1. TÜRK HUKUKUNDA İPTAL KAVRAMI VE HÜKÜMSÜZLÜK İLE
1.5. European Union Intellectual Property Office Tarafından Markanın
2.1.2. Markanın Kullanılmaması Durumunda Haklı Sebep
Em nosso entendimento é nesta ocasião, que o Programa do Leite, consolida-se como política social do governo, na gestão do senhor Garibaldi Alves. Não é por acaso que o fortalecimento do programa, constitui-se como uma das principais bandeiras na campanha eleitoral à reeleição deste político para governador do estado em outubro de 1998.
Não obstante ao exposto, duas críticas precisam ser feitas a forma como o programa foi desenvolvido nesse período, a primeira diz respeito ao caráter eleitoreiro e assistencialista que este programa assume no discurso das elites políticas locais. Reconhecendo o nível de pobreza e carência das famílias potiguares que habitam a periferia das cidades e as áreas rurais remotas, pois o discurso e a ação política, tenta coagir os beneficiários do programa, principalmente pondo em cheque a continuidade do mesmo, por parte dos governos sucessores. Precisamos admitir que a falta de esclarecimento e a escassez dos bens e direitos básicos, como acesso a saúde e direito a alimentação regular, fragilizam os sujeitos, que inconscientemente ou em virtude de suas necessidades, legitimam esse discurso e corroboram para a perpetuação destes grupos políticos no poder.
A outra crítica necessária, diz respeito às precárias estruturas nas quais o programa é executado nos municípios e ao sistema de corrupção implantado no amago deste. Sobre esta complexa realidade, Azevedo (2007, p. 190), assevera que
durante oito anos de gestão de Garibaldi Alves, o Programa do Leite não dispunha de qualquer regulamentação criteriosa que controlasse, efetivamente, a operacionalização e o funcionamento do mesmo. Isso significou o surgimento, em 2003, de uma série de críticas ao Programa, bem como a instauração da CPI do Programa do Leite, responsabilizada de apurar as irregularidades administrativas e financeiras durante a segunda fase do Programa (1995-2002).
Não é de nosso conhecimento que a instauração desta CPI, e seus resultados comprovadores de irregularidades e de corrupção no funcionamento do Programa, que tenha resultado em denúncias junto ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, nem tampouco na formalização da acusação e/ou condenação dos envolvidos no sistema de corrupção que minava os recursos captados para serem aplicados junto ao programa em questão.
Destarte esses problemas, fato é que o programa se perpetuou na gestão de Wilma de Farias (2003 – 2010), tal qual como vinha sendo executado na gestão anterior, sem se verificar significativos aumentos ou reduções, no número de beneficiários e recursos investidos.
Fato novo ocorrido neste período foi que pela primeira vez, no ano de 2005, com o intuito de se combater, ao menos em tese, as corrupções e as irregularidades existentes no programa, abriu-se um processo licitatório para contratação da empresa que seria responsável a partir de então, pelo recebimento do leite junto aos produtores, bem como pelas etapas de processamento, envasamento e entrega do leite embalado e refrigerado nos postos de distribuição, nos distintos municípios do estado.
É neste contexto que surgem no Rio Grande do Norte, dois consórcios estabelecidos entre as unidades de processamento, fornecedoras de leite ao para o Programa Leite Potiguar, sejam eles o Consórcio Leite Potiguar, liderado pela APASA (Associação dos Pequenos Agropecuaristas do Sertão de Angicos) e composto pelas 2424 usinas que processam o leite distribuído junto ao Programa Leite Potiguar, e o Consórcio União, que tem como líder o Laticínio Santa Luzia (Leite Sertanejo), localizado na cidade de Pau dos Ferros, o qual é integrado pelo mesmo grupo de, que por meio desse consorcio fornecem leite para o PPA. .
Conforme conteúdos da entrevista com o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Norte (SINDLEITE), as referidas organizações surgem, no ano de 2005, quando o governo do estado torna pública a livre-concorrência para que empresas de todo o país, pudessem se candidatar como possíveis fornecedoras de leite para este programa. Dada a impossibilidade de uma única empresa do estado fornecer o leite processado para todos os municípios 167 municípios do estado, as 23 usinas atuantes no território potiguar, articularam-se compondo os consórcios e passaram a ser desde então as únicas fornecedoras de leite do referido programa.
Passada a fase de legalização dos consórcios e submissão da proposta à licitação pública, as unidades de processamento, e, maiormente os produtores cadastrados como fornecedores de leite para o programa, passaram a encarar um problema que a partir desse período tornou-se rotineiro e contínuo, o atraso no pagamento por parte do governo estadual para as unidades de processamento, o que em certa medida inviabiliza a realização do pagamento aos produtores, que teoricamente deveriam ocorrer quinzenalmente, mas que na verdade são efetuados, conforme a realização dos repasses. Durante realização da pesquisa campo, constatamos que no ano de 2013, os repasses
24 Participam do consórcio leite potiguar as seguintes empresas: Leite Chaparral, Leite cem, Leite Saúde,
Leite bom, Leite Natal, Leite triunfo, Leite Xodó, Leite Babi, APASA, Leite Ilbasa, Leite Marina, Leite Lagoa Nova, Leite Ila, Leite oestano, Leite Tapuio, Leite Sertanejo, Leite Coamtal, Leite Oestano, Leite Seridó, Leite Caicó, MasterLeite, Leite Sertão, Leite Nutrivida. Unidade de laticinios Santana.
foram atrasados em 9 quinzenas, no período compreendido entre março e julho do referido ano.
