Lavalle (2011) afirma que a concepção de participar significa apostar nas iniciativas das camadas populares, na capacidade criadora de suas ações e, ser porta-voz de seus próprios interesses.
A temática da participação é central para pensarmos em exercício da Cidadania e, consequentemente, a construção de espaços democráticos. Foi essa concepção que alimentou o sonho de muitos brasileiros (as) militantes de partidos políticos, movimentos sociais, inseridos nas organizações populares que, na década de 80 sonhava com um país democrático, onde as pessoas pudessem usufruir livremente os seus direitos de cidadão.
Certamente, as práticas de participação que se avolumaram na sociedade nesse período, por meio de sua organização, manifestação, liberdade de expressão, foram construídas em suas bases, começaram de pequenas práticas, reuniões, debates e ganharam experiência. Fortalecidos por uma consciência política e direito de Cidadania, conquistaram uma Nova República e uma Carta Cidadã.
A Participação não é um conceito avulso, solto, desvinculado das questões e problemas sociais que envolvem a decisão sobre o futuro de nossas vidas, como nos adverte Moroni (2012) ao afirmar que o desejo de participar está intimamente ligado aos nossos sonhos, nossas utopias, nossos projetos. E, ainda, poderíamos dizer que partem do campo de nossas necessidades pessoais e sociais.
É nesta perspectiva que destacamos as pequenas iniciativas de participação que, sendo cultivados podem produzir ricas experiências, formando um acervo de práticas de grupos sociais. Por essa razão a Participação nasce da experiência de pequenos grupos. É com esse intuito que trazemos aqui, algumas iniciativas de participação como processos de vivências que ocorrem no CSML por meio de suas atividades.
É real a fala dos sujeitos que participam desse Espaço de Convivência afirmar que a “São Martinho” é a casa deles, pois, o surgimento desse Espaço contou com a participação da população em situação de rua. Foi um espaço, no qual, o envolvimento dos próprios conviventes é algo natural, espontâneo e não institucional. Isso é presente na fala de S4 quando diz: “eu ficava lá... os meninos traziam a vassoura, deixava lá... eu pegava e começava a varrer”.
Durante o período em que realizamos a pesquisa de campo, foi possível perceber a naturalidade das relações estabelecidas entre os sujeitos colaboradores, educadores sociais
com os sujeitos usuários do Espaço. A naturalidade não quer dizer falta de regras, mas respeito, proximidade, diálogo, mesmo quando era necessário estabelecer uma postura firme diante da indisciplina de alguns. A fala da Manuela, Educadora Social, revela esse comportamento ao falar das pessoas em situação de rua:
[...] nós temos bastante albergados porque você sabe o albergue ele abre muito cedo, eles dormem e ai tem que sair. [...] Eles jantam lá [...] e tem o café da manhã, também tem o banho, só que é muito cedo, tem que sair, eles saem, aqueles que não trabalham vem pra cá né, aqui é uma casa de passagem, casa de convivência, então, eles vêm pra cá e fica [...].
No CSML existe um cronograma de atividades, como foi apresentado anteriormente. A recolocação profissional é um espaço para aqueles que querem trabalhar e a “São Martinho” – SM – por meio do Serviço Social busca a parceria com as empresas num banco de dados disponibilizados.
Porém, a pessoa só é encaminhada para a vaga depois de passar por um processo de acompanhamento, principalmente, os que têm problemas com o álcool. Segundo a Manuela tem sido uma atividade com alguns frutos quando afirma que “vários já foram encaminhados e conseguiram sair da rua”. O Luís Antonio confirma essa informação ao dizer:
Por exemplo, casos de funcionários atuais, tem a Maria na cozinha, ela era atendida no início dos anos 2.000 (dois mil) como bolsista na época tinha esse recurso, a prefeitura tinha esse recurso eventual. Ela começou como bolsista e depois que ela continuou foi dada uma oportunidade para ela; Ronaldo que é esposo da Maria. Quando ela iniciou aqui ela ainda não tinha esse relacionamento com Ronaldo. Nasceu aqui o relacionamento dos dois. O Ronaldo é agente operacional, faz o acompanhamento com o atendido de estar acompanhando no salão, de ajudar a servir o café, ajudando na limpeza, conduzindo os trabalhos no banheiro, controlando o gasto da água, é uma coisa mais do cotidiano, vamos dizer assim... ele está ligado na parte da manutenção da unidade.
