensador será de fato libertar a estrutura das culturas não-islâmicas que dominam os sistemas, ou seja, o que é levantado como economia islâmica é o processo de islamização.64 E em seu livro, Assadr apresenta os regulamentos relativos à

61Para o autor, o trabalho de pesquisa que se deverá efetuar na economia islâmica é um processo

de descoberta de um sistema que já está estabelecida no Corão.

62 “Mas enquanto enfatizamos a necessidade de fazer a separação entre a natureza teórica da

doutrina econômica e do código de direito civil não fazemos com isso uma ruptura na relação que permanece entre ambas, ao contrário, ao mesmo tempo enfatizamos o forte elo e relacionamento que as une, no sentido de serem partes componentes de uma compacta, orgânica e complexa realidade”. (ASSADR, 2012, p.332)

63 “[...] o processo de descoberta, o curso do procedimento de trabalho a seguir é o inverso, e eis

que quando estamos diante da descoberta não temos posse de um quadro explícito dela ou algum aspecto ou forma definida da mesma antes que seja formada”. (ASSADR, 2012, p. 336-337)

muamalat (as relações pecuniárias e pessoais), leis para o gerenciamento das relações financeiras do Estado e da nação, lança a estrutura de rendimentos do Estado, a política para esses rendimentos e como essas regras formaram a superestrutura da doutrina.

Aqui percebemos suas ideias para uma reforma islâmica, um processo de islamização que envolvesse todos os campos da sociedade. O autor apresenta as condições iniciais, mostrando que há uma estrutura ideal para isso, ou seja, que os muçulmano, possuem valores éticos para que se reelabore uma sociedade mais justa em sua visão e seu trabalho na Hawza parece mostrar que isso partirá da educação.65

Seu texto apresentou e debateu o que seriam os pontos de equalização no processo de islamização: equalização da distribuição de renda, sendo importante o controle da propriedade privada; eliminação dos elementos exploratórios, sendo que o trabalho deverá se tornar uma forma de ganho; elaboração de programas sociais; renovação de uma ética para os negócios, com a eliminação da usura; e o estabelecimento de impostos obrigatórios com a ideia de uma sociedade igualitária.

Será a partir das concepções de vida do Islã66 que se criarão as leis que darão

forma à economia islâmica de Assadr. A doutrina econômica islâmica é descrita pelo autor de forma definitiva, não admitindo nenhuma mudança ou modificação. Mas há uma lacuna para o autor, e o governante deve preencher esta lacuna de acordo com suas habilidades de resolução das condições e circunstâncias.

65 O partido parecia restaurar o Islã na vida nos muçulmanos, através da aplicação da sharia e

com isso foram estabelecidos dois estágios. O primeiro era transformar a vida dos muçulmanos através da mudança da comunidade, trazendo o Islã à vida diária. A segunda fase seria a sua aplicação na política, e assim eles precisariam travar uma luta armada contra os inimigos. Esse ideal de fato é atingido por Khomeini com a Revolução Iraniana em 1979 que sempre teve o apoio dos xiitas iraquianos. Porém, no Iraque, Assadr consegue apenas a aplicação da primeira fase deste processo que durou 22 anos, agindo nos bastidores. Mas esse início foi significativo, pois o movimento Sadristra perdura no Iraque até hoje. Com sua mudança de enfoque dirigindo a sua carreira para a Hawza, o autor decide trabalhar na mudança do currículo do curso, pois ele verifica que os alunos não eram tão regulares às aulas e estavam negligentes, portanto propõe um novo livro, já que os utilizados não eram escritos para estudantes, pois não levavam em conta a capacidade do aluno de entender o islamismo.

66 “A primeira dessas concepções é a concepção islâmica da propriedade de acordo com a qual

Deus designou um grupo de pessoas como seus vice gerentes sobre os bens e as riquezas naturais, e criou de uma legislatura o decreto da propriedade privada e o modus operandi, dentro do qual um indivíduo pode perceber os mandatos da vice gerência como um aumento dos bens e da propriedade confiada a ela, a proteção e a distribuição dos mesmos, e o bem estar do ser humano. Assim a propriedade é uma operação que um indivíduo põe em prática em conta da sociedade e dele mesmo dentro da sociedade. A outra concepção, que tomamos por empréstimo e em adiantamento da futura discussão é o ponto de vista do Islam com respeito é negociação como um dos fenômenos da vida econômica”. (ASSADR, 2012, p.344)

Assadr dá destaque ao que chama de criação da doutrina econômica que, a seu ver, seria uma invenção, uma formulação completa da sociedade, um pensamento que realiza um trabalho, formula de maneira direta as teorias gerais de uma doutrina. Mas aqui nem sempre seriam impostas as questões éticas que poderiam estruturar uma sociedade mais justa. Seriam em si um procedimento que estaria sujeito a falhas. Por isso o Islã não se pautaria por este caminho.

