Durante o estudo, foi realizada a avaliação interobservadoras em 25% em cada fase experimental, escolhidas as sessões aleatórias para esse fim. A observadora principal foi a própria pesquisadora e a segunda e terceira foram duas fonoaudiólogas com experiência na área de comunicação suplementar e alternativa, conforme se pode observar, nas transcrições
das filmagens das sessões de linha de base, intervenção e follow up. No exame do desempenho alcançado pelo participante, nas atividades de reconto de histórias e descrição de relatos da rotina diária, foram considerados fidedignos os registros que tiveram uma concordância entre as observadoras de 70% (CARVALHO, 1996).
A concordância entre os observadores foi obtida pela técnica de ponto a ponto, quer dizer, foi verificada a pontuação de cada tentativa dos participantes em recontar os personagens, ações, locais e sequência temporal, assim como os níveis de auxílios recebidos na atividade de relato da rotina e no reconto das histórias. Em decorrência, foi estabelecido o índice de fidedignidade entre a pesquisadora e as observadoras, para o programa composto das atividades: descrição do relato e reconto de histórias dos participantes Ana, Maria e Paulo.
Dessa maneira, foram calculados os índices de fidedignidade e, conforme se frisou, considerados fidedignos os dados com, no mínimo, 70% de concordância.
As sessões de linha de base, intervenção e follow up foram encaminhadas para as observadoras, juntamente com a definição de cada variável dependente (personagens; ações; locais; sequência temporal), bem como as definições dos auxílios parciais e/ou totais, sendo solicitado, por exemplo, que a observadora registrasse quantos personagens os participantes recontaram e se necessitaram de auxílio e o tipo do auxílio etc. O mesmo foi feito para as outras variáveis.
O índice de fidedignidade dos registros relativos a Ana está demonstrado nas Tabelas 7 e 8.
Ana Linha de Base Intervenção Follow up
Nº de Sessões Sessões 1/3 Sessões: 2/5 Sessões 1/3
Sessões 1ª 5ª 8ª 10ª
(IF)-Pesq. X Observ 1.
85,7% 100% 85,7% 85,7%
Tabela7: Concordância entre pesquisadora e colaboradora 1, nas sessões de linha de base, intervenção e Follow
Ana Linha de Base Intervenção Follow up
Nº de Sessões Sessões 1/3 Sessões: 2/5 Sessões 1/3
Sessões 1ª 5ª 8ª 10ª
(IF)-Pesq. X
Observ 2. 85,7% 85,7% 85,7% 85,7%
Tabela8: Concordância entre pesquisadora e colaboradora 2, nas sessões de linha de base, intervenção e Follow
up
O índice de fidedignidade dos registros relativos a Maria está disponibilizado nas Tabelas 9 e 10.
Maria Linha de Base Intervenção Follow up
N. de Sessões Sessões 1/3 Sessões: 2/5 Sessões 1/3
Sessões 1ª 5ª 8ª 10ª
(IF)-Pesq. X
Observ 1. 85,7% 71,4% 85,7% 71,4%
Tabela 9: Concordância entre pesquisadora e colaboradora 1, nas sessões de linha de base, intervenção e Follow up.
Maria Linha de Base Intervenção Follow up
N. de Sessões Sessões 1/3 Sessões: 2/5 Sessões 1/3
Sessões 1ª 5ª 8ª 10ª
(IF)-Pesq. X Observ 2.
71,4% 85,7% 85,7% 71,4%
Tabela 10: Concordância entre pesquisadora e colaboradora 2, nas sessões de linha de base, intervenção e Follow up.
O índice de fidedignidade dos registros relativo a Paulo encontram-se nas Tabelas 10 e 11.
Paulo Linha de Base Intervenção Follow up
N. de Sessões Sessões 1/3 Sessões: 2/5 Sessões 1/3
Sessões 1ª 5ª 8ª 10ª
(IF)-Pesq. X
Observ 1. 100% 100% 85,7% 85,7%
Tabela 10: Concordância entre pesquisadora e colaboradora 1, nas sessões de linha de base, intervenção e Follow up
Paulo Linha de Base Intervenção Follow up
N. de Sessões Sessões 1/3 Sessões: 2/5 Sessões 1/3
Sessões 1ª 5ª 8ª 10ª
(IF)-Pesq. X
Observ 1. 100% 85,7% 85,7% 85,7%
Tabela 11: Concordância entre pesquisadora e colaboradora 2, nas sessões de linha de base, intervenção e Follow up
Com base nesses dados, observa-se que os índices de concordância entre pesquisadora e juízes mostraram que os recortes de enunciados eram fidedignos, diante da mensuração dos dados obtidos nas situações de reconto da história e relato da rotina diária.
5 RESULTADOS
Nesta pesquisa, foi empregado um delineamento de linha de base do tipo AB, com o objetivo de testar seus efeitos sobre os comportamentos dos participantes, ou seja, esse delineamento requer um período em linha de base (A) e outro de intervenção (B) (ALMEIDA, 2003).
Com a adoção de tal delineamento, espera-se que, ao se iniciar o processo de intervenção, ocorra uma mudança no comportamento do sujeito, pois, a partir dessa etapa, ele começa o processo de aprendizado dos elementos do discurso narrativo.
Os resultados da presente investigação indicaram o desempenho de cada um dos participantes. Além disso, para facilitar a visualização do desempenho de cada participante, também serão apresentadas outras três subdivisões: 1) Resultados da atividade descrição de relato da rotina da criança; 2) Resultados do reconto das histórias; 3) Resultados do desempenho da criança, no programa de intervenção.
Os resultados quantitativos foram disponibilizados em gráficos, para evidenciar o desempenho de cada participante, nas atividades de relato da rotina e de reconto de histórias, ao lado do desempenho de cada variável dependente e da comparação entre o desempenho dos participantes, em ambas as atividades propostas no programa de intervenção.
Na descrição da análise qualitativa, foram mencionados exemplos da interação, obtidos por meio da transcrição das fitas de vídeo.
Os exemplos de fala, apresentados no decorrer dessa sessão, tiveram as normas definidas anteriormente, mas é útil salientar alguns detalhes focalizados na transcrição, conforme a legenda a seguir:
A1: Participante 1 A2: Participante 2 A3: Participante 3 P: Pesquisadora
Os trechos de fala em cor preta são correlacionados a transcrições da filmadora 1, enquanto os trechos de falas em negrito referem-se à filmadora 2.
Por fim, cabe ressaltar que foram dados nomes fictícios para os participantes: Ana (participante 1), Maria (participante 2), Paulo (participante 3.