4 ROTALAMA NEDİR
5.2 Karınca Kolonisi Optimizasyonu Algoritmaları
5.2.6 Max min karınca sistemi
fonte: http://www.chargeonline.com.br/. Acesso em 22/09/2011.
A charge se desenvolve em dois quadrinhos. Do lado esquerdo, aparece a figura caricatural em posição frontal de Dilma Rousseff com o cabelo salientado pelo topete, desenhado atrás de uma bancada que remete a da Organização das Nações Unidas, reproduzida tal qual aquela em que a presidenta discursou. Identificamos que a bancada é da ONU pelo estilo realista com que é reproduzido por meio do não verbal e pela pequena parte do símbolo das Nações Unidas que se apresenta no trecho inferior da charge, tudo isso recorrendo ao conhecimento de mundo do leitor. Do lado direito, há a figura de uma vassoura levemente voltada para direita com sua parte de cima curvada no mesmo tom castanho do cabelo da personagem representada no quadrinho ao lado. A tonalidade de cor da vassoura e a curvatura que ela faz no topo exatamente ao lado da imagem da presidenta, com o mesmo plano de fundo e ambas atrás da mesma bancada da ONU, evidenciam o tom cômico da semelhança construída entre as personagens: Dilma e a vassoura.
Temos, então, uma comparação, feita por meio de imagens, entre a imagem refratada de Dilma e a vassoura pela reprodução do mesmo plano de fundo nos dois
quadrinhos, pela cor tanto do cabelo da presidenta quanto das cerdas da vassoura que têm exatamente a mesma tonalidade, pela curvatura que o cabelo e a vassoura fazem em seus topos e pela posição frontal que tanto a personagem quanto a vassoura apresentam, embora a vassoura tenha uma leve inclinação para a direita.
A charge apresenta uma espécie de “estilo fotográfico” ao reproduzir uma cena de desenho realista com a presença de uma caricatura, da presidenta. Se pegarmos as fotos feitas no momento em que Dilma estava no púlpito, veremos a semelhança que haverá entre a fotografia e o fundo reproduzido na charge. Relacionando o imagético com o trecho verbal acima dos quadrinhos – “o que o mundo inteiro viu” e “o que só Brasília viu” –, temos ligação ainda maior entre as figuras. Temos a mesma estrutura sintática em ambas as sentenças, havendo apenas uma mudança paradigmática, ou seja, a permuta entre “mundo inteiro” e “Brasília”.
Essa troca acarretou em uma mudança também de perspectiva de visão, pois ambas as personagens são colocadas como o mesmo referente, sendo mesmo representações da mesma personagem, uma caricatural e outra metafórica. Dessa maneira, as imagens da caricatura e da vassoura se voltam para o modo como a personagem Dilma é vista, a partir dos pontos de vista construídos sobre ela. Metafórica devido à figura representar a ideia que se tem da presidenta. A partir das pistas dadas pelo texto, podemos chegar à enunciação que engloba a charge. Passemos, agora, para o momento histórico imediato que possibilitou o surgimento desse enunciado.
No dia 19/09/2011, ocorreu na cidade de Nova York, Estados Unidos, a abertura da assembleia geral da ONU, Organização das Nações Unidas, com o discurso da presidenta Dilma Rousseff, tradição que dá como tarefa ao Brasil, desde 1947, fazer o discurso de abertura da assembleia geral da organização. Em um momento histórico, Dilma sobe como primeira mulher a discursar na abertura da assembleia geral, defendendo a participação das mulheres em todos os segmentos da sociedade, ressaltando sua importância, salientando a situação feminina em todo o mundo e afirmando que este será o século das mulheres. Defendeu uma cultura de paz contra a xenofobia, contra os regimes que usam da violência para governar, contra o protecionismo comercial, contra o preconceito. Afirmou que o Brasil reconhece o território palestino em suas fronteiras de 1967 e apoia seu ingresso pleno nas Nações Unidas. Defendeu a união entre as nações para enfrentar a atual crise mundial que assola, principalmente, os países mais desenvolvidos e a participação do Brasil no
conselho de segurança da ONU; também ressaltou o programa brasileiro de distribuição de medicamentos para doenças crônicas não-transmissíveis, diabetes e pressão-alta, e condenou o uso de energia nuclear para fins não-pacíficos.
