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Evaluation of the Main Factors in the Need for Reoperation in Horizontal Strabismus

MATERIAL AND METHOD Study Type

Neste capítulo, nosso objetivo é apresentar o desenho da pesquisa realizada. Descrevemos a abordagem da pesquisa. Em seguida, apresentamos os procedimentos de pesquisa de campo, destacando as técnicas de coleta de dados realizada em duas fases: a primeira, estudos exploratórios de sensibilização e contextualização da pesquisa e a segunda referente às entrevistas individualizadas, conversas e observações informais. Abordamos, ainda, os critérios de escolha dos sujeitos pesquisados, bem como os critérios de amostragem dos referidos sujeitos. Expomos o referencial teórico da análise e interpretação de dados e finalizamos o capítulo destacando o número de sujeitos e seus respectivos códigos os quais compõem o quadro de informantes na pesquisa.

1.1 Abordagem qualitativa da pesquisa10

O objetivo proposto na pesquisa consiste em analisar as políticas e as práticas curriculares do IFMA – Campus Monte Castelo, na suposição de que não sejam suficientemente efetivas, críticas, consistentes e satisfatórias de Educação para as Relações Étnico-Raciais a ponto de autorizá-lo, como uma instituição de ensino de referência para a cidade de São Luís e para o estado do Maranhão, que tem uma história ligada à escravidão, uma rica cultura afro-descendente e um volume significativo da população negra, adotando como instrumental analítico o conceito de reconhecimento mútuo em Ricoeur (2006).

Considerando que em trabalhos de pesquisa o objetivo do estudo indica a linha a ser adotada, os contornos teórico-metodológicos que adotamos se configuram dentro da abordagem qualitativa de pesquisa, visto supormos que “o mundo deriva da compreensão que as pessoas constroem no contato com a realidade nas diferentes interações humanas e sociais” (CHIZZOTTI, 2010, p. 28).

Segundo Bogdan e Biklen (apud LUDKE; ANDRÉ, 1986, p.11), “[...] a pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes”. Para Chizzotti (2010, p. 28), “as pesquisas qualitativas

10 Ainda que tenha demonstrado alguns dados em termos percentuais, o trabalho assenta-se prioritariamente na

pretendem interpretar o sentido do evento a partir do significado que as pessoas atribuem ao que falam e fazem”.

Na percepção de Minayo (2001), a pesquisa qualitativa se preocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes. Segundo a autora, a pesquisa tem um ritmo ao qual denomina de ciclo da pesquisa, processada em uma fase exploratória: o trabalho de campo e o tratamento do material recolhido no campo. A fase exploratória corresponde ao projeto de investigação: o trabalho de campo diz respeito ao recorte empírico e o tratamento do material nos conduz à teorização sobre os dados. Ressalta ainda Minayo (2001) que a ideia de ciclo é de complementariedade entre as etapas da pesquisa.

Desse modo, o presente trabalho foi constituído nas referidas fases elencadas por Minayo (2001), nas quais destacamos em todo o processo a revisão bibliográfica.

Sobre a revisão bibliográfica Pádua (1998, p.54) afirma:

A pesquisa bibliográfica é realizada através da localização e compilação de dados escritos em livros, artigos, revistas especializadas, publicações em órgãos oficiais etc., sendo necessária a qualquer trabalho de pesquisa, antecedendo a própria pesquisa experimental. Mesmo buscando as informações na fonte citada, o pesquisador deve estar atento para que suas conclusões não sejam um resumo do material encontrado, podem-se estabelecer novas relações entre os elementos que constituem um determinado tema/problema e se acrescentar algo ao conhecimento existente, utilizando-se os procedimentos no método científico.

Na revisão bibliográfica que desenvolvemos ao longo do trabalho, abordamos estudiosos que tratam sobre o conceito de reconhecimento, da identidade, das relações étnico- -raciais e educação, do currículo, da interculturalidade, entre outros.

Desenvolvemos ainda pesquisas sobre declarações, tratados, convenções, pactos internacionais e nacionais sobre direitos humanos, a legislação educacional sobre a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Também outros documentos: Diretrizes Curriculares Nacionais e documentos internos do IFMA – Campus Monte Castelo, tais como o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) (IFMA, 2009a) e o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da instituição (IFMA, 2009b).

