4.3. ÜÇÜNCÜ DALGA KADIN HAREKETİ (Feminizm)
4.3.2. Markisist Feministler
Quanto às diretrizes pedagógicas, apresentadas pela Instituição, destaco o item que propõe uma prática social educativa e para os deveres de cidadão. Novamente a dúvida sobre os deveres dos cidadãos, em relação a que e a quem? Qual a proposta da prática social? Segundo Morin (2006b) “um cidadão é definido, em uma democracia, por sua solidariedade e responsabilidade em relação à sua pátria”. (2006b, p.65).
Em relação aos Objetivos Gerais, presentes no documento, o item que mais se aproxima da temática de valores, refere-se à formação de recursos humanos. No entanto, não define esse conceito. Novamente aparece a preocupação com o trabalho junto à comunidade, mas como prestadora de serviços em relação ao conhecimento, consultoria técnica, nada mais.
Ao se referir aos Critérios para a Definição do Perfil do Egresso, aparece, pela primeira vez, a palavra “solidária”. Espera-se que o egresso do Universitas apresente além de competência profissional, postura ética, política de igualdade sem exclusão e se comprometa a construir uma sociedade justa e solidária. Mais uma vez, ao estabelecer os critérios para esse fim, aparece a palavra cidadania, sem explicitá-la, acompanhada dos termos ‘desenvolvimento sustentado’ e ‘bem estar social’, conceitos igualmente amplos e não contextualizados no documento.
A definição dosCritérios para a Definição de Princípios Metodológicos faz referência aos valores, além de sentimentos, maneiras de ser e processo de trocas recíprocas. O documento também reforça que esses critérios alicerçam os procedimentos, no sentido de comportamento, processo e ação. Um aspecto importante a ser verificado junto aos sujeitos dessa investigação.
De uma maneira geral, na análise do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), (Anexo I), percebe-se uma abordagem de forma superficial e genérica em relação aos valores. Um ponto mais significativo estaria na referência às práticas sociais e à cidadania.
Cada curso oferecido pela Instituição, por sua vez, tem um coordenador responsável pela elaboração de seu Plano Pedagógico. Procurei analisar esse documento no Curso de
Ciências Biológicas, com o objetivo de averiguar se a solidariedade tem sido contemplada como um valor norteador deste.
II - PLANO PEDAGÓGICO DO CURSO (Anexo II):
O Plano Pedagógico do Curso de Ciências Biológicas – Licenciatura (Anexo II), apresenta como um de seus objetivos o valor solidariedade:
Pautar-se por princípios da ética democrática: dignidade humana, justiça, respeito mútuo, participação, responsabilidade, diálogo e solidariedade, para atuação como profissionais e como cidadãos;
Além desse objetivo, que cita diretamente o valor solidariedade, um outro item insinua sua proposta em relação aos valores, quando se refere ao comprometimento do licenciado em Ciências e Biologia: “pautando sua conduta profissional por critérios humanísticos, compromisso com a cidadania e rigor científico, bem como por referências ético-legais”.
O documento apresenta também as propostas de Habilidades e Competências para o profissional de biologia. Ao elencar as competências referentes ao domínio do conhecimento pedagógico o documento menciona os temas transversais. Esses Temas Transversais, conforme já citado nessa dissertação (p.18) contemplam a educação de valores.
Um outro item, do referido documento, propõe como habilidade a intervenção em situações educativas com sensibilidade e acolhimento. Acolher é colocar-se no lugar do outro, característica da solidariedade.
O Projeto Pedagógico do Curso também apresenta um capítulo diretamente ligado à temática valores: “Competências referentes ao comprometimento com os valores inspiradores da sociedade democrática”. (Capítulo 8.4, Anexo II).
Ao longo do capítulo não aparece diretamente o valor solidariedade, mas por aproximação, há um destaque para o valor ‘respeito’e para a palavra ‘democracia’.
Apple (2006) diz que a democracia não é um slogan, mas um princípio constitutivo que deve ser integrado à vida cotidiana.
O próximo capítulo descrito refere-se aos princípios contemplados nas Diretrizes Curriculares do Curso de Ciências Biológicas, o que atende mais de perto à proposta da pesquisa sobre a presença do valor solidariedade. Um dos princípios diz respeito a interesses e necessidades específicas dos alunos, relacionando-os à flexibilização curricular. Penso ter encontrado nesse item uma “brecha” para o início de uma discussão sobre valores, em especial a solidariedade.