É visível a disposição e o envolvimento das equipes no acompanhamento desta população dentro do Centro, como também, são presentes os desafios. Quando foi perguntada como vê esse trabalho, Manuela também foi objetiva ao dizer:
Olha, eu falo assim, eu acho que esse trabalho é assim [...] tipo missionário. Porque se você for focalizar o dinheiro, você não fica aqui. Pode sair. Porque você tem que ter muita paciência, tem que ter muita, como é que chama, muita espiritualidade para lidar com esse povo.
Ao mesmo tempo ela concorda com os ganhos ao falar:
[...] se a gente conseguir, tirar dois ou três da rua já é uma grande graça, eles procuram a família, eles retornam, vários retornam, voltam pro seio da família, pra
nós, é gratificante, outros arruma emprego, tem vários aqui que já estão trabalhando, eles chegam ai Dona ... eu acho que a gente consegue, não percebendo, a contribuição que a gente dar, entendeu? A gente só percebe quando chega um e diz assim: “ah! a senhora me deu isso, a senhora me ajudou nisso”, e a gente nem lembra, então isso, a gente consegue achar que o trabalho da gente vale muito a pena [...].
São muitas as atividades que podem ser analisadas, desde a concepção dos fatos simples aos mais complexos que, de alguma forma, contribuem para que a convivência nesse espaço seja humanizadora, acolhedora, que é o diferencial deste Centro de Convivência.
Dentre as atividades realizadas a que mais se diferencia do contexto de outras casas de convivência ou de acolhida é o Espaço Cidadão. Segundo Luís Antonio:
[...] as atividades mais marcantes na São Martinho são: o Espaço Cidadão onde através das discussões sobre políticas públicas se conseguiu os seguintes programas para atendimento dessa população. Conseguimos, recentemente, o Projeto Família em foco que atende famílias inteiras em situação de rua, se chegar só a mãe, ou somente o casal, nesse caso é feito uma triagem, no CREAS, depois de analisar e estudar o histórico dessa família o CREAS vai encaminhar o pai, a mãe e os filhos para fazer todo um acompanhamento.
O Espaço Cidadão foi criado para discutir as questões que envolvem o universo da população em situação de rua. Discutir sobre as políticas públicas; avaliar o funcionamento da rede de serviços voltada para o atendimento desse segmento; trazer os problemas que envolvem a moradia nos albergues, o atendimento no SUAS, SUS, questões trabalhistas, como também discutir as soluções, discutir os direitos e a lei. É um espaço rico de participação.
Todos têm o direito de falar livremente, tendo em vista que essa liberdade não lhe é permitida noutros espaços. Neste o sujeito é participante. Acontece às terças-feiras das 9h às 11h. As pessoas são convidadas a participarem, no entanto, pela própria dinâmica do grupo, o Espaço possibilita sua mobilidade.
Neste Espaço as pessoas discutem sua problemática e os desafios enfrentados no cotidiano da rua, dos albergues, nos atendimentos dos profissionais desses equipamentos. Criticam e sugerem a qualidade. É nesse espaço que eles são informados sobre saúde, higiene, direitos, deveres; são planejadas as ações junto a outros movimentos como moradia, saúde, habitação.
Podemos denominar essa atividade como um Laboratório de Cidadania onde são preparadas as experiências, discutidos os métodos, as fórmulas, como proceder diante da burocratização das políticas que engessam e emperram o acesso a direitos e que estes direitos tenham critérios universais e não individuais.
Por outro lado, a cidadania para a população em situação de rua, como afirma Giorgetti (2012) para ser alcançada, é necessário que a pessoa nessas condições queira se reintegrar à sociedade, reaprender as regras e, para isso, é fundamental a “vontade” para obter a cidadania. A seguir apresentaremos os relatos dos sujeitos que estão nesse processo.
A fala dos que vivenciam a experiência do Centro de Convivência.