No que diz respeito aos documentos internos, o Plano de Desenvolvimento Institucional ajudou-nos a conhecer o planejamento e a gestão da Instituição, ou seja, a sua identidade no que diz respeito a sua filosofia de trabalho, à missão que se propõe, as diretrizes pedagógicas que orientam as suas ações, à sua estrutura organizacional e às atividades que desenvolve e/ou pretende realizar. O Projeto Político-Pedagógico ajudou-nos a identificar os

problemas relacionados ao Campus do Monte Castelo, a sua filosofia em seus princípios, utopias etc. Como dito anteriormente, o campo da pesquisa foi o IFMA - Campus Monte Castelo, situado no município de São Luís na Av. Getúlio Vargas, nº 4, no bairro do Monte Castelo, abrangendo o período de 2011 a 2013.

Na pesquisa de campo, dentre outros instrumentos de coletas de dados, desenvolvemos entrevistas semiestruturadas com professores, alunos, gestores e pedagoga que nos ajudaram a aprofundar e esclarecer o problema de estudo. Essa técnica de investigação permite a interação constante entre o pesquisador e os agentes pesquisadas, levando-nos a apreender e retratar as suas visões pessoais, pois possibilita uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde. Não houve imposição de uma ordem rígida das questões, e o entrevistado examinou o tema proposto com base nas informações que ele detinha (LÜDKE; ANDRÉ, 1986).

1.2 Os procedimentos da pesquisa

1.2.1 Técnicas de coletas de dados

1.2.1.1 Primeira fase: estudos exploratórios de sensibilização e contextualização da pesquisa

Para Deslandes (2001), quando tratamos da pesquisa qualitativa, as atividades que compõem a fase exploratória não se restringem à fase de construção do projeto de pesquisa, também a sucedem. Muitas vezes é necessária uma aproximação maior com o campo de observação para melhor delinearmos outras questões, tais como os instrumentos de investigação.

Com o objetivo de obter uma visão geral sobre as concepções dos professores e alunos quanto às relações entre o racismo, discriminação étnico-racial e o currículo escolar, tendo em vista a enunciação de alguns pressupostos, realizamos estudos exploratórios em dois momentos.

Num primeiro momento, em abril de 2011, aplicamos questionários exploratórios com questões abertas e fechadas a 41 alunos da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (EPTNM) (APÊNDICE A) e questionários exploratórios com questões abertas a 04 professores que atuavam na EPTNM, sendo 02 que lecionavam a disciplina de História, 01 de Língua Portuguesa e 01 professor de Design (APÊNDICE B). Adotamos esse procedimento qual seja, estudo exploratório, com três finalidades: a primeira consistiu em fazer uma

contextualização do problema e do objeto da pesquisa no Campus Monte Castelo promovendo desta forma, a familiarizaçãodo Campus com o referido trabalho. A segunda residiu na ideia de obtermos dos(as) professores(as) e dos(as) alunos uma visão panorâmica acerca das relações entre currículo e relações étnico-raciais. A terceira finalidade consistiu na ideia de que por meio do estudo exploratório poderia além de rever o objeto de estudo e hipóteses com mais precisão, definir o roteiro para a técnica subsequente, as entrevistas. Realizamos a tabulação dos referidos questionários e avaliamos que precisaríamos ampliar a amostra.

Em virtude disso, num outro momento, em maio de 2012, aplicamos questionários exploratórios com questões abertas e fechadas (APÊNDICE C e D) a 70 professores e 15 alunos, respectivamente, pelas mesmas razões expostas anteriormente. Procedemos também a tabulação cujas informações foram aproveitadas para compor parte do corpo do trabalho.

O quadro a seguir sintetiza o número de sujeitos abordados no primeiro e segundo momento por meio dos questionários exploratórios.

Realizamos a tabulação dos questionários as informações coletadas

Quadro 1 – Amostra de estudos exploratórios com alunos e professores do IFMA-Campus Monte Castelo

NÍVEIS DE ENSINO ALUNOS PROFESSORES

Questionários Questionários

EPTNM 1º Momento (Abril/2011): 41 1º Momento (Abril/2011): 04 NÍVEL SUPERIOR 2º Momento (Maio/2012): 15 2º Momento (Maio/2012): 70 Fonte: Pesquisa de campo.

