• Sonuç bulunamadı

Decidi usar as entrevistas, neste estudo, em primeiro lugar, para dar voz ao professor universitário, coordenador dos subprojetos do Pibid Música no estado de Minas Gerais. Afinal, o sujeito decididor da ponta da política, o coordenador de área, é o responsável pela definição das ações que dão origem à construção dos conhecimentos profissionais. Dar voz aos professores coordenadores permitiu-me apreender a estrutura e funcionamento dos subprojetos no campo de ação e, junto com a voz dos licenciados, explicitar as

formas de organização do ensino de música nas escolas de educação básica adotadas por cada subprojeto do Pibid Música do Estado. Segundo, por meio da entrevista eu daria voz ao coordenador geral do Pibid, também professor universitário, responsável pela gestão nacional do programa, desde o ano de 2011. A voz do coordenador geral ajudou-me a compor a proposta de formação do Pibid e suas concepções de base além de trazer dados relativos à estrutura e funcionamento do Pibid UFU, sua instituição de origem, e ao campo de estudo desta pesquisa. Esse professor estava inserido no Programa desde a sua criação em 2007, participando como coordenador institucional do Pibid UFU, projeto que se tornou o maior do país à época de sua gestão. A partir do ano de 2011, a convite da Capes, o mesmo professor assumiu o cargo de coordenador geral do Pibid, tornando-se gestor do programa em nível nacional.

Desse modo, ao todo, foram realizadas oito entrevistas, sete com professores coordenadores dos subprojetos do Pibid Música, e uma com o coordenador geral do Pibid. Realizei a primeira entrevista com um professor coordenador. À época da entrevista, como ele havia sido contemplado com uma bolsa de pós-doutorado, o subprojeto, sob sua coordenação, foi assumido por outra professora do Departamento de Música. Sendo assim, a entrevista com ele foi considerada piloto e realizei, na mesma instituição, outra entrevista com a atual professora coordenadora. Revista a entrevista piloto, os tópicos foram ajustados e readequados ao problema em foco. O fato de eu ter sido professora coordenadora do Pibid Música, marcara a forma de relacionar com a política e, com o olhar contaminado, insistia em enxergar pela perspectiva do gestor. A primeira entrevista trouxe evidências nesse sentido. As questões tratadas durante a interação pesquisador-pesquisado revelaram muito mais concepções dos gestores sobre a política do que, propriamente, conhecimentos do professor de música.

Quanto ao contato com os coordenadores, primeiramente enviei e-mail, uma vez que os endereços eletrônicos ficam disponíveis na página eletrônica do Pibid das universidades. A pesquisa foi muito bem recebida pelas instituições convidadas, que não mediram esforços para que tudo ocorresse da melhor maneira possível. Todas as IES, sem exceção, disponibilizaram salas adequadas para a realização das entrevistas e dos grupos focais e dispensaram toda a atenção necessária à realização dos procedimentos de

pesquisa. Houve, em uma instituição, à época do agendamento da entrevista e do grupo focal, um problema de comunicação com referência ao acerto do dia da pesquisa. Ao chegar na instituição, constatei o engano de ambas as partes e, prontamente, a coordenadora do curso, a professora coordenadora do Pibid Música e a professora colaboradora do grupo focal se empenharam em contactar os alunos e reorganizar o horário do grupo focal. Como havia problemas de salas disponíveis naquele dia na instituição, a professora coordenadora gentilmente cedeu a sua casa para a realização da entrevista, que transcorreu de maneira tranquila e sem interrupções.

A respetio dos horários das entrevistas, vale lembrar que há um distanciamento geográfico entre as IES do Estado, logo o agendamento das entrevistas se deu junto com o agendamento do grupo focal. Precisei conseguir dia e horário que atendessem aos bolsistas e ao professor coordenador. Apesar de complexa essa operacionalização, consegui acertar as datas e os horários em menos de um mês, nas cinco IES do Estado. Acredito que a facilidade em obter o aceite para a realização da pesquisa e a disponibilidade dos sujeitos para mudanças e adequações de datas e horários, eram devidas à horizontalidade da relação entre a pesquisadora e os coordenadores. Afinal, todos nós somos professores universitários. Apesar de, no momento da entrevista, pesquisador e pesquisado ocuparem lugares diferentes, ambos têm a mesma profissão. Além do mais, alguns professores já possuíam experiência com pesquisa o que gerou uma relação de cooperação e respeito com a pesquisa e a pesquisadora. Além disso, a área de música possui poucos cursos no Estado, o que facilitou a proximidade e o contato entre os professores.

Outro fator relevante, nesse sentido, é que o Pibid Música possui tempos institucionalizados para realizar reuniões com bolsistas e com a coordenação do subprojeto. Assim o tempo destinado às reuniões cederam-me os coorddenadores, para a realizar o meu trabalho com os grupos. Isso garantiu a presença de quase todos os bolsistas de iniciação à docência nos grupos focais. Desse modo, agendar as entrevistas também não apresentou problemas. Nas universidades, os professores se colocaram disponíveis para a entrevista em diferentes momentos: antes do grupo focal, na manhã anterior ao grupo focal, ou ainda, na manhã seguinte à realização do grupo focal. Dessa

maneira, não tive dificuldade em organizar os horários que atendessem aos professores, aos bolsistas e a mim. Isso tornou mais eficaz a operacionalização da pesquisa e diminuiu minhas despesas com a permanência na instituição.