Além do discurso, há um outro contexto que merecer ser contemplado. Desde sua posse, Dilma trocou mais ministros do que os presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso juntos. Com as várias denúncias de corrupção em diversos ministérios - entre eles, o Ministério da Agricultura, Turismo, Transportes, Minas e Energia -, muitos aliados do governo que tinham cargos representativos, como o ex-ministro da defesa Nelson Jobim, caíram e estão sendo investigados pela Justiça Federal com o aval da presidenta.
Com a veiculação pela mídia de todos os escândalos e demissões, Dilma criou uma imagem de pessoa que luta contra a corrupção, reforçada com a assinatura de um acordo internacional anticorrupção e sempre defendendo em seus discursos a importância de se enfrentar esse problema crônico do nosso país. A figura da vassoura aparece em várias charges que tematizam a suposta “limpeza” que a presidenta estava realizando em seus quadros. A vassoura, enquanto utensílio, tem por função retirar os resíduos para a limpeza de um local, no entanto Bakhtin/Volochinov (2010) afirmam que
Qualquer produto de consumo pode, da mesma forma, ser transformado em signo ideológico. O pão e o vinho, por exemplo, tornam-se símbolos religiosos no sacramento cristão da comunhão. Mas o produto de consumo enquanto tal não é, de maneira alguma, um signo. Os produtos de consumo, assim como os instrumentos, podem ser associados a signo ideológicos, mas essa associação não apaga a linha de demarcação existente entre eles. O pão possui uma forma particular que não é apenas justificável pela sua função de produto de consumo; essa forma possui um valor, mesmo que primitivo, de signo ideológico (por exemplo o pão com a forma do número oito ou de uma roseta). (p. 32)
Tomando a vassoura como signo ideológico, vemos que ela simboliza a limpeza, a ação de retirar a sujeira, os resíduos, o lixo. A metáfora da sujeira sempre está presente quando se fala das várias artimanhas dos políticos para enriquecer às custas dos cofres públicos por meios ilegais. Tendo em vista que foi em Brasília que houve essa “limpeza” ministerial, com a saída de diversos políticos acusados de corrupção, substitui-se, então, a figura da personagem presidencial por aquilo que ela representa, há um processo metonímico.
Dessa forma, de um lado mostra-se o que o mundo viu no discurso da ONU (a mulher, a presidenta de uma das maiores economias do mundo) e mostra-se o que Brasília viu (aquela que “limpa” a sede do governo da “sujeira”, da corrupção). A relação entre as duas imagens ocorre tanto na representação imagética das duas (que se dá por semelhança “capilar”, cor do cabelo da personagem e da vassoura, do estilo também do cabelo e da vassoura) quanto na relação da caricatura com a representação metonímica da personagem, realçada pelo mesmo fundo e postura. Vemos, assim, que a charge em análise estabelece relação dialógica direta com duas temáticas: discurso na ONU e corrupção. A charge enquanto enunciado, portanto, responde a dois discursos que circularam na sociedade no momento histórico imediato, posicionando-se duplamente.
Dessa forma, como enunciado, a charge entra na cadeia discursiva ao responder aos discursos e gerar outros enunciados, como este trabalho de pesquisa, por exemplo. Portanto, observamos diversas relações dialógicas estabelecidas pelo enunciado chargístico: estabelece-se relação com os enunciados produzidos acerca do escândalo dos ministérios, dando resposta a dizeres gerados por tal fato e expressando seu ponto de vista sobre a temática por meio do riso; também se relaciona com o discurso da presidenta na assembleia geral da ONU e com os enunciados posteriores que surgiram a partir dele. Porém, há uma relação dialógica especial que não se apresenta de maneira direta: aquela que ocorre entre períodos históricos diferentes e é refratada por um signo em comum: a vassoura. Em 1960, o Brasil saía do governo de Juscelino Kubistchek e estava em campanha eleitoral presidencial. Entre os candidatos à presidência da república, havia Jânio Quadros que tinha por slogan de campanha “varre, varre vassourinha, varre, varre a bandalheira”, sendo a vassoura o grande ícone de sua campanha que o acompanhava em seus comícios para varrer os palanques nos quais discursava. O candidato em discursos acalorados prometia acabar com a corrupção, equilibrar as finanças públicas e diminuir a inflação. Jânio Quadros tinha inclusive um Jingle:
Varre, varre, varre, varre vassourinha! Varre, varre a bandalheira!