Neste item apresentaremos as respostas dos sujeitos da pesquisa quando perguntado sobre a importância de participar, e como as atividades do CSML contribuem para o processo de participação como vivência.
A condição de cidadania das pessoas que vivem em situação de rua foi negada pela própria realidade em que se encontram. Talvez, por conta dessa condição, para alguns seja difícil acreditar no potencial transformador desse segmento, por conta do grau de vulnerabilidade e pelas efetivas condições da forma como as políticas públicas as tratam.
Acreditar no potencial da população em situação de rua enquanto um sujeito coletivo, segundo Giorgetti (2012) é acreditar que é possível garantir sua participação na sociedade enquanto cidadãos de direitos. Dessa forma, ela não seria apenas um receptor de auxílio, nas palavras de Yazbek (2009), um “assistido”, mas sujeito na conquista de sua cidadania..
Vejamos os relatos dos sujeitos em relação:
Neste espaço a fala será facultada apenas aos sujeitos da pesquisa como atribuição a uma simbologia da participação. As considerações serão feitas no item 4.1.3.
Espaço de Convivência:
S1Relata que chegou até a “São Martinho” por meio dos colegas. Ele nem sabia que existia esse espaço.
Foi através de colegas. Quando eu cheguei em São Paulo eu não sabia que tinha essas coisas, não. Eu cheguei em São Paulo pensei que era como se fosse antigamente, chegando aqui você já arrumava um emprego, arrumava serviço, já ia trabalhar, São Paulo não é mais nada daquilo que a gente imagina, é surpresa pra mim e pra muita gente que vem aqui.
Depois relata sua experiência na convivência:
Eu aprendi o que é assistência social e saber que pra mim, psicólogo era coisa de doido e não é nada disso! Psicólogo é uma coisa e psiquiatra é outra, mas agente confunde, né, eu confundia quando a gente não sabia dessas coisas. Hoje não, hoje eu sei o que é um assistente social, o que é um psicólogo e o que é um psiquiatra. Na verdade, nós precisamos mais de psiquiatras do que psicólogos, porque tem muita gente em situação... ó minha filha, não é só droga nem bebida não, tem muita gente doente
S2 Relata que depois de vivenciar algumas experiências de viver na rua “não sabe o que deu na cabeça de vir para São Paulo”. E ao chegar aqui procurou um albergue pois já sabia que aqui tinham muitos, mas na época do frio era difícil encontrar uma vaga. Fala sobre a São Martinho:
Na verdade, desde que eu vim para São Paulo eu conheci a São Martinho e, antes da gente vir para o Espaço Cidadão, a gente tinha uma luta aqui na São Martinho que era a Casa do estudante que eu ajudei e que a Irmã Justina que está lá no Monsenhor de Andrade e que foi uma articulação nossa e nós queríamos essa casa porque, às vezes, as pessoas estudavam e não tinha um lugar para estudar, tinha que estudar na rua e a gente lutou aqui na São Martinho e foi assim que eu conheci a história da São Martinho.
Depois ele define a “São Martinho” da seguinte forma:
a São Martinho tem uma diferença das outras casas que as outras casa não têm: eles reconhecem a população de rua é essa a diferença. Por exemplo, a São Martinho de Lima é uma Casa que todos entram, entendeu? Isso é que é interessante! Todos podem entrar. A casa está aberta. O portão é enorme. Você olha ali e vê que é a única casa que pode chegar a hora que for, você entra. Isso é a diferença das outras casas. [...] Quem está na rua já está falando logo, quem mora na rua tem o que, tem liberdade, que liberdade é essa? Liberdade de deitar no chão, de ficar aqui, na rua, diferente das outras pessoas, chegar e conversar com um com outro, sabe. Você pode observar que aqui na São Martinho de Lima não tem essa história de dizer você não pode isso, você não pode aquilo... tem as regras da casa, claro! Os horários de funcionamento, mas aqui tem uma coisa que nas outras casas não têm, que é a liberdade. Então, o morador de rua aqui se sente à vontade! Você pode observar aqui de manhã, você pode observar, se você for lá no salão agora, tem gente dormindo no chão, tem gente com sua sacola, tem gente do lado de fora, quer dizer, é a liberdade de ser e nas outras casas as pessoas não tem.
