A ciência moderna e, consequentemente, os ideários pedagógicos orientadores da
prática educativa acentuaram, cada vez mais categoricamente, o papel do sujeito na
elaboração do conhecimento histórico. A experimentação, a aprendizagem por conhecimento
histórico, o papel ativo do sujeito desse processo, são algumas máximas bastante em voga na
atualidade histórica (MARX; ENGELS, 2006).
Nessa perspectiva, o sujeito do conhecimento histórico é o historiador, cujo
trabalho é interpretar fatos históricos ou as vivências humanas, com o apoio dos registros e
resquícios deixados ou guardados por um povo em um determinado local e por um certo
lapso- temporal. Por tais motivos é relevante o estudo da História, mediante o processo da
investigação e da compreensão dos acontecimentos históricos ao longo dos tempos e dos
espaços históricos.
O historiador produz História, advinda da experiência, cujo conhecimento visa a
desviar-se do senso comum, do conhecimento sensível ou empírico, para estreitar-se da
ciência e do pensamento científico escrito. Destarte, o historiador busca fazer História por
intermédio da História, haja vista que pretende conciliar dois aspectos divergentes de uma
mesma realidade, onde a História assume dois papéis, de um lado, como fato ou concretização
do sucedido e, de outro, como ideia ou narração também do sucedido.
A História é um campo do saber, que pode tratar da realidade e de fatos vividos no
passado, bem como tratar a História como reconstituição, donde se conclui que História é um
conjunto de saberes escritos acerca das sociedades, com fundamento nos marcos selecionados
pelo próprio historiador em conjunto com pressupostos delimitados pela historiografia,
levando-se em conta que esta, se vincula à produção socioeconômica, política e cultural de
um povo, de uma sociedade (VEYNE, 1983).
Desta forma, Ribeiro (2009) declara que, para produzir um conhecimento
histórico, não é indispensável recorrer à memória e às lembranças coletivas ou individuais,
mas é indispensável planejar, pesquisar e organizar um banco de dados, e escrever,
respeitando a natureza e a destinação do texto histórico, cuja tarefa exige conhecimento e
método.
A produção do conhecimento histórico é processada em tempo presente, embora
faça tratar de acontecimentos passados, mais próximos ou mais distantes de quem produz a
história – o historiador. Este pesquisador relata os eventos ou movimentações relevantes, entre
as relações sociais de cada época, que ainda, nos tempos atuais, podem ser certificados, como
o declínio feudal, o fortalecimento das monarquias absolutistas e, a elevação da burguesia
(RIBEIRO, 2009).
Na realidade, a hierarquização sempre existiu nesses movimentos, sendo a
responsável por criar certas modalidades de valores, os quais têm a capacidade de determinar
a disposição do homem, seu espaço, seu lugar na sociedade, sem que ele, muitas vezes, não
reflita tais valores, o espaço, o lugar e sua classe social (SANTOS, 2009).
Filipak (2009) defende o argumento de que a produção do saber histórico deve ter
uma base teórica com uma fundamentação sólida, para que o historiador possa examinar as
diversas fontes, mesmo sendo uma história do tempo presente ou histórias de um passado
mais remoto, com vistas a entrelaçá-las, mediante o uso de suas ferramentas profissionais, na
perspectiva de desconstituir a formular conhecimentos novos, na busca de obter uma história
mais próxima da sua real essência.
Efetivamente, o historiador deve se conduzir em seu trabalho de pesquisa de
forma imparcial, para que não se presuma que houve um prejulgamento do sujeito da
pesquisa, mas uma ferramenta que lhe possibilite estudar os conceitos intrínsecos inerentes à
pessoa, capaz de explicar o fenômeno investigado. Também é essencial que o historiador se
aproprie do estudo da Epistemologia da História, com vistas a elaborar um conhecimento
cientifico, a fim de explicitar os condicionamentos humanos e os aspectos técnicos, históricos
e sociais, com a intervenção de adequadas técnicas e ferramentas apropriadas, para
encaminhar sua investigação e perseguir seu ideal, objetivando assumir uma posição social,
política, religiosa e cultural.
Nesse sentir, Ribeiro (2009, p. 72) assevera que esse profissional deve reunir
todas as bases teóricas e críticas, os subsídios plausíveis para que, em sua análise e produção
histórica, não venha a praticar injustiças, como bem assinalou,
[...] como não há uma única forma de enxergar e escrever a história, cada olhar possível valorizará aspectos explicativos diferentes, que considerarão importantes e válidos, para entender o passado de acordo com as teorias, as metodologias, as ideologias e os conceitos deles decorrentes construídos e aplicados nas pesquisas.
Nessa perspectiva, o historiador, com base nos seus estudos observa que em uma
manifestação histórica não existe uma verdade absoluta, entretanto, esse profissional busca
sempre mais estreitar esse relacionamento para deparar esta verdade. Para reforçar esse
entendimento, Santos (2009) defende a ideia de que a finalidade da ciência, da investigação
ou de qualquer outra área da cultura, não é atingir a verdade, mas sim solucionar problemas.
Por outro turno, a expressão predominante de outras correntes é a de provocar
uma “verdade” absoluta, em função de interesses individuais, visando a obter benefícios para
si ou para uma categoria social, mediante a concepção de várias histórias da Pós-
Modernidade, significando dizer que o passado poderá ser fabricado e direcionado da maneira
que possa trazer significados para várias posições teóricas, ideológicas e políticas.
O conceito de verdade é ponto que desafiou vários intelectuais durante os séculos
XVIII e XIX, apesar de que a ideia de verdade se estabeleceu com o movimento da ruptura da
estrutura tradicional do pensamento positivista. Não obstante, sob o fundamento do
pensamento marxista, foi possível expandir a ideia de verdade, para a verdade relativa, a qual
é relativa à história. Ela não é de todo relativa, porém, como afirmam os relativistas e como é
atualmente concebido pela corrente pós-moderna.
Interessante é verificar o que leciona Fontes (2001, p. 129), quando assim
assevera:
[...] Se não devemos nos iludir com a tentação do absoluto – risco político e cognitivo – podemos construir uma verdade em processo. Considerar a verdade como processo é admitir que tendemos a ela, mas que ela jamais será terminada. Significa também admitir que o contraditório exige discussão e debate, e não imposição unilateral.