Tal realidade fez com que inúmeros produtores em todas as áreas do estado, pedissem desligamento do programa, uma vez que com os atrasos cada vez mais frequentes e longos, tornava-se inviável a permanência destes no programa, pois para muitos deles a produção e a comercialização do leite se constitui em sua principal fonte de renda e meio de reprodução social.
Os que permaneceram não escondem o seu descontentamento com a gestão do programa, e são unanimes em afirmar que o programa do leite seria muito bom, se fossem cumpridos minimamente o calendário de repasses/pagamentos. Tal insatisfação fica clara na fala do agricultor familiar entrevistado no município de São Francisco do
Oeste, que desapontado afirma “Nós permanece colocando leite aqui na usina, porque
não temos muita opção, só tenho três saída, ou coloco leite aqui pro programa, ou
vendo pro atravessador, ou o leite boia lá no curral”. Como bem se observa é sofrível a situação a qual estão submetidos os pequenos produtores de leite no Rio Grande do Norte, e tal cenário de adversidades, fortalece ainda mais a atuação do atravessador, que embora pague menos do que os programas estatais, mas realiza o pagamento no ato da compra, o que é visto por alguns pequenos produtores como sendo uma virtude, uma vez que eles (os produtores) e suas famílias possuem necessidades imediatas.
Nesse sentido a fala de um produtor entrevistado em um assentamento na zona rural do município de Mossoró, torna-se bastante ilustrativa, quando este afirma; “A gente ta aqui trabalhando no pesado porque precisa. Eu e minha família passamos o dia trabalhando com o gado, vivemos disso. Aqui não tem outro meio de vida e viver assim ta ficando ruim amigo, pois quem tem fome não pode deixar para comer amanhã, quem ta doente precisa de remédio hoje né. Por que é que todo mundo que trabalha recebe, e pra pagar a gente é essa demora?”.
Tais problemas não foram sanados na gestão da governadora Wilma de Farias, e acentuaram-se de forma ainda mais perversa no atual governo, comandado por Rosalba Ciarlini. Nesta gestão os atrasos tornaram-se ainda mais prolongados, e durante o ano de 2013, após uma longa demora nos repasses, correspondentes aos meses de março a setembro do referido ano, chegou–se a cogitar o aniquilamento do programa do leite, 18 anos após este ser reimplantado. Em consequência deste período de atraso, somados a outros fatores que desconhecemos, uma das maiores unidades de processamento de leite do estado, a Bom Jesus Agropecuária e Indústria LTDA, popularmente conhecida como
Leite Cacau, fechou as suas portas, desligando-se do consórcio leite potiguar em meados de 2013. Caso similar ocorreu com o Laticínio São Pedro, ou Leite Mariana, localizado no município de Pedro Avelino, a qual processava leite exclusivamente para o programa, e dadas as impossibilidades de permanecer nessa situação, transformou-se no segundo semestre de 2013 em uma queijeira.
Todavia, com o pagamento do débito contraído junto às unidades de processamento e aos produtores, em decorrência dos meses em atraso, decidiu-se pela permanência do programa, no entanto com drásticas reduções no número de beneficiários e no volume de recursos investidos no programa, os quais são visivelmente percebidos nos mapas 11 e 12. Acreditamos que o Programa Leite Potiguar só não foi totalmente extinto, em virtude do temor pelas repercussões sociais e políticas que uma atitude desta natureza poderia acarretar no cenário político estadual.
Não temos dúvida de que qualquer gestor, que ousar por fim neste programa, será cobrado duplamente por este ato, primeiramente porque terá sua popularidade afetada, na medida em que parte significativa da população carente do estado é beneficiaria desta política, algumas tendo nela a única fonte segura para provimento de suas alimentações. Nesse sentido, Azevedo (2007/2012a) já alerta para o fato que o grau de dependência e vulnerabilidade socioeconômica das famílias beneficiárias do Programa do leite e de outras políticas de combate à pobreza, terminam por influenciar na decisão dos votos para as eleições municipais, estaduais ou federais, a partir de uma lógica de sujeição e dependência a estas políticas de caráter compensatório.
Diante do exposto, é preciso atentar para o fato de que tal ação acarretaria ainda possíveis reações adversas por parte dos empresários do setor, uma vez que em sua maioria as indústrias de laticínios do estado são dependentes deste programa, algumas destas funcionando somente por causa do fornecimento para o mesmo.