5. TABAKALI KOMPOZİT MALZEMELERİN DARBE DAVRANIŞI
5.4. Tabakalı Kompozit Malzemelerde Darbe Sonucu Oluşan Hasar Modları
5.4.1. Matris Hasarı
Parte-se agora para discussão que focaliza os cursos de doutorado de Psicologia que tiveram teses sobre políticas socais defendidas durante o período 2007/2009. São debatidos dados de caracterização geral dos programas (ano de criação, localização geográfica, dependência administrativa, conceitos recebidos nas avaliações da CAPES, áreas de concentração e linhas de pesquisa) e sobre a dimensão do tema neste cenário (quantidade de docentes, de teses, de áreas de concentração e linhas de pesquisa sobre políticas sociais).
Como apontado anteriormente, dos 70 programas ativos à época da coleta, 41 ofertavam o nível de doutorado. Destes 41, apenas 29 apresentaram teses defendidas
no período estudado, uma vez que 14 foram criados a partir de 2007 e somente dois destes já apresentaram tal produção discente no interregno 2007/2009. Estes 29 cursos foram responsáveis pela produção de 824 teses no período.
Dentre eles, em 20 cursos constatou-se a presença de 105 teses sobre políticas sociais, o que representa 12,7% do total de teses defendidas no período pelos programas de Psicologia. Se por um lado, este índice pode representar um avanço para a área, que apenas recentemente passou a se dedicar ao tema, por outro lado, considerando o conjunto dessa produção, tal percentual pode significar limitações da Psicologia em abordar as políticas sociais como campo de estudos.
Importante mencionar que essa avaliação a respeito da dimensão temática figura entre como preocupação entre os debates mais atuais a respeito dos rumos e lacunas da pós-graduação stricto sensu de Psicologia. Ao passo em que há o reconhecimento da importância da pesquisa científica alimentar o corpo teórico sobre políticas sociais e do papel da pós-graduação na formação de quadros voltados para a elaboração e gestão dessas políticas, também defende-se que a diversidade teórico- temática deve ser valorizada, não havendo expectativa de que haja reprodução fiel de subáreas e temas em todos os programas de pós-graduação brasileiros (Féres-Carneiro et al., 2010).
De todo modo, até aqui já se pode constatar que o tema não está descoberto nos cursos de doutorado de Psicologia. Mais do que avaliar se esse índice representa número suficiente de trabalhos na área, tarefa difícil (se não, impossível) de ser realizada, resta analisar como essa produção se articula com as demandas que há em torno desta temática, aspecto que será abordado nos capítulos seguintes.
2.3.1. Caracterização geral dos programas
Um primeiro dado que chama a atenção a respeito desses 20 cursos de doutorado diz respeito ao seu período de criação. Observe-se a Tabela 6:
Tabela 6
Ano de criação dos cursos de mestrado e doutorado vinculados aos programas que produziram teses sobre políticas sociais no período 2007-2009
Cursos de Mestradoa Cursos de Doutoradob
1965 – 1969 1 0 1970 – 1979 8 1 1980 – 1989 2 5 1990 – 1999 6 7 2000 – 2009 2 7 2010 – Atual - - Total 19c 20
a) Cursos de mestrados que compõem programas cujos doutorados tiveram teses sobre políticas sociais no período 2007-2009.
b) Cursos de doutorado que tiveram teses sobre políticas sociais no período 2007-2009
c) Um dos cursos de doutorado aqui computado não compõe um programa juntamente com um curso de mestrado.
Considerando os 20 cursos de doutorado que tiveram teses sobre políticas sociais em 2007-2009, tem-se que 2/3 (ou 13 cursos) foram criados até o ano de 1999, o que indica uma maior participação dos cursos mais maduros na produção de teses sobre políticas sociais.
Além disso, quando se compara a idade dos cursos de doutorado que tiveram teses sobre políticas sociais com aqueles que não produziram trabalhos nesta temática, a diferença parece mais explícita. No primeiro caso, como afirmado anteriormente, 13 dos 20 cursos foram criados até o ano 1999, quase o dobro dos que surgiram após esse período (7 cursos). No segundo caso, os cursos que não produziram
teses sobre políticas sociais se dividem em proporção muito semelhante entre este período: cinco cursos foram criados até 1999 e quatro, depois disso.