1.2.1.2 Segunda fase: entrevistas individualizadas, conversas e observações informais

Utilizamos, ainda, outros instrumentos para a coleta de dados. Reportamo-nos, inicialmente, às entrevistas semiestruturadas individuais, as quais foram constituídas de duas partes: a primeira, um roteiro com informações preliminares (APÊNDICE E) (data, local e tempo de duração da entrevista) e o levantamento de alguns dados biográficos significativos da pessoa entrevistada, tais como raça/etnia, sexo, tipo de moradia, etc. (REGO, 2003), que foi preenchido no início das entrevistas. A segunda parte das entrevistas semiestruturadas foi o roteiro com as abordagens específicas de investigação deste trabalho com gestores e pedagoga (APÊNDICE F), com professores (APÊNDICE G) e alunos (APÊNDICE H).

As entrevistas e as discussões foram gravadas e depois transcritas conforme estabelecido pelo Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE I), o que nos permitem manter a fidedignidade do conteúdo emitido oralmente pelos participantes.

Cabe ressaltar que outros procedimentos constituíram a pesquisa, tais como conversas informais em diferentes e diversificados contextos, bem como reuniões de trabalho, entre elas, conselho de classe, reuniões de planejamento e seminários com líderes de turmas.

1.3 Os critérios de seleção dos sujeitos

Segundo Deslandes (2001, p. 43), a pesquisa qualitativa não se baseia no critério numérico para garantir sua representatividade. Nesse sentido, a autora diz que a pergunta importante para a definição é: “quais os indivíduos sociais que têm uma vinculação mais significativa para o problema a ser investigado”?

Nessa mesma perspectiva recorremos a Moreira; Caleffe (2008), para definirmos os participantes da pesquisa. Os autores afirmam que a seleção dos participantes consiste em escolher aqueles que possam melhor contribuir para a pesquisa e para o conhecimento do fenômeno, ou seja, a amostra é intencional.

Sendo assim, realizamos as entrevistas com doze (12) alunos. Destes, foram selecionados nove (09), a partir dos seguintes critérios: faixa etária (idade entre 14 e 25 anos), alunos atuantes em movimentos culturais e estudantis, alunos vinculados a grupo de pesquisa e alunos que estão há 02 ou mais anos no IFMA-Campus Monte Castelo, principalmente os que se autodeclaram negros que avaliamos como casos ricos em informações para o estudo.

Também nos moveu a fazer a pesquisa com os alunos o que colocam Abramovay e Castro (2003, p. 83) em suas pesquisas, a saber:

20% dos alunos, em especial os que estudam em escola pública, indicam não ter acesso ao ensino que envolva artes e questões culturais, bem como o da crise do ensino médio em virtude do mesmo não oferecer aspectos que favoreçam a cidadania. Entre professores e alunos é comum a referência a vários tipos de discriminação, entre elas a racial.

Um outro critério reside no que diz Krawczyk (2003, p. 82), isto é, a maioria do conjunto dos professores conhece pouco da vida dos alunos. Fala-se de um estudante sem que se saiba quem ele é, sem que se conheçam os diversos contextos e as necessidades de respostas diferentes à existência de cada um dentro da escola.

A opção feita em relação à faixa escolar do Ensino Médio, faixa esta que corresponde ao período da adolescência, leva em consideração as explicações da teoria psicossocial do desenvolvimento. Para esta teoria, “durante a adolescência, o indivíduo começa a experimentar o sentimento de que possui uma identidade própria, o sentimento de

que é um ser humano único e, contudo, preparado para se encaixar em algum papel significativo na sociedade [...]” (HALL, 1975, p.71).

Portanto, a opção por definir como sujeitos da pesquisa os alunos, especialmente os que se autodeclaram negros, justifica-se em função de a identificação dos negros parecer algo emblemático, pois o racismo, em virtude da cor da pele, bem como de outros atributos físicos, é a principal marca para justificar o tratamento diferenciado às pessoas que possuem o fenótipo da “raça” negra no Brasil.

Adotamos também como sujeitos da pesquisa os professores, considerando que a sua função principal é ensinar e, como tal, é preciso examinar suas visões e os valores que as sustentam. Procedemos também às entrevistas com doze (12) professores, no entanto, foram selecionados nove (07) para compor o quadro de sujeitos da pesquisa.