S3 Relata que saiu da Bahia pelas condições precárias de trabalho e quando chegou a São Paulo trabalhou numa casa em Alto de Pinheiros, depois foi para Osasco. Veio para a convivência na São Martinho e logo começou a trabalhar. É assim que ele fala desse Espaço:
A São Martinho eu nem conhecia, através de alguns usuários que frequentavam aqui me falaram que havia essa casa, que acolhia, dava comida, dava tudo, então eu vim prá cá. Eu fiquei rondando por aqui e graças à Deus a Bom Parto me chamou logo, assinou minha carteira, comecei a trabalhar nessa frente de trabalho e quando eu saí eles já assinaram a minha carteira e tô aqui até hoje.
Logo em seguida falou das motivações que o trouxeram aqui:
O povo... ser educado, trata a gente bem, porque quando a pessoa vem aqui ele é tratado muito bem. Pelo coordenador, pelos colegas de trabalho, pelos funcionários é tratado muito bem, ai a pessoa vai...
S4 Quando indagado como soube da “São Martinho”, foi categórico ao dizer:
Foi a minha fé, Nossa Senhora né? Eu fiquei sabendo do Centro com os conviventes que estavam na rua.
A fala dos sujeitos expressam os sentidos, os significados por si sós. Porém, o que queremos resgatar é o que foi mencionado, implicitamente, pela maioria dos sujeitos, a solidariedade marcada por gestos concretos de companheirismo presente na rua. A maioria respondeu que chegou até ao “São Martinho” por meio dos colegas da rua.
Chamou-nos a atenção o comentário feito por S2. O sujeito demonstra com essa fala que a metodologia de trabalho com a população de rua tem que levar em conta o perfil desse público, a dinâmica da vida que ele leva.
Compreender que o morador de rua é uma pessoa que tem liberdade, não quer dizer que essa liberdade está relacionada a alternativas de escolhas, porque essa privação é presente ,quando a rua é a única escolha que ele tem em relação a tudo que lhe foi tirado em termos de acesso a direitos. Acreditamos que a liberdade falada vai na dimensão de quem vive uma vida sem referências, sem regras porque a própria situação vivida o condicionou a esse comportamento, por falta de referências objetivas, concretas, palpáveis. Então, a metodologia de trabalho tem que se adequar ao perfil para ter seus objetivos alcançados.
Atividades desenvolvidas e sua contribuição para a população atendida.
S1Expressou sua opinião da seguinte maneira:
Tem diversas. Além do almoço, além do café, tem o espaço cidadão, tem rezas na parte da tarde, tem a festa dos idosos, a gente vai passear, vai conhecer museus, vai conhecer parques, existe muita coisa boa que é feita aqui dentro. Participo. Quando eu tenho tempo eu participo.
Sobre a contribuição na vida das pessoas que frequentam:
Contribuem. Busca informação. Bom, como função da assistente social encaminha... bolsa-família, coisas que o governo ajuda, pelo menos tenta ajudar né, trabalho, entendeu, às vezes, encaminha pra emprego, sempre deu certo...
Porque é uma dinâmica. Se você não sabe lidar com as pessoas com quem você está no dia-a-dia, você não pode trabalhar numa empresa, numa firma.
S2 Faz menção a algumas atividades que destaca:
[..] atividade que eu participo é o Espaço Cidadão que é uma coisa de lei e que eu sempre venho participando e a questão da recolocação profissional que eu acho importante aqui, fora isso, tem o curso de informática, nós tínhamos a capoeira, mas como o professor Gilmar saiu agora, nós tínhamos a capoeira, nós temos passeios, uma vez ou outra com os idosos, a casa oferece essa atividade, tem o café da manhã com os idosos toda quinta-feira, depois tem uma atividade com eles, filme, temos um médico aqui que atende a população de rua, o clínico geral vem aqui falar com a população de rua, as palestras sobre saúde, temos o cinema que é chamado “cine pipoca” para o pessoal da rua, tem umas atividades muito interessantes. E a questão da informática que está ainda meio fragmentada porque está começando agora, mas o pessoal está acessando a internet, durante umas duas horas eles acessam a internet, eles têm conhecimento do mundo virtual e das redes sociais. E o mais importante aqui, além das atividades, é o ser voluntário, os próprios moradores de rua são voluntários da casa, eles ajudam na casa, pessoas que ficam para a limpeza.