Os cursos de doutorado aqui analisados compõem programas de pós- graduação junto com mestrados, à exceção do curso interinstitucional entre Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte, já encerrado (a última turma de ingresso foi em 2010). Assim, parece ser importante analisar a idade dos programas considerando também o ano de criação dos cursos de mestrado, já que por serem, em geral, antecedentes aos doutorados, revelam a dimensão do desenvolvimento histórico da prática de pesquisa a qual estes se relacionam.
Em relação a este dado, apenas dois cursos de mestrado podem ser considerados recentes (a partir dos anos 2000), enquanto quase 90% (ou seja, 17 cursos de mestrado) foram criados até o ano de 1999.
Tais análises levam à consideração de uma relação entre a maturidade do programa e a produção de teses sobre políticas sociais. A despeito da já mencionada escassa bibliografia sobre a história da pós-graduação stricto sensu de Psicologia, pontua-se que muitos dos cursos criados entre a segunda década de vigência do regime autocrático-burguês e o período de abertura democrática traziam em sua bandeira a preocupação com as necessidades sociais presentes na realidade brasileira.
Com isso, não se está buscando traçar uma linearidade absoluta entre o contexto de surgimento dos primeiros cursos de mestrado e doutorado da área com o cenário atual. De outro modo, reconhece-se que a afinidade teórico-temática dos docentes pesquisadores varia também em função da periodização histórica, o que faz com que programas mais recentes tenham em sua composição orientadores que estejam mais alinhados com as temáticas mais atuais da Psicologia, como por exemplo, as
políticas sociais. Entretanto, não se pode desconsiderar que a missão com a qual o programa foi criado, traduzido em diversos elementos que compõem a proposta dos cursos (como objetivos, linhas de pesquisa, estrutura curricular, dentre outros), pode continuar alimentando suas diretrizes e perfil temático.
Outro aspecto segundo o qual se pode caracterizar os programas de pós- graduação é quanto a sua localização geográfica. Na Tabela 7, pode-se visualizar como se deu a distribuição de tal dado:
Tabela 7
Distribuição dos cursos de doutorado de Psicologia quanto a sua localização geográfica
Região geográfica
Doutorado com teses sobre Políticas Sociais
Total
Não Sim
Norte (PA) 0 1 1
Nordeste (BA, PB/RN, PE) 2 2 4
Centro-oeste (DF) 2 2 4
Sudeste (ES, RJ, SP) 5 12 17
Sul (RS, SC) 0 3 3
Total 9 20 29
Quanto a esta caracterização, há de se ressaltar, de início, a baixa presença de Unidades da Federação com cursos de doutorado de Psicologia que tinham teses defendidas no período estudado, apenas 11. Sobre isto, já há intenção da comunidade científica, apoiada pela ANPEPP e Coordenação de Área da CAPES de ampliar, em até cinco anos, o número de estados brasileiros com programas completos (oferta de mestrado e doutorado) de Psicologia, pelo menos naqueles onde já funciona o nível de
mestrado (Féres-Carneiro et al., 2010). Em agosto de 2014, já eram 15 UFs com doutorados, reflexo dessa diretriz, mas ainda longe de alcançar a meta.
Um segundo aspecto referente à distribuição geográfica dos cursos é que dessas 11 UFs, em 9 há programas com teses sobre políticas sociais no período estudado, o que pode indicar uma significativa capilaridade do tema nos estados brasileiros que ofertavam o nível de doutorado em Psicologia. Isto se coaduna com propostas debatidas na área de que o atendimento às demandas de qualificação de recursos humanos não necessariamente prescinde de distribuição ampla dos programas de pós-graduação, ainda que auxilie. A ideia é que haja disponibilização ampla dos egressos, o que pode ser alcançado por meio de metas regionais (Féres-Carneiro et al., 2010).
Outro ponto a ser comentado diz respeito à maior contribuição das regiões Sudeste e Sul no estudo das políticas sociais, pelo menos sob o formato de teses acadêmicas. Atestar a supremacia de tais regiões geográficas sobre o conjunto da produção científica, não é novidade – são vários os estudos que apontam esse mesmo fenômeno (Domingues, 2007; Joly et al., 2010; Noronha et al., 2006; Rodrigues, 2005; Zanella & Titon, 2005), que se estende, também, em relação à quantidade absoluta de programas de pós-graduação nesses estados. A relação entre recursos econômicos e participação na produção científica pode ser estabelecida, assim, diretamente.