No Islã, é estabelecida uma dependência entre a doutrina econômica e o código de direito civil, já que o código é descrito como o plano superior diante da doutrina e recebe dela a direção para a criação das leis.

O processo de descoberta da doutrina islâmica é feito através das regras legais e concepções, sendo que o método utilizado pelo Islã é a extração das leis do Corão67 e da

Suna68. Ou seja, a lei islâmica será extraída pelo exercício do ijtihād69, sendo que o

67 O Corão foi revelado ao Profeta em árabe e é considerado a Palavra de Deus, sendo o principal

dos livros Sagrados. No decorrer dos últimos vinte e três anos de vida do Profeta as revelações foram memorizadas e estas foram escritas por seus fiéis logo após seu falecimento. (AL- MUZAFFAR, 2009, p.69-70). As suras com teor teológico foram reveladas durante o período em que estava em Meca e as que estavam em Medina possuem conteúdo político, social e legal para os muçulmanos. O monoteísmo (altawhīd) permanece como ideia central desta obra e outro aspecto importante é a aceitação do Profeta como último mensageiro do Criador. A partir desta divisão, ficaria mais compreensivo o Corão, sendo assim foram separados as suratas (alīāt) ao que seriam preceitos legais. Destas, 70 são referentes à família e à herança, outras 70 sobre obrigações e contratos, 30 sobre a área criminal e 30 sobre procedimentos. Importante ressaltar aqui - e será visto durante o texto - que o principio da analogia tem estendido a aplicação do Corão a outras partes da legislação. Por si só o Corão não é um texto de lei, apenas algumas declarações que constituem regras que podem ser aplicadas diretamente. Estas são as que consistem em preceitos próprios para um comportamento ético.

68 A segunda fonte a ser considerada é a Sunna, que consiste da compilação dos ensinamentos do

Profeta Maomé. Essas tradições proféticas denotam a maneira, jeito, regra ou modo de conduzir a vida, sendo aqui importante essa definição, pois a sunna é resultado das histórias tradicionais transmitidas pelo Profeta. Essas histórias compõem a coleção de hadith que contém normas, atos, preceitos e consentimentos do Profeta que foram transmitidos e relatados por seus companheiros que tiveram contato direto e dele ouviram tais relatos, através de uma cadeia ininterrupta de transmissão de informações. Esses ditos, ou coletânea de hadith, ainda passaram por um processo de avaliação pelos primeiros sábios muçulmanos que estudaram a corrente de transmissão de cada relato, analisando as condições em que cada hadith foi relatado, bem como a conduta, a honra e a credibilidade de cada um dos relatores. Portanto, temos duas formas de classificar estas coletâneas: pelo grau de autoridade e a pessoa em quem a autoridade deste hadith foi recebida.

69 O ijtihād compreende as resoluções jurídicas, ou seja, o resultado do empenho intelectual dos

juristas que fazem uso da analogia para a elaboração destas resoluções. Como metodologia, os estudiosos da Lei Islâmica fazem uso do Corão e da Sunna para dar resolução às questões judiciais atuais. Esse grupo de estudiosos é formado por especialistas como teólogos, juristas, médicos, economistas. Essas resoluções jurídicas buscam uma reforma da sociedade em termos legais. O ijtihād é o principal instrumento de interpretação da mensagem divina e a possibilidade de contemplar as aspirações de justiça, salvação e verdade tanto desejada pela comunidade muçulmana. A razão é fundamental neste processo de interpretação, se tornando assim um

próprio autor, em seu texto, salienta a possibilidade de erro no processo de extração da doutrina econômica.

O risco surge no processo de extração do ijtihād devido à subjetividade, já que o elemento pessoal participa na contribuição, e esse risco será agravado quando das grandes distâncias históricas e factuais que separam a pessoa do Mujtahid dos textos os quais ele exerce seu ijtihād. O autor traz diversos exemplos do processo de extração, procurando explicar sua metodologia, trazendo ainda sua ideia sobre o processo abstrativo de desenvolvimento da doutrina, a separação da prática de suas efetivas condições e circunstâncias e de sua existência histórica desde a época da legislação islâmica.70

Assadr não nega que a adoção de um ponto de vista definido de antemão para com os textos gera uma tendência que a não objetividade pode extraviar o Mujtahid da compreensão dos textos legais, levando a um erro da dedução da regra geral destes textos.

Com isso, será visto que os ijtihād diferem e variam segundo a diferença dos Mujtahids em sua compreensão dos significados dos textos, em sua maneira de tratar as contradições que podem surgir entre alguns dos textos71 e nas regras e padrões gerais do

pensamento jurídico que venham a adotar.72 Isso não quer dizer que o ijtihād perde sua

instrumento de harmonia entre o passado e presente. O ijtihād significa em si um esforço intelectual extremo com o intuito da formação das leis que irão compor o direito islâmico. Para o exercício do ijtihād, deve-se possuir grande conhecimento da Sunna.