Vale, aqui, um parêntese: no ato do convite ao professor coordenador, encaminhei, por e-mail, o Termo de Compromisso Livre e Esclarecido (TCLE), aprovado pelo Comitê de Ética da UFMG, contendo todas as informações relativas à pesquisa. Optei por iniciar o contato pelos professores coordenadores, pois, de fato, eles e os bolsistas eram os sujeitos da pesquisa e os implementadores da política na prática. Após o aceite dos coordenadores, a Carta de Anuência Institucional foi encaminhada às IES, para institucionalizar o aceite da pesquisa. Os documentos foram assinados e datados pelos entrevistados e pelo responsável institucional, e eu os arquivei. Após a concordância de cada entrevistado, as entrevistas foram gravadas e transcritas, para posterior análise dos dados. No contato presencial, entreguei o TCLE impresso, li o documento e então, foi assinado por cada entrevistado. As entrevistas foram individuais, realizadas em um encontro que variou entre 1 hora e 30 minutos e 1 hora e 40 minutos. Em uma universidade, houve a participação do co-coordenador do subprojeto, que fez questão de participar. Neste caso, analisei o material da entrevista como uma voz coletiva, representada pela voz da coordenadora do subprojeto.

Com relação ao tipo de entrevista, adotei a semiestruturada, como forma de construir um ambiente mais flexível para a obtenção dos dados. Para a sua realização, elaborei um tópico-guia contendo questões que abordaria no decorrer da entrevista. Para a entrevista a ser realizada com os professores coordenadores dos subprojetos, organizei dois blocos de questões. O primeiro centrou-se nos dados pessoais, formação acadêmica, experiência profissional, tipo de vínculo institucional e área de atuação no curso. O segundo bloco visou compreender a organização e funcionamento do subprojeto na interação da universidade com as escolas de educação básica, e a identificação das formas de ensino de música adotadas por cada subprojeto. Após a transcrição de cada entrevista, meu desejo era apresentá-la ao respectivo entrevistado. Assim, eu demonstraria um cuidado em equilibrar as relações de poder na situação de pesquisa e uma postura ética diante da produção de um conhecimento partilhado. A propósito, de acordo com Szymanski, a autoria do conhecimento

é dividida com o entrevistado, que deverá considerar a fidedignidade da produção do entrevistador. (SZYMANSKI, 2004, p. 52). No entanto, as dificuldades enfrentadas após a realização das entrevistas e com os grupos focais, o grande volume dos dados e o tempo exíguo para a organização do material para o processo de Qualificação não me permitiram a devolução do material aos entrevistados para a análise das minhas interpretações. Como forma de solucionar esse problema, decidi encaminhar a cada professor entrevistado o tópico do capítulo relativo ao subprojeto sob sua coordenação, para a aprovação ou modificação do texto apresentado ou mesmo para o acréscimo de pontos de vista já anteriormente discutidos. Isso, antes da redação final da tese. As sugestões encaminhadas pelos professores coordenadores foram incorpocoradas ao texto final desta tese.

Com referência à entrevista realizada com o coordenador geral do Pibid, ele reitera as impressões relativas à horizontalidade da relação. O primeiro contato foi telefônico e, desde então, percebi a enorme disponibilidade do professor para participar da pesquisa. Depois de enviar-lhe um e-mail para formalizar o dia e o horário, imediatamente respondeu. Ao chegar à cidade de Brasília, na parte da manhã, precisava de um espaço para os últimos ajustes da entrevista que seria realizada à tarde. Ao comunicar com a Capes, prontamente cederam-me uma sala com toda a infraestrutura necessária para trabalhar. Chegando a Capes, fui recebida pelo coordenador geral e apresentada a todos que ali estavam como professora. Gentilmente, o coordenador-geral acompanhou-me até a sala que havia reservado colocando- se disponível para qualquer eventualidade. O professor retornou à sala para convidar-me para almoçar junto com ele e, então, iniciou, de maneira informal, a conversa sobre o Pibid.

Ao iniciar a entrevista, como já havia me apresentado, apresentei o objetivo da pesquisa e entreguei ao entrevistado o TCLE. Assinado o documento, solicitei sua permissão para fazer a gravação. Durante todo o tempo, a entrevista transcorreu dentro de uma relação cordial e descontraída. Estabelecemos, assim, uma relação de respeito e seriedade, mas mantendo a informalidade, o que foi muito positivo. A entrevista durou 1 hora e 40minutos. Como o meu retorno a Belo Horizonte estava marcado para a noite, permaneci na sala da Capes até a hora de ir para o aeroporto, analisando documentos,

relatórios, conhecendo um pouco do funcionamento dessa agência. A entrevista foi gravada, transcrita, e submetida à apreciação do entrevistado. Até então, eu não havia realizado as entrevistas com os professores coordenadores e nem com os grupos focais, sendo possível realizar a tempo a transcrição para devolver o material ao entrevistado. O professor fez pequenas alterações no nome de uma substância química que não estava correto e no nome da escola pública em que havia estudado. A devolução do material ao entrevistado, além de lhe garantir o direito de rever, discordar ou modificar as proposições feitas na entrevista, cumpriu, também, um compromisso ético com a fidedignidade dos dados produzidos.

Benzer Belgeler