O que chama a atenção neste cenário é quando se toma em destaque a produção especializada no tema das políticas sociais. Araujo (2013) confirma que o padrão de investimento em políticas sociais de 2003 a 2010 teve impactos regionais diferenciados – por exemplo, 55% dos recursos do Programa Bolsa Família são destinados ao Nordeste, por concentrar mais da metade da população muito pobre do país. Este quadro, contudo, não se reproduz no que se refere à dedicação da pesquisa
psicológica sobre políticas sociais, ou seja, as regiões que recebem maior investimento financeiro e de infraestrutura em tais políticas não são aquelas com maior produção de teses sobre a temática, mesmo considerando em âmbito proporcional à oferta dos cursos de doutorado, potencial limitante dessa produção: enquanto em 5 dos 9 doutorados das regiões Norte e Nordeste foram identificadas teses acadêmicas na temática em tela (o que equivale a 55%), no que se refere às regiões Sudeste e Sul este índice chega a 75% (ou seja, em 15 dos 20 doutorados aí ofertados).
Em uma interessante análise sobre essa situação, Féres-Carneiro et al. (2010) apontam que a concentração geográfica de determinadas temáticas não pode, por si só, ser considerada uma inadequação do sistema de pós-graduação, como já comentado a respeito da reprodução fiel de áreas e subáreas nos estados brasileiros. De acordo com os autores, mais importante é conseguir apresentar um quadro no qual as diversas subáreas da Psicologia estejam representadas em alguma medida, suprindo eventuais lacunas temáticas, que é o que aqui se apresenta.
Outro tipo de concentração frequente no que se refere à Ciência e Tecnologia refere-se à dependência administrativa das instituições de ensino superior que abrigam os programas de pós-graduação, como pode ser confirmado na Tabela 8: Tabela 8
Dependência administrativa dos cursos de doutorado de Psicologia
Dependência administrativa
Cursos de doutorado em 2007/2009
Com teses sobre PS Com teses Ativos
Federal 10 15 20
Estadual 5 8 10
Particular 5 6 11
Na análise dos programas em tela, a taxa de representatividade das IES privadas33 que tiveram teses sobre políticas sociais (5 cursos dentre os 20 em destaque) é bem próxima àquela encontrada na distribuição dos cursos de doutorado de Psicologia de modo geral (11 cursos privados dentre os 41 existentes), que se dá em torno de 26%.
Por essa distribuição dos dados, poder-se-ia afirmar que o tema das políticas sociais é menos estudado nos cursos de doutorado em Psicologia sediados em instituições privadas do que públicas mas, contextualizando, conclui-se que isso sofre interferência pela menor quantidade dos primeiros em relação aos últimos. Comparando proporcionalmente, então, o estudo das políticas sociais apareceria de maneira semelhante, independentemente da dependência administrativa da instituição onde o curso está localizado: aproximadamente metade de cada um dos grupos, ou seja, 15 dos 30 públicos e cinco dos 11 privados.
Contudo, em uma análise ainda mais atenta, tomando como comparação apenas os 29 cursos que tiveram teses defendidas no período 2007-2009, a proporção entre programas públicos e privados se altera. Ao se considerar os 23 cursos de doutorado públicos que fazem parte desse conjunto agora mencionado, 15 tiveram teses sobre políticas sociais no interregno estudado (o que equivale a uma taxa de 65% dentre os públicos). Fazendo a mesma análise para os cursos de instituições privadas, tem-se que dos seis doutorados privados que tiveram teses defendidas no período, cinco apresentaram teses sobre políticas sociais, o que equivale a um percentual de 83%.
Esta análise conduz à constatação de que os programas de pós-graduação de Psicologia oriundos de IES públicas produziram teses sobre políticas sociais em menor proporção do que aqueles sediados em instituições privadas. Pode-se apontar vários elementos que ajudam a configurar este quadro, como a possibilidade de maior
33 Importante mencionar que todas as IES que produziram teses sobre políticas sociais identificadas como
consolidação/diversificação das linhas de pesquisa nas IES públicas, dado o maior tempo de estruturação se comparados às privadas, assim como também há de se considerar que, em geral, montar linhas de pesquisa voltadas às políticas sociais requer menos investimentos financeiros em equipamentos, infraestrutura etc. do que em outras subáreas, como Experimental ou Neurociências, aspecto sempre presente em se tratando de instituições privadas. De todo modo, em que medida isso pode representar uma dificuldade do sistema de pós-graduação público a ser superada, ainda mais ao se considerar a contribuição social esperada decorrente dos investimentos financeiros aí depositados, é uma questão que não pode ser furtada do debate.
