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3. MATERYAL VE METOD
A análise de conteúdo (VALA, 1989; BARDIN, 1994; FRANCO, 2008) é a técnica que melhor se propôs a finalidade da pesquisa, consistindo no instrumento para a interpretação das entrevistas semiestruturadas. Esta técnica de tratamento da informação (SILVA, PINTO, 1989; DENZIM, LINCOLN, 1994) pode ser caracterizada como um recurso para compreender o processo de constituição das percepções, atitudes e representações de grupos específicos, com a vantagem de permitir uma comparação sistemática de dados, com ganhos em termos de padronização.
A Análise de Conteúdo, segundo Franco (2008) tem como ponto de partida a mensagem, que é imbuída de significado e sentido. A partir da mesma autora, dentre outros como GEERTZ (2008), vemos que o significado é social e compartilhado, definido por Franco
(2008, p.13) como: “[...] compreendido e generalizado a partir de suas características definidoras e pelo seu corpus de significação”. Por sua vez o sentido (ibidem, p.13) “[...]
implica a atribuição de um significado pessoal e objetivado que se concretiza na prática social
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Instância administrativa de cada Unidade Acadêmica, com características de colegiado, representações de vários segmentos da escola ou faculdade, com reuniões ordinárias previamente marcadas e extraordinárias para eventos específicos.
e que se manifesta a partir das Representações Sociais, cognitivas, subjetivas, valorativas e
emocionais, necessariamente contextualizadas.” Assim as comunicações humanas podem ser
analisadas, buscando-se inferências (BARDIN, apud FRANCO, 2008, p. 24) através da sistematização na busca de indicadores que permitam entender o por quê dos atos e práticas.
Como a Análise de Conteúdo é focada em princípios manifestos e explícitos (FANCO, 2008, p.28), considera-se que ela vai ao encontro das nossas concepções sobre cultura, sociedade e pensamento, onde a vida é pública em si, fazendo-se presente nas inter- relações e somente acessível a partir da sua expressão. Fato este que não é novidade na psicologia social, considerando que não é possível adentramos em abstrações como mundo interno e outras categorias que seriam latentes, passíveis de projeções e especulações infindas.
A análise das entrevistas dá-se em três momentos (FRANCO, 2008, p.29). O primeiro é o da descrição, que consiste na classificação das características do texto. No segundo momento, como procedimento intermediário, são feitas inferências que podem estar relacionadas a outros elementos como o meio, o entrevistado e enfim o contexto. O último momento é o da interpretação, que é a procura dos significados concedidos às características do texto em relação com as inferências que surgem.
Neste trabalho – de Análise de Conteúdo – Franco (2008, p.41) aponta que elaborados os objetivos, delimitado o referencial teórico e obtido o material, faz-se necessário o trabalho de definição de Unidades de Análise, que se subdividem em Unidades de Registro e Unidades de Contexto.
As de Registro constituem a menor parte e são relacionadas com as categorias obtidas na entrevista. Podem ser, conforme a ordem de abrangência a ser tratada: a Palavra, o Tema, o Personagem, e o Item. Todos com suas vantagens e desvantagens, podendo coexistir em diferentes níveis de análise. Optamos por trabalhar com o Tema por este constituir uma asserção sobre determinado assunto (FRANCO, 2008, p.42-43), incorporando aspectos racionais, ideológicos, afetivos e emocionais. Franco (2008, p.43) aponta a importância deste método no estudo de opiniões, expectativas, valores, atitudes e conceitos, ressaltando as dificuldades como o amplo espectro de fatos a se levar em consideração, da mesma forma que sua interseção com demais elementos na tarefa interpretativa.
As Unidades de Contexto são a parte mais ampla, onde investigamos sentidos e significados das Unidades de Registro através da caracterização analítica dos dados obtidos por meio de conjuntos de palavras, sentenças, histórias de vida e depoimentos pessoais, como os que registramos no caderno de campo, com a obtenção de informações prévias e posteriores às entrevistas gravadas.
A categorização da análise segundo Bardin (apud FRANCO, 2008, p. 59), pode ser sintática, léxica ou expressiva. Utilizamos o foco, principalmente, da categoria expressiva, sem exclusão da léxica pela sua possibilidade de classificar os dados segundo o seu sentido e em relação com sinonímias expressas pelos participantes da pesquisa.
Como nenhuma análise é iniciada sem referência a conhecimentos pré-existentes e baseado nas considerações propostas por Lobo (2006) e Marcelino (2008) dentre outros (DUMAZEDIER, 1973, 1976; PIMENTEL, 2010), temos que o lazer é marcado por três dimensões: tempo, atividade e experiência. Em Gomes (2004) a ocorrência do lazer se articula a partir de quatro elementos: tempo, ações, espaço-lugar e manifestações culturais.
Como a construção da entrevista envolveu os aspectos citados de tempo, atividades e compreensões sobre o lazer, consequentemente era de se esperar que surgissem, de maneira heurística, termos e unidades de registro referentes a estes aspectos, permitindo a construção do quadro interpretativo sobre esta juventude trabalhadora.
As categorias foram definidas em grupos. O primeiro abrangendo o significado do
lazer, para isto foi feita a questão: “O que você entende por lazer?” com o objetivo de
compreender como os jovens elaboram esta ocorrência. A segunda categoria envolve
identificar as práticas, sendo definida na através da questão: “Quais atividades você têm de lazer” buscando as ações que marcam essa forma de uso do tempo.
A terceira questão remeteu a anterior e visou confirmar os atos citados de antemão, permitindo também observar as relações entre o lazer e demais necessidades como descanso, estudo fora da escola, e outras tarefas, para isto foi construída sob a forma “O que
você faz fora da escola e do trabalho?”.
Essa terceira categoria permitiu avaliar, qualitativamente, se os jovens estão possuindo a oportunidade de utilizar o tempo de maneira satisfatória, conforme suas próprias avaliações, assim foi construída a pergunta: “Você acha que seu tempo disponível é suficiente para o lazer? Por quê?”.
Enfim é importante salientar que a Análise de Conteúdo constitui uma técnica que embasa a possibilidade de tratamento de dados obtidos, de forma que esses tenham sentido em um quadro de interpretação, não se tornando informações esparsas e desarticuladas, nem tampouco elementos que confirmem relações de caráter apriorístico.