Que o povo tá cansado De sofrer dessa maneira.
Jânio Quadros é esperança desse povo abandonado! Jânio Quadros é a certeza de um Brasil, moralizado!
Alerta, meu irmão! Vassoura, conterrâneo!
Vamos vencer com Jânio!3
Vemos, no jingle eleitoral acima, que a figura da vassoura na verdade representa a “limpeza” a ser feita, a moralização desejada pela população na política brasileira. A vassoura, que aparece em diversas charges, delineia uma imagem de Dilma Rousseff enquanto faxineira do congresso, devido a ser próprio desse segmento profissional o uso de itens de limpeza, como a vassoura. É a vassoura como signo ideológico que possibilita construir a relação entre as figuras de Dilma e Jânio Quadros.
Podemos observar, ainda, na charge acima, a presença de elementos característicos de uma visão de mundo bastante particular: a cosmovisão carnavalesca. O presidente de um país é a figura de maior autoridade de uma nação, sendo recoberta por uma atmosfera de gravidade e solenidade que caracteriza as esferas oficiais. No entanto, no enunciado em questão, observamos que há a abertura de uma frecha em meio à pesada atmosfera oficial, por se tomar de empréstimo a figura para colocá-la em outro plano: o carnavalesco. Dessa maneira, o tom de alegre relatividade que circunda o texto em análise encontra abrigo na visão carnavalesca de mundo, sendo esse tom característico dessa visão. No plano da cosmovisão carnavalesca, identificamos nesta charge a questão do destronamento, isto é, a figura da presidenta Dilma é apresentada ao lado de uma vassoura, objeto que socialmente é recoberto por um tom inversamente proporcional ao de um líder de uma nação; a primeira é vista como algo inferior, sem importância social, característica das camadas mais populares e das funções de limpeza, consideradas uma das mais humildes, enquanto a segunda é vista com um tom de poder, de autoridade, de solenidade. Ao momento em que as duas imagens são colocadas lado a lado, podemos observar, como já foi dito, uma comparação. Há, então, uma profanação da imagem de Dilma que ocorre quando se coloca em pé de igualdade o alto, representado pela caricatura de Dilma, e o baixo, na forma da imagem da vassoura, principalmente quando se representa a figura da presidenta sob o signo da vassoura, apresentando-se aí uma ambivalência no segundo quadro da charge.
Uma das fontes do aspecto risível que encontramos no enunciado em análise reside na presença das características da cosmovisão carnavalesca, no princípio do destronamento, do rebaixamento, que se apoia em outra característica dessa visão de mundo: a alegre relatividade do mundo, que autoriza e sustenta a gozação que se faz
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com a autoridade. Verificamos o destronamento e profanação da figura da presidenta sob o signo do risível, lembrando que é sob a bandeira do riso que a cosmovisão carnavalesca se apoia. É por meio do traço risível que ocorre a dessacralização da figura oficial e se possibilita a comparação entre uma autoridade nacional e uma vassoura. No segundo quadrinho da charge é que podemos ver com maior clareza o princípio da ambivalência em razão de uma mesma figura incorporar e aglutinar a figura do alto e do baixo, ao momento em que se refere a uma autoridade com a imagem de item de limpeza, temos assim a categoria da mésalliance. A ambivalência se dá pela mescla entre as figuras e, principalmente, pela natureza não denegridora da imagem da vassoura, tendo em vista que a figura de autoridade não é negativamente valorada por se unir com a imagem da autoridade; pelo contrário, é exatamente pela união entre o alto e o baixo que a imagem da presidenta é valorada positivamente, há a reacentuação a partir união entre o alto e o baixo. Assim, são essas características sob o viés risível que possibilitam o projeto de dizer do enunciado chargístico, uma vez que faz parte da arquitetônica da charge a parcialidade e o riso auxilia na exposição clara da unilateralidade do enunciado. A presença de cada traço desse se dá de maneira intencional e por meio das relações dialógicas estabelecidas e já citadas.
