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3. TEZ ÇALIŞMASINDA KULLANILAN DENEY YÖNTEMLERİ

3.2. Marshall Stabilite ve Akma Deneyi

Segundo Lopes (2004, p. 173), a empresa pode ser percebida como um conjunto de contratos entre os participantes, no qual cada um contribui com algo para a firma em troca de seus interesses. Observa-se uma premissa básica da teoria contratual da firma que é a existência de arranjo de acordos (formais e informais) entre partes interessadas na firma.

O equilíbrio na gestão dos contratos, com diferentes interesses, é imprescindível para manutenção de harmonia na organização e continuidade dos contratos, ou seja, da firma. Na percepção da necessidade de equilíbrio do arranjo contratual, desenvolve-se também a Teoria da Agência.

Jensen e Meckling (1976) apresentam que o mercado é regido por contratos firmados entre agentes econômicos, tais como empresas, governo ou pessoas físicas, onde toda a atividade econômica reduzir-se-ia a uma série de contratos bilaterais que poderiam ser firmados ou rompidos a qualquer momento por qualquer uma das partes.

No relacionamento entre os agentes, aparece a possibilidade de acesso e uso de informações privilegiadas de algumas partes no contrato em relação às outras. Estão caracterizados,

segundo Jensen e Meckling (1976) e Eisenhardt (1989), os problemas de assimetria de informações e de seleção adversa.

Diante da complexidade dos arranjos contratuais e dos problemas acima citados, o monitoramento das atividades desenvolvidas pelos agentes econômicos envolvidos com a firma é necessário para proteção dos interesses das partes. Essa estrutura de monitoramento dos interesses das partes no arranjo contratual é amplamente conhecida com a denominação de Governança Corporativa.

Na visão de Shleifer e Vishny (1997, p. 737), governança corporativa pode ser entendida como um conjunto de mecanismos que garantem aos fornecedores de recursos a obtenção para si do retorno sobre seus investimentos. Entretanto, essa visão fica restrita à segurança do investidor, que tem o interesse de proteger o retorno sobre seu investimento.

A Comissão de Valores Mobiliários (2002) apresenta uma visão mais ampla sobre governança corporativa, sendo abordada como práticas no sentido de proteger as partes interessadas na firma, tais como investidores, empregados, credores e fiscalização.

Entre as práticas de proteção, a informação contábil possui importantes funções, como pode ser visto pelo destaque de pesquisadores sobre o assunto. Segundo Lopes (2001, p. 123), a contabilidade tem papel reconhecido já nas pesquisas iniciais sobre governança corporativa, sendo utilizada não só para reduzir a assimetria informacional, mas também para o próprio estabelecimento dos contratos entre as partes.

La Porta et al. (1998), também, destacam o papel relevante da contabilidade na governança corporativa, já que as informações financeiras são utilizadas pelos investidores para suas análises e definição de expectativas sobre a empresa. Shleifer e Vishny (1997) corroboram a importante função da contabilidade na governança corporativa ao destacarem que os contratos de incentivos entre gestores e acionistas se baseiam, em boa parte, em medidas contábeis.

Sunder (1997) destaca que a contabilidade tem importante papel na coordenação dos contratos firmados entre os agentes relacionados à empresa, incluindo a distribuição de informação para

manter a liquidez de seus fatores de produção e para reduzir custos de negociação de contratos.

Esse papel esperado da contabilidade sob a perspectiva da Teoria Contratual da Firma, a característica normativa do padrão contábil das cooperativas de crédito e a fonte dessa normatização são pressupostos na definição dos objetivos de análise empírica e definição das hipóteses desta pesquisa, como pode ser notado adiante.

No Brasil, a padronização das práticas contábeis de cooperativas de crédito e de outras instituições financeiras é empregada desde a década de 80. As prescrições das práticas contábeis são feitas pelo Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, o COSIF, criado com a edição da Circular 1.273/87.

O objetivo do COSIF foi unificar e uniformizar os procedimentos de registro e elaboração de demonstrações financeiras e facilitar o acompanhamento, análise, avaliação do desempenho e controle das instituições integrantes do SFN.

No Brasil, o CMN, órgão normativo, e o BACEN, órgão normativo e executivo de supervisão do SFN, são respectivamente criadores e gestores do COSIF. É importante entender que essas duas instituições públicas federais fazem parte dos arranjos contratuais das cooperativas de crédito, com seus interesses específicos e condizentes com suas missões.

A participação dos órgãos normativos no arranjo contratual das cooperativas de crédito pode ser visualizada a partir do conhecimento de seus objetivos estratégicos, dos quais se destaca: “[...] promover a eficiência e assegurar a solidez e o regular funcionamento do Sistema Financeiro Nacional”. A partir do objetivo citado, compreende-se a participação do BACEN e do CMN no arranjo contratual das cooperativas de crédito, com interesse na garantia de solvência e promoção de ações tempestivas sobre situações de risco de insolvência, ou seja, um contrato externo.

A partir das características combinadas entre o papel da contabilidade, da perspectiva da Teoria Contratual da Firma, da participação dos órgãos normativos de cooperativas de crédito como os definidores do padrão contábil dessas instituições, foi fundamentado o pressuposto

que viabiliza a presente pesquisa: de que a informação contábil possui relevância na análise do risco de insolvência de cooperativas de crédito no Brasil.

Espera-se que um agente econômico, ao definir o padrão de informação que será recebido para sua utilização, receba informações relevantes para seus objetivos. No caso, os agentes econômicos são os órgãos normativos, a informação é a contabilidade e o objetivo é a possibilidade de avaliar tempestivamente o risco de insolvência de cooperativas de crédito.

A Teoria Contratual da firma assume então um papel fundamental de pressuposto teórico neste estudo da relação das cooperativas de crédito no Brasil com um agente econômico externo de regulação de sua atividade.

Benzer Belgeler