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1. YAPILANDIRMACI ANLAYIġA GÖRE ĠLKÖĞRETĠM MATEMATĠK DERSĠNĠN KAZANIMLAR

1.4 Yeni Matematik Programının Farklılıkları

A palavra e a música sempre estiveram unidas na história da música e da literatura ocidentais, como comprovam, por exemplo, a melopeia grega, o cantochão litúrgico medieval, as formas polifônicas vocais da Idade Média e da Renascença, as cantatas do Barroco, a extensa literatura operística e as incontáveis manifestações da canção, forma breve em que um texto poético é entoado, geralmente acompanhado por um ou mais instrumentos.

Sobre as canções ocidentais, sabe-se que sua existência remonta à antiga Grécia, mas as primeiras notações de melodias de canções datam do séc. IX (Cf. Sadie,

1994, p 161). Das canções litúrgicas ligadas às escrituras bíblicas às canções seculares dos clérigos itinerantes, florescendo na arte dos trovadores franceses e nas cantigas medievais da Península Ibérica ou em formas polifônicas como no madrigal italiano do séc. XVI, a canção, ao longo dos tempos, adquiriu um grande número de conformações. Gêneros de canções sentimentais que dialogaram com a ária italiana, como a ballad inglesa, a

canzonetta italiana, a ariette francesa e a seguidilla espanhola se popularizaram no século XVIII. Sua contrapartida brasileira e portuguesa, a modinha, alcançou todas as classes sociais do Brasil e de Portugal no século XIX, originando-se na classe média urbana, popularizando-se entre as classes menos privilegiadas e chegando aos salões da corte portuguesa (Cf. Paula, 2005, p.1).

Dentro da tradição musical escrita, por volta do final do período clássico e início do período romântico nas artes, delineia-se um tipo de canção que toma como ponto de partida um texto poético. Ancorado nos movimentos nacionalistas e valendo-se das tradições da alta literatura e da filosofia, o Lied surge na Alemanha como gênero no final do séc. XVIII. Conforme Sadie (1994, p. 161), nessa época observa-se uma grande separação entre a canção “popularesca”, dirigida a um mercado de massa de classe média, da chamada canção “séria”, que circulava nas casas da aristocracia e da alta burguesia, apresentada em pequenos saraus particulares para grupos de amigos ou de mecenas das artes. Datam dessa época os primeiros recitais de canções, realizados em teatros por cantores profissionais ligados à ópera, nos quais as canções eram apresentadas ao lado de obras instrumentais de câmara para solistas ou grupo de instrumentistas. A palavra Lied, que quer dizer simplesmente canção, é hoje adotada internacionalmente para designar a canção erudita ou canção séria alemã, ligada às manifestações escritas musicais. Os Lieder foram compostos por compositores clássicos como Mozart ou Haydn, pelos grandes compositores do romantismo alemão e continuam sendo compostos na atualidade. Beethoven, Schubert, Schumann, Mahler, Wolf, Wagner e Richard Straus, entre outros, escreveram canções a partir de poemas de expoentes da poesia alemã como Goethe, Heine, Eichendorff, Möricke e Rückert, além de centenas de poetas menos conhecidos. Brahms harmonizou dezenas de canções populares, entre elas um grupo de canções ciganas. Românticos tardios como Mahler utilizaram-se de cancioneiros populares, como o Das

knaben Wunderhorn, e adaptaram a escrita de canções à escrita orquestral.

O ambiente de intensa produção artística e o movimento de renovação pelo qual passaram todas as artes na Paris do final do séc. XIX foram propícios ao

desenvolvimento da Mélodie, a contrapartida francesa do Lied, que teve sua origem no

Romance, tipo de canção sentimental altamente popular em meados do séc XVIII. Poemas de Baudelaire, Verlaine, Mallarmé, Appolinaire, Paul Eluard, Garcia Lorca e inúmeros outros poetas foram numerosamente musicados por compositores como Debussy, Fauré, Chausson, Duparc, Ravel e Poulenc. Textos anônimos e melodias folclóricas foram também utilizados como é o caso das Chanson Gaillardes de Poulenc, a partir de textos anônimos do séc XVIII, e das harmonizações de canções populares gregas, espanholas, francesas e hebraicas realizadas por Ravel.

Canções de câmara floresceram em toda a Europa. Na Inglaterra, o gênero, denominado Art Song, foi cultivado por Vaughan Williams, Finzi, Britten e outros. A composição de canções também encontrou adeptos nas Américas. Os autores americanos Ives e Copland, o cubano Xavier Montsalvage e o argentino Alberto Ginastera são apenas alguns exemplos.

A canção de câmara brasileira estabeleceu-se como gênero no final de séc. XIX, composta a partir de códigos próprios da tradição musical escrita, em interlocuções com a modinha, com a ópera italiana e com as várias manifestações da cultura oral brasileira em suas vertentes folclóricas ou populares urbanas. Alberto Nepomuceno (1864- 1920) foi o primeiro compositor a escrever canções sobre poemas em português, numa época em que no país, no âmbito da música erudita, só se admitia o canto em italiano e, quando muito, em francês, como afirma Vasco Mariz (2002, p.30). Importantes compositores brasileiros dedicaram-se ao gênero e, ao longo do séc. XX, produziram um número expressivo de canções. Glauco Velásquez, Francisco Braga, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Waldemar Henrique, Helza Camêu e os contemporâneos Marlos Nobre, Ronaldo Miranda e Almeida Prado, dentre outros, escreveram canções com textos de poetas como Olavo Bilac, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Ribeiro Couto, Ronald de Carvalho, Carlos Drummond, Cecília Meireles, Helena Kolody, Mário Quintana ou Paulo Leminsky, ou de autores europeus como Heine, Baudelaire e Maeterlinck. Além disso, utilizaram-se amplamente de textos populares anônimos e harmonizaram ou adaptaram um grande número de canções folclóricas.