Essas relações dialógicas fazem emergir o posicionamento e o traço risível da charge. Este aparece exatamente pela natureza enunciativa da charge, pois ao responder aos enunciados produzidos de maneira jocosa, a crítica se torna ainda mais contundente – pelo fato de o sarcasmo reforçar a crítica – e , ao mesmo tempo, aceitável – devido ao tom de leveza dado ao fenômeno em uma visão de senso comum. Contundente em razão do próprio riso ser sustentado pela opinião impressa sobre o texto, reforçando ainda mais o tom de degradação dos políticos brasileiros, e, ao mesmo tempo, aceitável devido à alegre relatividade do mundo, como explica Bakhtin (2010). Dessa maneira, o riso dessa charge se constitui a partir das relações dialógicas que se apresentam e, principalmente, pelo tratamento crítico-jocoso que aparece. Todas as escolhas realizadas obedecem a dois fins: criticar e satirizar. O riso, portanto, nasce a partir da forma como o posicionamento se apresenta, formando uma unidade em que um sustenta e reforça o outro.
Charge 2
Fonte: www.chargeonline.com.br. Acesso em 30/08/2011.
No enunciado acima, temos dois quadrinhos, como na charge anterior, e a presença de duas personagens que estão na mesma postura corporal. A primeira é uma personagem feminina que está correndo, que olha para a frente com a cabeça levemente inclinada, segurando uma vara de salto. Seu vestuário resume-se a um shortinho, um top e um calçado que lembra uma chuteira ou algo dessa natureza. Sua roupa nos remete a peças usadas por esportistas femininas, o cabelo preso comumente usado por mulheres esportistas para que o cabelo não atrapalhe e o porte físico com o qual se apresenta remete-nos a uma atleta especificamente da modalidade salto com vara, em razão da vara que segura, e aparentar estar se preparando para o salto. No segundo quadrinho, temos a figura de Dilma Rousseff, identificada a partir de traços comuns à refração de sua imagem na linguagem chargística (seu topete castanho, aparência rechonchuda e, via de regra, dentes incisivos enormes). Nesta charge, porém, não temos esta última característica. A presidenta aparece correndo com a cabeça levemente inclinada, bastante sorridente, expressando satisfação e segurando o cabo de uma vassoura. O plano de fundo dos dois quadrinhos traz o desenho de uma pista para corrida e a menção a um público por meio do desenho de círculos coloridos. Além da parte imagética, há o trecho verbal acima de cada um dos quadrinhos: no primeiro há a frase “salto com vara” e no segundo, “salto com vassoura”.
Se observarmos conjuntamente os quadrinhos da charge, poderemos observar que o plano de fundo de ambos é o mesmo: pista e público, porém a diferença entre ambos está nas personagens e nos dizeres acima de cada quadrinho. Temos, portanto, uma comparação imagética que se estabelece entre os quadrinhos, reforçada tanto pela semelhança imagética entre eles quanto pela parte verbal que apresenta a mesma estrutura sintática, havendo por diferença entre as frases a relação paradigmática, uma vez que na segunda frase temos a substituição do termo “vara” por “vassoura”.
O enunciado em questão responde a enunciados produzidos em dois eventos importantes: o escândalo dos ministérios e os Jogos Pan-americanos. O primeiro evento diz respeito às denúncias de corrupção dentre outras que têm por personagens ministros do atual governo, como foi mencionado na análise da charge anterior. Já o segundo evento, diz respeito a um evento pertencente ao mundo do esporte em nível continental. A décima sexta edição dos Jogos Pan-Americanos ocorreu na cidade de Guadalajara, no México, no período de 14 a 30 de outubro de 2011, tendo por participantes países de todo o continente americano, como Cuba, Argentina e Equador. O Brasil também participou do evento em diversas modalidades esportivas, uma vez que o evento era multiesportivo, com chances reais de medalha. Ao fim dos jogos, o Brasil ficou em terceiro lugar no Ranking geral, perdendo apenas para, respectivamente, Estados Unidos e Cuba.