Que seja analisada agora a caracterização dos cursos de doutorado com teses sobre políticas sociais em relação aos conceitos recebidos por eles nas avaliações trienais da CAPES. Observe-se a Tabela 9:
Tabela 9
Distribuição dos cursos de doutorado de Psicologia que tiveram teses defendidas no triênio 2007/2009 segundo os conceitos conferidos pela CAPES para o mesmo período
Teses sobre PS Conceitos CAPES 2007/2009 Total 4 5 6 7 Nenhuma 2 4 1 2 9 De 1 a 3 teses 3 6 - - 9 De 4 a 6 teses 2 2 - 1 5 De 7 a 9 teses 1 3 - - 4 10 ou mais teses 1 1 - - 2 Total 9 16 1 3 29
Percebe-se que nenhum dos cursos de doutorado que tiveram teses defendidas no período recebeu conceito 3, o que significa a ausência de doutorados com
conceito “Deficiente” ou “Fraco” no quesito I (Proposta do Programa) da Avaliação da CAPES no período. Tal quesito se refere, majoritariamente, à coerência e atualização das áreas de concentração, linhas e projetos de pesquisa, assim como da estrutura curricular (Tourinho & Bastos, 2010b).
Os cursos de doutorado que tiveram teses sobre políticas sociais se concentraram nos conceitos 4 e 5, o que aponta para a afirmação de que o tema em tela está presente nos programas considerados consolidados (ou em processo de consolidação, os que recebem conceito 4) e com corpo docente qualificado.
Dos 4 programas avaliados pela CAPES com conceitos 6 e 7, reconhecidos por apresentarem produção docente e discente de excelência para os padrões internacionais, um deles apresentou cinco teses sobre políticas sociais das 30 teses defendias no triênio. Este dado reforça a concretização da proposta de internacionalização conforme entendimento da comunidade científica de Psicologia: não como formação de recursos humanos para inserção no mercado de trabalho estrangeiro nem valorização de uma produção científica nacional dedicada às questões do capitalismo central, mas como busca pela integração da produção científica brasileira no debate internacional (Lo Bianco et al., 2010).
Importante ressaltar que o formato e grau da internacionalização das produções é demarcado pela heterogeneidade entre as áreas do conhecimento34. Por exemplo, Fiorin (2007) é taxativo ao apontar a inviabilidade de se internacionalizar a produção em Ciências Humanas e Sociais nos mesmos níveis e vias que as Ciências
34 Essas diferenças no grau de internacionalização aparecem até mesmo em relação às subáreas da
Psicologia. Em análise empreendida sobre os dados da avaliação da CAPES em 2007, percebeu-se que as ações de internacionalização não guardavam relação como a quantidade de docentes, a dependência administrativa da instituição nem com a maturidade/recenticidade do programa de pós-graduação. Entretanto, a quantidade de ações/produções vinculadas ao aspecto da internacionalização foi expressivamente maior nas áreas de Psicobiologia, Psicologia Cognitiva, Análise do comportamento e Psicologia do desenvolvimento do que nas áreas de Psicologia Social e Psicologia Clínica (Lo Bianco et al., 2010).
Exatas e Biológicas, mas ressalta que “é necessário, de início, repudiar energicamente o discurso da diferença que apenas serve para encobrir deficiências. A impossibilidade de estabelecer critérios únicos não quer dizer que não se possam determinar padrões de excelência internacional para todos os campos” (p. 271). Assim, temas considerados de interesse local, como neste caso o estudo das políticas sociais desenvolvidas no país, longe de consistirem em produção voltada para circulação apenas nacional, podem contribuir para fomentar a discussão que ocorre em outros países.
Ainda sobre a avaliação empreendida pela CAPES, outro efeito pode ser visualizado quando se considera os conceitos recebidos pelos programas com teses sobre políticas sociais ao longo dos quatro últimos processos avaliativos ocorridos até a coleta, conforme a Figura 5:
Figura 5. Distribuição dos cursos de doutorado de Psicologia com teses sobre políticas
sociais segundo os conceitos recebidos nas avaliações da CAPES
Percebe-se que de 1998 a 2009, os programas com teses sobre políticas sociais têm melhorado sua classificação nas avaliações: mais cursos receberam conceitos 5 e 6/7 nas últimas avaliações assim como não teve nenhum programa aqui selecionado que tenha recebido o conceito 3 desde 2004/2006, ainda que tenha havido dois cursos nesta condição em 2001/2003.
De fato, as avaliações empreendidas pela CAPES tem alcançado seu objetivo maior de qualificação geral dos programas de pós-graduação (Tourinho & Bastos, 2010b) e este quadro desenhado sobre os cursos ora analisados parece representar uma reprodução bastante aproximada do que vem acontecendo com o conjunto de cursos de mestrado e doutorado da área. Em praticamente todos os quesitos que compõem a ficha de avaliação, cada vez mais programas tem alcançado melhores desempenhos, mesmo quando se considera a “amarra” ou “trava” que a CAPES impõe para regular a quantidade de programas com os melhores conceitos.
Parte-se agora para análise sobre as áreas de concentração e linhas de pesquisa dos cursos de doutorado aqui estudados. Importante contextualizar que a organização dos programas de pós-graduação com valorização das Linhas de Pesquisa (LP) em detrimento das Áreas de Concentração (AC), apesar de estar presente desde o final dos anos 1990, ainda não se trata de aspecto consensual. De acordo com Santos e Azevedo (2009), algumas instituições construíram suas linhas de modo muito abrangentes, sacrificando informações sobre as pesquisas lá desenvolvidas em prol de conferir alguma unidade ao conjunto. Além disso, outros programas teriam somado as definições de Linhas de Pesquisa às já existentes Áreas de Concentração, promovendo sobreposição e confusão em relação às propostas dos cursos.
A despeito das indefinições em torno deste conceito35, o que acaba por dificultar a comparação horizontal do sistema, é possível tratar do lugar ocupado pelas políticas sociais no ensino pós-graduado analisando como o tema é previsto pelas áreas de concentração e linhas de pesquisa e de que forma ele se operacionaliza sob o formato de teses acadêmicas. Uma primeira análise refere-se ao caráter generalista ou vocacionado do programa, o que pode ser visualizado na Tabela 10:
35 Sobre este assunto, em 2003, a Revista de Administração Contemporânea dedicou uma seção especial
Tabela 10
Distribuição dos cursos de doutorado de Psicologia que tiveram teses sobre políticas sociais no período 2007/2009 segundo classificação das Áreas de Concentração em relação às subáreas da Psicologia
Subáreas da Psicologia Cursos Teses
Psicologia 7 23 Social 6 59 Clínica/Psicanálise 4 17 Experimental 1 1 Cognitiva/Neurociências 1 1 Desenvolvimento/Escolar 1 4 Psicobiologia - - Avaliação psicológica - - Total 20 105
Os dados expostos na Tabela 10 demonstram que o maior percentual de cursos de doutorado que tiveram teses sobre políticas sociais (85%, responsáveis por quase 95% das teses sobre o referido tema) são cursos de caráter generalista ou das subáreas de Psicologia Social e Psicologia Clínica/Psicanálise, campos tradicionalmente ligados às políticas sociais no que se refere ao exercício profissional do psicólogo, sendo, no último caso, alvo de críticas (Oliveira & Amorim, 2012). A subárea de Psicologia Social, sozinha, foi responsável pela produção de quase 60% das 105 teses relacionadas ao campo das políticas sociais – o que não destoa do esperado, dadas as aproximações temáticas entre este campo e a subárea.
A baixa incidência de programas na subárea de Psicologia Escolar e Educacional e Psicologia do Desenvolvimento também se repete no que se refere ao estudo das políticas sociais: dos dois existentes, um apresentou produção sobre a
temática no período e de apenas quatro teses. Ainda que o tema possa estar presente em programas generalistas, esse dado justifica a preocupação já apontada por estudiosos (Féres-Carneiro et al., 2010) de que a Psicologia precisa se dedicar ao sistema de ensino brasileiro.
Por fim, chama a atenção a presença de um curso em cada uma das subáreas de Psicologia Cognitiva/Neurociências e Psicologia Experimental, com a produção de uma tese sobre políticas sociais em cada um. Por se aproximar mais do caráter de