70 “[...] ocorre sempre que estudamos uma prática contemporânea à época da legislação islâmica

e tentamos descobrir a sanção do Islã para ela com base no silêncio da šari‘ah a respeito da mesma. Sob essa circunstância, a pessoa que exerce o ijtihād tende a cair no erro da abstração quando separa a prática contemporânea à época da legislação islâmica de suas circunstâncias, isolando os fatores que podem ter participação em sua permissibilidade e a generaliza com o parecer que essa prática é correta e válida no Islam sob todas as circunstâncias , embora o intuito da interferência com base no taqrir seja objetivo, é necessário que adicionemos à nossa avaliação todas as circunstâncias que possam provavelmente afetar a posição do Islam a respeito daquela prática, pois quando algumas dessas circunstâncias e condições mudam, a interferência com base no at’taqrir se torna sem sentido”. (ASSADR, 2012, p.359)

71 “Sendo assim, para a fidelidade de cada um desses textos, com exceção dos textos alcorânicos

e uma pequena parte dos textos da Sunnah, devem ser estabelecidos por tawatúr (corrente contínua de transmissão). Temos que confiar na narração de um desses transmissores ou muhaddiçin (conhecedores das tradições). E em seguida, cuidadosamente podemos investigar o histórico das transmissões até que ponto vai sua confiabilidade e fidelidade para com sua transmissão, conquanto, estejamos cientes disso quanto aos transmissores, e não de uma maneira direta e, desde que há a possibilidade de que o transmissor fiel, sendo falível, possa ter interpretado equivocadamente o texto e o transmitido a nós de modo diverso, especialmente em circunstâncias em que o texto possa chegar a nós somente depois de circular pelas mãos de vários transmissores, cada transmissor passando até que nos chegue após uma longa jornada, não podemos estar absolutamente certos de sua fidelidade”. (ASSADR, 2012, p.364)

72 “Disso resulta a ampliação de nosso inventário a respeito da economia islâmica e a presença de

validade ou não está autorizado a ser aplicado. Com isso, Assadr argumenta que o Islã permitiu sua prática e fixou para o Mujtahid o limite no qual ele pode confiar sua opinião dentro das regras formalmente expostas com a ciência dos princípios da lei, e não há nenhuma culpa de sua parte se o Mujtahid baseia sua opinião dentro dos limites permitidos, quer esteja certo ou errado.73

Para o autor, deve ser possível distinguir a realidade legislativa islâmica que o Profeta tinha enunciado e a forma tal como descrita por um mujtahid através de sua pesquisa de textos. Ou seja, a legislação islâmica no campo econômico não se produziu de maneira extemporânea e nem nasceu de pontos de vista isolados um do outro. Ao contrário, a realidade islâmica nesse campo se construiu sobre uma base unificada e um equilíbrio comum de concepções.74

Houve para Assadr, um modelo econômico islâmico na época do Profeta, sendo que este modelo existiu em um nível prático aplicado à realidade existente das relações econômicas. Em razão disto, se torna possível que esse processo de descoberta seja estudado e que se busque uma doutrina, de aplicação, ao mesmo tempo que é possível ao nível teórico, visto que essa prática aplicada define as características e os traços da economia da mesma maneira que os textos teóricos as definem no âmbito da šari‘ah75.

podemos escolher em todo âmbito o mais efetivo e o mais forte dos ingredientes que encontremos naquela forma para o tratamento dos problemas da vida ( socioeconômica), e a realização da mais elevada meta do Islã. Esse é o âmbito da escolha pessoal, no qual o investigador é o mestre de sua liberdade e opinião, porém, ele é livre apenas em sua posição de pesquisador. Entretanto, essa subjetividade não mais será uma opção, nem uma inovação, pois isso faz com que se dê a ele liberdade limitada à órbita de diferentes ijtihād e não uma liberdade completa.[...] a descoberta da teoria islâmica e do princípios doutrinários fundamentais sobre a ciência da economia(unidos num todo) completo, harmônico e homogêneo, com sua estrutura superior e suas particularidades legislativas e ramificações jurídicas só é possível baseando-se no âmbito subjetivo de escolha”. (ASSADR, 2012, p.362-363)

73 É lógico e esperado que se encontre em todo mujtahid uma quantidade de erros e contradições

com a realidade do pensamento e a legislação islâmica. Ou seja, no próprio trabalho do autor será encontrada contradições de acordo com a legislação islâmica.

74 Devem-se considerar os preceitos como sendo a estrutura superior que deve ser atravessada

para o que seja mais profundo e mais abrangente e daí se descer às bases nas quais será erigida e que expressam suas generalidades e seus pormenores e ramificações explicados, sem contradições.

75 “Todavia, os textos teóricos legislativos são mais capacitados a formar uma descrição da

doutrina do que a realidade existente aplicada, uma vez que a aplicação dos textos legislativos a uma condição definida provavelmente não é capaz de refletir um grande conteúdo daquele texto e nem é capaz de visualizar seu significado social integral”. (ASSADR, 2012, p.369)

Benzer Belgeler