A partir da recuperação do momento histórico que subsidiou a charge, podemos ver claramente as relações dialógicas que se estabelecem. Observamos que o enunciado chargístico responde a enunciados produzidos acerca tanto dos Jogos Pan-Americanos quanto do escândalo dos ministérios. Dessa forma, tanto a charge em questão quanto a anteriormente analisada podem ser caracterizadas como híbridas, por responderem concomitantemente a enunciados circulantes a respeito de temáticas distintas: política e Jogos Pan-Americanos. As relações estabelecidas se dão tanto por meio do verbal quanto do não verbal, principalmente, pelo não verbal. É por meio do imagético que se faz a comparação e, consequentemente, a aproximação entre o contexto político e esportivo, da semelhança entre a figura da atleta com a de Dilma feita por meio de elementos como a postura, mesmo plano de fundo e a semelhança entre o cabo da vassoura e a vara que a esportista segura. As semelhanças imagéticas são reforçadas pelo trecho verbal que indica que ambas as personagens estão na mesma posição, pois a atleta se prepara para saltar literalmente, enquanto a presidenta também se prepara para
um salto, porém não literal como a atleta, mas metafórico. A metáfora do salto se apoia no contexto sócio-político em que a presidenta é vista como alguém que não adota uma postura coorporativista, como a que marcou o governo que lhe antecedeu, no entanto, exige que os casos sejam apurados e punidos, se for o caso.
Além disso, podemos identificar alguns elementos da cosmovisão carnavalesca de mundo. Dentre eles temos o deslocamento da imagem da presidenta de uma posição de autoridade para uma, desportiva, havendo já um destronamento da imagem da autoridade. Além do destronamento, temos a figura da vassoura a que socialmente se relega um tom de inferioridade dada sua função ser considerada inferior em detrimento da função de uma autoridade nacional, representando, assim, a vassoura o baixo e caricatura da presidenta o alto. Vemos que não há uma divisão entre ambas as imagens, mas uma união entre elas quando a imagem de Dilma segura a vassoura. Observamos uma unidade orgânica entre elas. A unidade entre o alto e o baixo nos remete ao princípio da mésalliance, a qual é consequência do destronamento que equipara e possibilita a união entre os opostos. A mescla entre o alto e o baixo não influencia negativa ou positivamente cada uma das imagens, pelo contrário, as duas tornam-se uma e isso faz com que o tom colocado sobre a presidenta seja criado por meio dos opostos. O baixo é reacentuado, passa de um acento comumente atribuído como negativo e torna-se positivo pela sua junção com a imagem da presidenta, a qual faz parte do alto que, via de regra, é acentuado positivamente. Portanto, por não haver um caráter denegridor da imagem do baixo sobre a imagem do alto, mas em união haver um acento positivo sobre ambas é que podemos pensar a unidade como ambivalente, ou seja, uma regeneração, uma renovação das duas imagens. O rebaixamento presente na charge da figura da autoridade segurando a vassoura colabora para outra característica da cosmovisão carnavalesca: a alegre relatividade das coisas. Esta é fundamental para a aceitabilidade do enunciado em questão e para o aparecimento do riso, ao legitimar que uma figura de autoridade seja alvo de riso sem que este seja de escárnio ou pautado na ironia, mas parte integrante para a construção do axiológico na charge ao passo que fora de um contexto carnavalizado não seria adequado ou legítimo rir de uma autoridade, podendo esse riso ser interpretado como ofensivo ou proibido. Dessa forma, o riso tanto se apoia na cosmovisão carnavalesca presente como, concomitantemente, embasa essa visão de mundo. A importância do riso para o projeto de dizer do enunciado em análise é constitutiva no campo dos valores da charge, do posicionamento apresentado, por ser
o riso o possibilitador da crítica, ou seja, o momento em que aflora a individualidade do