Logo dar a sua opinião sobre a importância delas:
A importância é que o morador tem que... o que a gente busca é levantar a autoestima dele, saber que existe a vida e que a vida é importante. E quando você quer levar a vida para as pessoas você tem que dizer pra elas “olha, nós estamos aqui! No momento em que você precisar, nós estamos aqui”. Essas atividades são pra você dizer pra ele, “olha, não é obrigado você participar delas, mas você é convidado. No momento em que a porta estiver aberta você pode participar dela. A importância delas é elevar a autoestima, é dar outra expectativa de vida e levantar mesmo, dizer assim “olha, aqui não é um curral que a gente pega os animais e dá somente comida, aqui é um lugar que você pode participar, lutar, defender seus direitos, ter a cidadania e a sua vida de volta”, reconstruir a sua família, ligar pra ela, pedir perdão...
E faz destaque sobre a importância do Espaço Cidadão:
[...] a partir do momento que você começa a falar, no Espaço Cidadão, você começa a esclarecer algumas coisas, ele já fica alerta, então, ele pensa “ah! Espera aí, então existe isso? Espera aí, eu vou atrás!”, entendeu. Isso é um dos pontos fundamentais, por isso, o Espaço Cidadão é uma coisa consagrada, é uma das atividades mais consagradas que tem aqui porque dá para o cidadão uma orientação sobre os seus direitos [...].
S3 Não se alongou na resposta.
[...] a São Martinho é cheio de atividades, tinha muitas coisas e ainda tem.. Aqui tinha atividades... o cara estava doente, tinha remédio, tinha uma enfermeira que era D. Teresinha, tinha roupa e tem até hoje, sapatos, banho... tinha tudo de atividade que a São Martinho oferecia pra ele... de reunião, tinha atividades como a capoeira e tem até hoje... tinha o som ligado o dia todo pra eles lá fora, tinha reuniões, os funcionários conversavam com eles.
Tinha a feira, a cidadania que a gente faz, acho que é dia de terça-feira, tinha reza...
Em todos os eventos que participávamos com a população em situação de rua, cuja pauta de reivindicação ou protesto ou ainda, crítica aos equipamentos públicos ou conveniados com a Prefeitura, era constatado pelas avaliações dos serviços que a “São Martinho” era diferente das demais. Em conversa com S2 ele disse que a diferença estava na forma de trabalho, ou seja, o serviço engessado eu tenho que atender 300 pessoas, então, não passa das 300 pessoas, enquanto na “São Martinho” está com as portas abertas para quem chegar e entrar.
Concepção de Cidadania ou Cidadão
S1 define dessa forma:
Cidadania pode ser a gente tentar ser o melhor pra gente para fazer com que a sociedade reconheça em nós o quanto a gente é importante, o quanto ser cidadão é ser um brasileiro de... é... de respeito e que a gente tem que levar muita confiança, apresentar muita confiança, porque tem muita gente que não tem confiança. Ser brasileiro, ser cidadão é ele apresentar a confiança, confiando.
S2 Define da seguinte maneira:
Para mim, ser cidadão é você ter acesso a direitos, esse é o ponto fundamental. A partir do momento que você acessa os seus direitos, você é considerado um cidadão, entendeu? E justiça também. Porque não adianta você dizer que é cidadão e os seus direitos serem violados. Porque se você for analisar, a partir do momento que você deixa de ter acesso, você deixa de ser cidadão, você deixa de exercer a sua cidadania. Isso pra mim é importante! Esse sentimento de impunidade, só porque é morador de rua, vamos linchar, vamos bater, vamos discriminar, vamos impedir o acesso, entendeu? [...] Cidadania é quando a gente tem acesso à saúde, à educação de verdade, a moradia, a dignidade humana, o respeito, isso pra mim é cidadania; não é você dizer o que faz parte da cidadania, nós também temos os deveres e quais