Consideramos ainda de suma importância abordar outros profissionais, dentre eles, gestores e pedagoga. Realizamos entrevistas com cinco (05) gestores, aqueles que estão mais diretamente ligados às atividades técnico-pedagógicas da Educação Profissional Técnica de Nível Médio e Educação Superior. Concebemos os gestores como aqueles que estão no cargo de direção, como profissionais que também desempenham tarefas educativas no que diz respeito à organização e à tomada de decisão.

Ademais, foram realizadas entrevistas com uma (01) pedagoga, uma (01) psicóloga e uma (01) Assistente Social, porém estes dois últimos não se constituíram como

corpus11 da pesquisa. A pedagoga, porém, foi constituído pela sua posição de agente

articulador das ações pedagógico-didáticas e curriculares, e, em virtude dessas responsabilidades, ambos, gestores e pedagoga ocupam funções estratégicas para implementação de políticas e práticas curriculares. Com efeito, os informantes da pesquisa possuem formação e desenvolvem funções estratégicas tanto em relação ao ensino quanto à gestão do Campus (APÊNDICE J).

Desse modo, os procedimentos metodológicos abrangeram os sujeitos descritos nos quadros a seguir.

11 Conjunto de documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos (BARDIN,

Quadro 2 - Informações sobre coleta de dados com 06 alunos da Educação Profissional Técnica de Nível Médio TIPOS DE

INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

SUJEITOS

PESQUISADOS CURSOS NÚMERO CÓDIGO DOS SUJEITOS

Entrevistas semiestruturadas Alunos (A)

Informática 01 A 1 Eletrotécnica 01 A 2 Comunicação Visual 01 A 3 Construção Civil 01 A 4 Química 01 A 5 Química 01 A 6

Fonte: Pesquisa de campo.

Quadro 3 - Informações sobre coleta de dados com 04 professores da Educação Profissional Técnica de Nível

Médio

INSTRUMENTOS DE COLETAS

DE DADOS

SUJEITOS

PESQUISADOS DISCIPLINAS NÚMERO

CÓDIGO DOS SUJEITOS Entrevistas Semiestruturadas Professores (PR) História 01 PR 1 Filosofia 01 PR 2

Laboratório de Ideias e Tipografia 01 PR 3

Educação Física 01 PR 4

Fonte: Pesquisa de campo.

Quadro 4 - Informações sobre coleta de dados com 03 alunos das Licenciaturas INSTRUMENTOS DE

COLETAS DE DADOS PESQUISADOS SUJEITOS CURSOS NÚMERO CÓDIGO DOS SUJEITOS

Entrevistas

semiestruturadas Alunos (A)

Química 01 A 7

Matemática 01 A 8

Biologia 01 A 9

Fonte: Pesquisa de campo

Quadro 5 - Informações sobre coleta de dados com 03 professores das Licenciaturas INSTRUMENTOS DE COLETAS DE DADOS CURSOS/DEPARTAMENTOS SUJEITOS PESQUISADOS NÚMERO CÓDIGO DOS SUJEITOS Entrevistas semiestruturadas Física Professores (PR) 01 PR 5 Educação (DHS) 01 PR 6 Educação (DHS) 01 PR 7

Quadro 6 - Informações sobre coleta de dados com 05 Gestores e 01 pedagoga INSTRUMENTOS DE

COLETAS DE DADOS PESQUISADOS SUJEITOS NÚMERO DE SUJEITOS

Entrevistas semiestruturadas Pedagoga Gestores – GE – PE

01 Pedagoga (PE)

01 Diretor do Ensino Superior (GE 1) 01 Diretor da EPTNM (GE 2) 01 Pró-Reitor de Ensino (GE 3) 01 Coordenador do NEABI (GE 4)

01 Coordenador do curso de Matemática (GE 5) Fonte: Pesquisa de campo.

1.4 Tratamento e análise dos dados

Em relação à análise e tratamento dos dados, primeiramente, efetuamos a tabulação dos questionários exploratórios buscando a maior incidência das respostas, por exemplo, os questionários exploratórios realizados com os professores em maio de 2012 (APÊNDICE K).

Como modalidade de interpretação do texto, tomamos como base as orientações do método da análise de conteúdo proposto por Laurence Bardin (2011). A análise de conteúdo é “um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens” (BARDIN 2011, p. 37).

Segundo Chizzotti (2010, p. 98), o objetivo da análise de conteúdo é compreender criticamente o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas.

Foi em 1927 que se iniciou o trabalho com a análise de conteúdo, embora esta já tenha precedentes históricos. São imputados a Harold Laswell os primeiros trabalhos de análise de conteúdo, em que este empreendeu estudos a respeito da propaganda na Primeira Guerra Mundial. A técnica foi se desenvolvendo e se aperfeiçoando, tanto por americanos quanto pelos franceses. Em 1977 Bardin publicou a sua obra “Análise de Conteúdo”, na qual o método foi detalhado, tornando-se referência quanto aos princípios, conceitos e ao emprego das técnicas de análise de conteúdo (MOZZATO; GRZYBOVSKI, 2011).

Diante desse referencial, optamos por elencar as etapas da técnica segundo Bardin (2011), o qual as organiza em três fases: pré-análise; 2) exploração do material; e 3) tratamentos dos resultados, inferência e interpretação.

Segundo Bardin, a análise de conteúdos, no que tange à organização da análise, compreende a fase da pré-análise como sendo a de organização propriamente dita; constitui o

corpus da pesquisa. A referida fase “corresponde a um período de intuições, mas tem por

objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise” (BARDIN, 2011, p. 125).

Com base no que acrescenta a autora quanto às tarefas de organização da pesquisa na fase da pré-análise, desenvolvemos algumas atividades, como, por exemplo, a “leitura flutuante” dos depoimentos dos entrevistados a qual consistiu em “analisar e em conhecer o texto deixando-se invadir por impressões e orientações” (BARDIN, 2011, p. 126). Após esta tarefa, escolhemos os depoimentos dos entrevistados conforme as hipóteses e os objetivos do trabalho delineados no projeto de pesquisa. Convém destacar que os pressupostos (hipóteses) e os objetivos foram aprioristicamente determinados conforme os referenciais teóricos, contudo, tivemos consciência de que estes poderiam se confirmar ou infirmar.

Na segunda fase, a exploração do material, procedemos à tarefa de codificação, a qual corresponde a uma transformação dos dados brutos do texto. Os resultados brutos são tratados de maneira a ser significativos. Os depoimentos foram preparados formalmente, ou seja, recortamos e editamos as entrevistas gravadas, já transcritas. Nesse sentido, empreendemos o estudo do conteúdo, das palavras e frases, buscando o sentido, descartando o acessório, reconhecendo o essencial.

Para realizar a tarefa de codificação, isto é, a forma como resolvemos tratar os dados, primeiramente registramos e identificamos algumas passagens (expressões-chaves) dos depoimentos dos entrevistados que estavam relacionados às questões de pesquisa, pressupostos e objetivos desta pesquisa. Assim, o material (depoimentos) foi organizado em 03 eixos, a saber: A gestão e as concepções sobre educação de qualidade com foco nas Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana; A identidade e o reconhecimento étnico-racial, a eficácia e a responsabilidade da escola de ensinar para combater o racismo, o preconceito e a discriminação racial e valorizar a diversidade e o reconhecimento étnico-racial e A efetivação da Lei nº. 10.639/03 e as práticas curriculares para o processo de reconhecimento étnico-racial dos alunos.

A segunda operação consistiu na identificação dos temas, também relacionados aos referidos eixos e questões das entrevistas. Para Berelson apud Bardin (2011, p. 135), “o tema consiste em uma afirmação acerca de um assunto [...] uma frase [...] um resumo ou uma frase condensada [...]”. Os temas foram definidos como unidades de significado e descritos analiticamente articulando os autores que fundamentaram a pesquisa.

Para iniciarmos essa empreitada, como dissemos, a revisão bibliográfica foi de fundamental importância. Esta foi composta de resumos de livros, artigos, teses e dissertações de forma impressa e eletrônica em que destacamos ideias e conceitos-chaves. Desse modo, no próximo capítulo iniciaremos a nossa discussão teórica mais específica, retomando os conceitos de raça e etnia configurando o cenário educacional maranhense.