Ao relacionar as propostas do referido projeto com as propostas da UNESCO para a educação do milênio: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, observo no projeto da instituição pesquisada, uma ênfase maior apenas nas duas primeiras. Essa ênfase está de acordo com a valorização do conhecimento científico apresentado pelo Plano de Desenvolvimento Pedagógico da Instituição e o Plano Pedagógico do Curso de Ciências Biológicas. A temática valores estaria de acordo com as duas outras propostas da UNESCO: aprender a Conviver e aprender a Ser. Proposta encontrada de forma muito superficial e genérica nos dois documentos analisados.
III - EMENTAS REGISTRADAS NOS PLANOS DE ENSINO DOS PROFESSORES ENTREVISTADOS (Anexo III):
Ao analisar as ementas dos professores entrevistados percebi que elas privilegiam conteúdos, conhecimento científico, assim como as propostas da Instituição e do Curso. No entanto os professores relataram durante as entrevistas que em suas aulas, o subjetivo, o pessoal e o interativo, aparecem como fatores importantes. Para Boff (2000), não conhecemos apenas pela ciência, mas também por nossa consciência, pela nossa interioridade, pelas intuições, pelos sonhos, pelas experiências e projeções.
Essa forma de apresentação das ementas está de acordo com a orientação dos analistas do Conselho Estadual da Educação, responsável pela autorização e regulamentação do Curso.
4.2.2 – Entrevistas
Na aplicação das entrevistas semi estruturadas com professores do curso foram feitas duas perguntas básicas:
I - O que você privilegia no seu trabalho de professor do Curso de Biologia?
II - Quais os valores que você dissemina com seu trabalho de professor?
Essas perguntas possibilitaram estabelecer um diálogo com os pesquisados sobre valores e comportamentos dos alunos, assim como as inter-relações possíveis. O objetivo principal da primeira pergunta foi verificar que tipo de abordagem o professor de um curso de formação de bacharéis e licenciados em Ciências e Biologia contempla.
A segunda pergunta serviu para direcionar a entrevista para o foco principal da pesquisa, ou seja, valores, sem especificar qual o valor. Diante das respostas, foi possível discutir, junto ao entrevistado, a relação entre o conteúdo de sua disciplina e os valores disseminados. Essa pergunta para muitos deles pareceu inusitada, já que os currículos e as práticas pedagógicas privilegiam o aspecto científico dos assuntos. Ao procurar saber sobre atitudes ou práticas solidárias percebidas durante o curso, quer seja em sala de aula ou não, esse valor acabou sendo desvelado. As entrevistas foram gravadas, com o aval dos entrevistados, e transcritas pelo pesquisador. Essas transcrições compuseram o conjunto de dados que será analisado no capítulo V: apresentação e discussão dos resultados.
No entender de Minayo (2004), a relação do pesquisador com os sujeitos a serem estudados é de extrema importância.
A entrevista é o procedimento mais usual no trabalho de campo. Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada. (Neto, p. 57, In: MINAYO, 2004).
O autor entende a entrevista como uma conversa a dois com propósitos bem definidos. Um meio de coleta de informações sobre um determinado tema científico. Assim, foi possível articular as perguntas previamente formuladas com outras abertas, como, por exemplo, se o entrevistado consegue, ou se já pensou em relacionar os conteúdos de sua disciplina com a solidariedade e se ele já presenciou alguma situação onde esse valor estivesse presente. Com isso o informante pôde abordar mais livremente o tema solidariedade. Essa técnica empregada caracteriza a entrevista semi-estruturada.
Para Ludke (1998), a entrevista envolve o caráter interação. Há uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde, em especial nas entrevistas não totalmente estruturadas. “A entrevista ganha vida ao se iniciar o diálogo entre o entrevistador e o entrevistado” (1998, p.34).
Tratando-se de pesquisa sobre o ensino, a escola e seus problemas, o currículo, a legislação educacional, a administração escolar, a supervisão, a avaliação, a formação de professores, o planejamento do ensino, as relações entre a escola e a comunidade, enfim toda essa vasta rede de assuntos que entram no dia-a-dia do sistema escolar, podemos estar seguros de que, ao entrevistarmos professores, diretores, orientadores, supervisores e mesmo pais de alunos não lhes estaremos certamente impondo uma problemática estranha, mas, ao contrário, tratando com eles de assuntos que lhes são muito familiares sobre os quais discorrerão com facilidade. (LUDKE, 1998, p.36).
4.2.2.1 – Sujeitos
Responderam às entrevistas onze, dos 19 professores do Curso de Ciências Biológicas, perfazendo 58% do total. Os professores foram escolhidos de acordo com sua disponibilidade de acesso e adesão à proposta. Os entrevistados apresentam o seguinte perfil: